Os acentos de Maláui e de Piauí, a 'desconfinacalma' necessária e o «fogo da juventude» a provocar «focos de contágio»
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Os acentos de Maláui e de Piauí, a 'desconfinacalma' necessária e o «fogo da juventude» a provocar «focos de contágio»
1. A estranheza que provoca o acento gráfico no nome próprio Maláui advém do facto de se considerar a regra geral de acentuação que preceitua que as palavras graves não têm acento. Todavia, o caso específico desta palavra entra em conflito com outra regra: a de que as palavras terminadas em i tónico são acentuadas na última sílaba quando precedidas de ditongo. Um caso raro que se explica nesta resposta. Outras questões colocadas no Consultório relacionam-se...
Covid põe Portugal a três velocidades, o termo mastodinia, o papel dos revisores e o fim de um ano escolar atípico
1. Recrudesce em Portugal a ameaça da covid-19, com novos focos da doença, sobretudo em Lisboa, onde o processo de desconfinamento iniciado em 30/04/2020 faz marcha-atrás, com o país colocado a três velocidades no combate à pandemia, a partir de 1 de julho p.f. Causa desta reavaliação: a violação do dever cívico de recolhimento e os comportamentos de risco, deliberados, por bravata juvenil, ou induzidos por más condições de transporte e de vida. ...
Um São João imemorável, marcha-atrás no desconfinamento, o apelido Camões e as maçãs-camoesas
1. Celebra-se a 24 de junho o dia de São João, padroeiro popular e um dos três santos que se comemoram no mês de junho, num quadro que associa manifestações religiosas e profanas. Em cidades como o Porto, a festa, que decorre na noite de 23, é pontuada pelos balões de ar quente, pelos martelinhos, e, claro, pela sardinha assada a pingar na broa. Este ano, porém, aconteceu algo imemorável: os festejos foram cancelados devido às medidas de combate à covid-19 (ver notícias aqui e aqui). O tradicional fogo de...
O uso de «haverão de», os malefícios dos ajuntamentos, o português pluricêntrico e a língua como ativo global
1. Sobre o uso de haver como auxiliar («haver de»), uma dúvida: por exemplo, falando de medicamentos, se se diz já com valor de futuridade que «hão de resultar», não será «haverão de resultar» uma construção redundante e, portanto, dispensável? No Consultório, outras perguntas completam a atualização: o que significa o regionalismo ervanço? As palavras subtrama e geniturinário estão bem formadas? E porque está...
A (lenta) dicionarização dos neologismos, a paráfrase, sobre o ensino à distância e a figura do Pe. António Vieira
1. A dicionarização das palavras é um processo que, muito frequentemente, começa com o aparecimento de um neologismo na língua, que vai sendo integrado gradualmente no léxico. A sua generalização e a frequência de usos podem levar à conversão da palavra num verbete de dicionário. Alguns destes neologismos podem resultar de uma tentativa de tradução de uma palavra estrangeira, o que nem sempre é um processo fácil ou de aceitação generalizada entre os falantes. Exemplo disso é a forma "Euromaidã", uma...
Tributo a Aristides de Sousa Mendes, a expressão estatuofobia, o uso conjuncional de caso e o papel dos linguistas
1. Há 80 anos, quando a II Guerra Mundial alastrava pela Europa, com multidões a fugir da perseguição racista e da ofensiva do III Reich, o cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes (1885-1954), desobedecia ao governo português e emitia vistos para cerca de 30 000 refugiados, entre os quais se contavam 10 000 judeus. Foi, na expressão usada pelos seus biógrafos, o "ato de consciência" de Aristides de Sousa Mendes, que, ao contrariar o poder vigente em Portugal,...
As metáforas cinematográficas da covid-19, o racismo na língua, o nome curgidade e a tradução de off the record
1. A realidade criada pela chegada do novo coronavírus desencadeou uma atividade linguística assinalável. Entre os fenómenos dignos de atenção, alguns dos quais tratados no Ciberdúvidas em diferentes momentos, encontra-se a produção de metáforas, entendidas como um processo cognitivo que procura compreender a realidade associando-a a domínios conceptuais já conhecidos. Já aqui foram abordadas metáforas nas áreas da guerra e dos fenómenos naturais, do caminho que se percorre e das doenças, da...
O Dia Mundial dos Oceanos, o Dia de Camões, mais léxico da covid-19, a ortografia em Moçambique e o anglicismo hashtag
1. Na data de 8 de junho comemora-se o Dia Mundial dos Oceanos, na mesma semana em que pouco depois, em 10 de junho, se festeja o Dia de de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. É curioso notar como o mar é tema comum às duas comemorações. Com efeito, em Portugal, o feriado evoca o contributo decisivo de um poeta renascentista para a elaboração de uma língua que se expandiu por via marítima, acompanhando a conquista de territórios além-mar, para explorar recursos humanos e materiais, num...
As metáforas da corrida na pandemia, alpaca no A covid-19 na língua, as orações de «morder como quem beija!» e a biografia de Bechara
1. A conceptualização das realidades associadas à covid-19 e às várias etapas da pandemia tem sido terreno fértil para a criação metafórica. Este processamento cognitivo gera expressões linguísticas que desvendam as interpretações do mundo e a forma como os seres humanos as associam a outras realidades que conhecem. A professora Carla Marques, consultora permanente do Ciberdúvidas, tem desenvolvido um conjunto de reflexões que se orientam no sentido de delimitar alguns domínios...
O termo paraministro, o regresso do futebol e do "futebolês", os nomes dos meses e o multilinguismo em Portugal
1. Enquanto Portugal entra na terceira fase do plano de desconfinamento – excetua-se a região de Lisboa, que continua com medidas mais restritivas –, um termo circula mediaticamente: paraministro. Emprega-se este para referir o cargo de uma nova figura do governo, o gestor António Costa Silva, que, não sendo ministro, foi nomeado para gerir governamentalmente uma estratégia de recuperação económica nacional, contando com a chegada (incerta) de subvenções da União...
