Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Início Português na 1.ª pessoa Pelourinho Artigo
Lisbon Revisited
Lisbon Revisited

Lisboa revisitada é o título de um poema de Fernando Pessoa mas não fica bem. A língua portuguesa não é a mais adequada para se falar da capital da famosa e mui frequentada West Coast of Europe.

O Christmas Spirit, ou Geist, olorando as almas e dando leveza aos sacos das prendas, a Lisboa dos Hotéis e dos Hostels, dos Tuk-Tuk e da algaraviada de línguas, só fica bem em inglês.

Dizer «cheira bem, cheira a Lisboa», sugere língua entarmelada e aos tombos depois de uma noitada no labirinto das tascas que já não há, dos duelos de navalha antigos, das ruas encardidas e do popular «água vai». Isso era no tempo do Cesário Green e ninguém quer essas coisas de província numa capital tão in como esta Lisbon fundada por Ulisses, ao que dizem.

Se é verdade que alguns ingleses vieram com a Segunda Dinastia, o que deu nos aristocratíssimos Lancastres e num Henry, the Navigator, o idioma de David Bowie é hoje um strawberry field nesta Lisboa em Turismo, post Christmas and Happy New Year – God bless! -, e isso smells good, seja na Wonderland Lisboa, vulgo Parque Eduardo VII (un English King) ou no Rossio Christmas Market. Como diz um tal mr. Trump na sua adjectivação infantil é tudo amazing and terrific. God bless!

Como os lisboetas fenecem e a cidade será, in the future, um grande passeio público de british a olharem para alemães, suecos para franceses e o mais da magnífica diversidade do mundo, excepto os portugueses, arredados para os subúrbios, temos por bem que esta adaptação lingústico-comunicacional é a que melhor serve os interesses da cidade.

God bless! Desta vez temos previsão. And it’s terrific!

Johnny Bigode

Sobre o autor

Luís Carlos Patraquim (Maputo, 1953), jornalista, poeta, escritor e roteirista moçambicano, com diversificada obra publicada. Por exemplo, Monção (Edições 70 e Instituto Nacional do Livro e do Disco de Moçambique, 1980), A Inadiável Viagem (ed. Associação dos Escritores Moçambicanos, 1985), Mariscando Luas (Editora Vega, 1992), Lidemburgo Blues (Editorial Caminho, 1997), O Osso Côncavo e Outros Poemas (Lisboa, Editorial Caminho, 2005), Pneuma (Editorial Caminho, 2009) e A Canção de Zefanías Sforza (Porto Editora, 2010).