D´Silvas Filho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
D´Silvas Filho
D´Silvas Filho
9K

D´Silvas Filho, pseudónimo literário de um docente aposentado do ensino superior, com prolongada actividade pedagógica, cargos em órgãos de gestão e categoria final de professor coordenador deste mesmo ensino. Autor do livro Prontuário Universal — Erros Corrigidos de Português. Consultor do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

 
Textos publicados pelo autor

A primeira vírgula obedece à regra de a copulativa e ser antecedida de vírgula quando o sujeito é diferente.

A segunda, à regra, aplicável neste caso, de que na omissão de um elemento fundamental numa expressão, uma vírgula deva ser inserida. A utilidade da vírgula não será, então, uma pausa, uma separação, um sublinhado, nas suas múltiplas funções, mas aqui uma chamada de atenção para o facto de que a expressão está incompleta e de que só é esclarecida no contexto.

Devemos seguir as regras, para que o entendimento seja geral. As gramáticas e os prontuários apresentam múltiplos exemplos nos quais a presença ou a ausência de uma vírgula implicam sentidos diferentes à expressão. É preciso ter cuidado na pontuação.

Contudo...

Serão sempre indispensáveis as vírgulas?

Parecer pessoal

Se suprimirmos a primeira vírgula, não é por isso que os sujeitos se deixam de distinguir, pois o verbo está no singular: «O João foi.»

Se suprimirmos a segunda, com as duas expressões seguidas, o intelecto deduz que o verbo omisso é o mesmo: «o Manuel (igualmente) foi», num raciocínio de nível superior, com risco, do tipo: se a ação fosse diferente, seria indicada (estamos já nesta fase nos robôs?).

Rodrigues Lapa, na sua Estilística da Língua Portuguesa, defendia que a estilística era também a arte de subverter as regras para dar mais intensidade à escrita.

Na minha opinião, e considerando as pausas que ficariam implícitas, a expressã...

Imagem de destaque do artigo

A reafirmação do autor sobre a importância do trema para a distinção da pronúncia do u – que se enquadra no seu conceito «de que devem ser facultativas e não proibidas as utilizações gráficas na língua que facilitem a aproximação com a pronúncia do falante» –, em referência ao artigo do jornalista Nuno Pacheco, Ascensão e queda dos pontinhos voadores.

 

    Deve haver confusão do consulente em resultado de ter visto uma grafia errada de Luísa, com s. Está taxativamente grafada com acento na Base X, 1.º do Acordo Ortográfico de 1990, que o Brasil segue, como Portugal. Mesmo que aí  se escreva com z, a regra é a mesma, pois no Brasil respeita-se a norma no vocábulo influído registado nesta data no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) em linha da Academia Brasileira de Letras. 

    Juíza segue a mesma regra: quando, no conjunto destes dois grafemas (u+i), i deixa de ser uma semivogal e é tónica, o acento é obrigatório. Se não se acentuasse, o conjunto funcionava como um ditongo, como em fluido.

    A norma indica que o grafema i pode também funcionar como vogal, sem precisar de acento, quando forma sílaba com a consoante seguinte (l, m, n, r, e z) ou antes de nh.

    É este o motivo por que, por exemplo, Luís tem acento e juiz não. 

Ao seu dispor,

D’ Silvas Filho

   Começo por transcrever, com a devida vénia, o que se encontra na história de Castanheira de Pera segundo o que está registado nos documentos do Concelho:

    «As origens de Castanheira de Pera remontam, certamente, a muitos séculos antes do primeiro documento histórico comprovativo.

    O primeiro documento conhecido, referindo nomes de povoações do actual concelho, tem a data de 1467 - é uma sentença de Afonso V sobre os baldios do Coentral. Porém, existe uma lenda que nos fala da princesa Peralta, filha de el-rei Arunce. Esta lenda foi escrita, em 1629, por Miguel Leitão de Andrada

    Segundo a lenda, em 72 a.C., fugida de Colimbria, em consequência da invasão do reino, Peralta refugiou-se com seu séquito no Castelo de Arouce (Lousã).

    Por influência de Sertório (guerreiro romano que por ela se apaixonou), decidiu ir para Sertago.

    No caminho, morreu sua aia, Antígona, que ali mesmo foi enterrada. Sobre a sepultura foi colocada uma lápide com a seguinte inscrição: "ANTÍGONA DE PERALTA AQUI FOI DA VIDA FALTA".

    A deusa Vénus, que perseguia a princesa, enviou um poderoso raio, que transformou os acompanhantes em montanhas e a bela Peralta numa formosa sereia, que ficou vivendo nas águas que brotavam da serra.

    Esse raio desfez, igualmente, a lápide, onde, para a posteridade, apenas ficou da primitiva inscrição: ANTIG...A DE PERA...

    Desta lenda maravilhosa nasceu Castanheira de Pera.»

    O consulente levanta uma questão pertinente, para a qual a simples consulta em motores de busca na Internet não é suficiente. Os problemas na língua exigem frequentemente a consulta em livros idóneos, não acessíveis `em linha´.

    Prussiano está registado no Dicionário Etimológico de José Pedro Machado (como derivado do top. Prússia desde XVII), no Vocabulário da Academia das Ciências de Lisboa (ACL, 1940), no Vocabulário de Rebelo Gonçalves (1966) e, presentemente, no Dicionário Houaiss.

    Prusso aparece no Vocabulário da ACL e também no de Rebelo Gonçalves, mas, neste, com a referência ant. → antigo nome.

 

    Parecer pessoal

    Embora prusso, da Prússia, seja legítimo, como russo da Rússia, segundo Rebelo Gonçalves o termo atual conveniente no português europeu é prussiano.

    Interessa-me pouco saber quem começou a usar o termo, se foi Portugal ou o Brasil, pois a língua é a mesma. Inclino-me para que o Brasil se tenha inspirado no Vocabulário da ACL de 1940, na altura a referência na língua, como hoje é o amplo e valioso Vocabulário...