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D´Silvas Filho
D´Silvas Filho
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D´Silvas Filho, pseudónimo literário de um docente aposentado do ensino superior, com prolongada actividade pedagógica, cargos em órgãos de gestão e categoria final de professor coordenador deste mesmo ensino. Autor do livro Prontuário Universal — Erros Corrigidos de Português. Consultor do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

 
Textos publicados pelo autor

As frases, consideradas na sua estrutura gramatical, estão efetivamente incorretas. O verbo devia estar no plural.

Portanto: «Férias são na Bahia», «Ofertas são na Bahia».

Mas lembremos Rodrigues Lapa. Muitas vezes, a frase fica mais expressiva se não nos cingirmos exatamente às regras gramaticais. Vejamos os dois casos. 

«Se queres boas férias, é na Bahia que as deves ter». A frase resumida apresentada é mais sugestiva.

«Compras que são ofertas, é aqui que as encontras». A frase resumida também é mais sugestiva.

Qualquer uma delas, pelo inusitado da discordância gramatical, desperta mais a atenção.

 Esta aceitação de tolerância na forma, não significa que se devam ignorar as regras gramaticais. Só mesmo quando se domina bem a gramática, se pode iludir a sua rigidez sem cometer erros grosseiros.

  Quem conhece bem as normas sabe que há, nas duas frases em apreço, um erro grosseiro de concordância no número do nome com a pessoa utilizada no verbo. Mas também sabe que, entre o sujeito e o predicado direto, uma vírgula é um erro grosseiro. Então, pode manter as frases sugestivas dando a entender (para quem também sabe), por meio de uma vírgula, que não há ligação entre nome e o verbo nas duas expressões: «Férias, é na Bahia». «Ofertas, é aqui». As vírgulas significam que há elisão nas frases, e que temos o verbo na frase em função de realce.

Em resumo, penso que as frases apresentadas só seriam aceitáveis com as vírgulas e que a publicidade não deve grafar com erros grosseiros, ...

   A palavra não foi encontrada em Rebelo Gonçalves. É portanto um neologismo em Portugal, que entrou na língua depois dessa data.

    Nos neologismos, deve fazer-se o possível para que a palavra represente quanto possível o conceito. Ora que significa a palavra? Que houve, “antes” do condicionamento, uma ação, um evento, uma situação (“prévios”). O prefixo que dá esse significado é pré-; e, assim, recomendar-se-ia pré-condicionamento.

   Com o uso, porém, o prefixo pre- emudece, aglutina e deixa de ter acento, o que aconteceu, por exemplo, com preconceber, preconcebimento.

   Lembra-se que o pospositivo –mento (conversão de verbos em substantivos) está ligado a várias palavras com o prefixo emudecido: predelineamento, pressentimento. Assim, recomenda-se que se passe a adotar precondicionamento, também em concordância com a Academia Brasileira de Letras. * 

 

Definições:

Tsunami: Vaga marinha volumosa provocada por movimento de terra submarino ou erupção vulcânica. Do jap. tsunami: tsu → porto; nami → onda.

Maremoto: Tinha a mesma definição de tsunâmi. De facto, etimologicamente é: mare → mar; motu- → movimento. Mas motu- também significava abalo e, modernamente, prefere-se distinguir maremoto como um sismo no mar, em similitude com terramoto, um sismo na terra firme.

Questões técnicas:

  Tsunâmi:

1. Repare-se que se usou o acento circunflexo diferentemente da forma registada no Houaiss. Considerou-se que o vocábulo na sua estrutura obedece à índole da língua e que, assim, pode entrar no léxico. Só que, nas regras ortográficas em vigor, como as palavras terminadas em i são agudas quando precedidas de consoante (ex.: aqui), o acento gráfico é indispensável para que a pronúncia seja de paroxítona.

       2. A definição do dicionário Houaiss não tem precisão:

 

•  Várias causas podem dar origem a um tsunâmi, como uma explosão atómica submarina, um ciclone, movimentos das placas tectónicas (o m...

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Diferenças do vocabulário proposto pelo autor com os critérios de antes e de depois do Acordo Ortográfico

Mais um contributo de D'Silvas Filho sobre  as alterações ao Acordo Ortográfico de 1990, na esteira da proposta da atual direção da Academia das Ciências Lisboa, comparando, neste texto, o que ele próprio propõe no vocabulário que elaborou e se encontra acessível na sua página pessoal. Propósito explícito: uma «moratória da fase de coabitação entre o critério da ortografia da norma de 1945 e o do AO90», no pressuposto de  uma «nova fase mais prolongada de tolerância» na aplicação da atual reforma, «que permitam aos dois critérios se irem adaptando na escrita, até que os falantes façam a sua escolha definitiva.»

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Sobre o papel histórico da Academia das Ciências de Lisboa em matéria linguística

Apelando à tradição normativa e à tolerância que deve observar-se num processo de mudança ortográfica, D'Silvas Filho avalia o papel que a Academia das Ciências de Lisboa tem tido na história da ortografia do português e, em especial, na aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.