D´Silvas Filho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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D´Silvas Filho
D´Silvas Filho
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D´Silvas Filho, pseudónimo literário de um docente aposentado do ensino superior, com prolongada actividade pedagógica, cargos em órgãos de gestão e categoria final de professor coordenador deste mesmo ensino. Autor do livro Prontuário Universal — Erros Corrigidos de Português. Consultor do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

 
Textos publicados pelo autor

    Deve haver confusão do consulente em resultado de ter visto uma grafia errada de Luísa, com s. Está taxativamente grafada com acento na Base X, 1.º do Acordo Ortográfico de 1990, que o Brasil segue, como Portugal. Mesmo que aí  se escreva com z, a regra é a mesma, pois no Brasil respeita-se a norma no vocábulo influído registado nesta data no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) em linha da Academia Brasileira de Letras. 

    Juíza segue a mesma regra: quando, no conjunto destes dois grafemas (u+i), i deixa de ser uma semivogal e é tónica, o acento é obrigatório. Se não se acentuasse, o conjunto funcionava como um ditongo, como em fluido.

    A norma indica que o grafema i pode também funcionar como vogal, sem precisar de acento, quando forma sílaba com a consoante seguinte (l, m, n, r, e z) ou antes de nh.

    É este o motivo por que, por exemplo, Luís tem acento e juiz não. 

Ao seu dispor,

D’ Silvas Filho

   Começo por transcrever, com a devida vénia, o que se encontra na história de Castanheira de Pera segundo o que está registado nos documentos do Concelho:

    «As origens de Castanheira de Pera remontam, certamente, a muitos séculos antes do primeiro documento histórico comprovativo.

    O primeiro documento conhecido, referindo nomes de povoações do actual concelho, tem a data de 1467 - é uma sentença de Afonso V sobre os baldios do Coentral. Porém, existe uma lenda que nos fala da princesa Peralta, filha de el-rei Arunce. Esta lenda foi escrita, em 1629, por Miguel Leitão de Andrada

    Segundo a lenda, em 72 a.C., fugida de Colimbria, em consequência da invasão do reino, Peralta refugiou-se com seu séquito no Castelo de Arouce (Lousã).

    Por influência de Sertório (guerreiro romano que por ela se apaixonou), decidiu ir para Sertago.

    No caminho, morreu sua aia, Antígona, que ali mesmo foi enterrada. Sobre a sepultura foi colocada uma lápide com a seguinte inscrição: "ANTÍGONA DE PERALTA AQUI FOI DA VIDA FALTA".

    A deusa Vénus, que perseguia a princesa, enviou um poderoso raio, que transformou os acompanhantes em montanhas e a bela Peralta numa formosa sereia, que ficou vivendo nas águas que brotavam da serra.

    Esse raio desfez, igualmente, a lápide, onde, para a posteridade, apenas ficou da primitiva inscrição: ANTIG...A DE PERA...

    Desta lenda maravilhosa nasceu Castanheira de Pera.»

    O consulente levanta uma questão pertinente, para a qual a simples consulta em motores de busca na Internet não é suficiente. Os problemas na língua exigem frequentemente a consulta em livros idóneos, não acessíveis `em linha´.

    Prussiano está registado no Dicionário Etimológico de José Pedro Machado (como derivado do top. Prússia desde XVII), no Vocabulário da Academia das Ciências de Lisboa (ACL, 1940), no Vocabulário de Rebelo Gonçalves (1966) e, presentemente, no Dicionário Houaiss.

    Prusso aparece no Vocabulário da ACL e também no de Rebelo Gonçalves, mas, neste, com a referência ant. → antigo nome.

 

    Parecer pessoal

    Embora prusso, da Prússia, seja legítimo, como russo da Rússia, segundo Rebelo Gonçalves o termo atual conveniente no português europeu é prussiano.

    Interessa-me pouco saber quem começou a usar o termo, se foi Portugal ou o Brasil, pois a língua é a mesma. Inclino-me para que o Brasil se tenha inspirado no Vocabulário da ACL de 1940, na altura a referência na língua, como hoje é o amplo e valioso Vocabulário...

     Comecemos por distinguir o que é inato do que é adquirido. Os  caracteres inatos dizem respeito à genética, às transformações que se processaram nos nossos genes com a evolução e passaram aos descendentes pelas leis da genética; os adquiridos, à influência do ambiente.

    Quanto ao medo, tudo o que possa ser perigoso para a vida é recusado nessas características inatas; no sublinhado por Damásio em homeostasia: a tendência da vida para “persistir e prevalecer”.

    Inclui-se, naturalmente, por exemplo, o medo às aranhas, pela verificação da capacidade de imobilização das presas; bem como às cobras, pelo ataque inesperado e pelo veneno de morte.

    O medo exagerado, a fobia, não me parece que seja inato, mas adquirido: por experiências traumáticas ou por uma influência formativa nefasta. Pode, também, ser uma deficiência específica mental do indivíduo. Sempre com a ressalva de que haja já no ADN familiar uma mutação persistente que determine essa tendência, então genética.

    Não sendo genética, a tendência terá passado de pais para filhos por hábitos familiares; e, logo, será adquirida.

    Assim, sugiro para estes casos duvidosos o termo transmitido, permitindo a ambivalência da transmissão inata ou da adquirida. O termo genético representa `normalmente´ uma inevitabilidade inata. Aceito, porém, que especialistas consigam termo mais adequado, o que agradecemos.

    Em resumo, esta interessante pergunta, em que, na resposta, me aventurei em campo científico que não é a minha especiali...

Mesmo invocando a concordância de sentido (considerando a palavra «angolanos» representando os dois géneros), a frase «*ela é uma dos angolanos» não tem coesão, é graficamente inaceitável.

Por outro lado, em «ela é um dos angolanos», a falta de concordância com o sujeito é chocante; e, além disso, no nosso tempo, em que as senhoras não aceitam, e com razão, que o seu género seja subestimado, eu também a recusaria. Escreveria qualquer coisa do género: «Ela é uma angolana, como todos os angolanos».

Isto acontece devido à ambivalência de género possível da palavra «angolano», que nem sempre acerta com a convenção forçada de o masculino representar a totalidade.  

Ora, o pronome nós é inequivocamente de ambos os géneros. Assim, eu já aceitaria escrever: «ela é uma de nós.» Penso que se respeita a concordância natural e não se restringe o género. Escrevendo-se nós, consideram-se todos, angolanas e angolanos.

Em resumo, o apresentador não errou. 

Ao seu dispor,