D´Silvas Filho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
D´Silvas Filho
D´Silvas Filho
19K

D´Silvas Filho, pseudónimo literário de um docente aposentado do ensino superior, com prolongada actividade pedagógica, cargos em órgãos de gestão e categoria final de professor coordenador deste mesmo ensino. Autor, entre outros livros, do Prontuário Universal — Erros Corrigidos de Português. Consultor do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

 
Textos publicados pelo autor
Com 2020, termina ou começa uma década?
Um debate que se reacende

À semelhança da discussão em volta do primeiro ano do presente milénio, a entrada de 2020 levanta uma questão semelhante: a nova década começa em 2020, ou em 2021? Várias respostas têm sido difundidas pela comunicação social, como é o caso da nota que o jornalista João Miguel Tavares juntou ao texto de uma das crónicas que assina regularmente no jornal Público (edição de 28 de dezembro de 2019), na qual defendeu o seguinte ponto de vista: «Em bom rigor, se uma década tem dez anos, a actual só termina em 2020, de facto. Mas a linguagem comum nem sempre combina com a matemática, e convém não promover o absurdo de os anos 20 começaram a 1 de Janeiro de 2020, enquanto a década de 20 só começaria a 1 de Janeiro de 2021. Proponho aos mais devotos das contas certas que estabeleçam como premissa que a primeira década do calendário gregoriano teve nove anos, e a partir daí já bate tudo certo. »

O Ciberdúvidas escutou o consultor D'Silvas Filho para saber se é mesmo assim.

A avaliação do parlamento português ao Acordo Ortográfico de 1990

Texto de D'Silvas Filho sobre a Avaliação do Impacto do Acordo Ortográfico de 1990, do Grupo de trabalho da Assembleia da República. O texto completo está disponível na página pessoal do autor.

Iniciativas dilatórias de aperfeiçoamento no A090
Sobre a I Reunião do COLP

Comentário de D´Silvas Filho à primeira reunião do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP)

A pergunta tem duas questões distintas:

1. Legitimidade da palavra *decahexateto.
2. Classificação e sequência para 1 a 100

Questão 1

Dados colhidos de estudo

Existem as palavras hexadecaedro (poliedro de 16 faces) e hexadecágono (polígono de 16 lados), entre outras semelhantes. Numa classificação hexadecimal especificamente organizada em quartos poder-se-ia usar a designação, no conjunto, por hexadecateto (teto- elemento de composição do grego tétartos, que significa a quarta vez, etc.).

Os especialistas do Protocolo IP (não se deve escrever os *IPs) inventaram um termo (no qual os elementos de ligação do termo hexadecimal ficam trocados de posição relativa), para a unidade de 16 bits: o *decahexateto, no processo que escolheram para aumentar os endereços disponíveis.

Parecer pessoal

A palavra *decahexateto está mal formada na língua portuguesa, quer na variedade europeia quer na brasileira. Não obedece às regras ortográficas estabelecidas (b do 2.º da Base II do Acordo Ortográfico de 1990 e já era assim na Base III da Norma de 1945): "Suprime-se o h quando por via de composição passa a interior"...

Gramática de Celso Cunha indica que pode ser usada a mesma designação para o fracionário que para ordinal, se expresso numa só palavra. Exemplo em Celso Cunha: 1000 → milésimo. Logo: 1/1000000 → milionésimo.

Quando o ordinal é expresso por mais que uma palavra, usa-se o para o fracionário o cardinal seguido do termo avos (fração da unidade). Logo: 10 000 → dez mil avos, 100 000 → cem mil avos.

Parecer pessoal

Os ordinais, exprimindo quantidades inteiras de 10 000 e de 100 000, são respetivamente: dez milésimos e cem milésimos. Os fracionários exprimem partes de quantidades, e o numeral nas quantidades inteiras não pode ser cardinal nos fracionários porque passa a ser uma fração: no primeiro caso é um décimo e no segundo um centésimo. Então, neste raciocínio, e como alternativa à regra geral, penso que poderia, no caso em apreço, ter-se, também: para 1/10000: um décimo de milésimo (do total), e para 1/100000 um centésimo de milésimo (do total).

Ao seu dispor

N.E. – Em Portugal. os números inteiros ou decimais com cinco ou mais dígitos – por exemplo, 32 048 e 21 237,459 32 – são separados em grupos de três por um espaço, de acordo com Norma Portuguesa 9 de 2006 (NP9 2006, págs. 3/4). Os números com quatro algarismos são escritos sem espaço, a não ser que figurem em coluna (ibidem); exemplos:

– 1437,327 61 e 14 373,2761