Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
D´Silvas Filho
D´Silvas Filho
3K

D´Silvas Filho, pseudónimo literário de um docente aposentado do ensino superior, com prolongada actividade pedagógica, cargos em órgãos de gestão e categoria final de professor coordenador deste mesmo ensino. Autor do livro Prontuário Universal — Erros Corrigidos de Português. Consultor do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

 
Textos publicados pelo autor

  Na palavra conseguia, o i é tónica, logo uma vogal, não uma semivogal, e, portanto, temos o hiato i-a, que forma duas sílabas. Assim, a palavra é um polissílabo: con-se-gui-a. Contudo, é de boa norma numa translineação não deixar uma vogal isolada numa das linhas. Por isso, recomenda-se que a separação seja feita nas sílabas anteriores: con-||seguia, conse-||guia.

Ao seu dispor

     As normas ortográficas são muito claras no uso do apóstrofo. Segundo a Base XVIII do Acordo Ortográfico de 1990, o apóstrofo é usado em quatro casos distintos: •  a) ex.: d’Os Lusíadas; •  b) ex.: d’Ele, n’O, lh’A; •  c) ex.: Sant’Ana; e •  d) ex.: borda-d’água.

     Há, nos quatro casos, cisões com elisão de vogal. 

     No entanto, em b) admite-se que não haja elisões e se inverta a cisão já feita, para realce da forma pronominal: •  no era  em O, agora com realce, e fica  n’O (a maiúscula no interior: *nO seria contrária às regras). 

     Contudo, no caso de lo, acontece que é, ela própria, uma forma pronominal: pronome possessivo oblíquo da 3.ª pessoa (arcaica, era também: artigo definido e pronome demonstrativo, do latim ilu-, aquele). Assim, não parece que sejam legítimas as formas acima *“adorá-l’O, acusá-l’O, Amá-l’O”. Sublinha-se que, de facto, no exemplar do Evangelho em meu poder editado pela Difusora Bíblica, se lê em Mateus 2, 2: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? ..... Viemos adorá-Lo» O realce quanto à divindade é dado pela maiúscula inicial do pronome lo; ora, se será de esperar o máximo cuidado com o realce na veneração, é da parte da redação oficial do Evangelho. Também é este critério que uso.

 Elle, delle, como relativos

     Nas frases sobre o Projeto da Constituição, estes pronomes são efetivamente equivalentes a: o qual, do qual. Mas em Portugal são construções arcaicas. Notar que a grafia ll nestas palavras caiu em Portugal desde a Reforma de 1911. Nos vocabulários brasileiros também há muito que foi abandonada.

Ele em verbos impessoais

     A frase «*ele chove», no sentido real, penso que aparece como corruptela gramatical popular. De facto, é um contrassenso grafar com sujeito um verbo que gramaticalmente não o tem. Estão neste caso os verbos climáticos (ex.: chover, trovejar, nevar).  

    Do ponto de vista estil...

Soci(o)- na palavra sociolinguística *

     É um antepositivo derivado do latim sociu-, sócio, aliado, + linguística.

     Notar que sociedade vem do lat. societate- e sociologia, hibridismo: do lat. sociu- + do grego –logia.

Sócio

    É um nome masculino, com o significado de aquele que acompanha, faz coisas em conjunto; ou um adjetivo com o significado de associado.  

   Muito obrigado pelo seu apreço. É...

Segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado:

Ontem:

    Do latim ad noctem: no dia que terminou com a última noite. Começou por se fixar em Portugal, primeiro por `oonte´, depois `oontem´.

Hoje

    Do latim hodie: neste dia. Já foi simplesmente `hoj´.

Parecer pessoal:

     Depreende-se da etimologia a razão por que ontem não terá h, diferentemente de hoje.

  

    Ao seu dispor,

 

Cf. Ainda a razão da grafia de ontem e de hoje