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1. O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa comemora 24 anos neste dia. É quase um quarto de século de funcionamento como espaço de divulgação, esclarecimento e reflexão sobre as normas e os usos da língua portuguesa, na sua diversidade, onde quer que ela se fale e escreva. Em 15 de janeiro de 1997, quando a comunicação digital ainda não se generalizara, talvez se pudesse duvidar da adesão a este projeto. No entanto, com mais de duas décadas de trabalho, o desafio, que nunca foi nem será fácil, tem conseguido dar resposta à altura, mesmo em tempos de pandemia, confinamento e distância física, que pedem meios que reinventem a proximidade.

2. Sinal desta necessidade é a enorme procura do serviço público aqui prestado, gracioso e universal – sempre reforçada com constantes pedidos de esclarecimento e palavras de incentivo dos consulentes (cf. Consultório, Correio e página no Facebook). Além disso, o extenso arquivo acumulado* – ver O Português na 1.ª Pessoa e as demais três áreas temáticas, a que agora se soma, mais recentemente o glossário O léxico da covid-19 (10 rubricas ao todo) – documentam um percurso conjunto, com a participação de quantos, por esse mundo fora, querem saber sempre mais sobre o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste  Espaço simultaneamente de esclarecimento, de informação (noticias e livros, por exemplo) de reflexão e de polémica, inclusive, dele dá conta pormenorizada a professora Carla Marques, num balanço registado na rubrica O nosso idioma.

Vide, ainda: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa – em linha, ao serviço de todos

* No Consultório, contam-se mais de 36 000 respostas, e o número de artigos das demais rubricas aproxima-se dos 7000.

3. A data é aqui de festa, mas o presente aniversário coincide também com a entrada em vigor de novas medidas decretadas em Portugal, que se prolongam até 30 de janeiro p. f., com o objetivo de conter o alastramento da covid-19, e impõem um segundo confinamento – o confinamento II –, depois do de março e abril de 2020. Direta ou indiretamente relacionadas com a situação que se vive no país e no mundo, o glossário O léxico da covid-19 recebe 12 novas entradas: adiamento, alarmante,  «atividades culturais», «batismos, crismas e casamentos», «cansado da pandemia?»,  «confinamento II», descontrolo, «estado de emergência IX», «estirpe brasileira», «pandemia da pobreza», 500 mil, «voto antecipado».

4. Sobre a data e hora da entrada das medidas de confinamento, encontram-se usos desencontrados da palavra meia-noite, ora equivalendo ao momento final do dia, ora referindo o começo do seguinte, às 00h00. No Consultório, aborda-se esta questão, a par de outras: a conjugação pronominal reflexa correspondente a vós; a etimologia de óleo e azeite; e a datação da pronúncia nasal do ditongo de muito. Completam a atualização esclarecimentos sobre dois problemas de sintaxe – a classificação de senão numa frase; e o valor aspetual da frase «ele leu um livro».

5. Em Portugal, no contexto da campanha para eleição do Presidente da República em 24 de janeiro p. f., circula esporadicamente o adjetivo incumbente associado ao nome presidente («presidente incumbente»). Trata-se de decalque de «incumbent president», um anglicismo que se dispensa, porque há muito que em português se diz corretamente «presidente em exercício» ou «presidente em funções». Sobre este empréstimo do inglês, muito discutível, leia-se a resposta "Incumbente, de novo".

6. Continua também a acompanhar-se com atenção a atualidade política dos Estados Unidos, onde a Câmara dos Representantes aprovou o impeachment de Donald Trump, na sequência do assalto que instigou ao Capitólio. A comunicação social refere-se à situação pelo termo inglês, mas pode sem problema empregar impugnação, termo vernáculo equivalente, como houve aqui oportunidade de esclarecer. Leia-se, ainda a propósito, "Como traduzir impeachment?", um artigo que o professor universitário e tradutor Marco Neves publicou no blogue Certas Palavras em 30/01/2021.

7. No atual quadro de pandemia, a proximidade e apoio interpessoais tornam-se prementes para grupos e comunidades mais vulneráveis. A propósito da comunicação com pessoas surdas e das dificuldades que estas têm encontrado nos últimos meses, transcreve-se em Diversidades, um trabalho da jornalista Teresa Campos, com o título "A missão dos intérpretes de Língua Gestual Portuguesa" e publicado na edição digital da revista Visão (12/01/2021). Registe-se também a iniciativa da Antena 1, que passa a disponibilizar conteúdos traduzidos em língua gestual e legendas na RTP Play (ler aqui). A primeira peça neste formato, "Marco", da jornalista Rita Colaço, aborda a (má) experiência de um surdo de 21 anos nos seus primeiros meses de vida universitária.

8. Na rubrica O Nosso Idioma, ficam dois apontamentos sobre recursos estilísticos: um artigo sobre a interpretação da metáfora literária, do investigador brasileiro Roberto Lota; e, acerca do conceito de oxímoro, um  texto do professor João Nogueira da Costa.

9. Dois outros registos de ações do mundo académico como contributo para a promoção da língua: a abertura do Centro Nacional de Formação de Professores de Espanhol e Português pela Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, com o objetivo de reforçar a qualidade do ensino da língua portuguesa na China; e a realização virtual da Conferência internacional "Literatura, Turismo e cidade" entre 3 e 5 de fevereiro p. f. (inscrições até 16/01/2021).

10. Destaque ainda para duas efemérides com data próxima, evocativas da diáspora dos povos. Em 16 de janeiro, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, relativamente ao qual se sugere leitura de "Português para imigrantes refugiados" e  "Refugiados, e não migrantes". Em 17 de janeiro, o achamento da ilha do Príncipe, território de São Tomé e Príncipe, país que dá o tema linguístico a "Os naturais da ilha do Príncipe" e "Português de São Tomé".

11. Nos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa, são temas focados:

– Os vocábulos pandemia, máscara e refugiados, palavras do ano escolhidas em Angola, Cabo Verde e Moçambique respetivamente e abordadas pela professora Sandra Duarte Tavares quanto à sua etimologia e sinonímia – no Língua de Todos, emitido pela RDP África, sexta-feira, 15  de janeiro, às 13h20** (repete no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00**);

– A tradução de saudade, palavra do ano de 2020 escolhida pela Porto Editora (ler aqui), numa entrevista a Pierre Léglise-Costa, e a lista que a Priberam fez das palavras mais procuradas no seu dicionário em linha, também durante 2020 (coronavírus, pandemia, quarentena, confinamento, zaragatoa, telescola, calamidade, antirracismo, assintomático, letalidade e femicídio), numa crónica da professora Carla Marques – no Páginas de Português, transmitido pela Antena 2, no domingo, 17 de janeiro, às 12h30** (com repetição no sábado seguinte, 23 de janeiro, às 15h30**).

** Hora oficial de Portugal, ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

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