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1. Assinalou-se, em 19 de maio, o 20.º aniversário da restauração da  independência de Timor-Leste, onde, na mesma data, se realizou a tomada de posse de José Ramos Horta, como chefe de Estado do país, pela segunda vez. A cerimónia contou ainda com a presença do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Relativamente à real implantação do português no único país asiático que o tem como idioma nacional, registe-se a entrevista de José Ramos Horta à jornalista Rita Colaço, para a Antena 1, na qual se apontam insuficências por parte das cooperação portuguesa, nomeadamente no que respeita à escassez de professores. Nessas declarações, o Nobel da Paz de 1996 (conjuntamente com o bispo Ximenes Belo) refere que, 20 anos depois do fim da ocupação indonésia, cerca de 40% dos timorenses falam ou percebem português – no período colonial, a percentagem mal chegaria aos 1% –, embora a população comunique no já chamado "tetuguês", ou seja, o tétum-praça, uma variedade do tétum que tem uso corrente no país e é idioma oficial, a par do português.

Sobre este tema, escute-se ainda a peça, também da mesma jornalista da Antena 1, "Timor: a língua portuguesa era uma língua da resistência"; e, na RTP 1, vide a reportagem da autoria do jornalista Vítor Gonçalves, no programa Linha da Frente, "A Construção de um País". Consultem-se igualmente alguns dos vários artigos e respostas disponíveis no arquivo do Ciberdúvidas: "Timor, Timur" (1997), "Língua Portuguesa e Timor-Leste" (1999), "Timor Loro Sae" (1999), "Português e tétum continuam línguas oficiais de Timor-Leste" (2005), "A língua portuguesa na mais próspera nação do planeta" (2007), "Português, tétum ou tetuguês?" (2007)", "Português e tétum continuam línguas oficiais de Timor-Leste  (2007), "'Presença portuguesa em Timor-Leste é uma farsa'" (2007), "Timor fala todas as línguas e nenhuma" (2008), "A língua portuguesa em Timor-Leste" (2008), "Timor-Leste: uma «ficção lusófona»?" (2008), "Timor-Leste, tétum, português, língua indonésia ou inglês?" (2012), "Timor e a língua portuguesa" (2016), "Questões do bom português e as políticas linguísticas de Timor-Leste" (2019),  Identidade e resistência da Língua Portuguesa em Timor-Leste (2020), "O significado que um dicionário pode ter" (2020),  "O português em Timor-Leste e Entre Textos" (2021). Na imagem, uma praia da ilha de Jaco, no extremo oriental de Timor-Leste.

2. Os números da pandemia voltam a disparar em Portugal, falando-se de uma «sexta vaga», enquanto a crise económica mundial decorrente da pandemia se agrava com a guerra na Ucrânia. Esta é a atualidade que transparece nas três novas entradas na rubrica A covid-19 na língua: «absentismo elevado», em referência ao impacto do novo surto de casos positivos de covid-19 registados em Portugal no mês de maio de 2022, situação que, segundo as confederações patronais, «ameaça colocar em causa a atividade das empresas»; «números assustadores», expressão do secretário-geral da ONU, António Guterres, que, numa reunião sobre segurança alimentar global realizada em Nova Iorque em 19/05/2022, alertou para o fortíssimo agravamento da fome em todo o mundo, numa conjuntura de mudanças climáticas, pandemia e desigualdade, amplificada pela guerra da Rússia na Ucrânia; e rastilhosulco, cordão ou tubo cheio de pólvora ou outra substância incendiária para comunicar o fogo a qualquer coisa», Infopédia), vocábulo incluído num título do semanário Expresso – «"Rastilho para pegar fogo em palha seca”» –, que identifica a Queima das Fitas e os festejos do Futebol Clube do Porto como “motor[es] do aumento de casos” de covid-19 em Portugal, em maio de 2022.

3. Que diferença existe entre as locuções «pelo contrário» e «ao contrário»? Cervoveado denotam o mesmo animal? Como identificar o predicativo do sujeito? O que é correto: «foram realizadas centenas de protestos» ou «foram realizados centenas de protestos»? Diz-se «o atleta que sagrou-se campeão», ou «que se sagrou campeão»? O que significa bagre? E a expressão «em Cristo», que sentido tem? São, portanto, sete as novas questões em linha no Consultório.

4. Nos últimos anos, o tradutor e divulgador de temas linguísticos Marco Neves tem-se distinguido em Portugal pelo seu trabalho de divulgação e pelos contributos dados para uma discussão lúcida de temas como a história da língua e a norma. Em Montra de Livros, apresenta-se o novo livro deste autor: Português de A a Z (Guerra & Paz, 2022).

5. Na rubrica Literatura, a professora Lúcia Vaz Pedro revisita as cantigas medievais galego-portuguesas, num apontamento intitulado "O desnudar da humanidade na poesia trovadoresca".

6. A recente publicação do Relatório de Felicidade Mundial 2022 (em inglês, World Hapiness Report 2022), elaborado pela ONU, levou o escritor José Luís Mendonça a uma reflexão sobre a realidade multilingue de Angola e os horizontes da política linguística neste país. O texto resultante encontra-se disponível na rubrica Lusofonias.

7. Cada país tem a sua história, e a do próprio vocábulo país revela como a noção associada foi no passado muito mais difusa do que hoje. Na presente atualização, o professor universitário e tradutor Marco Neves volta a marcar presença com um artigo acerca da história da palavra país, publicado em 19/05/2022 no blogue Certas Palavras e também transcrito com a devida vénia em O Nosso Idioma.

8. Em três dos programas que a rádio pública em Portugal dedica a temas de língua e gramática, os temas centrais são:

♦ A variação e mudança nas variedades africanas do português de Cabo Verde, Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe, em Língua de Todos, transmitido pela RDP África (sexta-feira, 20/05/2022, 13h20*).

♦ O livro Português de A a Z , num entrevista com o autor, Marco Neves,  em Páginas de Português, emitido na Antena 2 (domingo, 22/05/2022, 12h30*).

♦ A contabilidade das empresas e as subtilezas da sua linguagem, de 23 a 27 de maio, no programa Palavras Cruzadas, realizado por Dalila Carvalho e transmitido pela Antena 2 (segunda a sexta, às 09h50* e às 18h50*).

*Hora oficial de Portugal continental.

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