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1. Na Europa começa a instalar-se um aparente período de acalmia no que à evolução da pandemia diz respeito. Inclusive a situação na Índia, que tantas preocupações levanta, parece querer dar sinais de abrandamento. O léxico relacionado com a situação que domina o mundo inteiro mantém, não obstante, o seu dinamismo, o que se vai registando no glossário O Léxico da Covid-19 com sete novas entradas: «Abraços desconfinados», Aeromédico, AquarentenarOdemira, «Papa Francisco», «Salto digital» e Síndromes.

2. A dúvida quanto à necessidade de uso da maiúscula em determinadas palavras é um assunto que os consulentes do Ciberdúvidas trazem recorrentemente ao Consultório. Desta feita, a questão centra-se na expressão «Muro / Cortina de Ferro», à qual se juntam dúvidas relacionadas com a correção do uso do determinante artigo em construções como «alérgico a leite» vs. «alérgico ao leite», com a pronúncia de Madagáscar, com a subclasse do substantivo escravidão, com os processos de coesão lexical e com a correção da locução «um tanto (ou) quanto»

3. O adjetivo vulnerável foi a palavra escolhida para a crónica da professora Carla Marques no programa Páginas de Português, da Antena 2, numa viagem que vai dos significados gerais à significação específica da palavra, em contexto de covid-19 (reproduzida aqui). 

4. A celebração do Dia da Língua Portuguesa na União europeia abriu espaço à reflexão sobre o pluricentrismo do português e a sua evolução desde a entrada na CEE, há 35 anos, num artigo da professora universitária e linguista Margarita Correia (publicado no Diário de Notícias e aqui transcrito com a devida vénia). 

5. O verbo falecer tem sido assumido como um modismo que se sobrepõe aos usos do verbo morrer. Esta é a conclusão a que chega o cronista Miguel Esteves Cardoso na crónica intitulada «Anda tudo a falecer» (divulgada no jornal Público e aqui transcrita com a devida vénia).

6.  O Dicionário do Português de Moçambique (DiPoMo), recentemente lançado, é um projeto em curso de grande importância para esta variedade do português e significa um grande avanço nos estudos de lexicografia a ela associados. Notícia e entrevista a Inês Machungo, coordenadora-geral do projeto, disponível aqui

7. Uma nota final, de muito pesar, sobre o falecimento do radialista português Vítor Nobre  (1944 – 2021), que durante muitos anos foi a (excecional) voz dos primeiros anos do programa Páginas  de Português, produzido pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, na Antena 2. Vítor Nobre ingressou nos quadros da rádio pública portuguesa ainda antes do 25 de Abril, a então Emissora Nacional, em 1970, como locutor.  Durante uma década foi locutor no então Rádio Clube de São Tomé e Príncipe. Em 1970 integrou os quadros da antiga Emissora Nacional, onde trabalhou no Desporto, Informação, Continuidade e Onda Curta. De Maio de 1974 a Junho de 1975, desempenhou funções de director da RDP/Algarve. Em 1998, montou, formatou e dirigiu a Rádio Expo, da RDP. Na década de 1980 foi voz-off na RTP, em regime de colaboração e júri dos concursos Palavra Puxa Palavra e Grande Pirâmide. Dirigiu ainda o Serviço de Programas Especiais da Antena 1 e ao longo de 12 anos realizou e apresentou os programas da manhã da Antena 2, Allegro Vivace e Despertar dos Músicos. Foi ainda monitor do então Centro de Formação da RDP e, posteriormente, no Cenjor, nas disciplinas de Locução, Animação e Produção/Realização Radiofónica, Animação e Produção/Realização Radiofónica. Já reformado, foi docente, na sua especialidade, na Universidade Autónoma de Lisboa depois de 1993.  De grande cultura musical, destacou-se também como entrevistador, como esta entrevista que fez à pianista  portuguesa Helena Sá e Costa (1913  2006). Ouvir, na íntegra, aqui. 

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