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1. A atualidade fica marcada pela realização da 73.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, onde o debate tem por  tema “Tornar a ONU relevante para todos: liderança global e responsabilidade partilhada para sociedades pacíficas, equitativas e sustentáveis”. Com a participação do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa  discursa neste dia – e é na nossa língua que se fará ouvir. E, esperemos, não  deixará de pronunciar bem o acrónimo (que também é sigla) ONU – uma incorreção recorrente nos media nacionais... Vale a pena, por isso, lembrar que se trata de palavra aguda (ou oxítona), como aqui se tem repetido. Por exemplo, em "ONU tem a tónica no u", "Como (bem) dizer ONU e Nobel... em português", "Prosódia das siglas ONU, OVNI e UCI". Sobre a grafia de «assembleia geral», leia-se uma das respostas em arquivo.

2. Faça-se ainda registo de como, em Portugal, o Ministério Público apelidou a operação que levou à detenção de alguns militares no caso do roubo das armas de Tancos, ocorrido em junho de 2017: Operação Húbris. O termo húbris, de origem grega e insólito na língua do dia a dia, é ou deveria ser conhecido dos finalistas do ensino secundário, pois é recorrente no estudo da dimensão trágica da peça Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett (1799-1854). Etimologicamente, significa «para os antigos gregos, conduta desmedida que é considerada um desafio aos deuses e que acarreta a ruína de quem assim age» (Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora), mas hoje vai-se vulgarizando como o mesmo que «autoconfiança excessiva» e sinónimo de orgulho, arrogância, insolência. Sobre este tópico, leia-se também o apontamento "A húbris, a síndrome do excesso do poder".

3. Entre o muito que se faz e diz à volta da língua portuguesa, salientamos:

– a Feira do Livro de Maputo, até 30 de setembro p.f., evento que inclui uma mesa redonda neste dia, às 17h00, no Camões – Centro Cultural Português de Maputo, dedicada à literatura infantil em língua portuguesa;

– um curioso apontamento do linguista brasileiro Aldo Bizzocchi sobre palavras estrangeiras inventadas em português – pedipaper, usada em Portugal, é certamente um caso.

4. No consultório da presente atualiação, comenta-se uma ocorrência do pronome o num livro do jornalista e escritor português Miguel Sousa Tavares, sondam-se as origens da palavra badagaio, descreve-se o uso do pronome relativo quem, revela-se a equivalência entre fresco e afresco e fala-se de quatro figuras de estilo – metáfora, ironia, antítese e comparação.

5. Para a promoção da língua, não chega traduzir os seus autores literários, é preciso pôr os falantes estrangeiros a aprendê-la. Em O nosso idioma, disponibiliza-se um texto assinado pelo ensaísta e crítico literário Eugénio Lisboa (Jornal de Letras de 13/04/2018), que deixa a seguinte consideração: «[...] é à conquista da disseminação da língua portuguesa que devemos partir. Enquanto não trouxermos o estrangeiro até à nossa língua, teremos ficado apenas a meio do caminho.»

6. No programa Língua de Todos, transmitido pela RDP África, na sexta-feira, dia 28 de setembro, às 13h15* (com repetição no sábado, dia 29/09), Luíza Cortesão, professora jubilada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto evoca a obra do pedagogo brasileiro Paulo Freire, em especial, os projetos de alfabetização em que participou em África, particularmente na Guiné. No Páginas de Português, que vai para o ar na Antena 2, no domingo, 30 de setembro, às 12h30* (com repetição no sábado seguinte, dia 6/10, pelas 15h30*), entrevista-se o professor Alexandre Saes da Universidade de São Paulo, responsável pelo acervo de livros raros da Biblioteca Brasiliana do casal Guita e José Mindlin, a respeito da digitalização da totalidade desta biblioteca e do acesso a este recurso; ainda neste programa, na rubrica "Cronogramas", Sandra Duarte Tavares refere-se a obra do gramático brasileiro Evanildo Bechara.

* Os programas Língua de Todos, e Páginas de Português  ficam  disponíveis posteriormente aqui e aqui. Hora oficial de Portugal continental.