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1. Das Américas de língua espanhola chegam frequentemente dúvidas sobre a língua portuguesa. Desta vez, um consulente mexicano pergunta como se diz «um conjunto de três». A resposta faz parte da presente atualização do consultório, onde também se comenta o emprego de artigo definido com os geónimos Taiwan e Formosa. Como se anda em terras do Oriente, não é descabido evocar o grande Camões na análise estilística de uma sequência de versos da sua obra de exaltação imperial: «Ó gente ousada, mais que quantas/ No mundo cometeram grandes cousas» (Os Lusíadas, capítulo V, estrofe 41). A propósito de apuro literário, igualmente se justifica falar da palavra perfecionista e da sua associação com muito e pouco; e, talvez em referência à sedução das palavras, ocorre dizer que ficamos fascinados – «por elas» ou «com elas»? Por último, viaja-se até ao reino da sintaxe: que função terá «do fidalgo» na frase «o rei fez-se acompanhar do fidalgo»?

2. A propósito de Camões, refira-se a polémica que envolve outro poeta português, o profeta do super-Camões, ou seja, Fernando Pessoa. Na sequência da escolha deste autor como patrono de um programa de intercâmbio académico no seio da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), levantaram-se vozes críticas para lembrar os textos em que Pessoa se revela como «um escravocrata racista» (expressão de Luzia Moniz num artigo publicado Jornal de Angola, em 10/02/2019). Teresa Rita Lopes, escritora, professora universitária jubilada e uma das maiores especialistas na obra pessoana, refuta energicamente tal acusação num artigo intitulado "Fernando Pessoa desentendido e caluniado. 'Branqueá-lo?' Não! Entendê-lo!", que o jornal Diário de Notícias publicou em 17/02/2019.*

* Ainda sobre esta querela, publicados igualmente no "Diário de  Notícias", leiam-se ainda os  textos Fernando Pessoa. "É desonesto dizer que ele era racista e esclavagista"Racista e esclavagista? Especialistas contestam acusações a Pessoa e Depois é o Pessoa que bebe...

3. Em Portugal, com a campanha partidária para as eleições europeias em marcha – em 16/02/2018 foram anunciados os candidatos do PS e do BE, além da conferência realizada pelo PSD –, os oradores fazem múltiplas referências a perder e ganhar no dia 26 de maio p. f.  Nota-se que quase todos vão preferindo – para não dizer tropeçando – na forma popular "perca", em alternativa à mais formal perda, que é tradicionalmente o nome comum correspondente ao verbo perder. Sobre o uso de "perca", de discutível correção, leiam-se, do arquivo do Ciberdúvidas, os textos  "Ora bogas com a perca" , "É uma 'perca' de tempo" e "A etimologia da palavra perda"

4. Registo, ainda, da mudança oficial de nome de um país europeu, situado na península dos Balcãs. Falamos da antiga república jugoslava da Macedónia, que, tendo chegado finalmente a acordo com a Grécia, passou a chamar-se República da Macedónia do Norte. Sobre este caso, leia-se o interessante apontamento que o professor e tradutor Marco Neves escreveu no seu blogue Certas Palavras. Observe-se que os cidadãos deste país continuarão a ser conhecidos como «os Macedónios», cuja língua principal mantém o nome por que sempre foi conhecida em português: macedónio.