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1. Da inventividade de alguns ao convencionalismo de muitos, a linguagem juvenil exerce-se como afirmação de rebeldia, funcionando também como insígnia etária. Não admira, portanto, que no discurso dos jovens se encontrem marcas de uma atitude mais ou menos ostensiva e desafiadora do uso linguístico instalado entre os mais velhos. Em crónica sugestivamente intitulada "Tá-za-ver", na rubrica O nosso idioma, a consultora permanente do Ciberdúvidas, Carla Marques, dá conta da perplexidade que se apodera de um adulto subitamente confrontado com os modismos de um jovem em interação linguística.

2. A palavra trapézio denota um polígono de quatro lados e tem acento gráfico, mas trapezoide, que é nome e adjetivo, escreve-se sem esse sinal. No Pelourinho, comenta-se mais um exemplo da falta de atenção que um concurso televisivo – Joker, com grande audiência em Portugal – dá à ortografia.

3. A atualização do Consultório aborda velhos e novos tópicos: que diferença existe entre juízo e julgamento?  O que é correto: «a pessoa de que falamos», ou «a pessoa de quem falamos»? Diz-se «faz-se horas», ou «fazem-se horas»? É melhor usar «fez-lhe perder tempo», em vez de «fê-lo perder tempo»? O adjetivo participativo não será um impropriedade vocabular? Finalmente, como classificar os elementos textuais que constituem um cartaz publicitário?

4. O relatório PISA (Programme for International Students Assessment*) de 2018 acaba de ser publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que o elabora de três em três anos. Neste teste participaram 600 mil alunos de 79 países, entre os quais Portugal (5900 alunos), que não parece ter-se saído mal num panorama que é, no entanto, muito preocupante. Com efeito, se o ministério da Educação português sublinha que, no conjunto da OCDE, só os alunos de Portugal têm melhorado significativamente desde a primeira edição do PISA no ano 2000, a média dos dados globais aponta para  o cavar do fosso entre os alunos mais pobres e os mais ricos nos países envolvidos. Além disso, os indicadores de anteriores "paraísos educacionais", como era o caso até há bem pouco tempo da tão mencionada Finlândia, apontam para um pior desempenho nas três áreas avaliadas, ciências, matemática e leitura. Sobre os resultados do Brasil, leia-se aqui.

* Em português, Programa Internacional de Avaliação de Alunos.

Cf.. Cerca de 20% dos alunos com 15 anos não adquirem competências mínimas +  Das diferenças de género e de contexto social, ao bullying na escola  + China chega ao topo, Finlândia está em queda e Estónia confirma-se como estrela

5. Sobre as políticas desenvolvidas para a promoção do português, merece registo a publicação recente de A Língua Portuguesa como Ativo Político, da linguista brasileira Mônica Villela Grayley, que tem desenvolvido atividade e investigação na área do português no contexto das relações internacionais (mais informação na Montra de Livros). A Hora dos Portugueses, um programa da RTP Internacional, dedicou em 29/11/2019 um apontamento à apresentação que esta especialista fez da obra na Universidade de Colónia.

6. No quadrante da promoção da língua, refira-se que Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) lançou um novo portal temático dedicado ao "Oceano", um dos temas adotados pela presidência cabo-verdiana para o biénio 2018-2020. A apresentação foi feita na IV Reunião dos Ministros dos Assuntos do Mar da CPLP, a 26 de novembro de 2019, em São Vicente, Cabo Verde.

7. Depois das pontes políticas, uma nota sobre as pontes culturais que a língua portuguesa, falada ou cantada, permite lançar. Importa, portanto, mencionar um evento realizado na Galiza, a gala aRi[t]mar, cuja preparação envolveu ao longo de 2019 a votação dos públicos galego e português, chamados a escolher o que de melhor se produziu em 2018 em matéria de música popular nos dois territórios. Este processo culmina com um espetáculo que se realiza neste dia, 4 de dezembro, com a participação dos grupos musicais vencedores, as Tanxagueiras, da Galiza,  e os Azeitonas, de Portugal.

8. Em destaque esta semana nos programas que a Associação Ciberdúvidas da Língua Portugesa produz para a  rádio pública portuguesa (mais informação na rubrica  Notícias):

– o antigo embaixador brasileiro junto da sede da CPLP, Lauro Moreira,  é entrevistado a propósito do livro que publicou, inspirado pela obra genial de Machado de Assis no programa Língua de Todos, que vai para o ar na RDP África na sexta-feira, dia 29 de novembro, pelas 13h20*.

– o programa Páginas de Português, emitido pela Antena 2, no domingo, 8 de dezembro, pelas 12h30*, entrevista a professora universitária brasileira Edleise Mendes, para falar de uma iniciativa por ela coordenada, XI Curso de Capacitação, para professores de Português como Língua Estrangeira/não Materna, que se realizou entre 25 e 29/11/2019, com organização do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e a CPLP.

* Ambos os programas têm repetição: o Língua de Todos, no sábado, dia 7 de dezembro, depois do noticiário das 09h00, e o Páginas de Português no sábado seguinte, dia 14 de dezembro, às 15h30. Hora oficial de Portugal continental,  ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.