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1. De onde vêm as palavras? Que percursos realizaram para chegar até nós com a roupagem que hoje trazem? Dúvidas desta natureza ocorrem muitas vezes aos falantes e algumas delas chegam ao Consultório do Ciberdúvidas. Na nova atualização, ocupamo-nos da etimologia do substantivo noite, que se explica vir de uma forma do latim vulgar. As palavras que se apresentam como novas aos falantes que as pretendem converter à forma escrita são, por vezes, feitas de sons que parecem resistir à grafia. Como selecionar, então, a melhor solução ortográfica? Hoje, fazemos essa reflexão a propósito da palavra ianomâmi, referente a uma tribo indígena brasileira, à procura de uma forma que a torne clara para as diferentes variantes do português. Em palavras como mares, rapazes, dores luzes, o e que surge antes da consoante s faz parte do sufixo de plural ou pertence ao radical da palavra? As conjunções, ao estabelecerem nexos entre segmentos textuais, podem não traduzir sempre o mesmo valor. É o que sucede com a conjunção enquanto na frase «Enquanto não trouxermos o estrangeiro até à nossa língua, teremos ficado apenas a meio do caminho», na qual se afasta do seu valor típico de localização de um intervalo de tempo que inclua a situação descrita na oração subordinante. Por fim, uma reflexão sobre as diferenças entre a modalidade epistémica e a modalidade apreciativa.

Primeira imagem: Noite Estrelada, pintura de Vincent van Gogh,1889

2. Adotando como tema central a questão da expansão e afirmação da língua portuguesa no plano internacional, o jornalista, escritor e ex-ministro da Comunicação Social angolano João Melo advoga que a defesa da língua deve constituir um objetivo comum a todos os países de língua portuguesa, que têm de conseguir ultrapassar os seus "traumas" de fundo histórico para se unirem em torno deste objetivo estratégico, fundamental para a sua afirmação no plano internacional. Defende, ainda, que a existência de um acordo ortográfico, comum a todos os países é vital para se atingir com sucesso esta meta  (artigo originalmente publicado no Diário de Notícias, aqui transcrito com a devida vénia). 

3. Ainda a propósito do mundo cinematográfico e dos seus prémios e festivais, a lexicógrafa Ana Salgado organizou um pequeno apontamento onde se esclarecem as regras a adotar para grafar títulos de documentários, de eventos cinematográficos, de prémios e de categorias de prémios, um texto divulgado na plataforma Gerador

4. Numa altura em que Portugal parece estar próximo de atingir a média europeia em termos de abandono escolar, há outro problema estruturante que emerge: os alunos que, estando na escola, não aprendem quase nada. Refletindo sobre o tema, no artigo O perfil dos que não aprendem, divulgado no jornal Público, Isabel Flores, secretária-geral do IPPS-ISCTE, analisa os indicadores ligados à família destes alunos muito fracos, comparando-os com a média nacional. Assinala ainda as razões justificativas do insucesso apontadas por diretores e pelos próprios alunos. Uma reflexão importante para a definição de caminhos suscetíveis de integrar estes alunos, que não podem viver à margem da escola sob pena de estarem condenados a permanecer à margem da sociedade. 

5. No plano das notícias relacionadas com a língua e cultura, destacamos:

– A cerimónia de apresentação pública do Programa Indicativo de Ação Cultural Externa para 2020, que tem lugar no próximo dia 19 de fevereiro, pelas 11h30, no Ministérios dos Negócios Estrangeiros;

– O projeto da TDM rádio Macau, que, a partir de Macau, China, produz uma emissão de 24 horas com conteúdos totalmente em português. Trata-se de uma rádio com milhares de ouvintes, pelo que o projeto tem relevância para a promoção da língua portuguesa (notícia). 

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