Acordo Ortográfico - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
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Questões relativas ao Acordo Ortográfico.
Para uma língua efetivamente pluricêntrica
Da teoria à realidade ainda por concretizar

«Historicamente, desde a independência do Brasil, em 1822, a língua adquiriu um caráter bicêntrico, ou seja, passou a ter não um centro difusor da norma linguística, como até então fora Lisboa, mas dois centros, Lisboa e o Rio de Janeiro. Com as independências dos demais países de língua portuguesa, o que se espera é que venham a nascer novos centro difusores de norma, ou seja, que também estes jovens países venham a assumir a variedade do português neles falado como um traço fundamental da sua identidade, tornando o português uma língua efetivamente pluricêntrica.»

Apontamento da autora no programa Páginas de Português, emitido na Antena 2, no dia 21 de junho de 2020.

 «O Acordo Ortográfico é uma simplificação  <br> da ortografia da língua portuguesa»
Marta Sitoe sobre a questão ortográfica em Moçambique

Em Moçambique, em 2012 a ratificação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO) parecia encaminhada, por decisão do conselho de ministros do governo deste país. Contudo, o "período de derrogação" que nesse ano também fora criado para preparar o país para a aplicação da nova norma ainda hoje espera o seu termo. Entretanto, o Vocabulário Ortográfico Moçambicano da Língua Portuguesa está disponível desde 2017 na plataforma do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), mas o certo é que o AO continua por ratificar em Moçambique. Para uma noção do que há alguns anos era o debate desta questão, transcreve-se com a devida vénia a entrevista que a linguista Marta Sitoe deu em 22 de agosto de 2016 ao jornal moçambicano O Povo e que o jornal Preto e Branco republicou em 6 de junho de 2020 (manteve-se a ortografia original).

 

N. E. (11/06/2020) – Texto introdutório alterado na sequência de um esclarecimento (comunicação pessoal) proveniente da organização do VOC. Na verdade, a entrevista feita a Marta Sitoe é da autoria de Crescêncio Manhique e saiu originalmente em 22 de agosto de 2016 no jornal moçambicano O Povo, que terá deixado de se publicar – pelo menos, à data de redação desta nota, não foi possível aceder a este jornal em pesquisas pela Internet. O texto que no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa se transcreveu inicialmente era o da republicação em 6 de junho de 2020 pelo Preto e Branco. Contudo, pareceu de justiça reproduzir a entrevista tal como apareceu em O Povo, com a devida identificação do entrevistador, Crescência Manhique (CM). Fica também disponível aqui a referida edição (edição 29, ano 1) de O Povo em 22 de agosto de 2020.

A reforma ortográfica e os afetos
O lado humano da ortografia

Embora constitua um domínio técnico, a língua é fonte de afetos e a relação do homem com a sua língua pode ser entendida à luz desta realidade, como nos explicava Carla Marques num artigo de opinião  publicado no Correio da Educação, revista digital das Edições ASA, de 25 de novembro de 2011.

O Tamanho da Língua
Os acordos ortográficos do português

O sexto vídeo da série O Tamanho da Língua da TV Folha de S. Paulo aborda a história dos acordos ortográficos. Jornalistas da Folha de S. Paulo  percorreram Portugal e Moçambique, além de diversas regiões do Brasil, para mostrar a história e a riqueza da língua portuguesa, a sétima mais falada do mundo.

Os restantes vídeos estão disponíveis aqui.

 

A língua portuguesa é também a sua ortografia

Um texto * que passa em perspetiva vários séculos de evolução da língua portuguesa e defende a importância da preservação de todo o património nela contido, incluindo o ortográfico – que, na perspetiva da sua autora, deve respeitar a  norma anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.

*in jornal Público, de 5/05/2020, escrito segundo a norma ortográfica de 1945.

O Acordo Ortográfico em tempos de pandemia
Nuno Pacheco vs. Vital Moreira

«[...] Por cá, tudo o que se relaciona com infecções foi amputado de uma letra pelo velho vírus ortográfico (ou “ortogravírus”, como queiram) e passou a infetado, infetada, infecioso, infeção, infeções, infetou, infetar, desinfeção. Pois bem, já que o acordo ortográfico de 1990 é para o universo da língua portuguesa, supunha-se que tal grafia seria comum a todos os países. Mas não. No Brasil, como já aqui se referiu, a norma desta família de palavras não se alterou (está, aliás, igual à que Portugal praticava antes do acordo): infectado, infectada, infectados, infecção, infecções, infecciosas, infectologista, desinfecção», escreveu o jornalista Nuno Pacheco no jornal Público, no dia 16 de abril de 2020.

Rebatendo-o no blogue Causa Nossa, contrapõe o jurista e constitucionalista  Vital Moreira: «O que o autor não diz, propositadamente para criar a confusão, é que no Brasil essas palavras se escrevem com o tal c porque assim se pronunciam, sendo esse um dos vários casos da diferença de pronúncia das mesmas palavras nos dois lados do Atlântico (facto e fatocontacto e contatoperceção e percepçãoetc.)».

Um e outro textos desta controvérsia  ficam disponíveis, aqui e aqui  

 

Enquanto combatemos o novo coronavírus, <br>o velho “ortogravírus” não pára
«...Só em Portugal é que há “infetados” em vez de infectados»

 

«Sabem o que é o “impato” da pandemia? Ou a propriedade “inteletual”? Ou os “artefatos” que a PJ encontrou? Ou a “seção” do talho? Ou o “fato de não irem” sabe-se lá onde? Ou alguém ter ficado “estupefato” com alguma coisa? Se não sabem, deviam saber. São alguns dos recentes efeitos de um vírus que se instalou na escrita portuguesa (mas também na fala: esta semana, na televisão, alguém falou em “adetos” de um clube) e não há maneira de ser erradicado. Está um pouco por todo o lado, desde o oficialíssimo Diário da República aos jornais e à televisão.»

[Artigo* do jornalista português Nuno Pacheco, crítico recorrente do Acordo Ortográfico de 1990 – cujo contraponto, "Sebastianismo ortográfico", da autoria  jurista Vital Moreira, deixamos igualmente transcrito, aqui. Cf. "O Acordo Ortográfico em tempos de pandemia".]

*in Público no dia 16 de abril de 2020.

 

Sebastianismo ortográfico
A propósito da escrita de infeção no português europeu

 «Confesso que não deixo de admirar a pequena tribo de opositores ao Acordo Ortográfico, os quais, passados mais de dez anos sobre a sua vigência e a sua aplicação generalizada – o que o torna irreversível –, continuam a pugnar pelo regresso à antiga ortografia, com a mesma convicção com que os sebastianistas esperavam o regresso de D. Sebastião.

O caso é tanto mais de admirar, quanto eles insistem sem desfalecimento num pequeno menu de argumentos, em geral de uma enorme fragilidade, como se deduz de mais uma peça de um dos seus mais empenhados ativistas, Nuno Pacheco, no Público, um dos poucos periódicos que se mantém fiel à antiga ortografia.»

[Texto* do autor, rebatendo o artigo "Enquanto combatemos o novo coronavírus, o velho "ortogravírus não pára". Cf. "O Acordo Ortográfico em tempos de pandemia"].

* Publicado no dia 17 de abril de 2020 no blogue Causa Nossa.

 

Várias lusofonias, uma grafia
A urgência de um entendimento

«Não existe apenas uma lusofonia, mas várias. Grafar as palavras da mesma maneira (...)  não impede a expressão dessa diversidade: consolida-a e expande-a» – escreve neste artigo o jornalista, escritor e ex-ministro da Comunicação Social angolano João Melo, em texto publicado em 15 de fevereiro de 2020 no Diário de Notícias.

 

A avaliação do parlamento português ao Acordo Ortográfico de 1990

Texto de D'Silvas Filho sobre a Avaliação do Impacto do Acordo Ortográfico de 1990, do Grupo de trabalho da Assembleia da República. O texto completo está disponível na página pessoal do autor.