Carla Marques - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Carla Marques
Carla Marques
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Doutorada em Língua Portuguesa (com uma dissertação na área do  estudo do texto argumentativo oral); investigadora do CELGA-ILTEC (grupo de trabalho "Discurso Académico e Práticas Discursivas"); autora de manuais escolares e de gramáticas escolares; formadora de professores; professora do ensino básico e secundário. Consultora permanente do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, destacada para o efeito pelo Ministério da Educação português.

 
Textos publicados pela autora
Despedir e pedir
Verbos da covid-19

As notícias de que, em Portugal, há trabalhadores que escondem sintomas da doença covid-19, com receio de despedimento, dão o mote que leva à origem da palavra despedir e ao cotejo com o verbo pedir, que embora tenha sonoridades semelhantes, não partilha sentidos com despedir. Uma crónica da professora Carla Marques emitida no programa Páginas de Português, na Antena 2, do dia 12 de julho de 2020.

O trabalho e o ócio
Do trabalho para escravos ao trabalho que escraviza
O teletrabalho é um tema em cima da mesa depois da pandemia: deverá continuar ou não passa de uma exploração desregulada dos trabalhadores? E o que trabalhos que se perderam, como serão substituídos? Já o ócio, tão apetecível, é um conceito completamente banido desta nossa sociedade. Trabalho e ócio são os temas do apontamento de Carla Marques emitido no programa Páginas de Português, na Antena 2, do dia 5 de julho de 2020.
 
<i>Clean & Safe</i>
Selo português pró-turismo em Portugal... em inglês

Ao selo atribuído pelo Turismo de Portugal como certificado da higiene e limpeza dos estabelecimentos abertos ao público em contexto de covid-19 foi dado o nome inglês de Clean & Safe . A língua portuguesa ficou, mais uma vez, em segundo plano. 

<i>Erradicar</i> e <i>eliminar</i>
Usos em contexto de pandemia e outros

O verbo erradicar é, por vezes, usado em contextos  como do surto do covid-19 em que deveria surgir o verbo eliminar, como observa a professora Carla Marques neste apontamento sobre as diferenças de significado do verbos. 

A possibilidade que o consulente equaciona está correta, como veremos de seguida.

Na frase em questão, o constituinte «ao diretor» desempenha a função de complemento indireto do verbo queixar-se, o que se comprova pelo facto de poder ser substituído pelo pronome -lhe:

(1) «O aluno queixou-se-lhe do professor.»

A posição dos pronomes na frase está dependente do contexto sintático em que surgem. Assim, em português europeu, serão atraídos para uma posição proclítica, se, por exemplo, conjugados com um pronome relativo, que funciona como atractor de próclise:

(2) «Ele conhecia o aluno que se lhe queixou do professor.»

Já na variante de português do Brasil, a posição neutra dos pronomes clíticos é a proclítica, pelo que a realização da frase (1) será a que se apresenta em (3):

(3) «O aluno se lhe queixou do professor.»

Note-se, ainda, que esta sequência pronominal só é possível com pronomes de 3.ª pessoa. Com efeito, se o sujeito for preenchido por uma primeira pessoa, a pronominalização do complemento indireto deixa de ser possível, como se explica nesta resposta:

(4) «Eu queixei-me do professor ao diretor.»

(4a) «*Eu queixei-me-lhe do professor.»

Disponha sempre!

 

*assinala a agramaticalidade da frase.