Aberturas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
Início Aberturas
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. As variantes do português em diversos países são marcadas por uma evolução própria e autónoma, fruto de várias razões a que não são alheias as variáveis individuais. O português falado na Guiné-Bissau assume também esta autonomia, mas as inovações e contrastes com a variante do português europeu acabam por oferecer dúvidas aos falantes. É o caso da expressão «fiz cinco anos no Brasil». No Consultório analisa-se a aceitabilidade desta construção, que inclui o verbo fazer com um valor semelhante a estar ou permanecer.  A formação da palavra infelizmente continua a colocar problemas a quem a considera do ponto de vista morfológico. Tratar-se-á de uma formação parassintética, uma vez que existem as formas independentes infeliz felizmente? O verbo ser assume inúmeras possibilidades de realização sintática e semântica, mas será sempre copulativo? Este problema coloca-se na frase «À noite serei em tua casa», o que gera a dúvida sobre se o sintagma preposicional «em tua casa» tem a função de predicativo do sujeito? A frase «Foi-lhe clemente» será correta, apesar de o adjetivo clemente se construir com complemento preposicional? Ou só será aceitável a forma «Foi clemente com ele»? E a expressão «a meu lado» será adequada sem artigo definido? Por fim, qual a pronúncia correta de Hefesto, deus grego do fogo, filho de Zeus e Hera?

Primeira imagem: Mapa do Português no mundo do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (atualmente em reconstrução). 

2. A questão do Acordo Ortográfico de 90 regressa por mão do consultor D'Silvas Filho, que apresenta dois apontamentos: um sobre a primeira reunião do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP) outro sobre aspetos essenciais relacionados com a ação do Grupo de trabalho da Assembleia da República para a avaliação do Acordo Ortográfico de 90.  

3. Há frases feitas que se agarram a situações e a contextos, o que as torna banais e esvaziadas. Onde está a beleza da comunicação ou a criatividade em «Está tudo bem?» ou em «Fica bem»? E, no comércio, como não esperar as previsíveis frases «Então, diga.», «Hoje, o que vai ser?» ou «Em que posso ajudá-lo.»? Frases feitas, não pensadas, que são usadas como expressões formulaicas, cujo sentido se perdeu por já não ser intencional, que só podem irritar quem as ouve e pensa no que poderão querer dizer. Eis o tema da crónica de Miguel Esteves Cardoso no jornal Público (de 16 de novembro), que, com a devida vénia,  transcrevemos na rubrica O Nosso Idioma

4. As expressões cristalizadas podem também adquirir um sentido opaco e não acessível a todos os falantes. Este fenómeno pode ter lugar se a construção da expressão assentar numa estrutura metafórica ou até numa comparação elíptica. Este último fenómeno está presente na expressão «como sardinha em lata», cujo sentido nos é explicado pela lexicógrafa Ana Salgado, num apontamento divulgado na plataforma Gerador

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Em Portugal, é sabido que as vogais  e, i e u (ou o), quando átonas, são um desafio para a boa dicção. Palavras como ministérioprodutividade saem diminuídas sob formas como "mnistério" e "prutividade", em consequência da redução vocálica que caracteriza a variedade lusitana. No Pelourinho, um novo apontamento dá conta de mais uma ocorrência deste fenómeno, numa intervenção do primeiro-ministro português no debate quinzenal que decorreu no parlamento português no dia 12 p.p.: o termo competitividade, dando ímpeto ao discurso, acaba silabicamente atropelado pela prolação "comptividade". Na mesma rubrica, outro caso, também em Portugal: os erros, que se tornaram constantes, num  concurso televisivo... visando a cultura geral dos telespectadores.

2. A presente atualização traz seis novas questões ao consultório: como soa o o da penúltima sílaba de carbono? Será a locução «com relação a» tão correta como «em relação a»? Uma pessoa que tem as nacionalidades italiana e alemã é "italiana-alemã" ou italiano-alemã? Qual a função sintática do constituinte «da burla» na expressão «história universal da burla»? Que tipo de antecedente tem a locução pronominal relativa «o que»? Porque se diz «tem-la, como em «tu tem-la visto», e não «tem-na»?

3. Registe-se, entre as notícias que correm, a iniciativa do Governo português para um plano de não retenção no ensino básico (do 1.º ao 9.º anos), medida que gerou discussão parlamentar no debate quinzenal acima referido. Vem, portanto, a propósito mencionar os dados que a Eurostat, a organização estatística da Comissão Europeia, faculta quanto às diferenças e dificuldades existentes entre os jovens com menos de 15 anos da União Europeia na vertente da compreensão da escrita no período 2000/2015. A respeito desta competência, sublinha o blogue Grazia Tanta (publicação de 11/11/2019): «As melhorias mais significativas observam-se na Letónia, no Luxemburgo e em Portugal [...]. A evolução da situação em Portugal é bem positiva, situando-se o país em 2015 com um indicador melhor do que a média europeia, o que não acontecia quinze anos antes; e agora com uma grande aproximação ao valor apresentado por Espanha.» A mesma evolução positiva de Portugal se repete na Matemática e nas Ciências. Espera-se, portanto, que as medidas governamentais contribuam para manter, se não para melhorar, os indicadores portugueses.

4. Faça-se ainda referência a uma novidade no reforço da presença do português no domínio das tecnologias: a variedade de Portugal passou a estar igualmente disponível no assistente digital da Google, ferramenta que permite uma conversa natural com o smartphone para controlar uma série de funcionalidades (por exemplo, regular luzes da casa ou definir o despertador). Como assinala o jornal digital Observador, «a partir desta quinta-feira [14/11/2019], não há "pá", "'bora" ou "'tá" que fique despercebido»

5. Em ambos os programas que a Associação Ciberdúvidas produz para a rádio pública portuguesa, volta-se a focar a decisão da UNESCO de instituir o Dia Mundial da Língua Portuguesa, comemorado a 5 de maio (ver também nas Notícias), com entrevistas a António Sampaio da Nóvoa , embaixador português na UNESCO, e Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Recorde-se que o programa Língua de Todos é transmitido pela RDP África na sexta-feira, dia 15 de novembro, pelas 13h20*. O Páginas de Português vai para o ar na Antena 2, no domingo, 17 de novembro, pelas 12h30*.

 * Ambos os programas são repetidos: o Língua de Todos, no sábado, dia 16 de novembro, depois do noticiário das 09h00, e o Páginas de Português no sábado seguinte, dia 23 de novembro, às 15h30. Hora oficial de Portugal continental,  ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Mas, afinal, há vírgulas obrigatórias ou não? Que regras, que critérios, enfim, que dicas podem existir para o seu uso correto? Em O nosso idioma, regressa este tema incontornável, com um texto de Carla Marques, consultora permanente do Ciberdúvidas, que apresenta um conjunto de situações de escrita onde as vírgulas afirmam a sua necessidade.

2. Diversificam-se as obras destinadas a apoiar as aulas e os cursos de Português como Língua Não Materna (PLNM). Na Montra de livros, apresentam-se dois volumes elaborados conforme o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR): trata-se de Gramática de Português Língua Não Materna Níveis A1 e A2 Gramática de Português Língua Não Materna Níveis B1, B2 e C1, que têm por autoras três docentes especializadas em PLNM – Teresa S. FerreiraInês Cardoso e Sílvia Melo-Pfeifer. Refira-se ainda que a obra, publicada pela Porto Editora, tem revisão científica do linguista Paulo Feytor Pinto.

3. Em Portugal, foi notícia o caso chocante do bebé abandonado num contentor de lixo, o qual, felizmente, foi encontrado e encaminhado para um processo que envolve um decreto de adotabilidade, termo semanticamente diferente da parónima adaptabilidade, conforme esclarece uma das novas perguntas em linha no Consultório. Outras dúvidas abordadas nesta atualização:  diz-se «alimentar-se com verduras» ou «de verduras»? E é o que significa curcuma – ou cúrcuma? Como se pronuncia o nome da letra y em Portugal? Quando se fala de dois anos seguidos, por exemplo, de 2019 e 2020, usa-se barra ou hífen? E, numa expressão como «ensino quer público quer privado», a conjunção correlativa «quer... quer» é disjuntiva ou copulativa? Finalmente, como explicar a diferença entre «o frango está a ser cozinhado» e «o frango está a cozinhar»?

Na imagem à esquerda, uma silhueta (1935) de Eveline von Maydell (1890-1962), no Museu Nacional do Traje e da Moda, em Lisboa.

4. Entre as notícias relacionadas com a promoção da língua portuguesa e das culturas que por ela se manifestam, salientem-se:

– O discurso proferido pelo presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa em 14/11/2019 na Academia francesa*, sobre a riqueza da língua.

* Marcelo ajudou a definir a palavra ville para o dicionário da Academia francesa  + Marcelo Rebelo de Soususa causou debate "intenso" na Academia francesa

– A Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola, que promove e realiza a Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação a Ciência e a Cultura (OEI)  nos dias 21 e 22 de novembro de 2019, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa. No contexto deste encontro, haverá uma reunião que conta com a presença do atual diretor executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP)**, o guineense Incanha Intumbo, e de todos os seus  antecessores: a moçambicana  Marisa Mendonça, o brasileiro Gilvan Müller de Oliveira e os cabo-verdianos Manuel Brito-SemedoOndina Rodrigues FerreiraMário Almeida Fonseca (excetua-se a angolana Amélia Mingas, recentemente falecida).

** Sobre os 30 anos do IILP, criado  no dia 1 de novembro de 1989, e, São Luís do Maranhão, no Brasil – por ocasião do encontro dos chefes de Estado dos países de língua oficial portuguesa (na altura, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, que antecedeu  a criação da CPLP em 1996 −, veja-se a mensagem do embaixador português Francisco Ribeiro Telles, atual secretário executivo da Comunidade dos Povos de Línga Portugues, aqui.

–  Registo ainda de uma iniciativa bilingue, resultante da parceria da Revista Pessoa com a revista norte-americana Words Without Borders e com a Columbia University School of Arts: de 13 a 16 de novembro, em Lisboa, decorre a segunda edição de  The Pessoa Festival.  Este encontro, realizado pela primeira vez em Nova Iorque em 2018,  tem lugar no Lisboa Pessoa Hotel, morada onde funcionava a tipografia na qual, em 1915, se fazia a impressão da revista Orpheu. O evento tem mesas temáticas com a participação de escritores, editores e críticos literários.

5. A decisão da UNESCO de instituir o Dia Mundial da Língua Portuguesa, comemorado a 5 de maio, constitui o tema de destaque em ambos os programas que a Associação Ciberdúvidas produz para a rádio pública portuguesa (ver também nas Notícias). No programa Língua de Todos, transmitido pela RDP África na sexta-feira, dia 15 de novembro, pelas 13h20**, entrevista António Nóvoa, embaixador de Portugal na UNESCO, sobre o impacto destas comemorações, enquanto no programa Páginas de Português, emitido pela Antena 2, no domingo, 17 de novembro, pelas 12h30***, convida-se Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, para, no contexto do mesmo tema, falar das medidas do governo de Portugal para a internacionalização da língua.

 *** Ambos os programas são repetidos: o Língua de Todos, no sábado, dia 16 de novembro, depois do noticiário das 09h00, e o Páginas de Português no sábado seguinte, dia 23 de novembro, às 15h30. Hora oficial de Portugal continental,  ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

6. O último programa da 10.ª série do magazine Cuidado com a Língua! é dedicado ao tema da veterinária, dando realce à origem de palavras como trela ou veterinário, a algumas expressões que incluem nomes de animais e à flexão do tão maltratado verbo intervir (no  primeiro canal da RTP, na quarta-feira, dia 13 de novembro de 2019, depois da 21h00****).

*** *Hora oficial de Portugal continental – ficando  este e os demais  programas disponiveis  via RTP Play.   

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Os sentidos das palavras atêm-se aos usos e são os usos que lhes asseguram a vitalidade ou lhes ditam o esquecimento. Esta ação, associada aos efeitos da própria temporalidade ao incidir sobre a língua, leva a que certos sentidos que já tiveram momentos de uso pleno se tornem opacos e distantes dos falantes.  É o que parece motivar a questão relacionada com a possibilidade de outros sentidos do verbo temperarque não o de "condimentar a comida". Para além desta, outras respostas estão disponíveis no Consultório. Entre elas, pergunta-se se o verbo pronominal questionar-se pode ser complementado por um constituinte introduzido por como. E no caso do verbo adaptar-se, qual a função sintática do pronome -se? Neste espaço, esclarece-se ainda a pronúncia de avessas na expressão «às avessas» e explica-se um caso de crase numa cantiga galego-portuguesa. 

2. Uma ida ao veterinário cria o contexto para o último programa da 10.ª série do magazine Cuidado com a Língua!, num episódio que destaca a origem de palavras como trela ou veterinário e onde se recordam algumas expressões que incluem nomes de animais. Será ainda entre animais que se encontrará um pretexto para passar em revista a flexão do tão maltratado verbo intervir (no  primeiro canal da RTP, na quarta-feira, dia 13 de novembro de 2019, depois da 21h00*).

* Hora oficial de Portugal continental – ficando  este e os demais  programas disponiveis  via RTP Play

3. Na rubrica Correio, regista-se uma mensagem de descontentamento de um consulente relativamente ao artigo "10 expressões racistas que deveríamos tirar do nosso vocabulário" (transcrito do portal brasileiro Universa) e a resposta do Ciberdúvidas. 

4. A classe do adjetivo tem, desde sempre, mantido uma relação atribulada com os escritores. Se houve quem honrasse o adjetivo como um deus capaz de expressar todos os matizes da realidade, do pensamento e do sentimento, outros houve que o declararam proscrito e buscaram a pureza da linguagem liberta dos excesso barrocos atribuídos a esta classe de palavras. O escritor e jornalista brasileiro Nelson Rodrigues, por seu turno, considerou, desde o início da sua escrita, inclusive a jornalística, que a abolição do adjetivo pela imprensa «castrou emocionalmente» os acontecimentos e, nos seus textos, explorou à exaustão as potencialidades das palavras pertencente a esta classe, em frases marcadas pela imaginação, pelo inesperado e excêntrico e, por vezes, pelo mau gosto. Também amante das potencialidades do adjetivo foi Jorge Luís Borges, poeta, escritor e crítico literário argentino. É esta semelhança na atitude perante o adjetivo que leva o diplomata brasileiro André Chermont de Lima a aproximar os dois escritores que, não tendo aparentemente qual relação, partilham esta perspetiva da escrita (artigo originalmente publicado na revista brasileira Estadão, que aqui reproduzimos, com a devida vénia). 

5. Julia Kristeva, linguista, filosofa, psicanalista e crítica literária franco-búlgara, uma das figuras centrais do estruturalismo, sendo autora da obra seminal Semiótica (1969), onde trabalha a teoria da significação ligada ao funcionamento textual, numa perspetiva histórica, recebeu no passado dia 10 de novembro o Doutoramento Honoris Causa, pela Universidade Católica Portuguesa. A propósito da sua vinda a Portugal, Julia Kristeva concedeu uma entrevista à Revista do Expresso, na qual, entre muitos temas, refletiu sobre a linguagem como forma de moldar o pensamento, tendo afirmado a este propósito: «Não existe outra maneira de pensar. Pensamos pela linguagem e mesmo quando não falamos por meio da linguagem e nos exprimimos por meio de emoções ou por gestos, imagens ou sons, essa é uma translinguagem. O ser humano tem esta grelha que o constitui e a partir da qual encontra as linguagens plurais que são translinguísticas e que permitem à linguagem sair da sua estrutura. Mas enquanto pensamos e estamos na linguagem, também a transformamos. O pensamento está dentro e fora da linguagem. E ele inova, é como um renascimento.» (entrevista completa aqui).

6. A formação do plural dos nomes é, por vezes, uma autêntico quebra-cabeças, situação que dá o mote a um apontamento da lexicografa Ana Salgado, que apresenta uma breve sistematização das regras de flexão das diferentes possibilidades de composição de nomes (divulgado no sítio eletrónico Gerador). 

7. Damos destaque a alguns eventos relacionados com a língua: 

— A criação da Cátedra José Saramago pela Universidade de Sveti Kliment Ohrisdki, em Sófia, na Bulgária; e

— A criação de bolsas de mérito, atribuídas por Macau a alunos lusófonos e do sudoeste asiático.  

8. Celebra-se nesta data, 11 de novembro, o Dia de São Martinho, sendo tradição fazer-se um magusto, no qual se assam castanhas nas brasas da fogueira e se bebe água-pé ou jeropiga. No Ciberdúvidas, podemos reler vários artigos relacionados com o tema: «Castanha», «Água-pé», «A propósito de jeropiga», «Jeropiga, de novo», «Magusto». São também variados os provérbios relacionados com esta época: «no dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho», «dia de São Martinho, fura o teu pipinho», «dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho», «pelo São Martinho, todo o mosto é bom vinho», «por São Martinho, semeia fava e linho», «se o inverno não erra caminho, tê-lo-ei pelo São Martinho».

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. A concordância é um fenómeno sintático que se manifesta ao nível da frase, afetando diversos dos seus constituintes (nomes, adjetivos, verbos, determinantes, pronomes) e envolvendo marcas como o número, o género ou o tempo. A complexidade deste processo gramatical gera, com alguma frequência, dúvidas que nascem do confronto entre as regras gramaticais e a diversidade e riqueza dos usos de uma língua. Duas das questões colocadas no Consultório são um bom exemplo desta realidade: estará correta a frase «Maria é um dos vencedores»? e como fazer a concordância de um verbo com um sujeito composto? A questão do uso da vírgula com orações subordinadas adverbiais ou com orações coordenadas explicativas é outro dos assuntos abordados na nova atualização que inclui também uma resposta que aborda os vários aspetos relacionados com a grafia do verbo redarguir e uma outra sobre a possibilidade de grafar os nomes comuns com maiúscula. Ainda a existência do verbo duelar e a possibilidade de uso de porquê como substantivo.  

2. A Espanha vai a eleições no próximo domingo, dia 10 de novembro, numa nova tentativa de encontrar soluções para os muitos problemas que o país vive: a criação de uma maioria parlamentar, a resolução do problema da Catalunha, entre outras questões que ensombram o país vizinho. A situação política vivida em Espanha convoca uma vez mais algumas questões de natureza lexical, como é o caso da justificação do uso do plural eleições ou o uso incorreto de desde com valor espacial (como em «uma transmissão desde Madrid»). Para além disso, as questões vividas em Espanha recordam-nos sempre que a proximidade que temos com este país é também linguística, como fica bem patente neste conjunto de provérbios que bem poderão ser usados a propósito da situação política atual: «Boca de verdades, cien enemistades» («Diz a verdade e arranjarás inimigos»), «Caras vemos, corazones no sabemos» («Quem vê caras não vê corações»), «Del dicho al hecho hay mucho trecho» («Dizer é fácil, fazer é mais difícil»), «Gato escaldado del agua fría huye» (Gato escaldado de água fria tem medo»).

3. A complexidade que caracteriza Espanha passa também pela pluralidade de línguas que são faladas neste país, fruto da sua evolução histórica. Abordando a questão do ponto de vista dos nomes que são dados a estas línguas, o professor universitário Marco Neves recorda, no blogue NCultura, «10 nomes de língua de Espanha, incluindo o português», num artigo onde defende, não sem controvérsia, que o galego e o português são dois nomes da mesma língua. 

4. Na atualidade relacionada com a língua destacamos alguns acontecimentos:

— A notícia de que as obras para a construção do Museu da Língua Portuguesa em Bragança terão início no final do mês de novembro. Este museu pretende ser um espaço idêntico ao que existe no Brasil, em São Paulo, desde 2006, e que se encontra, atualmente, em reconstrução devido a um incêndio, em 2015, que destruiu totalmente as instalações do museu, localizado no edifício histórico da Estação da Luz;

— A realização do II Fórum Internacional da Língua Portuguesa – 500 Anos da Circum-Navegação do Mundo: Novas Contribuições em Investigação e Ensinoentre 13 e 15 de novembro, em Madrid, encontro organizado pela Universidade Complutense de Madrid (UCM) e pela Associação de Professores de Língua Portuguesa em Espanha (APLEPES), o qual tem por objetivo a comemoração dos 500 anos da viagem de circum-navegação e questões relacionadas com o ensino e difusão da língua portuguesa; 

— A publicação da tradução de sonetos de Camões para crioulo, da autoria do escritor José Luiz Tavares, numa obra bilingue intitulada Ku Ki Vos: Sonetus di Luiz de Camões (Com que voz: sonetos de Luís de Camões), com a chancela da editora Abysmo (notícia).

5. A distinção entre advérbios e pronomes* e o legado de Jorge de Sena** são os temas dos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa.

* O programa Língua de Todos será transmitido pela RDP África na sexta-feira, dia 8 de novembro (repetição no sábado, dia 9 de novembro, depois do noticiário das 09h00), pelas 13h20 e **programa Páginas de Português, pela Antena 2, no domingo, 10 de novembro, pelas 13h30 (com repetição no sábado seguinte, dia 16 de novembro, às 15h30). 

Hora oficial de Portugal continental,  ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. A obra e a personalidade de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) deixaram memória perene na vida literária e cívica de Portugal. É o que se assinala neste dia, 6 de novembro de 2019, em que se cumprem cem anos sobre o seu nascimento, um aniversário marcado por um extenso programa de atividades culturais a realizar até 20/12/2019 no Porto (sua cidade natal), em Lisboa e noutras cidades portuguesas (ver programa aqui). No Ciberdúvidas, a rubrica Antologia dá igualmente testemunho do génio de Sophia na descoberta da linguagem e da sua língua materna em poemas como "A palavra", "Arte Poética – II", "Breve encontro " e, a propósito da diversidade do português, "Poema de Helena Lanari". Recorde-se ainda a trasladação dos restos mortais da poetisa portuguesa para o Panteão Nacional em 02/07/2014, acontecimento de que a Abertura também fez registo na mesma data.

No Consultório, consultem-se as perguntas e respostas de índole gramatical, motivadas pelos textos desta autora: "Análise sintactica de duas frases de Sophia de Mello Breyner Andresen"; "A palavra almadilha (Sophia de Mello Breyner)"; "O e em dois versos de Sophia de Mello Breyner"; "Sophia de Mello Breyner: demais, outra vez"; "Metalogismos e metataxes em Sophia de Mello Breyner"; "Análise sintática de duas frases de Sophia de Mello Breyner Andresen". E, ainda. o documentário da autoria de Manule Mozos, Sophia, na Primeira Pessoa + No centenário do nascimento de Sophia – Parte I +  No centenário do nascimento de Sophia – Parte II

Fonte da imagem: Eduardo Moga, "Sophia de Mello Breyner, um tumulto de clarão e sombra", in blogue Letras I.Verso e Re.Verso, 11/06/2018

2. «Sophia foi poeta», ou «poetisa»*? A discussão, recorrente, pode surpreender quem se demore com outras palavras terminadas em -a, só que tradicionalmente do género masculino. Dê-se o exemplo de druida, um vocábulo da noite mágica dos tempos que, em Portugal, se popularizou não só pelo celtismo mais linguístico ou musical mas também por causa dos álbuns de Astérix, um herói da banda desenhada franco-belga. Mas, se houver necessidade de referir uma mulher, falamos de «uma druida», ou será mais correto  empregar formas como druidesa e druidisa? Esta é uma das novas questões em linha no Consultório, cuja atualização abrange ainda outras dúvidas, da pronúncia dos plurais de mês e vez à análise da construção «feito de cristal e flores» e do uso frásico do verbo pousar, passando pelo composto téorico-pragmático e a associação do verbo expressar com o nome célula.

* Releia-se a nota que, sobre o emprego de poeta e poetisa, se deixou na Abertura de 02/07/2019.

3. Da atualidade em que a língua portuguesa é tema, saliente-se:

– o II Fórum Internacional da Língua Portuguesa. 500 anos da Circum-Navegação do Mundo: Novas Contribuições em Investigação e Ensino, organizado pela Universidade Complutense de Madrid (UCM) e a Associação de Professores de Língua Portuguesa em Espanha (APLEPES) e realizado nos dias 13, 14 e 15 de novembro de 2019, na Faculdade de Filologia da UCM;

– a capacidade de resistência dos alunos e dos professores envolvidos no ensino da língua portuguesa na Venezuela, atendendo às graves dificuldades sentidas neste país, conforme sublinhou Paula Cristina Pessanha Isidoro, professora da Universidade de Salamanca, em intervenção feita no II Congresso e VI Encontro de Professores de Língua Portuguesa, que reuniu  quase uma centena de docentes em 02/11/2019, na cidade venzuelana de Maracay, no estado de Arágua (ler Correo de Venezuela de 04/11/2019, p. 6; ler também "A importância do português na Venezuela").

4. Tópicos centrais dos programas que Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa produz para a rádio pública portuguesa:

–  no programa Língua de Todos, transmitido pela RDP África na sexta-feira, dia 8 de novembro, pelas 13h20,  A consultora linguística Sandra Duarte Tavares responde a dúvidas sobre a distinção entre pronomes e advérbios;

– no programa Páginas de Português, emitido pela Antena 2, no domingo, 10 de novembro, pelas 13h30, evoca-se o legado de Jorge de Sena, a propósito do centenário desta figura maior da literatura portuguesa do século XX, e entrevista-se Teresa Calçada, comissária do Plano Nacional de Leitura.

* Ambos os programas são repetidos: o Língua de Todos, no sábado, dia 9 de novembro, depois do noticiário das 09h00, e o Páginas de Português no sábado seguinte, dia 16 de novembro, às 15h30. Hora oficial de Portugal continental,  ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

5. No 25.º episódio da 10.ª série do magazine Cuidado com a Língua!, que vai para o ar na RTP1, neste dia,  06/11/2019, depois das 21h00**, visita-se a Cinemateca de Lisboa, na companhia do jornalista Mário Augusto, que revela os segredos de palavras como ecrã, tela ou fita, entre outras que constituem o vocabulário da chamada «sétima arte»  (notícia aqui).

**  Hora oficial  de Portugal continental, podendo o programaser visto, posteriormente, via RTP Play. 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. A palavra plafom entrou no português a partir do estrangeirismo plafond e as sucessivas adaptações que a palavra sofreu ocorreram não só no plano ortográfico como também no plano semântico, como se explica na resposta «O uso e o significado do galicismo plafond», que integra a nova atualização do Consultório. Aqui encontramos ainda questões relacionadas com a concordância com a expressão «nem um nem outro», com a correção da preposição a usar com a palavra espelho (ao ou no?) e com o plural da expressão «nota de assentos». Por fim, uma explicação sobre a construção da indefinição em português, a partir da identificação da diferença entre «comprei livros, uns livros e alguns livros». 

2. O cinema é o tema central do 25.º episódio da 10.ª série do magazine Cuidado com a Língua!, onde pela mão do jornalista Mário Augusto se fará uma incursão no mundo das palavras da sétima arte, passando pelo ecrã, pela tela ou pela fita, ao mesmo tempo que se percorrem alguns espaços da Cinemateca de Lisboa (notícia aqui). 

3. Lisboa vai ser palco, pela quarta vez, da Web Summit, um evento que decorre entre 4 e 7 de novembro e que conta com mais de 70000 participantes, cerca de 2159 startups e com a presença de oradores influentes, como Brad Smith, presidente da Microsoft, Guo Ping, presidente da Huawei, ou Tony Blair, antigo primeiro-ministro britânico (ver notícias). No plano linguístico, esta cimeira (opção portuguesa para a palavra summit) trará consigo, mais uma vez, uma invasão linguística de anglicismos, que ocupará o espaço mediático e, claro, o da cimeira. Veja-se, a título ilustrativo, o título do artigo do jornal Público: «A Web Summit no país das startups». Este momento seria o ideal para a comunicação social promover o uso de palavras ou expressões portuguesas em substituição das inglesas: diretor executivo em lugar de CEOpresidente  em vez de chairman, «empresa emergente» a substituir startupaplicação em vez de app, entre muitos outros casos. 

Relativamente à questão do nome do próprio evento, recordemos a resposta «Web Summit, star-up e feature: como usar em português?» e ainda questões em torno de palavras que incorporam o termo "web", como "webgrafiaou "webliografia": «O neologismo "webliografia"» e «A palavra "webgrafia"». 

4. O crescente domínio da língua inglesa foi também um assunto que preocupou o poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português, naturalizado brasileiro em 1963 Jorge de Sena, que o abordou num dos seus poemas intitulado "Noções de Linguística". Recordamos hoje este escritor que amava a língua portuguesa pelos cem anos do seu nascimento (comemorados a 2 de novembro), data que motiva diversos eventos tanto em Portugal como no Brasil*.

* Ver a série de trabalhos do jornal  Público em evocação do centenário de Jorge Sena, intitulada O Século de um Intelectual Indispensável + Jorge de Sena: o gigante indigesto da cultura portuguesa Jorge de Sena, antologista + Jorge de Sena e o Brasil O exílio na poesia de Jorge de Sena +  A política em SenaE, ainda. Jorge de Sena, António Ramalho Eanes: cultura, educação e uma homenagem Portugal, realidades e percepções: magnífica lição de Jorge de Sena

(Imagem: Jorge de Sena por Victor Couto)

5. A partir de janeiro de 2020, a Holanda vai passar a conhecer-se por outro nome – lembra o professor universitário e tradutor Marco Neves, em artigo publicado no seu blogue Certas Palavras. Uma reflexão  sobre as designações curtas e longas associadas a diferentes países e a força dos usos, que nem sempre respeitam as vontades políticas.

6. O português como língua segunda estará em destaque em Cabo Verde, de 7 a 9 de novembro, no âmbito das «V Jornadas de Língua Portuguesa: investigação e ensino», que terão como tema central «A aprendizagem da oralidade na aula de português como língua segunda: compreensão, expressão e interação», um encontro organizado pela Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa (programa). 

 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Numa frase como «ouço a música que gosto», destoa o esquecimento da preposição de. Com efeito, se se diz «gosto de música», para quê cortar essa preposição nas construções com o pronome que? A forma correta e arrumada é, portanto, «ouço a música de que gosto», como lembra Carla Marques, consultora permanente do Ciberdúvidas, no apontamento que assina na rubrica O nosso idioma, a respeito da necessidade de não esquecer as preposições nas construções relativas, a bem da arrumação gramatical que faz a "casa" da língua.

2.  Em Portugal, o novo governo – o XXII Governo Constitucional, que tomou posse em 26/10/2019 – trouxe a novidade de passar a haver um secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Média, cargo ocupado pelo argumentista, empresário, produtor, programador Nuno Artur Silva (na foto). Trata-se de inovação bem recebida por muitos, mas que levanta dúvidas por incluir na sua designação a palavra média. Em referência aos meios de comunicação social, é opção muito discutível, se não errada, tendo em conta que: a) o vocábulo tem origem no latim media, plural do nome neutro medium, transmitido por via do inglês, que o associou a mass para criar mass media («meios de comunicação social»); b) geralmente, os plurais neutros latinos afeiçoam-se aos padrões morfológicos do português, e, portanto, tal como o latim curricula adota a forma currículos, também se esperaria que media fosse "médios" em português; c) contudo, a verdade é que foi media que se impôs, com a pronuncia "média" e legitimada com essa mesma grafia sem acento gráfico no dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (ACL), publicado em 2001. Neste quadro, o aportuguesamento "média" torna-se uma completa anomalia, não obstante vir registado no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (na 1.ª edição, de 2001, é classificado como regionalismo de Portugal), no dicionário em linha da Porto Editora (na Infopédia) e no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Não sendo corrente, em Portugal, a forma brasileira mídia, nem tendo "médios" chegado alguma vez a enraizar-se na língua, a solução ainda mais consistente parece ser a da ACL, que mantém a grafia media, escrita em itálico ou entre aspas, como costuma fazer-se aos estrangeirismos.

No Brasil, emprega-se mídia, que é forma correta à luz da norma linguística desse país e constitui um aportuguesamento fonético e gráfico de media (conforme a pronúncia inglesa), usado como nome feminino singular, seguindo regularmente a maioria dos nomes terminados em -a. Sobre a história (ainda que curta) e o emprego de media e mídia, consulte-se a seguinte seleção de respostas e artigos: "'Media', média, mídia"; "O uso de media"; "In mídia virtus"; "Novamente mídia, média e media"; "O caprichoso aportuguesamento de (mass) media"; "A formação e o significado do termo mediólogo".

3. Diz-se que são parónimas as palavras que têm pronúncia e grafia semelhantes, afinidade que ocasiona frequentes confusões – por exemplo, identidade e entidade. Será este tipo de relação vocabular desculpa para o enorme equívoco que se lia num noticiário televisivo? No Pelourinho, um apontamento de Sara Mourato assinala uma risível ocorrência, a de confundir uma baleia com um caranguejo.

4.  Pergunta-se no  Consultório: como se pronuncia sport em Sport Lisboa e Benfica? Se à palavra se associar o prefixo anti-, é preciso hífen? Como analisar os usos frásicos dos verbos dirigir-se e pugnar? E, quanto à construção «demasiado alto para perder»?

5. Não era costume, mas naturalizou-se. Referimo-nos ao Halloween (ou Dia/Noite das Bruxas), a festa de origens anglo-saxónicas e célticas que se faz na passagem de 31 de outubro para 1 de novembro. Esta última data é igualmente marcada por outra comemoração, de caráter religioso, bem mais antiga nas tradições de língua portuguesa, o Dia de Todos os Santos. Uma séria advertência para os jovens que saem à rua: esqueçam a fórmula inglesa «trick ou treat?», e usem o vernáculo – por exemplo, digam «doçura ou travessura?», à falta de melhor –, que o susto é o mesmo.

Na imagem, "As Bruxas de Almodôvar" (1947), de Severo Portela Júnior (1898-1985). Fonte: MatrizNet.

Sobre ambas as comemorações, leiam-se: "A propósito do Dia das Bruxas, sim ou não?"; "O nosso Halloween " ; "Sabia que o Halloween nasceu na Europa há 2000 anos?"; " Halloween: Uma "jovem" tradição comemorada na noite portuguesa"; " Por que as pessoas celebram Halloween no Brasil?  ; "O que não te contaram sobre o Halloween"; " Esta coisa que nem nome português tem!"; "Todos-os-Santos vs. 'Todos os Santos'".

6. Quanto aos programas de rádio produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa, são temas em destaque, na presente semana:

– no programa Língua de Todos, que vai para o ar na RDP África, no dia 1 de novembro, às 13h20, entrevista-se Luís Faro Ramos, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua;

– no Páginas de Português, programa transmitido pela Antena 2, no dia 3 de novembro, às 13h30, convida-se o embaixador de Portugal na UNESCO, António Sampaio da Nóvoa.para falar da criação do Dia Mundial da Língua Portuguesa vai ser comemorado anualmente a 5 de maio.

Estes programas são repetidos: o Língua de Todos, no sábado, dia 2 de notubro, depois do noticiário das 09h00, e o Páginas de Português no sábado seguinte, dia 7 de novembro, às 15h30. Hora oficial de Portugal continental,  ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

7. A cultura e a realidade lexical da lezíria, uma sub-região do Ribatejo, é o tema central do 24.º programa da 10.ª série do magazine televisivo Cuidado com a Língua! 

* Emitido no primeiro canal da RTP, na quarta-feira, dia 30 de outubro de 2019, depois da 21h00 (hora oficial  de Portugal continental). O programa pode ser visto, posteriormente, via  RTP Play.

8. Uma última observação: devido ao feriado de Todos os Santos, a próxima atualização do Ciberdúvidas fica marcada para o dia 4 de novembro.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. A pronúncia dos apelidos de família caracteriza-se por uma certa liberdade, o que pode, nalgumas situações, provocar incertezas. É o caso da pronúncia do apelido Gameiro, cuja origem também se descreve na atualização do Consultório. Indo da ortoépia para a ortografia, aborda-se a possibilidade de aceitação das duas formas do topónimo Marraquexe Marráquexe, cidade de Marrocos. Já no plano lexical, um consulente interroga-se sobre a existência e possibilidade de aceitação do adjetivo desumilde. No âmbito da sintaxe, é a função do pronome relativo no verso «Gato que brincas na rua», de um poema de Fernando Pessoa, que oferece dificuldades. Aborda-se também a sintaxe e a pontuação associadas ao uso de donde com valor de "daí". Por fim, regressa-se à questão da grafia das siglas e acrónimos em português. 

2. O campino e a realidade lexical que o envolve é o tema central do 24.º programa da 10.ª série do magazine televisivo Cuidado com a Língua! Este episódio* que vai até à lezíria ribatejana, passa em revista termos específicos, provérbios e expressões típicas deste domínio, para além de revelar a relação do barrete vermelho, tipicamente usado pelos campinos, com o barrete frígio usado pela figura de Marianne, símbolo da República francesa (notícia aqui). 

* Emitido no primeiro canal da RTP, na quarta-feira, dia 30 de outubro de 2019, depois da 21h00 (hora oficial  de Portugal continental). O programa pode ser visto, posteriormente, via  RTP Play.

3. O Papa Francisco anunciou, após a votação do documento final do Sínodo da Amazónia, que a comissão de estudo sobre a ordenação de mulheres como diaconisas vai ser reativada. Com esta decisão, levanta-se a possibilidade de ordenação de mulheres, no seio da Igreja Católica, situação que, no plano linguístico, convoca a necessidade de uma forma feminina para termos como padre ou sacerdote.

Relativamente a esta questão, recordamos a resposta «Padre, madre, abade, abadessa» e também o artigo «O sexo das profissões». Sobre a formação dos diferentes femininos, «Elefanta, presidenta», «A juíza e a presidente», ««Senhora presidenta» / «Senhora presidente»» e «Juíza presidenta». 

4. O Ciberdúvidas presta a sua homenagem ao reverendo Henrique Etaungo Daniel, falecido a 24 de outubro, no Huambo, em Angola (notícia). O reverendo foi autor do Dicionário Português-Umbundu e da obra Adivinhas e Provérbios em Umbundu, para além de publicações de âmbito religioso.

5. O vestuário envolve designações específicas para cada peça, mas abrange também uma dimensão que entra no domínio social e ideológico. Cada roupa marca uma opção pessoal que transmite uma mensagem, da vontade de passar despercebido ao desejo de se fazer notar. São estes os eixos da reflexão intitulada «Roupa, estratégia e moral», de autoria do tradutor e professor Vítor Lindegaard no seu blogue Travessa do fala-só

6. No âmbito da atualidade relacionada com a língua, destacamos as seguintes notícias:

— A ONU pretende estabelecer uma parceria com a CPLP para o ensino do português no combate ao crime organizado (notícia); 

José Ramos-Horta, político e jurista timorense, considera que o português está a sobreviver muito bem em Timor-Leste, o que se comprova pelo aumento da percentagem de falantes da língua, de 7% para 30% (notícia);

— A feira do livro Morabeza decorre em Cabo Verde, na Cidade da Praia e na Ilha do Fogo, até 3 de novembro, contando com a apresentação de livros variados e diversos debates e entrevistas (Programa). 

 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. O facto de na tradução portuguesa do título do novo filme da DisneyMaléfica: Mestre do Mal, se optar pela forma masculina (mestre) e não pela forma feminina (mestra) dá azo a um exercício de interpretação em busca de possíveis intenções subjacentes a esta má opção gramatical, num apontamento de Carla Marques, colaboradora permanente do Ciberdúvidas. Questões relacionadas com a formação do feminino têm motivado diversas publicações que apontam quer para o predomínio da flexão masculina, num sentido, quer para a pressão que a realidade extralinguística exerce sobre a língua, noutro sentido. É esta pressão que procura a estabilização do uso de femininos de palavras como general, presidente, carteiro, pedreiro ou alfaiate, só para recordar alguns casos mais evidentes.

No Ciberdúvidas, muitos outros artigos/respostas têm abordado esta temática: «juíza + a aprendiza», «Qual o feminino de bombeiro, «A árbitra», «A tropa no feminino», «O feminino de bispo, gamo e pardal»,  «embaixador / embaixatriz», «Soldado / soldada?», «Generala», «Embaixador/as e embaixatrizes, cônsules e consulesas», «Primeira-ministra».  

2. No Consultório, procura-se aferir se o termo icástico é uma palavra monossémica, o que impedirá que se lhe associe subjetividade. Ainda no domínio lexical, faz-se a distinção entre musculado musculoso e esclarece-se o uso do verbo fazer associado à expressão do tempo cronológico e do tempo atmosférico. Atentando, por outro lado, nas expressões «a montante» e «a jusante», explica-se por que razão não contraem com o artigo definido. Por fim, analisa-se a possibilidade de a palavra alerta poder flexionar em número. 

3. O início do ano letivo tem trazido à atualidade noticiosa diversos casos de violência nas escolas portuguesas. A classe docente, como é natural, não fica alheia a estes acontecimentos que nada têm a ver com a sua funçãp primordial: ensinar. Num artigo que aborda o cansaço físico e psíquico que os docentes vivem no atual contexto de ensino, a professora Lúcia Vaz Pedro partilha o seu ponto de vista, numa altura em que é importante conhecer os vários lados da situação que se vive (artigo originalmente divulgado no jornal Público).  

4. A proximidade existente entre palavras como aderênciaadesão é uma das situações que, por vezes, gera perplexidade aos utilizadores da língua, o que os leva a hesitar na sua utilização (e, eventualmente, a errar). O mesmo se verifica entre as palavras despercebido e desapercebido ou entre cético e sético. Estes e outros casos são tratados pela lexicógrafa Ana Salgado, no seu apontamento «Palavras que nos confundem», publicado na plataforma Gerador

5. O professor universitário e tradutor Marco Neves disponibiliza, no seu blogue Certas Palavras, o primeiro capítulo da obra Dicionário de Erros Falsos e Mitos do Português  (já aqui apresentada) onde aborda alguma especificidades do português, nomeadamente o valor gramatical de alguns verbos.

6. Na atualidade relacionada com a língua, damos destaque às seguintes notícias: 

— O Camões – Centro Cultural Português em Maputo promove um Curso de escrita criativa intitulado “Escrever para Crianças”, dinamizado pelo escritor Calane da Silva, durante o mês de novembro;

— A abertura de uma escola anglo-portuguesa em Londres, no ano letivo de 2020-2021, que dividirá o ensino das disciplinas entre o português e o inglês (notícia aqui);  

— O IILP (Instituto Internacional da Língua Portuguesa) vai promover o XI Curso de Capacitação, que visa à capacitação de professores, bem como de pessoas em formação na área de português como língua estrangeira/segunda língua, para a elaboração de roteiros didáticos para o português língua estrangeira;

— A proposta de constituição da língua de portuguesa a língua de trabalho do Comité Paralímpico Internacional que será votada no dia 27 de outubro pelos membros deste comité (ver notícia).

     Recordemos, a este propósito, o parecer da linguista Margarita Correia, que indica que a grafia correta da palavra é a forma paraolímpico

7. A primeira reunião do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP), a homenagem prestada aos académicos Evanildo Bechara e João Malaca Casteleiro e o livro Comunicar com Sucesso, da professora e consultora linguística Sandra Duarte Tavares são os temas em destaque nos programas de rádio que a Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa produz para a rádio pública portuguesa.

Estes programas são repetidos: o Língua de Todos, no sábado, dia 26 de outubro, depois do noticiário das 09h00, e o Páginas de Português no sábado seguinte, dia 2 de novembro, às 15h30. Hora oficial de Portugal continental,  ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.