Aberturas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
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Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. O número de infetados sobe na Europa, e Portugal não foge a um cenário já concebível como "segunda vaga" pandémica. Fala-se de bolhas, de testes rápidos e infelizmente de óbitos, termos registados neste dia em "O léxico da covid-19" (O nosso idioma), onde também passa a ter entrada a expressão «pandemia de desinformação», empregada em referência aos muitos mal-entendidos veiculados por material supostamente informativo.

2. Não obstante a atualidade sombria, há, mesmo assim, espaço para a ironia e até para algum humor, como foi o caso da cerimónia de atribuição dos prémios Emmy, em 2020 jocosamente batizados como "Pand-emmys", nome que entra  igualmente no nosso glossário. No mesmo tom, regista-se ainda o título Covid-19 Simplificado para Totós (totó em Portugal pode significar «incompetente, ignorante, desajeitado»), um curtíssimo vídeo com que o português Tomás Felício de Oliveira, jovem aluno da Escola Artística António Arroio (Lisboa), ganhou o concurso ABCovid (ver no Youtube).

3. A linguagem à volta da covid-19 é também o tópico abordado no apontamento que José Mário Costa escreveu para o Pelourinho, a propósito de mais um caso, em Portugal, de anglicismo impertinente em textos  oficiais de prevenção: trata-se de "covid free", termo agora (incompreensivelmente) associado à identificação de unidades hospitalares livres de contaminação.

4. Um aluno manifesta o seu desconcerto: se para é uma preposição em «vá para casa», como pode tornar-se uma conjunção em «disse para ir embora»? Trata-se de uma palavra que pode ter essa dupla classificação pelos motivos que são expostos na presente atualização do Consultório. Mais dúvidas: que tipo de oração subordinada ocorre em «sei como resolver o problema»? Será a grafia co-hóspede válida para todos os países de língua portuguesa? O que distingue os monossílabos tónicos dos monossílabos átonos? A forma "aliteracia" está correta? O que significa revezar?

5. Registos de iniciativas com participação de público – à distância ou presencialmente:

 – Arranca um novo concurso de jornais escolares promovido pelo Público no começo do presente ano letivo em Portugal.

– A 4.ª edição de Alvalade Capital da Leitura decorre até 26 de setembro p. f., dedicada a Lídia Jorge, que neste ano de 2020 comemora 40 anos de vida literária. A homenagem feita à autora de O Dia dos Prodígios (1980) é uma iniciativa da junta de freguesia deste bairro lisboeta e é comissariada pelo jornalista Carlos Vaz Marques. Abriu com uma sessão na Biblioteca Nacional de Portugal, na qual participaram, entre outros, Carlos Reis, Fernando Pinto do Amaral, Guilherme d’Oliveira Martins, Isabel Pires de Lima, António Carlos Cortez e Pierre Léglise Costa. Mais informação aqui.

6.  Assinala-se em Portugal, em 26 de setembro p. f., o Dia Europeu das Línguas, com organização da Comissão Europeia em parceria com a EUNIC Portugal, da rede de embaixadas e de institutos culturais. Realizado de forma virtual, ao encontro das medidas de combate à pandemia, este acontecimento é antecedido por um "webinário" dirigido às escolas, à Europa e às suas línguas, que começa às 10 horas de 25 de setembro.

O Dia Europeu das Línguas e a diversidade  linguística e cultural da Europa são temas já tratados anteriormente aqui: "Dia Europeu das Línguas comemorado a 26 de setembro"; "Europeidade e 'europeialidade'/'europalidade'"; "Euro, de novo"; "Eurorregião, de novo"; "Gentílicos usados pelos serviços da União Europeia"; "A soberania contra a língua"; "A grafia de nações da Europa de Leste"; "Novamente o português, língua da Europa"; "Estamos à altura da língua que temos? Um teste muito simples"; "Uma Europa que subalterniza o português"; "A pseudodefesa do português"; "O ensino de línguas estrangeiras, hoje na Europa"."O euroléxico de A a Z".

7.  Nos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa, salientam-se os seguintes temas:

– Sobre o Museu Virtual da Lusofonia, criado em 2017 e, desde o início de Setembro de 2020, integrado na plataforma Google Arts & Culture, Língua de Todos, emitido pela RDP África, na sexta-feira, 25 de setembro, pelas 13h20*, inclui uma entrevista com o Moisés Lemos de Martins, do departamento de Ciências da comunicação da Universidade do Minho e diretor do museu. 

– O Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa realiza em 25 de Setembro de 2020 um encontro acerca da importância e da expressão da língua e da cultura portuguesas no mundo. No Páginas de Português, transmitido pela Antena 2, no domingo, 27 de setembro, pelas 12h30*, entrevistam-se a professora Joana Meirim, coordenadora do mestrado em Português Língua Estrangeira/Língua Segunda nesta universidade, além de coordenadora da conferência, e Roberto Vecchi, presidente da Associação Internacional de Lusitanistas e participante no evento com uma palestra intitulada “Língua Portuguesa: O desafio no mundo global”. O programa conta ainda com uma crónica da professora Edleise Mendes, da Universidade Federal da Bahia, sobre a cooficialização de línguas no Brasil – "O Português, as línguas indígenas e de imigração".

* Língua de Todos é repetido no sábado, dia 26 de setembro, depois do noticiário das 09h00, e Páginas de Português, no sábado, dia 3 de outubro, às 15h30. Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1.  Numa semana que se inicia marcada pela incerteza e pelo medo, chega-nos a notícia de que, em Portugal, há escolas que vão fechar poucos dias depois de ter tido início o ano letivo, devido ao aparecimento de infetados entre a população escolar. Em simultâneo, surtos vão surgindo, sobretudo em lares de terceira idade, e o número de infetados continua a crescer, em linha com o que acontece um pouco por toda a Europa, onde se começa já a desenhar um cenário de novas restrições à população para conter a propagação das infeções. Esta é também a semana em que se discute a utilização de testes rápidos entre a população escolar, após a oferta de meio milhões de análises pela Cruz Vermelha Portuguesa (destinadas também a lares). Esta situação motivou novas entradas relacionadas com o tema no Glossário da Covid-19: Teste antígeno e Teste IgG e IgM, e ainda os termos Coronavir, Estupidez EverydayCovid.

2. Foi também o sentimento de medo, que alastra e que domina o espaço social, a motivação para a crónica da professora Carla Marques dedicada às palavras medo meticuloso, um apontamento divulgado no programa Páginas de Português, transmitido pela Antena 2, no domingo, dia 20 de setembro, que aqui partilhamos.  

3. O perigo de aumento das infeções devido à abertura das escolas levou a GNR a produzir um vídeo de animação com conselhos de higiene destinados sobretudo aos mais jovens. Foi na notícia de divulgação desta iniciativa que detetámos o uso das formas verbais 'terão' (por estarão) e 'tiveres' (por estiveres), o que denota um total descuido com a correção linguística, como se aponta no pequeno texto «Se 'tiver' preocupado com a língua, não leia isto», disponível no Pelourinho. É também nesta secção que recordamos mais uma vez que a expressão «crime humanitário», usada, desta feita, pelo líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, é incorreta, e deixamos nota da insólita entrevista de uma jornalista portuguesa à ministra dos Negócios Estrangeiros de Espanha Arancha Gonzalez Laya... em inglês.  

4.  No Consultório, analisa-se a origem do topónimo Penaguião e explica-se que nem todas as palavras portuguesas começadas por al- têm origem árabe. Esclarece-se também a pronúncia do termo latino imitatio e explora-se a natureza e algumas manifestações da função sintática complemento do advérbio. Por fim, no âmbito de uma frase copulativa identificadora, reflete-se sobre um problema de concordância

5. Em Portugal, tem-se discutido a inclusão da disciplina de Cidadania no currículo do sistema de ensino, problemática que tem motivado posições muito díspares. Neste quadro, a professora e investigadora Margarita Correia aborda a palavra cidadania na perspetiva da sua formação e no âmbito da pertinência do estudo desta área em contexto escolar, num artigo originalmente publicado no Diário de Notícias (aqui transcrito com a devida vénia).

6. No que se refere às notícias relacionadas com a língua e com a literatura, destaque para as seguintes: 

— As edições e reedições da Fundação Calouste Gulbenkian passaram a ser em formato digital, com acesso gratuito e universal;

— A comemoração do centenário do nascimento do dramaturgo Bernardo Santareno teve início em Santarém, no sábado, dia 19 de setembro, e prolonga-se até 16 de dezembro, com inúmeras atividades culturais destinadas a diferentes públicos (ver aqui). 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Em Portugal, a abertura do novo escolar marcou a semana, pois, apesar da pandemia de covid-19, as atividades decorrerão presencialmente conforme orientações do Ministério da Educação. Procurando a harmonia (possível?) com as normas da Direção-Geral de Saúde, alunos e professores reencontram-se de máscara, mas nas salas de aula, lado a lado, ao contrário, portanto, do que ocorreu nos últimos meses do ano letivo transato, em que o confinamento impôs o ensino à distância.

2. Em "O léxico da covid-19" (O nosso idioma), cinco novas entradas fazem eco da inquietação decorrente desta e doutras situações: o anglicismo cyberbullying, que lembra aos incautos os perigos da navegação em linha; os nomes escravidão e fome, que denotam as ameaças da presente crise; e o termo pós-pandemia que, com o verbo voltar, marca o sonho de fuga desta sinistra "nova normalidade".

3. No Consultório, os problemas são outros, mas bem mais benignos. Voltam as questões de classificação gramatical e análise sintática, uma preocupação constante da população escolar e não só: analisa-se, pois, uma frase que envolve a regência do adjetivo grato; e fala-se da classe de palavras de quando. Também o regresso às aulas em Portugal motiva outra dúvida, sobre a boa pronúncia das palavras, a chamada ortoépia: o o final do elemento físico- no nome da disciplina de Físico-Química, é mesmo aberto? E há ainda mais uma pergunta, relativa a tipos de conta bancária: porque é que se diz e escreve «à ordem», com a contração à, e não «a ordem», visto existir «a prazo», sem essa contração? Finalmente, uma incursão na antroponímia: qual é a origem do apelido Cristino?

4. Tempos agitados estes, cuja desarmonia evoca períodos paralelos no passado. Em crónica publicada em 16 de setembro de 2020, no jornal Público, o historiador e político português Rui Tavares propõe o neologismo mundicordioso numa reflexão à volta do latinismo mundicordes, vocábulo usado por Santo Agostinho, em época extremamente conturbada. Na rubrica O nosso idioma, transcreve-se, com a devida vénia, este artigo escrito igualmente a propósito da 75.ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que começou a 16 de setembro de 2020 e se realizou pela primeira vez em modo virtual, por causa da pandemia de covid-19.

5. Memórias e recordações de gente e eventos passados ficam associadas a nomes de ruas e lugares (topónimos), que, por sua vez, precisam, por exemplo, de placas toponímicas para adiar o implacável esquecimento do tempo. É este o tópico geral de um artigo publicado em 16 de setembro de 2020 na página Get Lisbon e dedicado às placas toponímicas mais originais, daquelas que quebram regras.

6. Quem não pensou já na possibilidade de vida extraterrestre? O tema voltou a ser notícia porque uma equipa internacional de cientistas, incluindo uma portuguesa, anunciou a descoberta de moléculas de fosfina na atmosfera de Vénus, o que sugere já ter existido vida neste planeta. O termo fosfina, da área da química, é definido pelo Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa como «fosfeto de hidrogénio (PH3) ou qualquer derivado resultante da substituição de um ou mais átomos de hidrogénio por radicais alquilo», e, segundo a mesma fonte, tem fosfamina por sinónimo.

Refira-se, a propósito, que no espanhol já se usou a forma homóloga fosfina, mas hoje o termo correto é fosfano, de acordo com uma recomendação da Fundación para el Español Urgente (Fundéu). Para o português, não parece haver alteração, mantendo-se, portanto, correto o uso de fosfina (ver também O Linguagista, de Helder Guégués).

7. Regista-se o lançamento em 22/09/2020, pela editora Guerra & Paz, do novo livro do professor universitário e tradutor Marco Neves: Pontuação em Português: Guia Prático para Escrever Melhor. Do mesmo autor, no blogue Certas Palavras, sugira-se a leitura de "O português é uma língua estranha?", um extrato do primeiro capítulo do seu livro Dicionário de Erros Falsos e Mitos do Português.

8. A RTP 2, que tem estado a emitir aos fins de semana, em repetição, alguns episódios da 10.ª e última série do magazine Cuidado com a Língua!, passa  neste domingo, dia 20 de setembro, às 20h25*, o programa sobre a ilha da Madeira.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando  o programa disponivel também na  RTP Play, depois de passar também na RTP Internacional nos dias 21 e 28 p.f.

8.  Relativamente aos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa, recordem-se os destaques: as confusões geradas pelo uso de palavras parónimas, no Língua de Todosemitido pela  RDP África, na sexta-feira, 18 de setembro, pelas 13h20*; e um comentário da professora de Português Lúcia Vaz Pedro sobre os desafios da pandemia na abertura do ano letivo em Portugal, no Páginas de Português, transmitido pela Antena 2, no domingo, 20 de setembro, pelas 12h30*. Neste último programa, é ainda abordado o ensino à distância nos contextos português e brasileiro, pela professora brasileira Rosângela Pimenta; e a linguista Carla Marques dedica um apontamento à palavra medo.

* O Língua de Todos é repetido no sábado, dia 19 de setembro, depois do noticiário das 09h00, e o Páginas de Português, no sábado, dia 26 de setembro, às 15h30. Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

 1. A partir de 15 de setembro, Portugal continental passou à situação de estado de contingência devido à pandemia da covid-19, situação que se prolongará até ao dia 30 de setembro. Esta nova realidade justifica a atualização do Glossário da Covid-19, projeto desenvolvido pelo Ciberdúvidas, que continua a reunir os termos / expressões que vão marcando o evoluir da pandemia. O Glossário passa, assim, a contemplar a entrada «Estado de contingência», expressão a que se vêm juntar «Incerteza (total)» e «Alerta David Attenborough».

2. A atualização do consultório passa pelo tratamento do advérbio galego abondo, no sentido de identificar o uso de um advérbio equivalente em língua portuguesa. Outro tópico abordado está relacionado com a utilização do artigo definido com um topónimo. Esta é uma dúvida frequente entre os falantes, que desta vez incide sobre o nome próprio Fátima, o que leva a uma abordagem histórica da questão que passa inclusive pela formação do próprio topónimo. O Acordo Ortográfico de 90 introduziu alterações na utilização do hífen, patentes, por exemplo, na forma auxiliar «hei de». A questão que agora se coloca está relacionada com o uso desta forma em conjunto com o pronome átono. A construção «hei de lhe» leva hífen? Ainda duas questões de natureza sintática: a análise de uma frase que inclui uma construção negativa alternativa e de uma frase com uma construção de infinitivo preposicionado

3. A revista Fórum Linguístico, ligada ao programa de pós-graduação em linguística da Universidade de Florianópolis, encontra-se a fazer uma chamada de artigos para um número temático subordinado ao tema História do Português: cronologias e mudanças linguísticas (mais informações aqui). 

4. São temas centrais dos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa:

No programa Língua de Todosemitido pela  RDP África,  na sexta-feira, dia 18 de setembro, pelas 13h20* (com repetição no sábado, dia 19 de setembro, depois do noticiário das 09h00), as confusões geradas pelo uso de palavras parónimas, explicadas pela professora Sandra Duarte Tavares.

– No programa Páginas de Português, transmitido pela Antena 2, no domingo, dia 20 de setembro, pelas 12h30* (com repetição no sábado, dia 26 de setembro, às 15h30*), os desafios da pandemia na abertura do ano letivo em Portugal, num comentário da professora de Português Lúcia Vaz Pedro; o ensino à distância nos contextos português e brasileiro, em conversa com a professora Rosângela Pimenta, do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (Brasil); e a palavra medo, num apontamento da professora Carla Marques.

*Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

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1. Retomam-se as atualizações trissemanais no Ciberdúvidas – às segunda, às quartas e às sextas –, ao mesmo tempo que em Portugal recomeçam as aulas em ano marcado pelos múltiplos efeitos da pandemia de covid-19 na vida pessoal e coletiva. Apesar das medidas restritivas da mobilidade e das atividades presenciais, os atuais meios digitais têm-se revelado um canal prodigioso para quebrar o isolamento – desde que usados com responsabilidade e paciência, dando tempo ao entendimento interpessoal. Surgido em 1997, o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa nasceu precisamente da consciência de estes recursos terem um papel na aproximação entre países e comunidades de língua portuguesa. Mais de duas décadas passadas, regista-se a satisfação de rever este espaço ativo, dedicado à divulgação e debate de questões da língua portuguesa, na sua diversidade histórica, geográfica e social. Voltam, portanto, a ter presença assídua os conteúdos do Consultório e das demais rubricas do Ciberdúvidas (ver igualmente aqui e aqui), em sintonia com a atualidade noticiosa em que a língua é tema e ao encontro de quantos no dia a dia se preocupam com os seus usos.

Apesar da pausa de verão, no Ciberdúvidas, foram sendo recolhidos da comunicação social e transcritos com a devida atribuição conteúdos para as diferentes rubricas. Na primeira quinzena de setembro de 2020, ficaram em linha os seguintes artigos: "O inglês é mais apto do que o português em termos lexicais";  "Começar e recomeçar", "E se um jornal de Goa voltar a escrever em português?"; "Pai"; "Cidadão-doutor".

2. «Falar português é uma forma de afirmação [...] sobretudo da importância que a língua deve ter no panorama internacional», sustenta em O nosso idioma a professora e linguista Carla Marques, numa crónica a respeito da menorização do português implícita no abuso dos anglicismos. Na mesma rubrica, o tradutor Gonçalo Neves dedica um apontamento à forma correta de mencionar o antigo nome latino da cidade minhota de Vizela – Oculi Calidarum.

3. Ainda em O nosso idioma, o glossário "O léxico da covid-19" recebe novas entradas: novo confinamento e trabalho em espelho.

4. Na Montra de livrosPaula Torres de Carvalho apresenta Nação Valente, um livro de Hélder Reis, sobre curiosidades da história de Portugal.

5. A vida rotineira não dispensa o rigor na oralidade nem na escrita. No Pelourinho, fala-se de compras e de supermercados, a propósito de um anúncio em que Sara Mourato deteta erros graves de ortografia e pontuação.

6. O verbo inserir tem dois particípios: inserido e inserto. Qual é mais correto? A resposta faz parte do regresso das atualizações do Consultório, que neste dia aborda ainda outros tópicos: como aportuguesar Daesh? E que significa a etiqueta SCOMP nos estudos de linguística? O significa lapedo? Há algum sinónimo da expressão «bem-vindo novamente»? Qual é a etimologia da palavra onça, em referência a um animal?

7. Do que, em diferentes órgãos de comunicação, se tem dito e comentado sobre a língua portuguesa, transcrevem-se, com a devida vénia, para O nosso idioma os seguintes textos: do humorista português Ricardo Araújo Pereira, "O covidioma" (Visão, 10/09/2020); e do jornalista brasileiro Ruy Castro, "Palavras no bisturi" (Diário de Notícias, 12/09/2020).

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

 

♦ Coincidindo  com as férias escolares no verão em Portugal, e como é tradicional nesta época com as atualizações regulares do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, elas ficam interrompidas até 14 de setembro.

Nos Destaques, em baixo ou do lado direito, e na nossa página do Facebook não deixaremos de assinalar novos conteúdos, sempre que for caso disso ou a atualidade assim o justificar. 

Até lá, e como sempre, fica acessível  a consulta  a todo o  vasto e diversificado arquivo do Ciberdúvidas – que, à presente data, ultrapassa já as 45 mil respostas e artigos à volta da língua portuguesa, em toda a sua pluralidade.

Para quaisquer outros contactos, que não de âmbito linguístico, o endereço habitual: aqui.

Na imagem, À sombra da parreira, 1914 (Figueiró dos Vinhos, Portugal), de José Malhoa (1855-1933), no Museu Nacional Grão Vasco (Viseu).

 

♦ A todos os nossos consulentes, deixamos  este poema, o XXII do Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro:

 

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...

O Guardador de Rebanhosin Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa, Lisboa, Ática, 1946 (10.ª ed. 1993), p. 48. Fonte: Arquivo Pessoa (em linha; manteve-se a grafia original).

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1. A estranheza que provoca o acento gráfico no nome próprio Maláui advém do facto de se considerar a regra geral de acentuação que preceitua que as palavras graves não têm acento. Todavia, o caso específico desta palavra entra em conflito com outra regra: a de que as palavras terminadas em i tónico são acentuadas na última sílaba quando precedidas de ditongo. Um caso raro que se explica nesta resposta. Outras questões colocadas no Consultório relacionam-se com a tradução da expressão inglesa "de-escalate", com uma dúvida relacionada com a coesão lexical e a correferência não anafórica, e ainda com o uso da locução «em específico» e o contraste contável/não contável em pinheiro e pinho

2. No dia 29 de junho comemora-se em Portugal o Dia de São Pedro, um dos santos populares. A tradição manda que se decorem as ruas de forma colorida, que não faltem os manjericos, as procissões, os bailes, as marchas e a sardinha assada. Tudo o que este ano não se pôde concretizar em comunidade (ver aqui), devido aos assim chamados «focos ativos» que teimam em surgir em diversos pontos do país, com particular incidência na zona da grande Lisboa. Sendo esta uma expressão da atualidade, passou a integrar O Léxico da Covid-19 acompanhada dos bem criativos neologismos desconfinacalma e desdesconfinamento, que que procuram descrever, respetivamente, a atitude que se deve adotar em período de desconfinamento e um novo período de reversão do desconfinamento que poderá surgir com a chegada de uma segunda vaga de infeções.

Este período festivo é uma oportunidade para recordar alguns textos disponíveis no arquivo do Ciberdúvidas relacionados com o tema: «A palavra são em substantivos compostos», «A regra para o uso de São ou de Santo» e «Nos santos populares (en)cante com poesia popular». 

3. As palavras foco e fogo, que partilham a mesma origem, motivaram o apontamento desta semana da professora Carla Marques no programa Páginas de Português, na Antena 2, onde se refletiu sobre a ligação entre os «focos de contágio» e o «fogo da juventude», juntamente com outros fogos que vão surgindo, dos físicos aos mais anímicos (um texto que pode ser lido e ouvido aqui). No mesmo programa, a professora universitária Margarita Correia apresentou uma crónica sobre o ensino do português língua não materna em Portugal (texto e áudio aqui).

4. Os protestos antirracistas motivados pelo assassínio do afro-americano George Floyd têm tido eco um pouco por todo o mundo, adotando múltiplas formas. Em Portugal, motivou, entre outras manifestações, a reedição em PDF do estudo Expressões dos Racismos em Portugal, dos investigadores Jorge ValaRodrigo Brito e Diniz Lopes, que divulgamos na Montra de Livros. No âmbito desta temática, destacamos ainda os dados de um inquérito europeu que revelou que 62% dos portugueses manifestam racismo (artigo do jornal Público). 

5. O cronista Miguel Esteves Cardoso aborda na sua crónica diária, no jornal Público, a questão da colocação do apóstrofo, que constitui um problema na língua inglesa, mas que também tem as suas manifestações na língua portuguesa, nomeadamente na formação incorreta do plural das siglas ("DVD's" ou "CD's".) Crónica aqui transcrita com a devida vénia. 

6. A questão da norma e da mudança é um tema que interessa tanto aos linguistas como aos falantes comuns e que envolve diversas questões nem sempre lineares, como recorda o professor e tradutor Marco Neves, na crónica que partilha no seu blogue Certas Palavras.

7. Com a conclusão do ano letivo em Portugal, é tempo de fazer balanços e de analisar os resultados das medidas implementadas para fazer face ao confinamento a que os alunos ficaram obrigados. As opiniões dividem-se: há que defenda que o «Ensino@Distância não foi um sucesso», há quem advogue uma solução mista, composto por ensino presencial e ensino à distância (o chamado" b-learning", abreviatura de «blended learning» – «aprendizagem ou formação mista»). Neste contexto, coloca-se também a questão da equidade no acesso ao ensino superior e do futuro do ensino universitário em Portugal.

8. A semana que findou foi também o momento escolhido para revelar o já tradicional «ranking das escolas», uma classificação das escolas públicas e privadas portuguesas, de acordo com os resultados dos seus alunos nos exames nacionais. Mais uma vez esta questão trouxe para a praça pública inúmeras tomadas de posição em defesa desta divulgação ou contra (cf. «Em defesa dos rankings das escolas», «Os rankings do nosso descontentamento» e «Rankings (desconfinados) – para quando estudar o que funciona?»).

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Recrudesce em Portugal a ameaça da covid-19, com novos focos da doença, sobretudo em Lisboa, onde o processo de desconfinamento iniciado em 30/04/2020 faz marcha-atrás, com o país colocado a três velocidades no combate à pandemia, a partir de 1 de julho p.f. Causa desta reavaliação:  a violação do dever cívico de recolhimento e os comportamentos de risco, deliberados, por bravata juvenil, ou induzidos por más condições de transporte e de vida.  Recolhimento comportamentos de risco são, portanto, dois dos termos na ordem do dia que passam a ter entrada no glossário "O léxico da covid-19" (O nosso idioma) – a que se acrecenta um terceiro: ansiedade.

2. No Consultório, pergunta-se: o que significa mastodinia? Escreve-se «ria Formosa», ou «Ria Formosa», com duas iniciais maiúsculas? Porque se grafa aziago com z, e não com s? Completam a atualização dois tópicos de sintaxe: como se analisa uma frase como «ele chama-se Fernando»? E que dizer do uso de compor em «este índice compõe-se como o melhor preditor»?

3. O ensino e a aprendizagem em tempos de pandemia e confinamento, que têm comprometido as atividades presenciais nas escolas, tornam mais premente o acompanhamento das crianças. Apresenta-se, portanto, na rubrica Montra de Livros o livro Escrever Direito por Linhas Tortas, da autoria da terapeuta da fala, Joana Rombert, que, nesta obra destinada a pais e professores, propõe várias abordagens ativas às competências associadas às aprendizagem da leitura e da escrita, desde o pré-escolar até ao final do 1.º ciclo.

4. Sobre o «discreto labor» de quantos, «com perfeccionismo e paixão»,  juntam «o amor à língua e à escrita» e não se importam  «de ficar na sombra para que o autor faça boa figura», transcreve-se com a devida vénia, em O nosso idioma, um apontamento da jornalista Catarina Gomes, que, a propósito do seu  novo livro, o publicou na sua página do Facebook.

5. Neste  dia, em Portugal, chega também ao fim o ano escolar, que desde meados de março funcionou de modo atípico. Tal como se noticiou aqui ou aqui, à suspensão de todas as atividades presenciais nas escolas seguiu-se, em 18 maio último, a sua retoma parcial, a abranger apenas os anos finais do Ensino Secundário. Foi rápido o recurso ao ensino à distância, o qual contou inclusive com o apoio da televisão pública, mas o balanço feito neste momento mistura pareceres entusiásticos ou muito positivos com fortes críticas, pela constatação de, afinal, o acesso aos meios informáticos ser muito desigual entre os alunos portugueses (ler artigos transcritos na rubrica Ensino). Entretanto, o Ministério da Educação português já determinou que o próximo ano letivo começará entre 14 e 17 de setembro de 2020 – apesar do preocupante clima de imprevisibilidade criado pela atual pandemia.

6. Ainda sobre ensino à distância,  assinale-se que a Ciberescola da Língua Portuguesa aceita inscrições nas suas aulas individuais nas modalidades de Português Língua Segunda, Língua de Herança ou outras, bem como para preparação para os exames do CAPLE. Mais informação aqui.

7. O dia 28 de julho é marcado pelo já tradicional Dia do Orgulho LGBTI, também conhecido como Dia do Orgulho Gay e evocativo da rebelião de Stonewall, em 1969, em Nova Iorque*. Em Portugal, as restrições impostas para evitar a propagação do coronavírus levaram ao cancelamento da marcha marcada para 20/06/2020 em Lisboa; mesmo assim, não deixam de ter lugar eventos, como é o caso da Parada Virtual realizada em 14/06/2020 com origem no Brasil.

* A sigla LGBTI está por «Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Intersexo». Junta-se por vezes o sinal + – LGBTI+ – em referência a todas as pessoas cujo género ou orientação sexual não sejam abrangidos pelas iniciais da sigla. Sobre esta e as suas variantes, consultar o Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Fonte da imagem em cima à esquerda: Melissa Lopes, "Passadeiras LGBTI: Uma ideia de Arroios que Campolide já pôs em prática", País ao Minuto, 13/05/2019

8. Sobre temas associados a questões de identidade, género e orientação sexual com  impacto significativo em palavras e expressões, sugere-se a leitura da seguinte seleção de artigos e respostas no arquivo do Ciberdúvidas: "A grafia e a pronúncia de transexual";  "Transexual dif. de hermafrodita";  "Homossexual ou 'gay'?"; "O palavrão na selva digital; "Bicha e fila"; "Relacionamento homoafectivo"; "Sobre a formação de homofóbico e homofobia"; "Homofobia, homófobo e homofóbico"; "'Casal gay' ou 'par gay'?"; "Paneleiro: valor denotativo e conotativo"; "Gay e gai"; "Brasil-Portugal: significados diferentes"; "Puto"; "O quimbundo é maneiro?".

9. Nos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa, a atenção vai para:

a obra do  Padre António Vieira, abordada numa conversa com José Eduardo Franco, historiador e professor catedrático convidado da Universidade Aberta e Titular da CIDH – Cátedra FCT/Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização – no programa Língua de Todos, emitido pela  RDP África,  na sexta-feira, dia 26 de junho, pelas 13h20* (repete no sábado, dia 20 de junho, depois do noticiário das 09h00);

– a intervenção de Adelina Moura, colaboradora do Plano Nacional de Leitura 2027 e tutora da formação contínua de professores do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, bem como para os apontamentos das professoras e linguistas Carla Marques e Margarita Correia, – no Páginas de Português, transmitido pela Antena 2,  no domingo, dia 28 de junho, pelas 12h30* (com repetição no sábado, dia 4 de julho, às 15h30*).

*Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Celebra-se a 24 de junho o dia de São João, padroeiro popular e um dos três santos que se comemoram no mês de junho, num quadro que associa manifestações religiosas e profanas. Em cidades como o Porto, a festa, que decorre na noite de 23, é pontuada pelos balões de ar quente, pelos martelinhos, e, claro, pela sardinha assada a pingar na broa. Este ano, porém, aconteceu algo imemorável: os festejos foram cancelados devido às medidas de combate à covid-19 (ver notícias aqui e aqui). O tradicional fogo de artifício foi impedido, as vendas ambulantes proibidas, os espetáculos de animação suspensos, os arraiais públicos interditos e a Ponte D. Luís fechada à circulação. Este é um dia S. João menos festivo e alegre, mas que se pretende bem mais seguro e promissor de dias mais estáveis. 

Cf. Algumas respostas do Ciberdúvidas relacionadas com o tema: «Nos santos populares (en)cante com a poesia popular», «O provérbio «a descer todos os santos ajudam», «São João», «Chuva de S. João». 

2.  Em Portugal, a 24 de junho, celebra-se também o Dia Nacional do Cigano, uma minoria que é ainda mantida à parte em muitas situações e cuja designação continua a estar associada a uma forte carga pejorativa. Numa altura em que as atenções se mobilizam perante casos de discriminação racial e étnica será importante que também as minorias sejam recordadas, o que se justifica mais ainda se tivermos em consideração o recentemente divulgado relatório da Amnistia Internacional relativo à situação vivida durante a pandemia em 12 países europeus, que denuncia a existência de atitudes discriminatórias e de preconceito relativamente às minorias étnicas e grupos marginalizados por parte das polícias. No relatório, fala-se de um «padrão perturbador de preconceito racial», que as regras impostas pela pandemia vieram desvelar.

Esta é também uma oportunidade de recordar algumas respostas sobre questões lexicais relacionadas com este domínio: «Calão/jargão»,  «Vocabulário de origem romani no português», «O plural de rom (=cigano)», «Qual a origem do termo ramona?», «Dicionário Houaiss sob acusação de linguagem preconceituosa e discriminatória» e «Ciganos: parte da nossa história e do nosso futuro».  

3. «Marcha atrás» é a metáfora que descreve as decisões tomadas pelo Governo português no sentido de tentar controlar o aumento dos contágios verificado na zona metropolitana de Lisboa. Por essa razão, 19 frequesias permanecerão em situação de calamidade, coimas serão aplicadas a quem desrespeitar o número máximos de pessoas em proximidade e o comércio volta a ter horários limitados. O mesmo retrocesso está a ocorrer em países um pouco por todo o mundo (como na Alemanha, Coreia do Sul ou China).

4. A crise pandémica continua, assim, o seu percurso que, do ponto de vista linguístico, o Ciberdúvidas continua a acompanhar introduzindo no seu glossário O Léxico da Covid-19 as novas palavras ou expressões que vão sendo registadas. Desta feita, poderão ser consultadas as nove entradas : casos ativos, cadeia de contágio, corredores turísticos, cuidador, gargarejos, grupos de risco, marcha atrás, pobreza e turismo. Também em França, as palavras têm acompanhado a dinâmica da pandemia, como nos conta o jornal Le Point, que dá a conhecer a atividade do lexicógrafo Alain Rey, de 91 anos, que trabalha atualmente num pequeno glossário dos termos ligados à situação desencadeada pelo aparecimento do novo coronavírus. 

5. O apelido do príncipe dos poetas portugueses Camões poderá ter tido origem no topónimo galego Camos, que está na origem também do adjetivo camoesa (de «maçã-camoesa»). Esta é uma curiosa história à volta da etimologia, que se conta no Consultório. Aqui divulgam-se ainda respostas a questões de diferentes temáticas: redobro do clítico com o verbo cabera natureza do pronome com o verbo tocar, as regras de uso do pronome com a forma -lo/-la, as relações semânticas entre contrastar comparar e a tradução do anglicismo "grawlix". 

6. A gradual afirmação da língua portuguesa no panorama internacional foi um processo de início tardio, que tem sofrido alguns contratempos no seu percurso. A linguista Margarita Correia evoca, na crónica «Quero ver o português na CEE», publicada originalmente no Diário de Notícias, o percurso da língua nas últimas décadas, marcado por uma lenta abertura ao mundo, ao ensino nacional e internacional e ao necessário diálogo com as variantes não europeias.

7. O tradutor e professor universitário Marco Neves evoca o início do verão com um apontamento dedicado à origem da palava, que deriva do termo latino "ver", que significa "primavera (o primeiro verão)" e é prima de estio (texto divulgado no blogue do autor Certas Palavras).  

8. Numa altura em que se começa a fazer o balanço das medidas implementadas para resolver os problemas causados pelo confinamento forçado, o ensino à distância volta a ser objeto de análise, desta feita, para se apontarem os constrangimentos e dificuldades que a opção trouxe a alunos e professores e para se atentar nos alunos que foram mais prejudicados por toda esta situação. É também neste quadro que o primeiro-ministro António Costa veio anunciar que o ensino presencial regressará entre 14 e 17 de setembro

9Recordamos que os programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa terão lugar nos dias habituais.

 – O programa Língua de Todos, na RDP África,  tem como tema central a obra do  Padre António Vieira, abordado numa conversa com José Eduardo Franco, historiador e professor catedrático convidado da Universidade Aberta e Titular da CIDH – Cátedra FCT/Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização (sexta-feira, dia 26 de junho, pelas 13h20*, com repetição no sábado, dia 20 de junho, depois do noticiário das 09h00). 

– O programa  Páginas de Português, na Antena 2,  traz à antena Adelina Moura, colaboradora do Plano Nacional de Leitura 2027 e tutora da formação contínua de professores do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, para falar sobre o guia de apoio ao Ensino de Português no Estrangeiro na plataforma de e-learning.  Outros temas: o apontamento da professora Carla Marques sobre as palavras foco e fogo, a propósito dos convívios improvisados em espaços públicos e dos fogos que abriram o verão em Portugal; a crónica da professora universitária Margarita Correia, que esta semana se debruça sobre o ensino de Português Língua Não Materna em Portugal. No domingo, dia 28 de junho, pelas 12h30*. com repetição no sábado, dia 4 de julho, às 15h30*.

*Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Sobre o uso de haver como auxiliar («haver de»), uma dúvida: por exemplo, falando de medicamentos, se se diz já com valor de futuridade que «hão de resultar», não será «haverão de resultar» uma construção redundante e, portanto, dispensável? No Consultório, outras perguntas completam a atualização: o que significa o regionalismo ervanço? As palavras subtramageniturinário estão bem formadas? E porque está incorreta  a frase «não estou confiante "se" ela está boa»?

2. No glossário organizado pelo Ciberdúvidas sob o título "O léxico da covid-19" (O nosso idioma), estão disponíveis seis novos registos: ajuntamento, desobediência, festas, jovens, ozono e testagem.

3. Disponível fica igualmente, na rubrica O nosso idioma, a reflexão desenvolvida pela professora Carla Marques para o programa Páginas de Português (Antena 2) em 21/06/2020, associando a recente vandalização da estátua de António Vieira em Lisboa à memória da ação humanitária do diplomata português Aristides de Sousa Mendes.

4. Ainda relativamente ao Páginas de Português de 21/06/2020, transcreve-se na rubrica Acordo Ortográfico apontamento dado neste programa pela linguista Margarita Correia, presidente do Conselho Científico do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, sobre pluricentrismo do português e do papel do AO de 1990, no respeito pelas especificidades fonológicas de cada país lusófono.

5. «Maior investimento, articulação estratégica no conjunto da CPLP e cooperação internacional [...], sem medo de perda de protagonismos nacionais [...]», para melhor projetar e difundir a língua portuguesa, são as necessidades detetadas num pequeno volume intitulado O Essencial sobre a Língua Portuguesa como Ativo Global, coordenado por Luís Reto, ex-reitor do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa. Na  rubrica Montra de Livros apresenta-se este livrinho, que dá ao leitor a noção do muito por fazer para consolidar e tirar partido económico da atual posição do português entre os dez idiomas mais falados no mundo.

6. Fazendo referência ao lançamento do referido livro, é de assinalar a entrevista que o embaixador Luís Faro Ramos, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, concedeu ao jornal Público em 21/06/2020. Duas mensagens ressaltam desta peça conduzida pela jornalista Leonete Botelho: «Portugal não é o dono da língua», mas «o esforço na sua projeção e ensino não pode ser só de Portugal».

7. Por último, mencionem-se:

– a exposição Luzes da Cidade, a respeito dos velhos letreiros luminosos de Lisboa e que está patente no bairro lisboeta de Alvalde a partir de 25/06/2020, numa forma alternativa de contar a história das cidades pelos seus nomes e grafismos comerciais (ler  notícia no Público de 21/06/2020; na imagem à esquerda, foto de Tiago Petinga, em A Vida Portuguesa, 14/08/2015);

– ainda a propósito da indicação dos nomes identificativos dos espaços lisboetas, o trabalho "Tipologia de placas toponímicas de Lisboa", em linha desde 17/06/2020 nas páginas do projeto getLISBON;

– a oportunidade de, em 23/06/2020, às 14h00, no Brasil, ou às18h00, em Portugal, retomar contacto com a destreza romanesca e lexical camilianas no seminário em linha "Camilo e os estudos comparados", organizado pelo Grupo Camilo Castelo Branco, da Universidade de São Paulo.