Aberturas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
Início Aberturas
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa comemora 24 anos neste dia. É quase um quarto de século de funcionamento como espaço de divulgação, esclarecimento e reflexão sobre as normas e os usos da língua portuguesa, na sua diversidade, onde quer que ela se fale e escreva. Em 15 de janeiro de 1997, quando a comunicação digital ainda não se generalizara, talvez se pudesse duvidar da adesão a este projeto. No entanto, com mais de duas décadas de trabalho, o desafio, que nunca foi nem será fácil, tem conseguido dar resposta à altura, mesmo em tempos de pandemia, confinamento e distância física, que pedem meios que reinventem a proximidade.

2. Sinal desta necessidade é a enorme procura do serviço público aqui prestado, gracioso e universal – sempre reforçada com constantes pedidos de esclarecimento e palavras de incentivo dos consulentes (cf. Consultório, Correio e página no Facebook). Além disso, o extenso arquivo acumulado* – ver O Português na 1.ª Pessoa e as demais três áreas temáticas, a que agora se soma, mais recentemente o glossário O léxico da covid-19 (10 rubricas ao todo) – documentam um percurso conjunto, com a participação de quantos, por esse mundo fora, querem saber sempre mais sobre o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste  Espaço simultaneamente de esclarecimento, de informação (noticias e livros, por exemplo) de reflexão e de polémica, inclusive, dele dá conta pormenorizada a professora Carla Marques, num balanço registado na rubrica O nosso idioma.

Vide, ainda: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa – em linha, ao serviço de todos

* No Consultório, contam-se mais de 36 000 respostas, e o número de artigos das demais rubricas aproxima-se dos 7000.

3. A data é aqui de festa, mas o presente aniversário coincide também com a entrada em vigor de novas medidas decretadas em Portugal, que se prolongam até 30 de janeiro p. f., com o objetivo de conter o alastramento da covid-19, e impõem um segundo confinamento – o confinamento II –, depois do de março e abril de 2020. Direta ou indiretamente relacionadas com a situação que se vive no país e no mundo, o glossário O léxico da covid-19 recebe 12 novas entradas: adiamento, alarmante,  «atividades culturais», «batismos, crismas e casamentos», «cansado da pandemia?»,  «confinamento II», descontrolo, «estado de emergência IX», «estirpe brasileira», «pandemia da pobreza», 500 mil, «voto antecipado».

4. Sobre a data e hora da entrada das medidas de confinamento, encontram-se usos desencontrados da palavra meia-noite, ora equivalendo ao momento final do dia, ora referindo o começo do seguinte, às 00h00. No Consultório, aborda-se esta questão, a par de outras: a conjugação pronominal reflexa correspondente a vós; a etimologia de óleo e azeite; e a datação da pronúncia nasal do ditongo de muito. Completam a atualização esclarecimentos sobre dois problemas de sintaxe – a classificação de senão numa frase; e o valor aspetual da frase «ele leu um livro».

5. Em Portugal, no contexto da campanha para eleição do Presidente da República em 24 de janeiro p. f., circula esporadicamente o adjetivo incumbente associado ao nome presidente («presidente incumbente»). Trata-se de decalque de «incumbent president», um anglicismo que se dispensa, porque há muito que em português se diz corretamente «presidente em exercício» ou «presidente em funções». Sobre este empréstimo do inglês, muito discutível, leia-se a resposta "Incumbente, de novo".

6. Continua também a acompanhar-se com atenção a atualidade política dos Estados Unidos, onde a Câmara dos Representantes aprovou o impeachment de Donald Trump, na sequência do assalto que instigou ao Capitólio. A comunicação social refere-se à situação pelo termo inglês, mas pode sem problema empregar impugnação, termo vernáculo equivalente, como houve aqui oportunidade de esclarecer. Leia-se, ainda a propósito, "Como traduzir impeachment?", um artigo que o professor universitário e tradutor Marco Neves publicou no blogue Certas Palavras em 30/01/2021.

7. No atual quadro de pandemia, a proximidade e apoio interpessoais tornam-se prementes para grupos e comunidades mais vulneráveis. A propósito da comunicação com pessoas surdas e das dificuldades que estas têm encontrado nos últimos meses, transcreve-se em Diversidades, um trabalho da jornalista Teresa Campos, com o título "A missão dos intérpretes de Língua Gestual Portuguesa" e publicado na edição digital da revista Visão (12/01/2021). Registe-se também a iniciativa da Antena 1, que passa a disponibilizar conteúdos traduzidos em língua gestual e legendas na RTP Play (ler aqui). A primeira peça neste formato, "Marco", da jornalista Rita Colaço, aborda a (má) experiência de um surdo de 21 anos nos seus primeiros meses de vida universitária.

8. Na rubrica O Nosso Idioma, ficam dois apontamentos sobre recursos estilísticos: um artigo sobre a interpretação da metáfora literária, do investigador brasileiro Roberto Lota; e, acerca do conceito de oxímoro, um  texto do professor João Nogueira da Costa.

9. Dois outros registos de ações do mundo académico como contributo para a promoção da língua: a abertura do Centro Nacional de Formação de Professores de Espanhol e Português pela Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, com o objetivo de reforçar a qualidade do ensino da língua portuguesa na China; e a realização virtual da Conferência internacional "Literatura, Turismo e cidade" entre 3 e 5 de fevereiro p. f. (inscrições até 16/01/2021).

10. Destaque ainda para duas efemérides com data próxima, evocativas da diáspora dos povos. Em 16 de janeiro, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, relativamente ao qual se sugere leitura de "Português para imigrantes refugiados" e  "Refugiados, e não migrantes". Em 17 de janeiro, o achamento da ilha do Príncipe, território de São Tomé e Príncipe, país que dá o tema linguístico a "Os naturais da ilha do Príncipe" e "Português de São Tomé".

11. Nos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa, são temas focados:

– Os vocábulos pandemia, máscara e refugiados, palavras do ano escolhidas em Angola, Cabo Verde e Moçambique respetivamente e abordadas pela professora Sandra Duarte Tavares quanto à sua etimologia e sinonímia – no Língua de Todos, emitido pela RDP África, sexta-feira, 15  de janeiro, às 13h20** (repete no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00**);

– A tradução de saudade, palavra do ano de 2020 escolhida pela Porto Editora (ler aqui), numa entrevista a Pierre Léglise-Costa, e a lista que a Priberam fez das palavras mais procuradas no seu dicionário em linha, também durante 2020 (coronavírus, pandemia, quarentena, confinamento, zaragatoa, telescola, calamidade, antirracismo, assintomático, letalidade e femicídio), numa crónica da professora Carla Marques – no Páginas de Português, transmitido pela Antena 2, no domingo, 17 de janeiro, às 12h30** (com repetição no sábado seguinte, 23 de janeiro, às 15h30**).

** Hora oficial de Portugal, ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Foi em 13 de janeiro de 2020 que o primeiro caso de coronavírus foi identificado fora da China. Este acontecimento teve lugar na Tailândia e, desde esse momento, correu o planeta. Um ano depois, em Portugal, devido ao aumento do número de infeções e do número de mortos,  e face à gradual incapacidade de resposta dos hospitais, equaciona-se a possibilidade, cada vez mais certa, de medidas restritivas mais apertadas. O objetivo mantém-se: baixar a curva, travando novas infeções. Para que tal aconteça, as medidas terão de passar por um recolher obrigatório III, que, na Ilha da Madeira já se encontra em vigor e que no continente se alargará a um confinamento geral, o que será anunciado ainda no decurso desta semana. Enquanto a situação não se altera, são as consequências da covid em vários domínios que continuam a ocupar o lugar central, antes de mais com o anúncio de um teste positivo seguido de dois negativos do Presidente da República português Marcelo Rebelo de Sousa, o que motivou o uso da expressão vírus infiltrado nas presidenciais em Portugal, dadas as consequências ainda não definidas desta situação. Por outro lado, equaciona-se a possibilidade de um voto eletrónico a distância e olha-se com consternação para o número de 20 mil mortos na Bélgica. Assistimos, ainda, ao ritmo lento da vacinação de toda a população e as opções tomadas vão colocando dilemas éticos relacionados com as prioridades definidas. As expressões assinaladas marcam a fase mais recente da pandemia e da vida em pandemia, o que lhes confere entrada para o glossário Léxico da Covid-19. Embora não se relacione diretamente com a atual pandemia, é também tempo de recordar o final de outra pandemia: o ébola, cujo fim foi declarado há cinco anos (em 14 de janeiro) pela OMS.

2. Na rubrica Diversidades, o coordenador executivo do Ciberdúvidas Carlos Rocha  subscreve um artigo sobre as relações entre a palavra descambiar, do espanhol, e destrocar, do português, que se aproximam por serem ambas palavras rejeitadas por autores normativos. No entanto, ambas parecem também ter conquistado o seu espaço devido ao seu uso cada vez mais generalizado. Mas, no plano do significado, serão palavras equivalentes ou apenas falsos amigos?

3. No Consultório apresentamos questões de âmbito diversificado. Uma dúvida relacionada com o uso da vírgulas em construções comparativas levanta ainda a questão da ambiguidade que se pode gerar. As construções clivadas são muito frequentes na oralidade ou na escrita informal. A sua intenção está associada apenas à colocação de foco num constituinte ou existem outros valores que se poderão assinalar? Ainda o significado da palavra teodidata, a grafia de torriense, a diferença entre os valores de probabilidade e possibilidade da modalidade epistémica e a colocação do pronome átono em construções com infinitivo

4. A professora universitária e investigadora Margarita Correia dedica um artigo ao uso da linguagem figurada, defendendo que esta pode revelar-se perigosa quer para quem a usa quer para quem a recebe, pois os processos de compreensão do interlocutor poderão não permitir a identificação da real intenção do locutor (texto publicado originalmente no Diário de Notícias e aqui transcrito com a devida vénia). 

5.  Uma viagem às línguas faladas nos Estados Unidos: esta é a proposta do professor e tradutor Marco Neves numa crónica em que se propõe contribuir para a mitigação da ideia de que os Estados Unidos são um país tendencialmente monolingue (crónica publicada no portal SAPO24 e aqui transcrita com a devida vénia). 

6. O provedor do leitor do jornal Público José Manuel Barata-Feyo reflete sobre a generalização do uso do verbo revelar, modismo que tem relegado para segundo plano um conjunto de verbos dicendi, que vão ficando esquecidos na escrita jornalística. Um texto que se transcreve no Pelourinho, com a devida vénia. 

 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Em Portugal, como um pouco por todo o mundo, apesar da esperança das vacinas, o começo do ano de 2021 configura um agravamento da pandemia, com uma subida ainda maior de infeções e mortes. Enquanto os hospitais de Lisboa suspendem a atividade não urgente, o parlamento aprova novo estado de emergência de 8 a 15 de janeiro de 2021. A dar testemunho deste contexto, entre multiplicados contágios e programas de vacinação, a rubrica O léxico da covid-19 recebe 18 novas entradas:  Aliviar vs. restringir, capacidade de internamento, contacto de alto risco, contacto de baixo risco, doença severa, doente contagioso, EMAEstado de emergência VIII, estetoscópio remoto, EUR-Lexfact-checking, «grave incidente»Infarmed, moonshot, Oxigénio suplementar. rutura,  vírus SARS-CoVvírus MERS-CoV.

2. Ainda em Portugal, a respeito dos erros do currículo do Procurador Europeu José Guerra, a ministra da Justiça Francisca van Dunem considerou o caso como desculpável, causado por um «erro de simpatia». Um comentário sobre o significado desta locução faz parte da presente atualização do Consultório, que inclui cinco outras questões: «por exemplo» é locução de que tipo? Que tempo e modo verbais se usam com «como se»? Numa frase cujo sujeito tenha a mesma forma de «cidade após cidade», o verbo concorda no plural ou no singular? No sentido de «nascido», nato e nato são sinónimos? E que significa mimizento?

3. Nestes tempos de crise mundial e pressão psicológica coletiva, será impossível pedir a objetividade e o rigor do discurso jornalístico? Em O nosso idioma, disponibiliza-se um excerto de um artigo do jornalista José Manuel Barata-Feyo, provedor do leitor do Público (02/01/2021), a respeito do abuso do verbo modal poder nos títulos deste jornal e das incorreções que aí se detetam. Transcreve-se ainda uma crónica do economista Luís Aguiar-Conraria sobre erros de forma e conteúdo no muito que se diz e escreve nos canais de informação (Expresso, 30/12/2020).

4. O mundo foi surpreendido com os acontecimentos de 6 de janeiro na capital dos Estados Unidos, quando, em apoio do presidente Donald Trump (derrotado nas eleições de 03/11/2020 e, portanto, em final de mandato), uma massa humana em fúria invadiu o Capitólio, local de reunião do Congresso norte-americano. Uma situação inédita, com um saldo trágico de mortos e feridos, a somar-se à gigantesca crise sanitária que afeta este país, à semelhança de outros. Não admira, portanto, que covid tenha sido anunciada como a palavra do ano 2020 nos EUA, na votação que a American Dialect Society (ADS) promove anualmente. Na rubrica Diversidades, traduz-se o artigo que Ben Zimmer, lexicógrafo da ADS, escreveu para o Wall Street Journal (edição de 24/12/2020) sobre a escolha deste vocábulo e dos numerosos derivados a que tem dado origem em inglês.

5. Na mesma rubrica, transcrevem-se, com a devida vénia, dois artigos que contrastam línguas com diferentes histórias de elaboração normativa: em "A flor de Itália", Miguel Esteves Cardoso fala da Accademia della Crusca, que vela pelo bom uso da língua italiana há mais de 400 anos (Público, 05/01/2021); e em "Galiza e Galicia e outras palavras com terminações análogas no período medieval", o linguista galego Paulo Gamalho argumenta com razões históricas para defender Galiza, e não Galicia, como forma recomendada em galego.

6. Duas publicações em língua portuguesa que justificam registo: na Guiné-Bissau, a publicação da revista Sintidus; e, em Portugal, outra revista, a Mamute #1, dedicada à escrita não ficcional.

7. Temas principais dos programas que a Associação Ciberdúvidas produz para a rádio pública portuguesa:

– A língua portuguesa como língua de diplomacia, numa entrevista repetida com Francisco Ribeiro Telles, secretário-executivo da CPLP, incluída no Língua de Todos, emitido pela RDP África, na sexta-feira, 8 de janeiro 2021, pelas 13h20* (repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*).

– A situação do português no seio das instituições da União Europeia, analisada pela eurodeputada do PCP e linguista Sandra Pereira, convidada do Páginas de Português, transmitido na  Antena 2, no domingo, 11 de janeiro de 2021, pelas 12h30** (com repetição no sábado seguinte, 16 de janeiro, às 15h30*).

* Hora oficial de Portugal continental, ficando os programa Língua de Todos e Páginas de Português disponíveis posteriormente aqui aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. O ano de 2021, que dá início à segunda década do século XXI, começa com uma tónica de esperança na luta contra a covid-19. A este espírito renovado, a equipa do Ciberdúvidas junta os votos de um ano saudável, pleno de sucessos e de bom português. As grandes mudanças que este ano promete ficam a dever-se ao trabalho de investigação desenvolvido pelos cientistas, que, em tempo recorde, criaram vacinas, que começam a chegar aos vários países do mundo, onde se dá início à inoculação das populações. Embora a vacinação tenha trazido um novo alento, não deixa de arrastar consigo preocupações relativas à sua eficácia, à duração da sua proteção  ou aos seus efeitos secundários, mas, no fundo, todos anseiam pela recuperação do «antigo normal». Com o ano novo, chegam também  22 novas entradas ao Léxico da covid-19. São elas: Alexánder Guíntsburg, António Sarmento, ARNm, B.1.1.7BioRxiiv, Boris Johnson, Celeste Heleno, Covid longaCultura27 de dezembro, Direção-Geral da Saúde, FDA, GripezinhaINSAJacinta ArdenKatalin Karikó, Kit de teste rápidoLaxismoLockdownMedRxiv, Suécia e Ursula von der Leyen.

A utilização constante das palavras vacina e vacinação no discurso mediático volta a colocar a questão da sua pronúncia correta: com “a fechado” ou com “a aberto”. Como já se esclareceu aqui, ambas as pronúncias são aceitáveis, estando relacionadas com a variação diatópica. Já quanto à pronúncia de -ui- em palavra como fluido ou gratuito, recorde-se que deve ser feita como um ditongo, não colocando acento no “i”, pelo que é incorreto dizer-se “*fluído” ou “*gratuito”. Neste contexto, recorde-se ainda que "*precaridade" é erro. Deve dizer-se precariedade, como aqui se explicou.

2. As palavras e as reflexões que estas propiciam assinalam o início do ano 2021: 

– As palavras vacina e esperança marcam o início do novo ano nos apontamentos da professora Carla Marques no programa Páginas de Português, transmitido pela Antena 2, uma crónica onde se reflete sobre o significado destas palavra, a que se juntam igualmente os votos de um ano de mudanças positivas.

– O mau uso do verbo enganar, em lugar da forma pronominal enganar-se, numa entrevista ao Presidente da República português Marcelo Rebelo de Sousa motiva uma reflexão do cofundador do Ciberdúvidas José Mário Costa na rubrica Pelourinho.

– Os últimos dias do ano 2020 trouxeram a notícia de que em Portugal, na Herdade da Torre Bela, se tinha organizado uma montaria de que resultou a morte de 540 animais. Esta acontecimento abriu caminho a uma reflexão sobre a terrível realidade que se pode esconder sob as palavras caça, montaria e matança, da responsabilidade da professora Carla Marques

– De palavras novas e de outras recuperadas do quase esquecimento ou de universos de significação muito restritos se fez também o ano de 2020, o que em muito se ficou a dever à ação avassaladora e omnipresente da pandemia, que acabou por trazer uma importância diferente a determinados termos ou expressões. Os portugueses acusaram este facto ao terem escolhido como palavra do ano 2020 (uma iniciativa da Porto Editorasaudade, ficando em segundo e terceiro lugares as palavras covid-19 e pandemia.  Também em Espanha, a pandemia e seus efeitos mostraram a sua força no facto de a Fundéu RAE ter selecionado “confinamiento” como palavra do ano. Por sua vez, no Reino Unido, a Oxford Languages assinalou as palavras mais usadas em inglês, elencadas num artigo que pode ser consultado aqui. E, nos Estados Unidos da América, a American Dialect Society, entidade sobretudo dedicada ao estudo do inglês norte-americano, declarou Covid como a palavra de 2020 após a votação que promove anualmente.

– Também a professora Sandra Duarte Tavares dedicou uma crónica às palavras e ao seu valor, desde as palavras glamorosas às sombrias, passando pelas ilusórias, entre tantas outras (crónica transcrita, com a devida vénia, da edição digital da revista Visão e aqui disponibilizada). 

3. Neste início de ano, Portugal assume a presidência do Conselho da União Europeia, sucedendo à Alemanha. A quarta presidência portuguesa adota como lema para este semestre «Tempo de agir: por uma recuperação justa, verde e digital», marcando os desafios que serão colocados pela crise sanitária que se vive, as suas consequências económico-sociais e a importância da defesa dos direitos sociais, do meio ambiente e da evolução digital. Este será um semestre que se espera de mudança também pelo facto de nos Estados Unidos tomar posse uma nova administração com Joe Biden à frente dos destinos dos norte-americanos, o que poderá marcar também o início de novas relações com a Europa. Destaque ainda para a importância da ação europeia e do ser-se europeu, temas tratados no artigo da professora e linguista Margarita Correia, que reflete sobre a importância e a mais-valia de ser europeu (divulgado no Diário de Notícias e aqui transcrito com a devida vénia).  

4. Com o regresso do Consultório, trazemos seis novas respostas a dúvidas que os consulentes nos vão colocando. Uma delas relaciona-se com o sentido do termo chapitô, usado como substantivo comum no título «O primeiro ano dos artistas fora do chapitô». Também uma dúvida relacionada com a possibilidade de usar hífen nos compostos «bebé menino» ou «bebé menina». As funções sintáticas desempenhadas por constituintes na frase continuam a marcar uma área de incertezas, como fica claro na questão sobre a função de «um para outro» no verso da poetisa brasileira Adélia Prado: «Amor feinho não olha um pro outro». E ainda o grau do adjetivo em «as mais sofisticadas redes políticas do mundo», a existência da palavra desirmanação e o significado das formas ressolho / rossolho, usadas em Aveiro.

5. Na rubrica Montra de Livros, apresentamos a reedição da obra de João Ribeiro intitulada Frases Feitas, que reúne mais de 800 expressões do português, compiladas pelo autor até 1908.

6. O professor universitário e tradutor português Frederico Lourenço, em entrevista ao jornal Diário de Notícias, fez um balanço do ensino através dos meios digitais, referindo-se em concreto às suas aulas de latim e grego na Universidade de Coimbra. Aborda ainda as obras que publicou recentemente, refletindo sobre os seus objetivos e impacto social.

7. A presença negra na história e na sociedade argentina continua a estar associada a uma visão racista que leva os argentinos a considerar que a sua população originária é branca. Esta mentalidade está, contudo, a sofrer um processo de mudança, como conta a jornalista Monica Yanakiew no artigo intitulado «Los negros», originalmente publicado na revista Piauí do jornal brasileiro Folha de S. Paulo (aqui transcrito com a devida vénia).

8.  Uma das consequências da pandemia passou pela implementação de métodos de ensino associados às tecnologias. Uma evidência que veio alertar as entidades responsáveis para a necessidade refletir sobre o desenvolvimento de políticas educativas que contemplem de forma eficaz as tecnologias, como alerta o investigador João Marcelo Borges no artigo «Lições sobre o uso de recursos tecnológicos na educação» (publicado no jornal digital  brasileiro Nexo e aqui transcrito com a devida vénia). 

9. No primeiro dia do ano faleceu o fadista português Carlos do Carmo (1939–2021), um cultor da língua portuguesa e dos seus poetas. Ficará na memória pela inovação que trouxe ao fado e pelas letras do poeta português Ary dos Santos, que imortalizou com a sua voz ímpar. Como forma de homenagear o cantor, a Câmara Municipal de Lisboa anunciou que a canção «Lisboa, menina e moça», imortalizada por Carlos do Carmo (com letra de Ary dos Santos e Fernando Tordo e música de Paulo de Carvalho) passará a ser a canção oficial de Lisboa

10. Neste princípio de 2021, também faleceu o escultor português João Cutileiro (1937–5 de janeiro de 2021). Considerado um dos mais importantes escultores portugueses, deixa obras marcantes como a escultura de D. Sebastião (em Lagos) e o Monumento ao 25 de Abril, no Parque Eduardo VII, em Lisboa. 

11. Registo também para o falecimento do filólogo espanhol Gregorio Salvador (1927–dezembro de 2020), uma referência mundial na área da lexicologia, que foi também vice-diretor da Real Academia Espanhola (RAE), entre 2000 e 2007. 

12. A linguista angolana Amélia Mingas (1940–agosto de 2019) foi agora homenageada no seu país natal com a publicação da obra Amélia Mingas: A mulher, a cidadã, a académica (edição Mayamba Editora). Trata-se de uma coautoria do sociólogo Paulo de Carvalho e do marido da falecida Luís ("Jota") Carmelino.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Com o final do ano no horizonte, é tempo de fazer o balanço de um ano de pandemia. Um ano que mudou vida da população mundial e que implicou alterações profundas no que agora se designa como «antigo normal». A sociedade passou a viver, em grande parte, dominada pelo medo. Medo do vírus, medo da doença, medo da morte. Um medo que dá poder a quem o explora: vive-se na era da fobocracia, uma realidade assente na desinformação. A humanidade dá, no entanto, no início do novo ano que se avizinha, um passo determinante na luta contra a pandemia, apostando tudo na «missão gigantesca» de vacinar a população mundial, o que traz novas questões de ética que importa ponderar, mas não afasta o perigo, cada vez mais certo, de uma «terceira vaga», que ameça ser a mais destruidora de todas e que justificou a ativação do assim designado «travão de mão» para controlar os festejos de final de ano em Portugal. O avanço da situação pandémica no mundo determina a inclusão destes novos termos no glossário Léxico da Covid-19. A eles juntam-se ainda CureVac, «Estado de emergência VII», Extubação, «40 dias no hospital, mas venceu a covid aos 88 anos» e «Salve o Natal». 

Primeira imagem: Anunciação, tapeçaria de Graça Morais. 

2. O Natal pede sugestões de prendas a oferecer àqueles de quem mais gostamos. O ambiente natalício é indissociável dos livros, que se oferecem, que se partilham e que se leem. Ao longo do último ano, na rubrica Montra de Livros, foram sendo divulgadas obras que abordam diferentes áreas da língua portuguesa e que poderão constituir excelentes sugestões nesta época. Um destaque especial para duas recentes publicações na área da gramática e das dificuldades do português: Pontuação em Português e Almanaque da Língua Portuguesa, ambos de Marco Neves; e Fala sem Erros, de Sandra Duarte Tavares. Na área particular da história da língua: Assim Nasceu uma Língua, de Fernando Venâncio, que mergulha nas origens do português. Foram registas também diversas obras que tratam questões particulares da língua na sua relação com várias ciências humanas, como é o caso de O Essencial sobre a Língua Portuguesa como Ativo Global, de Luís Reto et al. A nossa língua estabelece fortes relações com a etnografia e define particularidades na sua variação geográfica e social; ou, ainda, à volta de lugares, objetos e tradições da História de Portugal. Por exemplo: 100 Papas na Língua, de Lurdes Breda; e Nação Valente, de  Helder Reis.  A literatura e a língua literária ocupam igualmente um espaço importante na Montra de Livros, entre outros, com estes dois títulos: As Literaturas em Língua Portuguesa, de José Carlos Seabra Pereira; e Colheita de Inverno, de Vítor Aguiar e Silva. Bem recente e totalmente dedicado à importância da palavra, O Elogio da Palavra, de Lamberto Maffei. E, sobre  a docência da disciplina de Português no ensino secundário – e, mais, propriamente, a alunos do 7.º ao 12.º anos de escolaridade... pouco ou nada atentos ao domínio da sua língua natal –, lembramos o divertido livro Camões Conseguiu Escrever Muito para Quem Só Tinha um Olho... E outras respostas disparatadas em aulas e testes de Portuguêsde Lúcia Vaz Pedro.

3.  Recentemente registadas na Montra de Livros são as obras O Latim do Zero, do professor e tradutor Frederico Lourenço, que em 50 lições se propõe iniciar o leitor no estudo da língua latina, e Sentimento de Língua, uma publicação em homenagem ao gramático Evanildo Bechara, que reúne textos de diversos especialistas. 

4.  Ao Consultório chega-nos uma questão sobre o significado do verbo trapulhar, usado numa carta datada de 1902. Ainda outras dúvidas: o feminino de capelão, os complementos do verbo gostar, o uso do verbo perguntar com complemento direto com traço [+humano], o uso do pronome si como 2.ª pessoa do singular e o uso da forma obedecido como adjetivo

5. A forma como a pressão social obriga a uma nivelação da língua falada, estandardizando-a de modo a apagar sotaques, sintaxe ou léxico que se afastam da norma, é uma realidade evidente não só nos meios de comunicação social mas também em ambiente empresarial, como afirma Rodrigo Tavares, fundador e presidente do Granito Group, numa crónica divulgada na rádio TSF (aqui transcrita com a devida vénia).  

6. A especialista em linguística africana Margarida Maria Taddoni Peter apresenta um artigo dedicado ao estudo da preservação das línguas africanas no Brasil, no qual defende a importância do estudo destas línguas: «Estudar as línguas africanas que resistem nos rituais afro-brasileiros e em algumas comunidades negras, bem como investigar a participação das línguas africanas na constituição do português falado no Brasil, é contribuir para o conhecimento de nossa história, para o auto-conhecimento da população negra, pois só a informação é capaz de desconstruir preconceitos e eliminar a discriminação.»

7. O nome dado às refeições não é uniforme em Portugal e na Galiza. Aliás, termos semelhantes designam realidades bem diferentes, como explica o professor e tradutor Marco Neves, na sua crónica intitulada «A que horas é o jantar a norte do Norte?» (divulgada no Sapo 24 e no blogue do autor Certas Palavras).

8. Entre as notícias relacionadas com a língua, registe-se as seguintes: 

— Em 16 de dezembro assinalaram-se os 30 anos da assinatura do tratado internacional que firmou Acordo Ortográfico. Este evento teve lugar em 1990 com o objetivo de criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países de língua oficial portuguesa. Foi assinado por representantes oficiais de AngolaBrasilCabo VerdeGuiné-BissauMoçambiquePortugal e São Tomé e Príncipe e, mais tarde, em 2004, Timor-Leste, país já independente.

— A Porto Editora promove, mais uma vez, a Palavra do Ano, uma iniciativa cuja votação decorre até final do ano de 2020 e que solicita aos participantes a seleção de uma entre 10 palavras. Este ano a escolha será feita entre confinamento, pandemia, COVID-19, saudade, digitalização, sem-abrigo, discriminação. telescola, infodemia e zaragatoa.Já em Espanha,  a escolha da palavra do ano, segundo a Fundéu/RAE, será uma destas 12, ainda em votação : coronavirusinfodemia  resiliencia, confinamientoCOVID-19teletrabajo, conspiranoiaun tiktok, estatuafobia pandemia, sanitariosvacuna.

— A Priberam, em parceria com a agência Lusa, identificou as 31 palavras que definem o ano de 2020, resultado da análise das palavras mais pesquisadas no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Entre elas, encontra-se, evidentemente, pandemia, mas também palavras que, sobretudo desde março p.p., passaram a integrar o léxico comum dos falantes. A lista pode ser consultada em O Ano em Palavras

— Das Nações Unidas chega-nos a informação de que a ONUNews em português tem um novo perfil no Twitter (@ONUNews), numa aposta para chegar a mais utilizadores com notícias da atuação desta organização no mundo. 

9. Os programas de rádio da responsabilidade da Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa, o  Língua de Todos, na RDP África, e o Páginas de Português, na Antena 2, decorrerão no seu horário normal (ficando ambos os programas disponíveis posteriormente aqui e aqui).

10. O Ciberdúvidas interrompe nesta data as suas atualizações regulares, que voltam em 5 de janeiro de 2021. Com os desejos de boas festas aos nossos prezados consulente, deixamos um poema de Miguel Torga, alusivo a este período:

 

      Natal Divino

Natal divino ao rés-do-chão humano, 

Sem um anjo a cantar a cada ouvido. 

Encolhido 

À lareira, 

Ao que pergunto 

Respondo 

Com as achas que vou pondo 

Na fogueira. 

 

O mito apenas velado 

Como um cadáver 

Familiar… 

E neve, neve, a caiar 

De triste melancolia 

Os caminhos onde um dia 

Vi os Magos galopar… 

         Miguel Torga, em Antologia Poética.

                                               

   

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Febrilmente acompanhadas pelos media, as vacinas e as campanhas de vacinação preenchem as notícias em tempo de Natal. Paralelamente, prevendo o abrandamento demorado da pandemia, fala-se de 2021 como um «ano zero», expressão que, no glossário O léxico da covid-19, se soma a outras, num conjunto de 14 novas entradas: «apoio musculado», «boia de salvação», «Choque e pavor», clima, «desafio logístico», Egito, priorização, «questão humanitária», «(Não) Relaxar»,  retrocesso, Sandra LindsaySanofi-GSK e  teste de saliva.

2. No discurso mediático, a chegada das vacinas contra a covid-19 torna recorrente a expressão «a luz ao fundo do túnel», metáfora que a professora Carla Marques comentou num apontamento para o programa Páginas de Português, (Antena 2, 13/12/2020), agora também disponível em O nosso idioma. Nesta mesma rubrica, transcrevem-se ainda várias considerações etimológicas curiosas do classicista Frederico Lourenço, em defesa da importância do latim nos currículos escolares, bem como uma lista de epónimos – nomes próprios convertidos em nomes comuns denotadores de coisas –, da autoria de João Nogueira da Costa

3. Na rubrica Montra de Livros, apresentam-se duas obras publicadas em Portugal: rodeado de (alguma) polémica, O Cânone (2020), volume organizado por António M. FeijóJoão R. Figueiredo e Miguel Tamen, com a chancela da Fundação Cupertino de Miranda e das Edições Tinta da China; e, do cientista italiano Lamberto Maffei, o Elogio da Palavra, traduzido em 2019 pelas Edições 70.

4. No Consultório, seis novos tópicos: a classificação de para e de a introduzirem orações; a locução «ser de opinião» seguida de oração; a grafia e a etimologia do topónimo sintrense Assafora; os significados de besnico e cotomiço.; e o uso das maiúsculas nas datas inscritas na toponímia urbana.

5. Na rubrica Diversidades, a linguista Margarita Correia traça um breve historial da Língua Gestual Portuguesa, referindo-se às dificuldades sentidas pelos cidadãos surdos,ao mesmo tempo que sublinha o interesse das línguas gestuais para os linguistas (artigo de opinião originalmente publicado no Diário de Notícias em 12 de dezembro de 2020).

6.  A 17 de dezembro assinalam-se os 250 anos do  nascimento – mais propriamente, do batizado – do genial compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827). Pese embora a pandemia de covid-19, a efeméride tem sido pretexto de vários eventos em tudo o mundo, da AlemanhaPortugal, para gáudio de todos os melómanos, mais concretamente, dos beethovenianos. Recorde-se, a propósito, que as combinações gráficas dos nomes estrangeiros se mantêm na grafia dos seus derivados – cf. Acordo Ortográfico, Base I, 3 e aqui. Daí que o adjetivo que significa «relativo ao que é de Beethoven» – beethoveniano – exiba a sequência "beethoven"-, estranha ao português, tal como ocorre com newtoniano (de Newton) ou beckettiano (de Beckett).

Sugestão: a audição de Beethoven O homem e o cidadão, programa de 1995 com que a Antena 2  evocou a personalidade do compositor e no qual o ator português Canto e Castro (1930-2005) deu voz à tradução dos escritos beethovenianos para português.

7. Dois outros registos de atualidade:

♦   A atribuição, pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, no dia 16/12, do doutoramento honoris causa a três figuras que se notabilizaram na vida pública portuguesa em diferentes áreas: o historiador e político José Pacheco Pereira; o ex-ministro da Saúde e ex-presidente do Conselho Económico e Social António Correia de Campos; e o arquiteto e urbanista Nuno Portas, também ele ex-governante e ex-autarcaA cerimónia conta com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

♦  A edição do Dia Nacional da Imprensa, neste ano em formato digital, sobre a "Luta contra Desinformação" –  tão viral nestes tempos, por causa da pandemia e não só. A Associação Portuguesa de Imprensa, que celebra os seus 60 anos, assinala a data com um evento que conta com a presença de Věra Jourová, vice-presidente da Comissão Europeia para os Valores e Transparência.

À volta da questão da desinformação, (re)leiam-se "A expressão 'infodemia de desinformação'",  "A locução «à tona de», o verbo discriminar e o termo infodemia – campo aberto para manifestações de sinofobia", "CovidCheck.pt contra o vírus da infodemia e da desinformação", "Populismo e fake news", "Palavras falseadas", "O euroléxico de A a Z" , "Um anglicismo mentiroso, zoónimos insultuosos, alguns nomes tabu e a falta de conhecimento da língua" e a respetiva enrtrada na letra D do glossário  O léxico da covid-19.

 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Prepara-se o Natal nos países de tradição cristã, mas em plena pandemia, o que força os governos a procurar medidas capazes de conciliar o costume das grandes reuniões de família e o imperativo da distância física (CfEstado de emergência IV em Portugal durante o período festivo). As numerosas notícias sobre vacinas criam expetativas, num cenário onde o Reino Unido já tomou a iniciativa em 8 de dezembro p. p., com o v-day, o «dia da vacinação» ou Dia V. Esta é uma das novas entradas do glossário O léxico da covid-19, que neste dia acolhe um total de 26 termos e expressões, a saber: «Ano Novo sem rua nem festas»; burlas; colheita; «doses vacinais»; «enfermaria covid»; ECDC; «em negação»; «epidemia de abandono»; «escolas (ainda) fechadas»; «fonte de contágio»; inoculação; Margaret Keenan; monitorização; «Natal semidesconfinado»; «O 1.º dia do resto da pandemia»; «O vírus [que] prospera»; «pipocas e refrigerantes»; «puxar o travão de mão... se»; «quatro medidas de ouro»; «saúde vs. economia», «soroprevalência», suicídio; toma(r); «vacina RNA»; «vírus decodificado».

2. Nestes tempos pandémicos, a palavra vacina é constantemente proferida nos media audiovisuais, com a particularidade de, em Portugal, se ouvir de duas maneiras: canonicamente, com o chamado "a fechado", por elevação e redução vocálica em sílaba átona; e "vàcina", com "a aberto" átono, o mesmo de vocábulos como padeira ou Camões. Sobre a primeira variante, não há discussão: está correta. E a segunda? Terá distribuição mais enraizada a norte do país, e, portanto, será prolação regional; mas daí a declará-la prontamente pronúncia viciosa ou erro clamoroso exige cautela. Com efeito, nas modalidades setentrionais do português lusitano nem sempre a regra do vocalismo átono da norma-padrão se aplica cegamente: basta lembrar que maior se diz "màior" e pedrinha soa "pèdrinha", fenómeno que pode ocorrer na primeira sílaba de várias palavras. Sem prejuízo da preferência pela forma regular, evite-se, pois, a censura apressada da forma "vàcina".

3. Já quando se diz que a vacinação em Portugal será  «gratuita, facultativa e a realizar no Serviço Nacional de Saúde», acontece ouvir "gratuíta", que não se recomenda. Não é de mais recordar – já o fizemos notar em "A pronúncia de circuito, fortuito, gratuito e intuito" – que a pronúncia padrão de gratuito continua a ser com o ditongo decrescente ui, o mesmo que se articula em cuidado.

4. Na rubrica O Nosso Idioma, três apontamentos:

– A utilização da palavra árbitra, na sequência de Stéphanie Frappart ter sido a primeira mulher a arbitrar um jogo da Liga dos Campeões masculina, motiva uma reflexão da professora Carla Marques sobre a formação do feminino de algumas palavras tradicionalmente usadas no género masculino;

– A ideia de os jovens já não saberem falar nem escrever é um mito, sustenta a linguista Margarita Correia em artigo publicado no Diário de Notícias em 5 de dezembro de 2020;

– A pandemia de covid-19 tem tido efeitos nefastos no ensino, mas, apesar de tudo, a linguista brasileira Edleise Mendes, docente na Universidade da Bahia, dá testemunho de como, no ensino à distância, os ecrãs dos computadores transbordam de «riqueza linguística, cultural e afetiva» (crónica que a autora elaborou e leu para a emissão do  programa Páginas de Português de 6 de dezembro de 2020, na Antena 2).

5. No Consultório, ficam 12 novas respostas: o composto bel-prazer; do uso adverbial de contra; o plural de dimensão; a lua como metáfora num conto dos irmãos Grimm, da pronúncia de catarse, do acento tónico e gráfico de monólito,  do uso frásico de ambos, da possibilidade de rima rica com a mesma palavra, da diferença entre «registo de vídeo» e «em vídeo», do emprego transitivo do verbo descer; e do termo «texto não verbal». Inclui-se também um esclarecimento sobre a origem das Festas Nicolinas, realizadas na cidade de Guimarães entre 29 de novembro e 7 de dezembro.

6. O Acordo de Paris sobre as alterações climáticas completa cinco anos em 12 de dezembro. Um bom pretexto para recordarmos estes conteúdos disponíveis no arquivo do Ciberduvidas: "Da mudança climática ao acordo ortográfico"; "Prioridade às mudanças climáticas..."; "Alterações climáticas" ou 'mudanças climáticas'"; "O que é verdade e mito nos provérbios populares sobre o clima"; «Condições atmosféricas»; «Climático»; «As aceções do adjetivo temporal»; «A formação da palavra edafóclimático»; «Condições edafoclimáticas»; e «Geoestratégico».

7. Temas dos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa, neste fim de semana:

– Os estrangeirismos da língua portuguesa, na visão do gramático brasileiro Evanildo Bechara, constituem tema de relevo no programa Língua de Todos, emitido pela RDP África, na sexta-feira, 11 de dezembro de 2020, pelas 13h20* (repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*). Uma conversa com o linguista brasileiro Carlos Alberto Faraco, autor de um dos estudos que compõem o livro O Sentimento da Língua – Homenagem a Evanildo Bechara 90 anos.

– A IV Reunião Extraordinária da Conselho Científico (CC) do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), realizada nos dias 18, 19 e 20 de novembro de 2020, é o destaque do programa Páginas de Português, transmitido na  Antena 2, no domingo,13 de dezembro de 2020, pelas 12h30* (com repetição no sábado seguinte, 19 de dezembro, às 15h30**). Desta cimeira, fala Margarita Correia, presidente do CC do IILP. A emissão conta ainda com uma crónica da professora Carla Marques sobre as palavras túnelluz, usadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e por diversos políticos para descreverem a chegada das vacinas contra a covid-19.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando os programas Língua de Todos e Páginas de Português disponíveis posteriormente aqui aqui continental.

8. Um registo final, de muito pesar, pelo falecimento, vitima de covid-19, do jornalista  Pedro Camacho. Diretor da agência de notícias portuguesa Lusa, entre 2015 e 2018, e, depois, à frente da respetiva Direção de Inovação e Novos Projetos, Pedro Camacho tinha 59 anos de idade e um prestigiado currículo profissional na imprensa portuguesa. Mais pormenores aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Um ano é o tempo da pandemia do novo coronavírus no planeta. Um ano que alterou profundamente as relações sociais e que introduziu a desconfiança como uma reação comum a determinadas classes profissionais que lidam com a covid-19 no seu quotidiano. Um ano que levou a humanidade a olhar constantemente para a «curva de infeções», reagindo em função da sua evolução e contabilizando as baixas que a doença provoca num registo de «certificados de morte». Um ano que levou à redescoberta de que «cuidar de si é cuidar dos outros» e à perceção de que as «bolhas domésticas» poderão garantir alguma segurança contra a doença. Um ano que traz agora a esperança numa vacina, tão importante e complexa que levou à constituição de um sistema de «rede frio» e à criação da COVAX, a aliança mundial para gerir tudo o que se relaciona com as vacinas, que só poderão funcionar se forem transportada em condições extremas de frio em «caixas térmicas» especiais. Um ano que continua caótico a vários níveis, o que obrigou à criação de equipas como a NAD, que ajuda a gerir internamentos hospitalares, ou a medidas de apoio económico como o SURE, sendo certo que a «ajuda humanitária» é agora mais necessária do que nunca porque «o túnel é ainda muito comprido». As palavras / expressões destacadas passaram, assim, a integrar o  glossário Léxico da Covid-19, marcando mais um dos momentos da pandemia. 

2. A construção interrogativa «o que será dele?» afigura-se de análise complexa e oferece dúvidas no momento de classificar sintaticamente os seus constituintes. Nesta resposta, que integra a atualização do Consultório, ensaia-se uma interpretação do fenómeno. Também de natureza sintática é a questão que levanta a hipótese de o verbo ser concordar com o seu predicativo do sujeito, numa frase de Luís Fernando Veríssimo, e a que avalia a classificação de uma oração introduzida por «sem que». Em duas outras respostas explica-se um caso particular de parataxe e considera-se a possibilidade de uma frase interrogativa poder ser classificada como imperativa. No âmbito dos tempos verbais, apresentamos uma síntese que aborda as diferenças semânticas entre o uso do presente do conjuntivo e o do futuro do conjuntivo. Comenta-se também o uso de «portanto que» em lugar de «tanto que» e o valor do sufixo -eiro no gentílico brasileiro. Uma outra questão aborda a significação das palavras putreia e potreia em Aquilino Ribeiro. Por fim, uma possível explicação para a formação do topónimo Fronteira, uma vila do Alto Alentejo, em Portugal. 

3.  Os estrangeirismos entram constantemente na língua portuguesa pela necessidade de se referirem novas realidades. A palavra inglesa cyberbullying é deste facto um exemplo. Esta realidade linguística coloca, por vezes, o problema de a língua de chegada não possuir um termo preparado para garantir uma tradução que possa abarcar os eixos significativos da palavra de origem. Cyberbullying coloca ainda o problema da realidade social que descreve, como analisa a professora Carla Marques no seu apontamento «Traduzir "cyberbullying" ou acabar com a palavra?», disponível na rubrica O Nosso Idioma

4. Eduardo Lourenço, eminente ensaísta, filósofo, escritor, conselheiro de Estado, faleceu no dia 1 de dezembro. Deixa-nos um dos maiores pensadores da cultura portuguesa, que refletiu de forma ímpar sobre o "ser português" e sobre o lugar de Portugal na Europa. Um homem de pensamento poliédrico que encetou um profícuo diálogo com a obra pessoana, do qual resultou uma perspetiva que ofereceu toda uma nova visão sobre Fernando Pessoa. Galardoado com diversos prémios, entre os quais os prestigiados prémios Pessoa (2011) e  Camões (1996). Fica para a posteridade a sua extensa e  tãodiversificada obra, de perto  de meia centena de títulos – como, por exemplo,  O Fascismo nunca ExistiuO Labirinto da Saudade, Fernando, Rei da Nossa Baviera ou Heterodoxia. É ainda de mencionar o artigo "A chama plural"*, que Eduardo Lourenço dedicou à língua portuguesa, escrito em 1992 para o Atlas da Língua Portuguesa na História e no Mundo, coordenado pelo historiador António Luís Ferronha, e onde afirma:

«Descobre-se que a língua não é um instrumento neutro, um contingente meio de comunicação entre os homens, mas a expressão da sua diferença. Mais do que um património, a língua é uma realidade onde o sentimento e a consciência nacional se fazem “pátria”.»

* "A chama plural" consta também do livro A Nau de Ícaro seguido de Imagem e miragem da Lusofonia (1999) e de Obras Completas – Tempo Brasileiro: fascínio e miragem, Vol. IV (2018).  

5. Uma nota de pesar, também, pelo falecimento do escritor e poeta cabo-verdiano Teobaldo Virgínio, no dia 3 de dezembro, nos Estados Unidos, onde residia em Boston. Foi autor de uma vasta obra poética e ficcional, inspirada em Santo Antão, sua ilha natal. Deixou doze volumes publicados – tais como Distância, Vida CrioulaO Meu Tio JonasFolhas da Vida e Gaudêncio, o Filho Errante. Mais informação aqui.

6. A escritora  brasileira Clarice Lispector faria a 10 de dezembro 100 anos. Esta data motiva um conjunto muito alargado de eventos que, no centenário do nascimento da autora, recordam e homenageiam a sua obra, tanto no Brasil como em Portugal. Autora de romances e contos variados, Clarice Lispector apresenta uma obra de densidade psicológica, que continua a ser lida e aclamada um pouco por todo o mundo. Em Lisboa, assinalam-se ainda os centenários dos poetas e escritores Mario Benedetti e Olga Orozco, num ciclo intitulado «Três vezes cem». 

Cf. Os cem anos de Clarice Lispector

7.  É facto conhecido que há contextos laborais que recusam candidatos que falem a variante brasileira do português. São as injustiças motivadas por este preconceito que motivam a crónica da linguista Margarita Correia (divulgada no Diário de Notícias e aqui transcrita com a devida vénia).  

8. Numa das suas crónicas habituais, o professor e tradutor Marco Neves questiona, desta feita, a origem da palavra japonesa arigato, que goza da fama de ter origem portuguesa (crónica divulgada no blogue do autor Certas Palavras e aqui transcrita com a devida vénia).

9. Os programas televisivos de talentos raramente promovem a língua portuguesa, preferindo o que se produz em língua inglesa. É este o lamento de um leitor do jornal Público face ao que se verifica no programa The Voice Portugal, da RTP1, o que o leva a falar de «Desprezo pela língua portuguesa». 

10. Eça de Queirós é considerado um dos mestres da prosa portuguesa, servindo como modelo de escrita ou de oralidade. Todavia, afirmar sobre o autor que «escreve bem» acaba por ser uma expressão redutora e quase ofensiva para um «enorme escritor», como defende Luís Filipe Castro Mendes, poeta, diplomata e ex-ministro da Cultura português, num artigo  publicado originalmente no Diário de Notícias.

11.  No âmbito da atualidade noticiosa, registe-se:

—  O lançamento do hino solidário «Para quem depois vier», da autoria do cantor Sebastião Antunes, para a Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) AIDGLOBAL – Ação e Integração para o Desenvolvimento Global, num projeto que juntou 15 artistas portugueses e moçambicanos. Ouvir aqui.

— A realização da Web Summit 2020, que decorre em Lisboa entre 2 e 4 de dezembro, num evento realizado completamente em formato digital, que conta com mais de 800 oradores convidados.

Este evento levanta, mais uma vez, a questão da defesa da língua portuguesa, atendendo a que o evento é realizado em língua inglesa, o que motiva que se traga à memória aberturas como «A evolução de plafom, o cinema no Cuidado com a Língua!, a invasão linguística da Web Summit e os alertas de Jorge de Sena», «10 novas respostas no consultório do Ciberdúvidas, a Web Summit 2017 e (um)a Urban Beach à beira-Tejo» e «No Dia da Mobilidade, palavras de maior trânsito nos usos do português, o regionalismo prosmeiro e os anglicismos Web Summit e start-up» ou respostas do Consultório como «Web Summit, start-up e feature: como usar em português?»

12. Nos programas de rádio produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, destacamos a evocação de Eduardo Lourenço, num depoimento do professor universitário Carlos Reis, no Páginas de Português, da Antena 2 (no domingo, 6 de dezembro , pelas 12h30*; com repetição no sábado seguinte, 12 de dezembro, às 15h30*) e a entrevista à professora universitária Ana Boléo sobre o tema da oralidade na aprendizagem do português língua estrangeira, no Língua de Todos, da RDP África (no dia 6 de dezembro, pelas 12h30*, com repetição no sábado seguinte, 12 de dezembro, às 15h30*).

* Hora oficial de Portugal continental, ficando os programas  disponíveis posteriormente aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Dezembro é mês de festas, e, em Portugal, a primeira quinzena é assinalada pela comemoração do 1.º de Dezembro de 1640, o Dia da Restauração, que marca o regresso de Portugal à condição de reino independente. Uma semana depois, o dia 8 de dezembro tem cariz religioso e é dedicado à festa cristã católica de Nossa Senhora da Conceição, que os acontecimentos políticos de há quase 400 anos tornaram padroeira de Portugal. No ano que corre, em tempos de pandemia, estes feriados coincidem com medidas restritivas da circulação e reunião de pessoas, acompanhadas de máximas e palavras de ordem que incentivam a contenção no contacto social. É o que se ilustra no glossário O Léxico da Covid, que recebe quatro novas entradas alusivas a preocupações com a saúde, recomendações de segurança e o recrudescimento da violência contra as mulheres: «este vírus pôs-nos de joelhos», «máxima eficácia, mínima perturbação», #Respet e «tornar o invisível visível».

2. No Consultório, seis perguntas: a locução «a exemplo de» é sinónima de «por exemplo»? Se dizemos «antes de partires», com a locução prepositiva «antes de» seguida de infinitivo pessoal (ou flexionado), é porque esta forma do verbo vem sempre depois de preposição?  Os verbos procurar e buscar podem substituir-se um ao outro em todos os contextos, sem alteração de significado? No Brasil, atesta-se uma variante dialetal de semana que é "sumana" – e em Portugal? E será aceitável a forma "ditadurial" como variante de ditatorial? Finalmente, uma pergunta mais especializada: o que vem a ser uma relação de meronímia?

3. Na rubrica O Nosso idioma, as atenções centram-se em duas palavras de pronúncia tão arrevesada como o comportamento que denotam: trata-se do verbo tergiversar e da nominalização tergiversação, tópicos de um apontamento da professora  Carla Marques. E, a propósito de erros de ortoépia – por exemplo, pronunciar "lidres" em vez do correto líderes, com e aberto na penúltima sílaba –, transcreve-se na mesma rubrica uma lista de oito erros de prolação que a professora Sandra Duarte Tavares assinou na edição digital da revista Visão em 18/11/2020.

4. A atualidade noticiosa tem dado algum destaque à bitcoin, dada subida assinalável que este «tipo de criptomoeda ou moeda virtual» (cf. Infopédia) registou na semana que finda – ler aqui e aqui. Haverá aportuguesamento evidente para este termo? Talvez não da maneira como, em espanhol, se adapta sem dificuldade o inglês bitcoin à grafia bitcóin, cujo plural é bitcoines (cf. recomendação da Fundación para el Español Urgente – Fundéu, em 25/11/2020). Na língua portuguesa, o termo anda dicionarizado com a grafia de origem, em itálico, aguardando uma transformação ou uma transposição mais vernáculas. Uma solução poderá perfilar-se: a adaptação fonética e gráfica como "bitcoine" (plural "bitcoines"), viável, pelo menos, em Portugal – ainda que menos óbvia no Brasil, visto neste último país o grafema e em posição átona, como é o caso, corresponder a [i] em muitas regiões. Sobre este assunto, ver também o comentário ao anglicismo blockchain na Abertura de 22/02/2017.

5. Aproxima-se a época do Natal, e em Portugal o ensino básico e secundário confronta-se não só com os constrangimentos decorrentes de contágios e infeções pelo novo coronavírus, mas também com a falta de professores, como tem sido noticiado (ver aqui e aqui). Intensifica-se, assim, o uso e a exploração de aplicações informáticas para garantir, em complemento ou alternativa, o regime de ensino à distância. Merece, portanto, registo a notícia de, no Brasil, o professor brasileiro Carlos Lima (na imagem ao lado), criador do programa Agências de Notícias Imprensa Jovem, ter sido um dos vencedores do Prêmio Aliança para Media e Informação 2020, promovido pela UNESCO. Este projeto ajuda professores e alunos de escolas públicas com atividades curriculares e extracurriculares sobre educação à distância e uso dos media no ensino.

6. À volta da criação de recursos para o conhecimento e estudo da língua portuguesa, assinale-se também o lançamento do Dicionário Gramatical de Verbos do Português, concebido pelos professores universitários Jorge Baptista (Universidade do Algarve) e Nuno Mamede (Instituto Superior Técnico, Lisboa). Inserindo-se numa já importante tradição de dicionários de verbos, esta obra, que vai estar em linha, é apresentada em 30 de novembro de 2020, às 18h00, na FNAC do Fórum Algarve, em Faro, e posteriormente aqui.

6. Nos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa, têm destaque:

– O tema "Como abordar a leitura extensiva", em contexto do ensino para estrangeiros, em entrevista à professora Ana Sousa Martins, e uma crónica sobre a política, a língua e a criatividade, da  professora universitária brasileira  Edleise Mendes, no programa Língua de Todos, emitido pela RDP África, na sexta-feira, 27 de novembro, pelas 13h20* (repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*);

– A oralidade no ensino do Português Língua Estrangeira numa abordagem de Ana Boléo, docente do Instituto Politécnico de Setúbal, incluída no programa Páginas de Português (Antena 2, domingo, 29 de novembro, pelas 12h30**; com repetição no sábado seguinte, 5 de dezembro, às 15h30**). Esta emissão conta ainda com uma crónica da professora Carla Marques sobre o tema «máxima eficácia, mínima perturbação», a enquadrar as últimas medidas tomadas pelo Governo português no contexto do combate à covid-19; e, ainda, um apontamento da professora Sandra Duarte Tavares, sobre a pontuação em português, assim como uma evocação a propósito do centenário do nascimento do dramaturgo português Bernardo Santareno.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando os programas Língua de Todos e Páginas de Português disponíveis posteriormente aqui e aqui.

7. Devido ao feriado de 1 de dezembro, acima referido, a próxima atualização fica agendada para sexta-feira, 4 de dezembro p. f.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Um novo estado de emergência passou a estar em vigor em Portugal às 00h00 do dia 24 de novembro. Esta situação implica medidas específicas em diferentes concelhos, agora divididos em quatro grupos distintos, consoante o nível de risco de contágio da sua população, o qual se encontra assinalado num «mapa de risco». Pretende evitar-se a todo o custo o aumento do número de infeções e de mortes, impedindo-se, se possível, o cenário de uma terceira vaga. As medidas agora divulgadas visam evitar a ocorrência de supercontágios e continuam a insistir no cumprimento de medidas como o «confinamento domiciliário» (parcial) de forma a evitar a ocorrência de «convívios físicos» entre familiares e amigos, considerados realidades de risco acrescido para os contágios, e na importância de se manter a «etiqueta respiratória». Em risco acrescido continua a viver a população mais idosa, particularmente aquela que se encontra em Estruturas Residenciais Para Idosos (ERPI). No plano político, tem provocado muita discussão a realização em pleno estado de emergência do congresso do Partido Comunista Português, celeuma que levou Jerónimo de Sousa, o seu secretário-geral, a perguntar «De que levaria o seu adiamento para o dia de São Nunca à Tarde?» As palavras / expressões assinaladas passaram a integrar o glossário O Léxico da Covid-19, que, assim vai acompanhando a evolução da realidade relacionada com a pandemia. Poderão ainda ser consultadas as entradas «A amontante/a jusante», «A covid-19 não mata só pessoas», Centro Europeu de Prevenção e Controlo das DoençasDrive thru, Inocular,  Plano de vacinação e «Não sufoque a natureza». 

2. A sintaxe do verbo arreigar parece estar a sofrer um processo de evolução, o que é sinalizado por algumas construções onde se verifica a substituição da regência da preposição em pela preposição a, tal como se explica nesta resposta. O dióspiro, fruta típica do outono, coloca problemas relativamente à sua forma correta: deve ou não levar acento? Na atualização do Consultório, explica-se também o significado da expressão «a primeira bola a sair do saco» e indica-se o feminino de «sumo sacerdote». No âmbito da sintaxe, explica-se uma estrutura clivada e analisa-se uma forma verbal do ponto de vista da deixis.  

3.  Na rubrica Montra de Livros, José Mário Costa apresenta a obra 100 Papas na Língua. Da autoria de Lurdes Breda e ilustrada por Tânia Clímaco, reúne uma centena das nossas mais conhecidas expressões idiomáticas – por exemplo, «cabeça de alho chocho», «ir pentear macacos» ou «ter um parafuso a menos» – "desdobradas" tematicamente em outros tantos «contos cheios de humor, nonsense, sátira pura, duplos sentidos, regionalismos, situações e personagens caricaturadas nos cenários mais picarescos».

4. onomástica é, no Brasil, um espaço de grande criatividade linguística, que permite nomes cómicos, bizarros ou assustadores, como explicou a professora e linguista Edleise Mendesna sua crónica emitida no programa Páginas de Português, na Antena 2, no dia  22 de novembro de 2020.

5. Na linguagem quotidiana, usamos inúmeras formas apocopadas. O professor João Nogueira da Costa, tratando esse tema, apresenta no seu apontamento intitulado Reduções de palavras que não são abreviaturas uma listagem comentada destas formas. 

6.  No âmbito dos eventos relevantes para a língua destacamos os seguintes:

A comunicação intitulada A Pontuação, de Sandra Duarte Tavares, que terá lugar no dia 25 de novembro, pelas 16h30, na Biblioteca da Palácio Galveias.  

– O 20.º WGT - Voltar a Falar em Gramática & Texto, organizado pelo CLUNL, no dia 27 de novembro, com a participação da professora Ana Sousa Martins, coordenadora da Ciberescola da Língua Portuguesa.

– O V Seminário Internacional História e Língua: Interfaces, organizado pelo CIDEHUS, da Universidade de Évora, com lugar a 26 e 27 de novembro. 

 – A exposição Um Oásis ao entardecer, apresentada no MAAT, a partir de 29 de novembro, no contexto da comemoração do 20.º aniversário dos Prémios Fundação EDP. Uma mostra que reúne obras dos artistas vencedores deste prémio ao longo dos vinte anos da sua vigência e que pretende «olhar para o futuro, direcionando a sua atenção para os desafios que nos aguardam».