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Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1.  Em Portugal, a pretexto da entrada do verão, continuam as comemorações, velhas e novas; e entre elas, coincidente com o solstício, em 21 de junho, o Dia Internacional do Ioga (ver também aqui)*. Como escrever e pronunciar o nome desta prática de reflexão e exercício físico, de origem indiana**? As entidades que a promovem escrevem Yoga, com y maiúsculo inicial e geralmente pronunciada com o fechado; mas os dicionários e os vocabulários ortográficos recentes acolhem a palavra como substantivo masculino – no Brasil, atribui-se-lhe sobretudo o género feminino –, grafado com i (ioga) e com a indicação de poder articular-se com o aberto ("ióga") ou fechado ("iôga"). Existem argumentos de natureza filosófica, filológica ou mística passíveis de legitimar Yoga, como nome próprio, ou yoga, como substantivo comum – o qual, ao exibir um y, deverá escrever-se em itálico. Mesmo assim, no plano estritamente linguístico, é correto e, portanto, recomendável o aportuguesamento ioga, grafado com i e pronunciado com o aberto, prolação muito frequente em Portugal. Quanto ao praticante de ioga, além de se aceitar yogi, em itálico, disponibilizam-se os aportuguesamentos iogue e ioguim. Sobre estes vocábulos, leiam-se as respostas intituladas "Sobre a grafia das formas ioga e yoga", "Ainda o ioga" e "Os termos yogi, iogue e ioguim".

* Na imagem, "Um iogue sentado num jardim", miniatura proveniente do norte Índia e datada da primeira metade do século XVII (não foi possível determinar a atual localização).

** Observe-se que a palavra yoga ou ioga vem, provavelmente por via do francês ou do inglês, do sânscrito yoga-, que significa «união, junção», da raiz indo-europeia *yeug-, «unir», esta também na origem das palavras portuguesas jugo e jungir (cf. Dicionário Houaiss, Trésor de la Langue Française Informatisé e Online Etymology Dictionary).

2.  Ainda a propósito da alegada fuga de informação em Portugal sobre as soluções do exame nacional de Português do 12.º ano (ver Abertura de 21/06/2017), refira-se que as notícias dão conta de a Inspeção da Educação já estar a investigar este caso.

3.  Publicado no blogue Escritoresonline, com data de 23 de junho de 2017, e com a devida vénia à autora, transcrevemos na rubrica O Nosso Idioma um texto da escritora portuguesa Isabel Rio Novo sobre os matizes que, afinal, distinguem os sinónimos.

4.  Das perguntas chegadas ao consultório do Ciberdúvidas, selecionaram-se as que abordam os seguintes tópicos: a adequação do substantivo internando, a diferença entre os substantivos piche e espiche, a sintaxe do verbo roubar e o uso do plural eleições.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1.  A literatura em língua portuguesa afirma-se internacionalmente. Da Irlanda, vem o anúncio de que o romance Teoria Geral do Esquecimento, do escritor angolano José Eduardo Agualusa e traduzido para o inglês por Daniel Hahn, é o vencedor do prestigiado Prémio Internacional de Literatura de Dublin*, criado em 1996. Da Itália, chega a notícia de que o poeta português Nuno Júdice recebeu o prémio internacional Camaiore, pelo livro Fórmulas de uma Luz Inexplicável. Mas também no âmbito nacional a literatura ganha relevo: em Portugal, o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco da Associação Portuguesa de Escritores foi atribuído à escritora Teolinda Gersão, pelo seu livro Prantos, Amores e outros Desvarios.

* Na imagem, uma placa bilingue que apresenta o nome inglês Dublin a par do irlandês Baile Átha Cliath. Curiosamente, é de notar que Dublin tem origem no irlandês Dubhlinn, que terá significado originalmente «laguna negra» (dubh = «negro», linn = «laguna»). O nome em irlandês moderno (trata-se de uma língua céltica, também conhecida como gaélico) é Baile Átha Cliath, ou seja, «cidade (baile) do vau (átha) da cerca de canas (cliath)».

2.  A propósito do prémio que José Eduardo Agualusa arrebatou, diga-se que, apesar da disponibilidade da forma portuguesa Dublim (cf. Rebelo Gonçalves, Vocabulário da Língua Portuguesa, 1966 e Dicionário Onomástico da Academia Brasileira de Letras), continua a dominar em Portugal a grafia Dublin, pronunciada "dâbline". Disto mesmo dá conta José Pedro Machado (Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa), quando regista Dublin como entrada do nome da capital irlandesa e duvida do sucesso do equivalente português com uma interrogativa: «Quem usa entre nós a grafia Dublim [...]?» Sintomático de o nome vernáculo ter pouco ou nenhum uso é o facto de o próprio dicionário da Academia das Ciências de Lisboa definir dublinense como «natural ou habitante de Dublin», ou seja, mencionando a capital irlandesa com a forma inglesa.

3. Em Portugal, o mês de junho é preenchido pelas festas dos Santos Populares (no Brasil, Festas Juninas) – Santo AntónioSão JoãoSão Pedro –, cuja origem vem do encontro da devoção cristã com rituais pagãos que marcavam o solstício de verão no hemisfério norte. Assinalemos, pois, em 24 de junho, o dia de São João Batista, festejado com particular euforia não só no Porto mas também noutras cidades e vilas portuguesas, e participemos no bailarico com esta quadra por mote:

Posso andar de boca em boca...
Posso andar de mão em mão;
A dançar, S. João, sou louca...
Mas não sou fruta do chão!

(quadra do 88.º Concurso de Quadras organizado em 2016 pelo Jornal de Notícias, in São João no Porto – Quadras de S. João, consultado em 23/06/2017)

4.  Como se explica que o pronome pessoal o tenha a forma -lo em «ganhá-lo»? Até que ponto se aceita uma vírgula no meio da locução «ou por outra»? Como se usa a palavra bebé, quando esta modifica um substantivo: «urso bebé» ou urso-bebé? E diz-se «filiar-se num movimento» ou «filiar-se a um movimento»? As respostas estão no consultório.

5.  A respeito dos programas produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa:

• Assinalando-se em Moçambique, no dia 25 de junho, o 42.º aniversário da sua independência nacional, o professor universitário moçambicano Lourenço do Rosário faz um balanço histórico da presença da língua portuguesa neste país, no Língua de Todos (sexta-feira, dia 23 de junho, às 13h15*, na RDP África, com repetição no sábado, dia 24, depois do noticiário das 09h00*).

• A criação da Associação de Estudos de Língua Portuguesa da Ásia (AELPA), com sede na cidade chinesa de Macau, é o tema em foco no Páginas de Português (domingo, dia 25 de junho, na Antena 2, às 12h30*, com repetição no sábado seguinte, dia 1 de julho, às 15h30).

* Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis, posteriormente, aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1.  Se, num exame de Português, a prova incluir um poema não coincidente com o original, divergindo a obra citada de outras edições, como avaliar esse facto no mínimo insólito? Foi o que aconteceu com o poema O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa, incluído no exame nacional do 12.º ano, em Portugal. A confusão provocada nos examinandos e a explicação-esclarecimento da entidade responsável estão contadas neste trabalho do jornal digital Observador: "Erro no exame de Português? Não, apenas uma versão diferente do poema".

[Uma notícia difundida posteriormente pelo jornal "Público" acrescenta outro elemento, bem mais problemático, a esta prova de Português do exame nacional do 12.º ano realizado na segunda-feira passada: "Alegada fuga de informação do exame de Português está a ser investigada".]

2.  Na presente atualização, deixamos em linha quatro novas respostas a outras tantas perguntas chegadas ao consultório do Ciberdúvidas: o contraste entre os verbos pensar e achar, a (quase) equivalência das expressões «água do mar» e «água de mar», a origem do vocábulo briol e, finalmente, sobre a pronúncia da palavra escolho, no plural.

3.  Ainda sobre o terrível incêndio florestal em Pedrógão Grande, no centro de Portugal, a sua incontrolada devastação, até à data, levou, já, inclusive, à evacuação de várias aldeias. Assim o têm designado, e bem, as alarmantes notícias deste fogo que tudo «lavra e devora», já espalhado entretanto ao concelho limítrofe de Góis. Porque é mesmo disso que se trata: aldeias e residências evacuadas. Não é o caso das pessoas – que, em situações desta gravidade e emergência absolutas, são retiradas, deslocadas ou transferidas para outros lugares de salvação. Sobre esta (im)propriedade lexical muito há disponível no arquivo do Ciberdúvidas. Por exemplo: Os equívocos do verbo evacuar + «Os sinistrados foram "evacuados"» + Evacuação + As palavras NÃO são como o vento.

4.  Temas dos programas desta semana produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa:

• No programa Língua de Todos (sexta-feira, dia 23 de junho, às 13h15*, na RDP África, com repetição no sábado, dia 24, depois do noticiário das 09h00*), o professor universitário moçambicano Lourenço do Rosário faz um balanço histórico da presença da língua portuguesa no seu país, que assinala no dia 25 o 42.º aniversário da sua independência nacional.

• No programa Páginas de Português (domingo, dia 25 de junho, na Antena 2, às 12h30*, com repetição no sábado seguinte, dia 1 de julho, às 15h30, dá-se relevo à criação da Associação de Estudos de Língua Portuguesa da Ásia (AELPA), com sede na cidade chinesa de Macau.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis, posteriormente, aqui e aqui.

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1.  É uma das possíveis definições da palavra tragicamente mais lida e ouvida no espaço mediático dos últimos dias. Primeiro – como se lhe referia a jornalista Rita Pimenta na sua crónica semanal do jornal Público do dia 18 p.p., a propósito do incêndio num prédio de 23 andares e 200 apartamentos em Londres e das 58 vítimas mortais até esta data contabilizadas, fora os residentes ainda não encontrados. Depois, no ainda mais devastador e trágico incêndio – este florestal – em Pedrógão Grande, no centro de Portugal, em perdas humanas, animais e destruição absoluta, pelo fogo que tudo «lavra e devora», quilómetros a fio.

[Algumas respostas e artigos relacionados com as palavras fogo e incêndio disponíveis no arquivo do Ciberdúvidas: A etimologia de fogo (a propósito de Terra do Fogo) + Metáfora, personificação e catacrese na expressão «esse vento que sopra e ateia os incêndios» + O uso do aumentativo de fogo + «Não há fumo sem fogo» + «Brincar com o fogo!» + FOGO DE ARTIFÍCIO + FOGO-FÁTUO + Qual o feminino de bombeiro? + «Surgem...», ou «surge grande parte dos incêndios»? + «quando se faz fogueiras», ou «quando se fazem fogueiras»? + [O correto uso do verbo] evacuar]

2.  No último episódio emitido pela RTP da nona série do magazine Cuidado com a Lingua!com o tema da estiva e dos estivadores, uma precisão aí resgistada teve que ver com o diferente significado das palavras estada e estadia. Sendo um facto que o seu uso indistinto diluiu a respetiva diferença semântica, a verdade é que ela prevalece, do ponto de vista do rigor vocabular. É o que sustenta a professora Maria Regina Rocha, consultora linguística do programa, no texto A confusão (recente) entre estada e estadia, que deixamos disponível na rubrica O Nosso Idioma.

3.  A interrupção da atual série do Cuidado com a Língua! e a sua transmissão errática e irregular pela televisão pública portuguesa – tendo ficado por emitir os seus dois últimos episódios, e sem qualquer aviso aos telespectadores –  gerou várias observações críticas a quem assim procedeu na RTP.*

* Foram os casos da deputada e ex-ministra da Cultura Gabriela Canavilhas, no programa Um Certo Olhar, na Antena 2, do dia 16/06 [entre o minuto 04'10'' e o minuto 05'56'']; do advogado e escritor Domingos Lopes ("Cuidado com a Língua e sobretudo com a RTP1") e do economista e ex-ministro António Bagão Félix ("Cuidado com a Língua!"), ambos no jornal "Público"; e, no jornal "i" do dia 14/06, o jornalista Eduardo Oliveira e Silva, referindo-se igualmente à situação de «morte lenta» do Ciberdúvidas (no ponto 3 da crónica "Política e politiquice").

4.  Da presente atualização do Ciberdúvidas, no consultório, prestamos quatro esclarecimentos: sobre o pretérito perfeito do indicativo explicado a estrangeiros, a regência do verbo telefonar e o latinismo vico; e por que razão dizemos (e escrevemos) «duzentos e cinquenta» e «vinte e cinco».

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1.  Faleceu no dia 13 p.p. Alípio de Freitas (Bragança, 1929 – Lisboa, 2017) – Alípio Cristiano de Freitas, de seu nome completo. Símbolo maior da resistência à ditadura militar do Brasil,  estava radicado em Portugal desde 1984, onde foi jornalista na RTP e ativista de um sem-número de iniciativas de natureza político-social. De vasta cultura e para quem a língua portuguesa foi sempre tratada com esmero e um particular talento, fosse como orador ou no registo escrito – fruto da sua sólida formação clássica de antigo sacerdote católico –, muito lhe fica tributário o Ciberdúvidas. Foi graças a ele que o Ciberdúvidas não só encontrou as indispensáveis condições logísticas, em instalações cedidas então pela Universidade Lusófona, para a sua continuação, após o súbito falecimento de João Carreira Bom, como contou sempre com o seu generoso apoio, até ao fim dos seus dias. Fica-nos a eterna saudade, e a gratidão, deste Homem, com H grande, e a dimensão como pessoa que tanto tocou quantos com ele privaram em vida. E que, por isso, não quiseram deixar de manter o concerto-homenagem marcado para este sábado, dia 17 de junho, no Fórum Lisboa, às 21h30.

2.  O verbo ser e o verbo ir têm formas iguais no pretérito perfeito do indicativo – fui, fostefoi, etc. – e noutros tempos verbais (mais-que-perfeito do indicativo, bem como no imperfeito e no futuro do conjuntivo). Como se explica que verbos tão diferentes na significação venham a identificar-se morfologicamente? A questão, levantada pelo filósofo português Fernando Belo, foi pretexto para Gonçalo Neves elaborar para O Nosso Idioma um interessante apontamento de gramática histórica.

3.  No consultório, deixamos disponíveis respostas sobre o uso de mãe como elemento de composição (instituição-mãe), o brasileirismo treita, o presente do indicativo com valor genérico («os tigres são animais ferozes») e o coloquialismo português "tá-se".

4. Desde o dia de ontem, 15 de junho, chegaram ao fim os custos para comunicar por telefone no território comum dos 28 países da União Europeia, mais conhecidos pelo anglicismo roamingComo poderia ser designado em português este «serviço de um operador que permite a utilização de uma rede móvel no estrangeiro» (in dicionário Priberam)? Itinerância é o termo mais consensual. Além da sua vantagem vernacular, no mesmo sentido são as propostas noutras línguas românicas, com formas homólogas em alternativa à palavra inglesa. Por exemplo, em espanhol, a Fundación para el Español Urgente (Fundéu BBVA) recomenda itinerancia; e em francês, diz-se e escreve-se itinérance (cf. Office Québécois de la Langue Française).

5.  Na rubrica Acordo Ortográfico, disponibilizam-se três novos contributos para o debate da questão ortográfica em Portugal:

a declaração que Mário Vieira de Carvalho, professor catedrático jubilado de Sociologia Musical e sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (ACL), dirigiu a esta instituição, recomendando-lhe que não tome «uma posição negativa quanto ao processo iniciado com o Acordo Ortográfico de 1990»;

uma reflexão de D'Silvas Filho sobre o papel que a ACL tem desempenhado no processo de aplicação da nova ortografia.

– e, em sentido contrário, o artigo de Francisco Miguel Valada "Sobre a 'opinião dos linguistas', a arrogância, a ignorância e a continência" (in jornal Público de 14/06/2017).

6.  Quanto aos programas produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa, são temas em foco:

• a língua portuguesa e a globalização, numa conversa com o professor universitário português Pedro Gomes Barbosa, no Língua de Todos – na sexta-feira, dia 16 de junho, às 13h15*, na RDP África, com repetição no sábado seguinte, depois do noticiário das 09h00*;

• o recém-publicado livro Nova Peregrinação por Diversificadas Latitudes da Língua Portuguesa e o seu autor, Fernando Cristóvão, no Páginas de Português – no domingo, dia 18 de junho, na Antena 2, às 12h30*, com repetição no sábado seguinte, dia 24 de junho, às 15h30*.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis, posteriormente, aqui e aqui.

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1.   As siglas-acrónimos CAE e CMEC, tão estranhas quanto a sua muito específica e exclusiva utilização no setor energético português – a primeira denominando os chamados Contratos de Aquisição de Energia*, antes da liberalização do mercado ibérico, e a segunda, depois dela e da privatização da operadora nacional de eletricidade nacional, a EDP, significando Custos para Manutenção de Equilíbrio Contratual** – emergiram de súbito no espaço mediático. Tudo por via do processo judicial instaurado a dois dos seus principais gestores responsáveis dessas consideradas «rendas excessivas» e lesivas para o Estado português. O que querem elas dizer, de facto  – e o que faz uma sigla poder ser também um acrónimo –, é o que deixamos assinalado anteriormente. E, ainda, nestes outros esclarecimentos constantes do arquivo do Ciberdúvidas: A grafia das formas reduzidas: abreviaturas, siglas e acrónimos + Siglas e acrónimos + Ainda sobre as siglas e os acrónimos + Formação de siglas + O código da sigla + Ai, os "PALOPs"!

* Contrato de Aquisição de Energia (CAE): «Contrato celebrado ao abrigo do Decreto-Lei n.º 183/95, de 27 de Julho, entre um produtor vinculado e a entidade concessionária da RNT, através do qual o produtor se comprometeu a vender à entidade concessionária da RNT a capacidade total da instalação produtora de acordo com as condições técnicas e comerciais nele estabelecidas, tendo a REN Trading, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 172/2006, de 23 de Agosto, sucedido à entidade concessionária da RNT na sua posição contratual relativamente aos contratos não cessados de acordo com os mecanismos previstos no Decreto Lei n.º 240/2004, de 26 de Dezembro.» in Glossário da Entidade Reguladora os Serviços Energéticos (ERSE).

** Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC): «Custos definidos nos termos do Decreto-Lei n.º 240/2004, de 27 de dezembro. Ibidem. 

2.   A locução «até que» dever ser sempre acompanhada do verbo no conjuntivo/subjuntivo? «Água é bom para a saúde»: nesta frase não haverá um erro de concordância? Como classificar as palavras cabo (de vassoura) e cabo (termo geográfico)? Como se pronunciam os substantivos balaústre e balaustrada? As respostas, e os devidos esclarecimentos, ficam em linha no consultório.

3.    Temas dos programas produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa desta semana:

•  A língua portuguesa no contexto da globalização, numa conversa com o professor universitário português Pedro Gomes Barbosa, no Língua de Todos – na sexta-feira, dia 16 de junho, às 13h15***, na RDP África, com repetição no sábado, seguinte, depois do noticiário das 09h00***.

• E sobre o recém-publicado livro Nova Peregrinação por Diversificadas Latitudes da Língua Portuguesa e o seu autor, Fernando Cristóvão, no Páginas de Português – no domingo, dia 18 de junho, na Antena 2, às 12h30***, com repetição no sábado seguinte, dia 24 de junho, às 15h30***.

*** Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis, posteriormente, aqui e aqui.

4.    Devido aos feriados dos dias 13 – Dia de Santo António****, padroeiro da cidade de Lisboa – e 15 – Dia de Corpo de Deus***** –, a próxima atualização do Ciberdúvidas ocorrerá na sexta-feira, dia 16.

**** Vide, por exemplo: Frase sobre Santo António de Lisboa + Sobre o Sermão de Santo António aos Peixes + Interpretação de excerto de Sermão de Santo António aos Peixes + O significado de um excerto do Sermão de Santo António aos Peixes.

***** Vide, por exemplo: As palavras Deus, Anjo e Alma + Razão do uso de Deus sem artigo

5.   Dois registos finais para:

• A assinatura no Rio de Janeiro – segunda etapa das comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, que neste ano se estenderam também ao Brasil – do protocolo de transferência do espólio do último chefe de Governo do Estado Novo, Marcello Caetano, para o Real Gabinete Português de Leitura, fundada em 1837 por emigrantes e refugiados portugueses. Trata-se de um acervo valiosíssimo composto por 17 963 títulos e por 21 506 volumes, entre os quais uma edição de 1731 das Memórias de D. João.

• E, já em São Paulo, a disponibilidade manifestada pelo primeiro-ministro português, António Costa, do Estado Português para a reconstrução do Museu da Língua Portuguesa.

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1.  O poeta e romancista português Manuel Alegre foi o vencedor do Prémio Camões 2017, o mais importante galardão literário em língua portuguesa. «Uma homenagem justíssima» [a quem] tanto «contribuiu e contribui para o enriquecimento literário e cultural, não apenas português, mas do mundo da lusofonia», nas palavras do Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, acentuado «o simbolismo» de o prémio ter sido anunciado nas vésperas da data de 10 de junho, assinalada como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Neste ano, as principais comemorações têm sede na cidade do Porto e estendem-se pelo Brasil, às cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Profundamente ligada à língua e à sua maior figura literária, a festa justifica recordar também aqui alguns versos de Os Lusíadasos da última estrofe do canto I –, que podem bem ser metáfora da turbulência do mundo de ontem e de hoje:

No mar tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade avorrecida*!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?

*Avorrecida, arcaísmo por aborrecida (= «que causa desgosto, sofrimento»).

2.   Escrever bem será florear textos, ou produzir mensagens muito corretas mas impessoais? Entre estes extremos, define-se um leque de possibilidades que requerem uma constante avaliação do contexto social e afetivo da escrita. Ao encontro destas preocupações, na Montra de Livros, Sandra Duarte Tavares apresenta Cem Maneiras de Melhorar a Escrita, livro de Gary Provost (1944-1995) que o professor universitário Marco Neves traduziu para português.

3.   Ainda a propósito de escrita, refira-se a mudança trazida pelas tecnologias, suscitando o emprego de formas como tuitar, "facebookar" ou "whatsappar", entre outros. Na vizinha Espanha, a proliferação de neologismos é monitorizada criticamente pela Fundéu BBVA, que fixa e recomenda novos verbos como mensajear, textear e wasapear (ou guasapear), evidenciando a produtividade (legítima) do sufixo -ear* na língua espanhola. Quanto ao português, na falta de entidade semelhante que defina usos corretos, observa-se mesmo assim – pelo menos, em Portugal – certo comedimento, dada a preferência por perífrases como «enviar/mandar uma mensagem», com eventual referência à aplicação utilizada («enviar/mandar mensagem pelo WhatsApp).

* No português de Portugal, o sufixo correspondente -ear é menos frequente. Existe "scanear", é certo, mas -ar conhece maior favor, como sugerem formas como tuitar e "whatsappar", que, como se disse, aparentemente ainda não têm uso significativo, a ajuizar pela observação de ocorrências em páginas da Internet.

4. Da atualidade internacional, salientam-se acontecimentos que geram palavras novas, ou ativam outras mais antigas mais (ou menos) usadas no léxico português:

–   Em 8 de junho, as eleições no Reino Unido, com o pano de fundo de três atentados recentes e a saída da União Europeia (UE), o chamado Brexit, este acompanhado de outros neologismos, alguns talvez efémeros (ler aqui). Refira-se, por exemplo, "Brexitânia", palavra ironicamente empregada pelo historiador e político português Rui Tavares, nas crónicas que escreve para o jornal Público.

–  Dois depois, realiza-se a primeira volta das eleições legislativas em França – um bom pretexto pra rememorarmos o que já aqui se condensou sobre algumas da principais marcas do francês na nossa língua

–  A inauguração oficial da Expo 2017 em Astana, no Cazaquistão, país não frequentemente mencionado na atualidade noticiosa em língua portuguesa e que, por isso, suscita dúvidas, sobretudo a respeito dos seus gentílicos – cazaque ou cazaquistanês. Leiam-se, portanto, as seguintes respostas em arquivo: Cazaquistão, Azerbaijão, Cazaquistão, Andorra, etc. e Gentílicos usados pelos Serviços da União Europeia.

5.   No consultório, quatro respostas em linha: haverá razão para duvidar da gramaticalidade das expressões «disparar a matar» e «matar a tiro»? Ao verbo irromper, pode associar-se a preposição sobre? O que estará correto: «notei na cor dos seus olhos», ou «notei a cor dos seus olhos»? Por último: numa frase como «em se tratando de crime – e disso entendo bem –, não devemos ser lenientes», não será melhor suprimir a vírgula depois do travessão?

6.   Quanto aos programas desta semana produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa, são temas:

•  no Língua de Todos – na sexta-feira, dia 9 de junho, às 13h15*, na RDP África, com repetição no sábado, dia 10, depois do noticiário das 09h00* –, a língua portuguesa no contexto da globalização, em conversa com o professor universitário português Pedro Gomes Barbosa;

•  no Páginas de Português – no domingo, dia 11 de junho, na Antena 2, às 12h30*, com repetição no sábado seguinte, dia 17 de junho, às 15h30* – , a VI Bienal de Culturas Lusófonas, que decorreu em Odivelas, numa entrevista ao seu coordenador, o escritor português Mário Máximo.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis, posteriormente, aqui e aqui.

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1.   Como comunicar com adequação, propriedade e eficazmente? Quais os principais mecanismos da língua  e as suas marcas  mais expressivas para o desejado impacto em quem se quer “tocar”, seja em texto escrito ou na oralidade? Sandra Duarte Tavares debruça-se sobre este tema, em mais um texto publicado na versão digital da revista Visão do dia 6 p.p –  e que, com a devida vénia, deixamos disponível na rubrica O nosso idioma.

2.  Na presente atualização, deixamos entretanto em linha quatro novas respostas a outras tantas perguntas, chegadas ao Consultório do Ciberdúvidas. O que significa e como se escreve: "trocaz" ou "torcaz"? O substantivo "rigorosidade" existirá? E os verbos "curiosar" e "curiosear" usam-se em Portugal? Por fim: a palavra "adicto", com o Acordo Ortográfico, perdeu o c?

3.   Já agora, e tendo em conta a atualidade internacional e a crise diplomática mais recente no Golfo Pérsico: se Catar já tem, e há muito, esta forma aportuguesada consagrada*, porquê a resistência dos media portugueses, optando, por regra, pela forma Qatar

* Além dos vários esclarecimentos no Ciberdúvidas sobre a grafia recomendada de Catar, incluindo o respetivo gentílico, vide, ainda, os registos no Dicionário de Gentílicos e Topónimos do Portal da Língua Portuguesa e no Código de Redação Interinstitucional da União Europeia, entre outras abonações no mesmo sentido. E, ainda, aqui, sobre os topónimos e os adjetivos pátrios estrangeiros as suas formas já aportuguesadas.

4.   Temas dos programas desta semana produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa:

•  No Língua de Todos – na sexta-feira, dia 9 de junho, às 13h15*, na RDP África, com repetição no sábado, dia 10, depois do noticiário das 09h00* –, fala-se da língua portuguesa no contexto da globalização, numa conversa com o professor universitário português Pedro Gomes Barbosa.

•  No Páginas de Português – no domingo, dia 11 de junho, na Antena 2, às 12h30*, com repetição no sábado seguinte, dia 17 de junho, às 15h30* –, o destaque centra-se na VI Bienal de Culturas Lusófonas, que decorreu em Odivelas, com uma entrevista ao seu coordenador, o escritor português Mário Máximo.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis, posteriormente, aqui e aqui.

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1.   «Os poetas e os intelectuais não têm problemas de escrita. No que à ortografia diz respeito são inimputáveis, mas dir-se-ia que alguns se julgam donos da língua. Têm saudades do tempo em que a qualidade da língua era aferida pelo número dos erros de ortografia.» A afirmação leva a assinatura dos linguistas portugueses João Malaca Casteleiro e Telmo Verdelho, em artigo que deixamos disponível na área das controvérsias da rubrica Acordo Ortográfico – a propósito da petição que reclama desvinculação de Portugal ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90) entregue na Assembleia da República no passado dia 9 de março. «Um tropismo de adesão emocional – assim consideram os autores* –, uma animação chique, intelectualoide, classista e reacionária».

* Um e outro são membros efetivos da Academia das Ciências de Lisboa, críticos por verem-na «embrulhada neste arraial de conservadorismo pobre e ignorante».

2.   "Covfefe", a palavra inglesa tuitada pelo presidente dos EUA Donald Trump para mais um dos seus recorrentes ataques à comunicação social norte-americana – que ninguém sabe o significado, como se pronuncia ou, sequer, se existe mesmo –, tratou-se afinal do quê? Seja uma gralha, de um lapso, de um neologismo arbitrário e idiossincrático, ou, muito provavelmente, de um simples erro de digitalização – em vez de coverage, o mesmo que «cobertura jornalística» –, e se tudo não for mais do que um «sinal preocupante de crescente e perigosa loucura» de quem, «cujos mesmos dedinhos [podem] digitar os códigos nucleares»? Em O Nosso Idioma, fica disponível a reflexão do historiador e político português José Pacheco Pereira, com o texto "Covfefe – o gerador de patetice", crónica publicada no jornal Público em 3/06/2017.

3.   Na presente atualização deixamos em linha cinco novas respostas a outras tantas perguntas chegadas ao consultório do Ciberdúvidas. Ficam assinaladas nos Destaques.

4.   Finalmente, esta informação que se lamenta: a RTP voltou a interromper, agora definitivamente, o magazine Cuidado com a Língua. O 11.º programa desta nona série, com o tema da estiva e com quem a assegura no porto de Lisboa, será por isso o último emitido pelo 1.º canal da televisão pública portuguesa na terça-feira, dia 6 de junho, às 21h00**. Quanto aos dois episódios que ficaram assim por emitir desta série tão destratada pela atual Direção de Programas da RTP – sobre Rafael Bordalo Pinheiro e no Panteão Nacional – nunca será antes de setembro, ao que foi possível saber, pelas (vagas) informações disponibilizadas à produtora do programa, a Até ao Fim do Mundo.

** Hora oficial de Portugal Continental, com repetição nos canais internacionais da RTP (ver aqui), ficando também disponível na sua página oficial. Outras informações aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Como motivar para a leitura dos clássicos da literatura os jovens que vivem em contextos socioculturais pouco expostos à tradição culta da língua? Na rubrica Ensino, a professora de Português Arlinda Mártires, a propósito de uma experiência pedagógica que, numa escola lisboeta, concilia Luís Sttau Monteiro ou José Saramago com a música rapescreve acerca das suas propostas de aliar o canto popular e moderno à literatura medieval e clássica como Os Lusíadas de Luís de Camões para maior motivação de alunos de meios sociais e culturais diversificados em diferentes países de língua portuguesa.

2. No consultório, descreve-se a significação ambivalente do adjetivo depressivo, explica-se diferença entre exógeno e endogéno, fala-se sobre a possibilidade de omitir a preposição antes do pronome relativo («os anos em que vivi na aldeia») e comenta-se a curiosa expressão «não fazer nestum», usada no calão do português de Portugal.

3. Portugal, bem perto da África e da América, é geograficamente um país ainda europeu. Não foi, portanto, com indiferença que, no rescaldo da visita do presidente americano Donald Trump a Bruxelas em 25/05/2017, se ouviu a chanceler alemã Angela Merkel dizer que a Europa tem de tomar o seu destino nas mãos. E, já que se fala de Alemanha, é inevitável mencionar o seu – para muitos – temível ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, cujo nome não se pronuncia "xóibal", como muito se diz na rádio e televisão de Portugal, mas, sim, "xóible".

4.  Quanto aos programas desta semana produzidos pelo Ciberdúvidas para a rádio pública portuguesa:

•  No Língua de Todos de sexta-feira, 2 de junho (às 13h15*, na RDP África, com repetição no sábado, dia 3, depois do noticiário das 09h00*), fala-se sobre a africanização do português em Moçambique, implicando variantes que os estudiosos explicam e escritores como Mia Couto exploram no sentido criativo.

•  No Páginas de Português (domingo, dia 4 de junho, na Antena 2, às 12h30*, com repetição no sábado seguinte, dia 10, às 15h30*), entrevista-se a linguista Rute Costa, responsável da Base de Dados Terminológica e Textual do parlamento português.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programas disponíveis, posteriormente, aqui e aqui.