Aberturas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
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Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Com o verão em Portugal, o Consultório do Ciberdúvidas entra num período de pausa que se prolonga até ao começo de setembro (cf. Aberturas de 28/06/2024 e 05/07/2024). Nas outras rubricas, as atualizações continuam, embora mais pontualmente, para apresentação de novos conteúdos originais ou recolhidos doutras fontes devidamente identificadas. Mantém-se o acesso livre às mais de 38 000 respostas do Consultório, a que se juntam os artigos de Na 1.ª Pessoa e da Montra de Livros, os quais ultrapassam os 12 000 textos, conforme se dá conta num balanço do trabalho aqui desenvolvido em 2023/2024 (ver Notícias). Entretanto, ficam os agradecimentos da equipa do Ciberdúvidas aos numerosos consulentes que, de diferentes partes do mundo, a contactam e animam com estimulantes palavras de apreço (ver Correio), apesar dos obstáculos que por vezes parecem comprometer a continuidade do Ciberdúvidas. Resta esperar que, no regresso à plena atividade, se encontrem condições decisivamente favoráveis a este espaço dedicado há mais de 27 anos ao esclarecimento, à divulgação e ao debate das normas e dos usos da língua portuguesa.

Na imagem, Forte de São Brás em Caxias (sem data), de João Vaz (1859-1931).

2. Conteúdos entrados nas diferentes rubricas em atividade a partir de  06/07/2024:

♦ Notícias – "Mário Rui Silva (1953-2024), Músico angolano, autor de uma gramática de Português-Quimbundo" (06/07/2024);

♦ Literatura – "Fausto: o músico no poeta" (08/07/2024);

♦ Nosso Idioma – "O que é um calepino?" (12/07/2024); "O pirlimpimpim na língua escrita" (12/07/2024); "O género do nome mascote" (16/07/2024); "Uma profissão no feminino" (17/07/2024); "'É sinal que precisa de um café forte' ou 'é sinal de que...'?" (18/07/2024);

♦ Lusofonias – "O português em Angola" (12/07/2024);

♦ Diversidades – "'Aí ele pegou e foi embora': uma expressão do Brasil" (19/07/2024).

3. Semanalmente, as Notícias registam os temas dos programas de rádio que a Associação Ciberdúvidas produz para a rádio pública de Portugal, ou seja:

Língua de Todos, difundido na RDP África às sextas-feiras, 13h20* e repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*;

Páginas de Português, transmitido pela Antena 2, aos domingos, às 12h30*, e repetido no sábado seguinte, às 15h30*.

*Hora oficial de Portugal continental, ficando depois ambos os programas disponíveis aqui e aqui.

 

Atualizado em 19/07/2024.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Como assinalado na Abertura de 28/06/2024, o fim do ano letivo e as tradicionais férias de verão em Portugal levam a abrandar a atividade do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, com o Consultório em pausa até ao fim de agosto. As demais rubricas mantêm-se ativas, para receber novos artigos sempre que o interesse ou a atualidade dos temas neles tratados mereça divulgação. Fica ainda disponível em acesso livre todo o arquivo do Ciberdúvidas – mais de 38 000 respostas, no Consultório, e mais de 12 000 artigos Na 1.ª Pessoa e em Montra de Livros. Entretanto, nas Notícias, apresenta-se o balanço de mais um ano de trabalho no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, facultando dados quantitativamente impressionantes, que novamente encorajam a equipa editora destas páginas a prosseguir na tarefa de produção e seleção de conteúdos à volta das normas e dos usos do português (ver Aberturas). Além disso, o público, vasto e diversificado, dos quatro cantos do mundo, continua a manifestar grande apreço por este serviço de esclarecimento, reflexão e debate de questões da língua portuguesa (ver Correio). Oxalá que, no regresso ao pleno funcionamento em setembro, a promessa de meios técnicos adequados à continuidade e ao crescimento do Ciberdúvidas encontre finalmente concretização, de modo a satisfazer a procura e as expetativas dos muitos consulentes que todos os dias aqui procuram orientação sobre os usos do nosso idioma comum.

Na imagem, Le Jeu de Cartes ("O jogo das cartas"), quadro de 1937, de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992).

2. Registo dos artigos em linha a partir de 01/07/2024 e distribuídos pelas diferentes rubricas do Ciberdúvidas:

O Nosso Idioma – "Aferir vs. auferir" (01/07/2024); "Os hospitais da alma" (02/07/2024); "A prosódia a serviço do sentido" (05/07/2024); "Cujo com preposição" (09/07/2024);

Pelourinho – "Nem pro bono!?" (01/07/2024); "Uma escritora distinguida com 'mensão' especial" (05/07/2024);

♦ Ensino – "A representação sobre a língua portuguesa e as práticas de escrita em Cabo Verde (III)" (05/07/2024);

♦ Lusofonias – "O ensino do português em Cabo Verde" (05/07/2024);

♦ Literatura – "Fausto: o músico no poeta" (08/07/2024); "A biografia de Camões, o poeta a quem foi diagnosticada ingratidão" (09/07/2024);

♦ Notícias – "50 anos de docência de M.ª Regina Rocha assinalados pela Câmara Municipal de Coimbra" (04/07/2024); "Mário Rui Silva (1953 — 2024)" (06/07/2024).

3. A respeito dos programas de rádio que a Associação Ciberdúvidas produz para a rádio pública de Portugal, as Notícias dão também conta, semanalmente, dos seus temas. Recorde-se que:

Língua de Todos é difundido na RDP África às sextas-feiras, 13h20* e repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*;

Páginas de Português é transmitido pela Antena 2, aos domingos, às 12h30*, e repetido no sábado seguinte, às 15h30*.

*Hora oficial de Portugal continental, ficando depois ambos os programas disponíveis aqui e aqui.

Texto atualizado em 09/07/2024.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Em Portugal, chega ao fim o ano letivo 2023/2024, e, seguindo como é hábito o calendário escolar, é também tempo de fazer um balanço de 12 meses de trabalho no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Nas Notícias, dá-se conta da atividade aqui desenvolvida em números, confirmando a sua relevância junto de um vastíssimo público, de diferentes partes do mundo, que participa com entusiasmo e envia palavras generosas de incentivo (ver Correio). Os dados são quantitativamente impressionantes, e têm igualmente um significado muito especial, porque enchem de satisfação quantos aqui enfrentam diariamente o desafio de produzir e selecionar conteúdos a respeito das regras e dos usos diversificados da língua portuguesa, na história e na contemporaneidade (ver Aberturas). Mas, para corresponder à procura e às exigências de tantos utilizadores e consulentes, tarda uma intervenção capaz de assegurar a continuidade e o crescimento do projeto do Ciberdúvidas através de meios técnicos adequados. Em compasso de espera, portanto, enquanto se fecha um ciclo, faz-se uma pausa estival e interrompe-se durante algumas semanas o serviço de esclarecimento de dúvidas do Consultório, até princípios de setembro. As demais rubricas mantêm-se ativas, para receber novos artigos sempre que o interesse ou a atualidade dos temas neles tratados justifique divulgação. Fica ainda disponível para consulta gratuita todo o arquivo do Ciberdúvidas – mais de 38 000 respostas, no Consultório, e mais de 12 000 artigos Na 1.ª Pessoa e em Montra de Livros.

A próxima Abertura fica agendada para 5 de julho p. f. Na imagem, Praia da Figueira da Foz (1935), de Mário Augusto (1895-1941).

2. Antes da referida pausa, atualiza-se o Consultório com sete novas perguntas: porque raramente se diz «na semana próxima»? O anglicismo shop é do género masculino ou feminino? Como interpretar o verso camoniano «faça sentir ao peito que não sente» (soneto "Eu cantarei de amor tão docemente")? Como se escreve o gentílico de Santa Branca (Brasil)? A locução «em contrário» pode empregar-se adjetivalmente? Porque se classifica talvez como modificador de frase? Há algum nome que, em português, mude de género quando passa ao plural?

3. Em Cabo Verde, em que língua se comunica nas escolas? E nas aulas, que presença real tem o português? São estas as questões comuns a duas rubricas diferentes: em Ensino, a linguista Goreti Freire (Universidade de Cabo Verde) apresenta a segunda parte de um trabalho apoiado num inquérito sobre o uso do português oral e escrito nas escolas cabo-verdianas; e, nas Lusofonias, a mesma investigadora é entrevistada pela consultora Inês Gama em torno da situação de diglossia que se vive em Cabo-Verde.

4. O verbo haver continua a dar o mote no Pelourinho: a consultora Sara Mourato comenta o erro «há espera», em lugar de «à espera», que se lia em certo noticiário televisivo; e do jornal Público (26/06/2024), com autoria da jornalista Bárbara Reis, transcreve-se com a devida vénia uma crónica a respeito de "hajam", forma erroneamente empregada numa notícia falsa posta a circular na rede social X (antes Twitter).

5. As atenções concentram-se em Adélia Prado, escritora que viu serem-lhe atribuídos dois prémios literários na mesma semana – o Prémio Machado de Assis e o Prémio Camões. Desta autora, consulte-se por exemplo a breve recolha feita por Rebeca Fuks, especialista em Estudos Literários, e incluída no portal Cultura Genial.

6. Entre efemérides e outras iniciativas com interesse para o conhecimento e promoção da língua portuguesa, destacam-se:

– os 100 anos do Curso de Férias de Língua e Cultura Portuguesa para Estrangeiros da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra;

– o vídeo de "A língua portuguesa em democracia", intervenção da professora universitária e linguista Margarita Correia  em 06/05/2024, no encontro "A língua portuguesa como espaço de cidadania e liberdade", promovido pela Universidade Aberta;

– o ciclo de conferências "Os Dias de Camões", que decorre em Lisboa de 1 a 16 de julho;

– o anúncio da realização em junho de 2025 do colóquio internacional O Português e as Línguas Nacionais nos Países Africanos e em Portugal (1975-2025);

– a chamada de comunicações na III Conferência TROPO UK, encontro que se realiza em 13 e 14 de setembro na Universidade de Newcastle, no Reino Unido;

– O acordo assinado em 22/06/2024 entre Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Rádio e Televisão de Timor-Leste (RTTL) para difusão da língua portuguesa, divulgação de atividades institucionais da comunidade no território timorense e formação de quadros (RTP, 22/06/2024).

– o curso em linha Descubras Diferenças: português do Brasil e de Portugal, destinado a estudantes de Português Língua Estrangeira e da autoria das professoras Bárbara Sousa e Bárbara Gama, antiga colaboradora do Ciberdúvidas (ver Notícias).

7. Outras informações: o lançamento de uma versão do Google Tradutor no português de Portugal (Jornal de Notícias, 27/06/2024); do divulgador de temas do ensino de línguas Leo, um vídeo sobre a influência da língua árabe no português (via Observatório da Língua Portuguesa, 20/06/2024); a publicação do livro da jornalista Luciana Leiderfarb intitulado Eduardo antes de Ser Lourenço (Lisboa, Edições Gradiva), à volta da juventude do ensaísta português Eduardo Lourenço (1922-2019) (Diário de Notícias, 26/06/2024); a propósito da vitória da Geórgia sobre Portugal, no Euro 2024, a informação que, na Wikipédia, se disponibiliza sobre a língua georgiana, um idioma caucasiano com características bem diferentes do português e de outras línguas europeias ocidentais; o apontamento que o Glossonauta, um canal do YouTube sobre línguas, dedica à ideia falaciosa de haver línguas mais fonéticas do que outras.

8. Temas de programas que a Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa produz para a rádio pública portuguesa:

– o Prémio Camões 2024, atribuído à escritora brasileira Adélia Prado, e comentários gramaticais da linguista Sandra Duarte Tavares preenchem Língua de Todos, difundido na RDP África (sexta-feira, 28/06/2024, 13h20*);

– em Páginas de Português, transmitido pela Antena 2 (domingo, 30/06/2024, às 12h30*), fala-se da importância dos textos humorísticos para a aprendizagem do português como língua estrangeira, numa conversa com  João Paulo Pereira, investigador integrado doutorado do Centro para as Humanidades da Universidade Nova de Lisboa (CHAM). Também se assinala a atribuição do Prémio Camões 2024 a Adélia Prado e inclui-se um apontamento da consultora do Ciberdúvidas Inês Gama, que traz a seguinte questão: diz-se «aferir os resultados dos exames» ou «auferir os resultados dos exames»?

*Hora de Portugal continental.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Numa época de Santos Populares e com o São Pedro à porta (dia 29 de junho), os festejos fazem-se de danças, as chamadas marchas populares, mas também de comida. Em Portugal, entre os pratos típicos desta época, encontramos a sardinha assada. Nesta época, pensa-se em particular numa sardinha bem fresca, gorda e a brilhar, que será invariavelmente confeccionada ao calor do carvão para depois terminar a pingar no pão (broa, de preferência) ou no prato, acompanhada da tradicional batata cozida e salada. Esta é uma tradição replicada um pouco por todo o país que, todavia, deixa margem para uma dúvida linguística: para além de «sardinha assada» pode também usar-se a expressão «sardinha grelhada»? Esta é a temática de base do apontamento apresentado pelo coordenador executivo do Ciberdúvidas, Carlos Rocha, que aborda a questão da expressão correta para descrever a confecção da sardinha feita na brasa, entre a de outros peixes. 

No acervo do Ciberdúvidas pode consultar vários textos relacionados com as temáticas em destaque: «A regra para o uso de São ou de Santo», «A palavra são em substantivos compostos», «Sardinha escochada», «Petinga» e «O significado do provérbio «nem sempre galinha nem sempre sardinha».

Imagem: Ilustrações vencedoras do Concurso Sardinhas 2024.  

2. O escritor António Pedro, na sua obra Apenas uma narrativa, utiliza a forma verbal "espatuchar". Será este um verbo existente em português? E o que poderá significar? Na atualização do Consultório é possível encontrar a resposta a esta questão, que se faz acompanhar de respostas a questões de natureza lexical e etimológica («A etimologia de esbanjar» e «O significado e origem de cusca», «Auvergne, Alvérnia, Arvernia»), de cariz ortográfico («A grafia de assertivo», «Itálico e «narrador em off»), relacionadas com a pontuação («Sujeito e vírgulas») ou de âmbito sintático-semântico («A expressão «dar uma caminhada»», «Salmos, coros e estrofe», «O se em «ela se parece com o pai»»).

3. O provérbio «Barba não é documento» não se encontrará entre os que têm maior frequência de uso. Todavia, trata-se de um dito que tem as raízes na tradição clássica e se associa a outros provérbios que expressam o mesmo valor, como se explica neste apontamento da professora Carla Marques (divulgado no programa Páginas de Português, na Antena 2). 

4.  Entre as notícias relacionadas com a língua portuguesa, destaque para as seguintes: 

– A atribuição do Prémio Machado de Assis 2024 à escritora e filósofa brasileira Adélia Prado;

– O colóquio «Os Mapas da memória: uma cartografia pós-colonial europeia», que se realiza no dia 27 de junho, entre as 09h30 e as 13h00, em formato não presencial. 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Que lugar ocupa a língua portuguesa nos currículos e nas vivências escolares de Moçambique e Cabo Verde? Em Lusofonias, incluem-se dois trabalhos à volta desta e doutras questões, todas relativas à implantação do português nos dois países africanos:

– O funcionamento do ensino do português em Moçambique é o tema da segunda parte da entrevista da consultora Inês Gama à professora e investigadora Marta Sitoe, da Universidade Eduardo Mondlane.

O uso do português nas escolas cabo-verdianas e a sua representação entre os estudantes são os pontos debatidos na primeira parte dum estudo da professora universitária Goreti Freire.

Na imagem, Alguma gente da minha terra, de Roberto Chichorro (Malhangalene, Maputo, 1941).

2. O advérbio nunca é um advérbio que indica negação ou tempo? Um apontamento da professora Carla Marques esclarece a dúvida em O Nosso Idioma.

3. Na frase «voltaremos dentro de dois minutos», é possível substituir a locução «dentro de» pela preposição em? A questão faz parte da atualização do Consultório, a qual abrange outras oito perguntas: o que significa solapa na Carta de Pero Vaz de Caminha? «Correio elegante» pode hifenizar-se? Como se analisa uma estrutura frásica introduzida por «como quando»? «Eis que» é uso legítimo? Quando empregar «o/a qual» em vez do pronome relativo que? Que valores semânticos encerrra a locução conjuncional «de modo que»? «Faz-se necessário uma intervenção» ou «faz-se necessária»? E como descrever o funcionamento do verbo parecer na frase «o tempo parece que passa depressa»?

4. Em Controvérsias, divulgam-se as reflexões do jornalista e crítico literário António Guerreiro a respeito do uso de distopia, disforia e disrupção, palavras que partilham o elemento dis-, nestes três casos, um prefixo de origem grega, associado às ideias disfóricas de «perturbação», «enfraquecimento» ou «falta». É um artigo transcrito, com a devida vénia, do jornal Público de 14/06/2024.

5. Sobre a qualidade do idioma falado e escrito em Portugal, é de assinalar o diagnóstico do professor universitário, tradutor e ensaísta João Barrento, na cerimónia de entrega do Prémio Camões 2023, a qual se realizou em 20/06/2024: «A cada dia das mais diversas maneiras, no modo como as pessoas falam, na própria imprensa, [...] a língua portuguesa está a ser bastante maltratada» (mais informação em "Prémio Camões João Barrento considera língua portuguesa 'bastante maltratada'", Sapo 24, 20/06/2024).

6. Outros registos do domínio linguístico:

– A propósito do jogo Portugal-Chéquia, disputado em 19/06/2024, no contexto do Euro 2024, retoma-se a explicação que o professor universitário e tradutor Marco Neves dá para o corónimo República Checa ser agora preterido pela forma simples Chéquia (Certas Palavras, 14/10/2022)*.  Do referido autor, outra curiosidade linguística em "O palavrão e o mito do cesta da gávea" (20/06/2024), um apontamento em vídeo do canal A Vida Secreta das Línguas.

*Atualização em 24/06/2024 – O nome próprio Chéquia já foi anteriormente comentado nas páginas do Ciberdúvidas: "A língua portuguesa desperta interessa na República Checa..." (02/06/2016); "Chéquia e o sururu toponímico da atualidade" (14/06/2022). Ler também "Porque é que a República Checa se chama agora Chéquia?" (Time Out, 22/06/2024).

– A realidade linguística do Brasil revela enorme dinamismo e diversidade, como comprova um vídeo do jornalista João da Mata (BBC News Brasil, 30/04/2024) acerca dos sotaques da cidade de São Paulo. Do poeta, diplomata e antigo ministro Luís Castro Mendes, leia-se também "Em louvor do português do Brasil", que aborda o tema dos mal-entendidos entre o Brasil e Portugal quanto à língua comum (Diário de Notícias, 11/06/2024).  

– Na coluna que Miguel Esteves Cardoso mantém no jornal Público, palavras, neologismos e frases feitas são mote recorrente. Destacam-se duas crónicas recentes: "Não digo que não" (18/06/2024) e "Xenófilo? ó seu porcalhão!" (19/06/2024).

7. Relativamente aos temas de três dos programas que a rádio pública de Portugal dedica à língua, salientam-se:

– Em Língua de Todos (RDP África, sexta-feira, 21/06/2024, 13h20*), a professora Ana Josefa Cardoso analisa os exames de Português como Língua Não Materna e de Português como Língua Segunda, realizados em Portugal, em 14 e 17 de junho de 2024.

– Em Páginas de Português (Antena 2, domingo, 23/06/2024, 12h30*), o vice-presidente da Associação de Professores de Português (APP), João Pedro Aido, comenta o conteúdo dos exames de Português do 9.º ano e do 12.º ano, realizados em Portugal também a 14 e 17 de junho.

Sobre a prova do 9.º ano de escolaridade, ler a crítica "Carta aberta aos autores da prova de Português do 9.º ano", da professora Ana Sofia Vieira Ribeiro (Público, 18/06/2024).

– Refira-se ainda Palavras Cruzadas, realizado por Dalila Carvalho e transmitido igualmente na Antena 2 (segunda a sexta-feira, às 09h50* e às 18h50*).

* Hora de Portugal continental.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. A celebração do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, deu azo a que o 5.º centenário do nascimento de Camões ganhasse apelo e enorme projeção mediática. Entre o muito que se publicou sobre a efeméride, além dos registos já incluídos na Abertura de 11/06/2024, destaca-se ainda o conjunto de peças publicadas no jornal Público em 09/06/2024, à volta do legado de Camões em áreas da cultura e do ensino:  "O mal de Camões é que, se durasse eternamente, ninguém mais escrevia" (entrevista ao professor universitário e escritor Helder Macedo), "Camões – uma poética de conjeturas", "O rei que amava os livros (e Camões)", "Retratos de Camões: da vera efígie às recriações românticas", "O ensino de Camões continua refém das sua 'versão oficial'" e  "Camões ocupa um lugar único na memória colectiva”. Assinale-se igualmente o lançamento, em 16/06/2024, de uma nova biografia do Poeta, da autoria de Isabel Rio Novo e intitulada Fortuna, caso, tempo e sorte (Jornal de Notícias, 10/06/2024). Para uma visão ajustada do contributo camoniano para a língua portuguesa, cabe referir "Camões e os erros de ortografia", do tradutor e divulgador de temas linguísticos Marco Neves (Youtube, 13/06/2024). Mas, para aprofundar a questão, em O Nosso Idioma, transcreve-se com a devida vénia o estudo que Fernando Venâncio apresentou em 2017 em torno do impacto da linguagem literária de Camões e dos seus contemporâneos na história do léxico português*. Defende este investigador a tese «dum esforço quinhentista, implícito mas actuante, pela internacionalização do léxico português, iniciada pela apropriação de recursos castelhanos» (mantém-se a ortografia original), sublinhando que «essa apropriação foi abundante».

* In Ernestina Carrilho et alii, Estudos Linguísticos e Filológicos Oferecidos a Ivo Castro (Lisboa: Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, 2019, pp. 1541-1560). O texto está também disponível na página de Fernando Venâncio na Internet e no Observatório da Língua Portuguesa. Na imagem, Retrato de Luís de Camões, de José Malhoa (1855-1933) – fonte: Wikipédia.

2. Se há cerca de 40 anos o uso do português em Moçambique parecia longe de extensivo e consolidado, as perspetivas atuais são animadoras, dado o enorme aumento de falantes, sobretudo em meios urbanos. Em Lusofonias, no sentido de compreender a situação do português e o funcionamento do seu ensino em Moçambique, a consultora Inês Gama entrevista  a professora Marta Sitoe, investigadora e professora da Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique). É um trabalho que se publica em duas partes, em que esta especialista aborda a complexa realidade linguística deste país africano.

3. A concordância do verbo ser tem subtilezas nem sempre redutíveis  a regras sem exceção, como evidenciam duas questões feitas no Consultório: a propósito das festas de junho, dedicadas aos Santos Populares, pode dizer-se «Festas de Lisboa é na Madragoa»? E aceita-se «todos os dias é dia da criança»? A presente atualização é completada por mais cinco perguntas: qual é a origem do nome melancia? «Tenho a dizer» é galicismo? Cataclismo é sinónimo exato de catástrofe? A voz passiva em «fui sobrevoado» está correta? E, de regresso, uma dúvida recorrente: como é a colocação pronominal no português do Brasil?

4A história da grafia escuteiro, em concorrência com escoteiro, e as diferentes interpretações culturais associadas às duas palavras são tema de um apontamento da consultora Sara Mourato, na rubrica O Nosso Idioma.

5. A data de 14 de junho marca o começo do campeonato de futebol europeu, o Euro 2024, organizado pela UEFA e que se realiza na Alemanha até 14 de  julho. Recorde-se que UEFA é um acrónimo formado pelas iniciais da denominação em língua inglesa Union of European Football Associations, o mesmo que União de Associações de Futebol, em português, cujas siglas – UAFE – não parecem ter tido alguma vez popularidade.

A respeito da linguagem do futebol, consultem-se os seguintes conteúdos: "Futebolês", "Futebolês, outra vez", "Viva o futebolês!"; "Viagem pelo futebolês mais desregrado"; "O dialeto luso em futebolês"; Incidências do futebolês"; "O plural da palavra futebol"; "O vocábulo coletivo em relação a uma equipa de futebol"; "A intensificação da linguagem do futebol".

6. Registos da atualidade direta ou indiretamente relacionada com a língua portuguesa: o Curso de Aperfeiçoamento em Língua Portuguesa promovido pelo Centro Educativo de Língua Portuguesa na Guiné-Bissau; a Semana da Língua Portuguesa, de 11 a 14/06/2024 na Universidade Livre de Berlim (RTP Notícias, 11/06/2024); o apontamento que o tradutor e divulgador de temas linguísticos Marco Neves dedicou no canal Pilha de Livros às palavras raras (Youtube, 12/06/2024); o papel que a escola pode ter na utilização da Inteligência Artificial, na perspetiva de Marco Bento, investigador em Tecnologia Educativa e professor na Escola Superior de Educação de Coimbra (entrevista incluída no jornal Público, 13/06/2024).

7. Quanto a três dos programas que versam sobre temas e tópicos do português na rádio pública de Portugal:

– em Língua de Todos (RDP África, sexta-feira, 14/06/2024, 13h20*; repetido no dia seguinte, c. 09h05*), a professora Sandra Duarte Tavares define a expressão  «comunicação assertiva», define a diferença entre os termos positividade e positivismo e comenta a função dos pleonasmos num texto;

– em Páginas de Português (Antena 2, domingo, 16/06/2024, 12h30*; repetido no sábado seguinte, 22/06/2024, 15h30*), João Pedro Aido, vice-presidente da Associação de Professores de Português, analisa a prova de aferição de Português do 8.º ano de escolaridade em Portugal, Joana Batalha (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) aborda a questão da variação linguística na educação e a professora Carla Marques fala sobre o advérbio nunca.

– e mencione-se ainda  o programa Palavras Cruzadas, realizado por Dalila Carvalho e transmitido pela Antena 2 de segunda a sexta, às 09h50* e às 18h50*.

*Hora oficial de Portugal continental.

8. A próxima atualização fica agendada para 21 de junho. Como sempre, mantém-se o livre acesso ao vasto arquivo do Ciberdúvidas, cujo Consultório conta atualmente com mais de 38 000 respostas, a que acrescem os conteúdos das demais rubricas (Na 1.ª Pessoa, Atualidades, Montra de Livros) com mais de 6000 artigos.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Luís de Camões, poeta maior da língua portuguesa, viu alargadas as comemorações do seu dia, 10 de junho, à celebração do quinto centenário do seu nascimento, que se assinala até 2026. Autor de uma obra lírica e épica ímpar, que marcou de forma indelével a literatura portuguesa, alcançou a glória de libertar-se da «lei da morte», feito só concedido aos grandes. N’Os Lusíadas, o poeta indicava o caminho da fama e assinalava a importância fundamental de se estimar e reconhecer os poetas e a sua obra, o que, afirmava, motivava os autores e permitia que se recordassem os grandes heróis e seus feitos: «Não há também Virgílios nem Homeros;/ Nem haverá, se este costume dura,/ Pios Eneias nem Aquiles feros». A grandeza e o alcance da lírica camoniana verificam-se também em factos tão simples como o de terem conseguido impregnar o discurso quotidiano com expressões várias, que são usadas por muitos que desconhecem tanto o seu autor como os poemas a que pertencem. Separados do seu contexto de origem, vários são os versos camonianos que se prestam a usos e mensagens diversas. Um dos que mais frequentemente se encontra talvez seja «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», verso que se ergueu à condição de máxima e que serve para assinalar qualquer transformação ou a consequência da própria mudança. Os escolhidos ou eleitos numa dada situação, desde o futebol à equipa de sonho numa empresa passando pela política, são, muitas vezes, referidos como «os barões assinalados» e um sentimento forte é não raro descrito como «fogo que arde sem se ver» ou, quando se fala do poder de quem se ama, afirma-se que ela é a «cativa, / que me tem cativo». Os momentos de felicidade podem ser brindados com um «Verdes são os campos,/ De cor de limão: / Assim são os olhos/ Do meu coração.» Já a separação dos que se amam é evocada por meio de «Alma minha gentil que te partiste/ Tão cedo desta vida descontente» ou pela memória daquela «triste e leda madrugada». Quando as palavras do poeta descem à rua e entram naturalmente nos discursos mais improvisados e informais, é sinal que estas conseguem traduzir o que vai na alma dos Portugueses. Poucos serão os poetas que se poderão orgulhar desse feito.

Recordamos alguns textos relacionados com Camões, que se encontram disponíveis no Ciberdúvidas: «Luís de Camões e «outra coisa»», «Camões: 500 anos», «Camões», «A origem do adjetivo lusíada», «O português como língua de Camões é um mito», «Qual era o país de Camões?», «Lembrar Luís de Camões, "numa época de apoucamento da língua"».  

Na imprensa portuguesa, verifica-se igualmente a referência à figura de Camões em artigos de natureza diversa. Deixamos a indicação de alguns: «Qual a ortografia de Camões?», ««Que a sociedade parta à descoberta de Camões», ««Camões ultrapassa as fronteiras do mito»», ««A vida de Camões não carece de artifícios»», «Portugal cabe todo n’Os Lusíadas», «Luís de Camões. um génio arruivado e quezilento que escrevia como ninguém»  e «A expressão «Vai chatear o Camões»». Registe-se, ainda, no Rio de Janeiro, a exposição "Quinhentos Camões, O Poeta Reverberado"; e, em Díli,  uma maratona a ler  "Os Lusíadas.

2. Qual a origem da expressão «favas contadas», que se usa informalmente para referir algo que é dado como certo? O tratamento desta questão abre a atualização do Consultório, uma resposta que vem acompanhada de outras seis: «A palavra aquímico», «Valor aspetual genérico: "a leitura é um hábito"», «A expressão "dar  o nome de"», «Subordinação nominal e concordância: "intimação a pagar"», «A regência do verbo agendar» e «"Com que"» causal».

3.  A relação do povo cabo-verdiano com a língua portuguesa é abordada pela professora Goreti Freire, na quarta parte deste trabalho que aqui divulgamos, na qual apresenta e analisa os resultados de um inquérito realizado a alunos e professores. 

4.  A justificação da grafia de supramencionado à luz do Acordo Ortográfico de 1990 leva a uma revisão de alguns usos do hífen, num apontamento da responsabilidade da professora Carla Marques divulgado no programa Páginas de Português, na Antena 2. 

5. O número crescente de alunos que não falam português nas salas de aula em Portugal levanta questões relacionadas com os melhores processos de integração e de aprendizagem da língua. A professora universitária Ana Cristina Silva partilha algumas sugestões que poderão enquadrar uma abordagem bem-sucedida neste campo da aprendizagem (texto divulgado no Diário de Notícias e aqui partilhado com a devida vénia). 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. As eleições europeias realizam-se entre 6 e 9 de junho, num ambiente de inquietação quanto ao futuro da União Europeia e da própria Europa, hoje bem longe dos tempos em que a viam no centro do mundo. Até as línguas europeias de projeção global se descentram, com novos focos de inovação e mudança noutros continentes, como acontece com o inglês, com o francês, o espanhol e, claro, o português. É de África que chegam atualmente sinais da vitalidade da língua portuguesa, sobretudo nos meios urbanos de Angola e Moçambique; noutros países, por exemplo, em Cabo Verde, o devir do idioma concorre com o das línguas crioulas. Propondo fazer um ponto da situação, incluem-se neste dia:

– em O Nosso Idioma, a primeira parte de um trabalho mais extenso da consultora Inês Gama, que entrevista três professoras do ensino superior a respeito da situação do português em Moçambique, Cabo Verde e Angola, países onde estas docentes têm desenvolvido a sua atividade;

– nas Lusofonias, disponibiliza-se a terceira parte de um estudo da linguista Goreti Freire sobre o contributo do português para a construção da identidade cabo-verdiana.

2. O número de falantes cresce no Brasil, em Angola ou Moçambique, países cuja história linguística foi profundamente afetada pelo movimento expansionista de Portugal, em pleno fulgor nas primeiras décadas do século XVI. Luís Vaz de Camões, que terá nascido por volta de 1524, foi capaz de captar literariamente o espírito da sua época, dando-lhe expressão lírica e épica, de tal maneira que, ainda hoje, os textos camonianos definem a personalidade da própria língua. A propósito da celebração do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, apresenta-se em Montra de Livros o volume Camões – Uma Antologia (Quetzal Editores, 2024), organizado pelo classicista, tradutor e ensaísta Frederico Lourenço, que assinala deste modo o 5.º centenário do nascimento do Poeta.

Sobre esta comemoração, ler aqui notícia na RTP, datada de 04/06/2024. Sugere-se também a leitura de "Portugal cabe todo n'Os Lusíadas: viagens ao mundo do épico de Camões" (Expresso, 07/06/2024).

3. Os poemas de Camões também levantam dúvidas e questões no Consultório. É o caso dos versos «Mas eu, que tenho o mundo conhecido, / E quase que sobre ele ando dobrado», que integram o soneto "Julga-me a gente toda por perdido". Que quererão eles dizer? A esta pergunta, acrescem cinco, num total de seis: que modalidade se associa à construção «é de salientar que...»? Existe a palavra "felão", relacionado com felonia? Outrossim significa apenas «também» ou pode ter outros valores? Como classificar o que incluído na exclamação «até que era engraçado!»? 

Na imagem, Camões e as Tágides (1894), da autoria de Columbano Bordalo Pinheiro, no Museu Nacional Grão Vasco (Viseu).

4. Todo o cuidado é pouco com os muitos casos de falta de correspondência entre a pronúncia e a grafia. No Pelourinho, comentam-se duas confusões gráficas verificadas no espaço mediático de Portugal: a troca de c intervocálico por -ss-, que dá a forma errónea "comíssio", em lugar de comício, num registo transcrito do Observatório da Lingua Portuguesa; e a confusão entre prol e prole, explicada pela consultora Sara Mourato.

5. O mês de junho é o Mês do Orgulho LGBTI+, em memória da Revolta de Stonewall, ocorrida em Nova Iorque em 28 de junho de 1969. Em O Nosso Idioma, transcreve-se com a devida vénia do jornal Público um artigo da empresária brasileira Natália Beauty, que lista seis palavras relativas a atitudes preconceituosas e discriminatórias manifestadas nas redes sociais.

6. Quanto a iniciativas, notícias e comentários que envolvam a língua portuguesa, destacam-se: a conferência do linguista Márcio Undolo intitulada "Características do português de Angola" em 06/06/2024 na Academia Angolana de Letras; a publicação pela Universidade de Coimbra de uma retextualização do conto A instrumentalina, de Lídia Jorge (ver Notícias); um trabalho jornalístico sobre a influência do português do Brasil em Portugal (Observatório da Língua Portuguesa, 04/06/2024); o sucesso do português, como segunda língua mais procurada no acesso a  universidades dos EUA (RTP 3 Madeira); a exposição "Talking brains – programados para falar" patente ao público até 01/09/2024, no Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, em Lisboa ( Estrela e Ouriços, Sapo); o alerta do realizador Sana Na N'Hada: «A lingua portuguesa está a desaparecer na Guiné-Bissau.» (Observador, 01/06/2024).

7. Quanto aos conteúdos de três dos programas que a rádio pública de Portugal dedica à língua portuguesa:

– No programa Língua de Todos, difundido na RDP África, na sexta-feira, 07/06/2024 às 13h20* (repetido no dia seguinte, c. 09h05*), entrevista com a professora Clara Keating (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) sobre a temática da variação linguística e da educação.

– Entrevista com o ensaísta e crítico literário António Carlos Cortez acerca de Luís de Camões e, particularmente, d’Os Lusíadas, no programa Páginas de Português, transmitido pela Antena 2, no domingo, 09/06/2024, às 12h30* (repetido no sábado seguinte, 15/06/2024, às 15h30*).

– Mencione-se ainda o programa Palavras Cruzadas, realizado por Dalila Carvalho e transmitido na Antena 2, de segunda a sexta-feira, às 09h50* e às 18h50*.

* Hora de Portugal continental.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1.conflito entre Israel e a Palestina continua a subir de tom, revelando uma total indiferença aos pedidos de paz oriundos de muitos pontos do planeta e também à pressão exercida pelos próprios povos palestiniano e israelita. Neste contexto, assinalamos um novo neologismo para descrever um dos alvos dos ataques israelitas: a destruição de universidades e escolas em território da Palestina. Todas as 11 universidades de Gaza foram destruídas no decurso das investidas israelitas, o que deixou cerca de 90 mil palestinianos sem acesso à educação superior. Esta realidade é descrita pelo conceito de "escolasticídio", palavra cunhada pela jurista e professora palestiniana Kelma Nabulsi, em 2009, para descrever a destruição sistemática do sistema de educação material e imaterial  em Gaza e na Cisjordânia pelo Exército de Israel. Este termo é decalcado do inglês scholasticide, que, por seu turno, é uma palavra resultante da junção da forma truncada scholasti(c) ao elemento pospostivo -cide (-cídi(o), em português). Trata-se, assim, de uma palavra resultante de uma amálgama, um processo irregular de formação de palavras, que permitiu combinar o sentido de "escola" ao de «ação de matar ou de quem mata». Encontramos o mesmo decalque em espanhol (escolasticidio) e em francês (scholasticide). Já em italiano, usa-se também o termo educidio, cujo elemento inicial é a forma truncada de edu(c)- (que significa «cuidar, educar, instruir»).

A propósito da situação palestiniana também já aqui apontámos o uso do neologismo domicídio (ver aqui).

Primeira imagem: Universidade Al-Azhar de Gaza antes e depois de Israel bombardear a instituição. Imagem publicada na revista Jacobina. Segunda imagem: Universidade Islâmica na Cidade de Gaza em novembro. (Foto de Omar El-Qattaa / AFP via Getty Images)

2.   Entre os processos irregulares de formação de palavras encontramos também a formação de siglas ou de acrónimos. Esta é uma questão abordada neste apontamento da professora Carla Marques com base na explicação da formação da palavra ONU (divulgado no programa Páginas de Português, da Antena 2).  

3. Na atualização do Consultório, analisam-se as relações existentes entre palavras, de modo a determinar, por um lado, se a junção de mais a além gera uma redundância e, por outro, se gigante é sinónimo de gigantesco. Analisa-se também a natureza e o funcionamento de palavras ou locuções como «durante que», «apenas», «em lugar de/ em vez de / ao invés de» e «sempre». Disponibiliza-se ainda uma resposta sobre a correção das construções «de cima até abaixo» e «de cima até embaixo» e «o livro fala de». Por fim, tratam-se os valores do condicional simples e composto e explica-se o significado do provérbio «vencer a língua é mais que vencer arraiais».

4. A opção pelo masculino para designar profissões desempenhadas por mulheres fornece matéria para a reflexão do cofundador do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa José Mário Costa, que, no Pelourinho, aponta o caso do uso de capitão em lugar de capitã, em contexto militar, no qual se verifica uma grande resistência à adoção das formas femininas dos nomes de cargos e profissões. 

5. Continuamos a divulgação dos textos integrantes do dossiê temático relativo ao papel da língua portuguesa na construção da identidade cabo-verdiana, da autoria da professora universitária Goreti Freire, com um texto onde aborda o papel da língua cabo-verdiana e da língua portuguesa no arquipélago. 

6. A situação da língua portuguesa na relação entre as diferentes variedades e no que respeita à produção editorial motiva uma nova reflexão crítica sobre o papel do Acordo Ortográfico (AO90), apresentada pelo jornalista Nuno Pacheco (publicada no jornal Público e aqui partilhada com a devida vénia).

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Se o passado já foi, não teria sentido rebuscar factos e registos para os corrigir. Não é o que a atualidade revela quando muitos dos conflitos em curso parecem encontrar legitimação histórica. As línguas também não escapam ao peso da memória, por várias razões, entre elas, políticas, e assim se desenvolve hoje um processo de reinterpretação da história do português, em convergência com preocupações à volta da tensão entre a unidade e a diversidade do idioma. Assinala-se, portanto, o lançamento do livro Assim Nasceu Uma Língua no Brasil, do linguista, crítico literário e escritor Fernando Venâncio, acontecimento que motivou a entrevista concedida por este autor à revista Veja em 28 de maio de 2024 e que, com a devida vénia, se divulga na rubrica Controvérsias. Em claro choque com as narrativas tradicionais ou até académicas, Fernando Venâncio propõe outra visão das origens da língua portuguesa, que sintetiza polemicamente na seguinte frase: «O português não foi criado em Portugal, surgiu mesmo bem antes de Portugal existir, e mais exatamente em território galego.»

Na imagem, Origem da Lingoa Portuguesa (1606), de Duarte Nunes de Leão (c. 1530-1608).

2. Num dos espetáculos que a cantora Taylor Swift deu em Lisboa, em 24 e 25 de maio de 2024, ouvindo-se o tema «We Are Never Ever Getting Back Together», ou seja, «nunca mais voltamos a andar (juntos)», um dos bailarinos reforçou jocosamente a mensagem da canção com a expressão «nem que a vaca tussa». A propósito deste acontecimento, em O Nosso Idioma, a consultora Inês Gama dedica um texto às expressões idiomáticas, em especial, às que são sinónimas de «nunca mais».

3. Numa notícia sobre o futebol português, citando um conhecido treinador, escreveu-se «"tive" à altura», em vez da forma correta «estive à altura», e «"biforcarem"», em lugar de bifurcarem. A consultora Sara Mourato comenta o caso num apontamento incluído no Pelourinho.

4. «Comparecer pessoalmente» é uma redundância ou não? No Consultório, responde a esta e a outras cinco perguntas:  que significa a expressão «um amigo para o inverno»? Pode-se associar um infinitivo ao verbo pedir? A frase «vem visitar-me em Como» está correta? As maiúsculas são obrigatórias em «Imposição de Insígnias»? E a qual é a classe de palavras de algo em «pessoa algo insuportável»?

5. O Dicionário Sério de Calão, Javardices e Alarvidades (Guerra e Paz, 2024) é o título sugestivo de um novo livro do sociólogo João Pedro George. Trata-se de um dicionário que reúne um conjunto de léxico e expressões pertencentes ao calão mais «javardo e alarve» e que se apresenta em Montra de Livros.

6. A respeito do ensino da língua portuguesa, dentro ou fora da CPLP, são de salientar: a notícia sobre um projeto de professores-ambulantes em desenvolvimento na província angolana do Bié ("Projeto de professores-ambulantes quer levar a escola às aldeias angolanas mais recônditas", RTP Notícias, 27/05/2024); a reportagem do jornalista Miguel Soares sobre a situação do português nas escolas galegas ("Língua comum. O ensino do português na Galiza", ibidem, 29/05/2024); e o projeto de literatura infantil com que a associação Sílaba visa promover a língua portuguesa no território de Macau (Macau Hoje, 23/05/2024).

7. Outros registos da atualidade, direta ou indiretamente relacionados com temas dos países de língua portuguesa:

– o anúncio de uma nova edição do Diário de Notícias, o DN Brasil, para leitores brasileiros (Diário de Notícias, 27/05/2024);

– em 29/05/2024, o falecimento de Santana Castilho, especialista em Educação que se notabilizou pelas críticas às políticas educativas seguidas em Portugal nas últimas duas décadas (ver Público, 29/05/2024);

– um apontamento do tradutor e divulgador de temas linguísticos Marco Neves sobre a origem dos dias da semana (Youtube, 29/05/2024);

– a defesa do suaíli, que tem falantes em Moçambique e países vizinhos, como língua de comunicação em África pelo presidente do Zimbabué, Emmerson Dambudzo Mnangagwa (Correio da Manhã, 29/05/2024).

8. Quanto aos conteúdos de três dos programas que a rádio pública de Portugal dedica à língua portuguesa:

– Em Língua de Todos (RDP África, sexta-feira, 31/05/2024, 13h20*), entrevista-se a investigadora moçambicana Ezra Chambal Nhampoca (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) sobre variação linguística e ensino na perspetiva de Moçambique.

– Em Páginas de Português (Antena 2, domingo, 2/06/2024, às 12h30*), conversa-se com Clara Keating (Universidade de Coimbra) sobre a participação na jornada “Variação Linguística, Educação e Cidadania”, evento a decorrer em 03/06/2024 e promovido pela Associação Portuguesa de Linguística (APL) e pela Associação de Professores de Português (APP).

Mencione-se ainda o programa Palavras Cruzadas, realizado por Dalila Carvalho e transmitido na Antena 2, de segunda a sexta-feira, às 09h50* e às 18h50*.

* Hora de Portugal continental.