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Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Todos os dias chegam ao Ciberdúvidas dezenas de perguntas pertinentes acerca da língua portuguesa. Destacamo-las, assim como as respetivas  respostas na secção Consultório: a locução «ou então» com um valor disjuntivo similar ao da conjunção ou; a utilização de melhor e pior com os tempos compostos de verbos na voz ativa; os gentílicos americano e estado-unidense em referência a habitantes dos Estados Unidos da América. Refere-se ainda em que situações não se dá a contração da preposição por  com o artigo definido e, a propósito de uma frase de Machado de Assis (1839-1908) em O Alienista, explica-se o verbo alcançar como sinónimo dos verbos conseguir o obter. A propósito da palavra regressível, apesar de não ter registo em dicionários aqui consultados, sugere-se que é uma palavra bem formada e, portanto, correta. Essa situação justifica-se pela existência da palavra irregressível («que não admite regresso»), que tem presença em vários dicionários. Por último, explica-se a utilização da vírgula numa estrutura parentética, cujo objetivo é o de introduzir uma informação adicional, dando lugar a uma unidade autónoma do ponto de vista prosódico. 

2. Na Montra de Livros, José Mário Costa apresenta-nos a Gramática da Linguagem Portuguesa de Fernão Oliveira, que a definiu como a «primeira anotação da língua portuguesa» – agora em edição fac-similada da coleção Tesouros das Bibliotecas, uma iniciativa que o jornal Público leva a cabo de setembro de 2021 a fevereiro de 2022. Trata-se de um «conjunto de reflexões de carácter linguístico e cultural, com o objetivo explícito de propor uma norma para o português do século XVI, não seguindo, no entanto, o modelo das gramáticas até então produzidas». Uma outra obra sugerida na mesma rubrica é Bom Português, da Porto Editora em parceria com a RTP. Trata-se de um livro que tem vindo a preservar e a promover a língua portuguesa, valorizando o seu uso correto ao longo de três edições.

3. Na rubrica O nosso idioma, transcreve-se, com a devida vénia, o artigo da autoria do jornalista e crítico de cinema João Lopes e publicado no Diário de Notícias em 19 de setembro de 2021, em que o autor reflete sobre os verbos filmar e gravar na área do cinema. Destaca-se, igualmente, a crónica da professora Carla Marques na sua rubrica emitida no programa Páginas de Português, na Antena 2, no dia 19 de setembro de 2021, em que explora os significados do verbo ir, em todas as suas «direções». 

4. Na área do Ensino, sugere-se a crónica da professora Lúcia Vaz Pedro sobre a importância do ensino da literatura na formação social e humana, na educação estética e no aprofundamento da sensibilidade perante o mundo. Por último, a crónica publicada no Diário de Notícias no dia 20 de setembro de 2021 pela linguista Margarita Correia, que retrata o ensino básico na capital portuguesa, há 40 anos: uma forma de nunca esquecermos de onde viemos e para onde vamos. Uma crónica que exprime o desejo de que vivamos  cada instante do ano letivo de 2021-2022 com a alegria do (re)encontro e a sofreguidão de quem sabe que passará num instante.

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1. Manifestando admiração pelo talento de alguém, produzem-se frequentemente frases como «não sabia que tinhas tanto jeito». Mas porquê a forma tinhas no imperfeito do indicativo, se o enunciado se reporta ao presente? Não deveria ser obrigatoriamente tens? A resposta tem que ver com o valor modal do imperfeito e faz parte de um conjunto de 10 novos esclarecimentos do consultório, abrangendo tópicos variados: as formas imos e is, arcaísmos da flexão do verbo ir; o topónimo português Casal do Fagalhana (Condeixa-a-Nova),  hoje desaparecido; os contrastes semânticos pares de verbos – suspender e cancelar, por um lado, e impedir e evitar, por outro; a sílaba tónica de Conacri;  a diferença de significado entre desesperantemente e desesperadamente; o particípio passado sido (verbo ser); e duas perguntas de sintaxe sobre o uso preposicionado dos pronomes relativos quem e o que.

2. Como terão surgido expressões como «trazer água no bico», «custar os olhos da cara» e «não entender patavina»? Na rubrica Montra de Livros, apresenta-se Sem Rei nem Roque (ed. Oficina do Livro), um livro da autoria de João Palma  e ilustrado por Rodrigo de Matos, que de modo divertido reúne 80 giros populares, indo ao encontro das muitas e constantes interrogações suscitadas pela interpretação das expressões idiomáticas.

3. Em O Nosso Idioma, transcrevem-se, com a devida vénia, dois apontamentos de páginas dedicadas a tópicos do uso e das normas do português na sua diversidade: a fim de evitar situações ambíguas recorrentes na construção de frases e textos, os conselhos que o revisor e escritor brasileiro Gabriel Lago dá no mural Língua e Tradição (Facebook, 12 de setembro de 2021); e, para saber lidar com o ponto e vírgula* na comunicação escrita empresarial, uma nota do gestor Diogo Arrais, na edição digital da revista Exame (31 de agosto de 2021). Ainda na mesma rubrica, foi atualizado o artigo "A moda e os seus estrangeirismos escusados", onde se dão equivalentes vernáculos de anglicismos e galicismos desnecessários como clutch e pochette, ou seja, «mala de mão» ou «carteira».

4. Da atualidade em que a língua portuguesa é notícia, tem relevo a criação de uma rede de bibliotecas por iniciativa da Universidade de Macau e participação de outras universidades do mundo de língua portuguesa com a finalidade de incrementar o intercâmbio de pesquisadores e estudantes. A formalização da chamada Aliança Bibliotecária Académica entre a Região Administrativa Especial de Macau e os Países de Língua Portuguesa (ABAMAPLP) teve lugar em 16 de setembro de 2021, no contexto do XXX Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa, que decorreu na região autónoma especial de Macau (República Popular da China).

5.  Conteúdos principais de três programas que a rádio pública portuguesa dedica ao idioma nacional

 ♦ A importância das aulas de Português Académico para os estudantes dos países portugueses de língua oficial portuguesa (PALOP), numa entrevista ao professor Paulo Feytor Pinto, investigador do CELGA-ILTEC (Universidade de Coimbra) e colaborador do CEMRI (Universidade Aberta), em Língua de Todos (RDP África, sexta-feira, 17 de setembro de 2021, pelas 13h20*; com repetição no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*).

♦ Sobre a comemoração em 17 de setembro do Dia da Língua Mirandesa, uma conversa com José Pedro Ferreira, linguista e membro da Associação de Língua Portuguesa e Cultura Mirandesa, no Páginas de Português (Antena 2, domingo, 19 de setembro de 2021, pelas 12h30*, programa repetido no sábado seguinte, 25 de setembro de 2021, às 15h30*). Este programa inclui ainda a participação da professora Carla Marques, que dedica uma crónica aos significados do verbo ir, do mais literal ao mais metafórico, e à significação dos seus diferentes usos sintáticos. 

♦ O programa Palavras Cruzadas, coordenado por Dalila Carvalho e transmitido na Antena 2 de quarta a sexta-feira, centra-se na linguagem usada pelas companhias de seguros (dias 20, 21, 22, 23 e 25 de setembro de 2021, às 9h50 e 18h20*), com comentários de João Pedro Madureira, fundador de um serviço de tecnologia financeira (fintech, em inglês) que criou uma nova linguagem no sector dos seguros, aproximando-a da linguagem usada pelos consumidores.

* Hora oficial de Portugal continental.

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1. Com a chegada do mês de setembro, o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa retoma as suas atividades habituais, fazendo coincidir o seu regresso com o início do ano letivo em Portugal. Este nono mês do calendário gregoriano assiste invariavelmente à proeminência do termo rentrée, que, usado de forma plástica e quase omnipresente, se foi adaptando a realidades muito diversas. Tendo começado por ser usado em contexto escolar para referir o início das atividades letivas, estendeu o seu âmbito a expressões como rentrée política, rentrée judicial ou, inclusive, rentrée televisiva, numa significação que vai oscilando entre a noção de «reabertura» e a de «reinício». Em todos estes casos, o recurso ao galicismo rentrée revela-se um preciosismo desnecessário, uma vez que a língua portuguesa disponibiliza vários lexemas para referir estas situações. No caso particular da realidade escolar, poder-se-á usar com a mesma eficácia a expressão «regresso às aulas», que será sempre preferível ao empréstimo do francês.   

No Ciberdúvidas, encontram-se várias respostas relacionadas com a questão do aportuguesamento de galicismos: "À volta da cassete e dos empréstimos", "Detalhe: 'horrível galicismo'"?», "O galicismo rentrée", "O empréstimo chapitô", "A morfologia do nome plataforma", "O galicismo naïf", "O 'evolutível' e outros desnecessários francesismos", "Abat-jour= abajur", "Bouquet" e "A tradução e a origem da expressão francesa Maudit soi qui mal y pense" e o trabalho do linguista brasileiro  Hildo Honório Couto, "Contatos entre francês e português, ou influências do primeiro no segundo". 

2.  A reabertura do Consultório apresenta doze respostas novas, que se distribuem por diferentes áreas linguísticas. Assim, no plano ortográfico, trata-se a questão da grafia da palavra cuba-rim e do termo plafom. Ainda no âmbito das convenções gráficas, clarifica-se a translineação do substantivo diagnóstico e apresenta-se uma explicação para a colocação da vírgula em «Mergulho, há». Já no quadro da formação de palavras, analisa-se a possibilidade de formação do adjetivo comentarístico a partir do nome comentarista. Uma resposta relacionada com a flexão em género equaciona a formação do feminino do substantivo adjunto, a que se junta um esclarecimento sobre o género da palavra asa-delta. No contexto da formação de gentílicos, identifica-se o termo que designa os habitantes de Priscos (freguesia de Braga). De âmbito sintático, é feita a análise das funções na frase «Descobrir o assassino era tarefa para Sherlock.» Por fim, duas questões de natureza sintático-semântica (uma relacionada com a regência na frase «Não acho oportuna a ocasião para zombarias» e outra com a seleção do termo correto em «fatores de produção / produtivos») e uma resposta que procura justificação para a referência ao pinhal da Azambuja na obra Os Maias, de Eça de Queirós

 3. A linguista e professora universitária Margarita Correia reflete criticamente sobre as declarações de uma psicóloga, que defende que o «Brasil está a invadir o vocabulário dos mais novos», na sua crónica intitulada "Linguística para psicólogos»", divulgada no Diário de Notícias (aqui transcrita com a devida vénia). 

4.  Quando cotejamos as frases «Tenho escrito muitos artigos» e «Tenho escritos muitos artigos», devemos considerar que ambas estão corretas ou que uma delas está errada? É a este tema que o escritor e revisor de textos brasileiro Gabriel Lago dedica um crónica* sobre a possibilidade de transcategorização do particípio em adjetivo e as suas consequências na flexão da palavra.

 * in mural do Facebook Língua e Tradição, no dia 5 de setembro de 2021.

5. O termo democracia, os seus significados e a sua força acional, são a pedra de toque da reflexão da professora universitária brasileira Edleise Mendes, numa altura em que no Brasil se vivem momentos de profunda agitação política (crónica lida no programa Páginas de Português, da Antena 2  e aqui transcrita). 

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♦ Após a pausa de verão, prepara-se o regresso das atualizações regulares destas páginas no dia 14 de setembro. Para tanto, já está ativo o formulário para o envio de questões, com vista à entrada de novas respostas no Consultório. Mas assinale-se que, ao longo das últimas semanas, as demais rubricas disponibilizaram conteúdos quer originais quer transcritos de fontes externas, dos quais são exemplo: "Férias e féria" (01/08/2021), "Perseidas" (11/08/2021), "A expressão 'ser presente a tribunal'" (20/08/2021), "Como falam os jovens em Portugal?" (02/09/2021), ou, nas Controvérsias, um conjunto de artigos à volta da chamada linguagem inclusiva e não-binária. Como é hábito, até à retoma completa das atualizações, mantém-se disponível para consulta todo o acervo do Ciberdúvidas – perto de 45 000 textos, em todas as suas rubricas, desde as respostas aos artigos dedicados a variadíssimos assuntos relacionados com a língua portuguesa –, e, tanto nos Destaques como na página do Facebook do Ciberdúvidas, continuam a ser divulgados novos conteúdos.

♦ Entretanto, uma chamada de atenção para o glossário "O léxico da covid-19", rubrica que passa agora a denominar-se "A covid-19 na língua". Esta mudança é resultante da evolução registada ao longo de ano e meio de pandemia, que levou à recolha não só da terminologia médica e científica à volta do SARS-CoV-2, mas também, até para memória futura, das principais marcas lexicais da pandemia no vocabulário destes tempos, tais como expressões ancoradas no que tem influenciado tanto o modo de vida do cidadão comum e respetivas conceptualizações, seja em Portuga como em todo mundo. O novo nome da rubrica dá assim conta de como a covid-19 tem tido ampla repercussão na língua, por via do discurso político-mediático e das autoridades sanitárias.

♦ Ao encontro da atualidade internacional, passa a estar em linha na rubrica Diversidades, a partir desta data, o "Afeganistão de A a Z", uma lista de expressões e termos relativos ao Afeganistão e à situação que se vive neste país desde a retirada das tropas norte-americanas.

♦ Em Portugal, os primeiros dias de setembro marcam a retoma da plena atividade em diferentes áreas, em especial no ensino, com a abertura de um novo ano letivo. Em O Nosso Idioma, um texto da professora Carla Marques aborda o tema, centrando-se no verbo regressar, bem expressivo do significado e das vivências deste mês. E, como setembro coincide em terras lusas com as vindimas, aqui ficam alguns dos muitos ditos e provérbios que gerações e gerações de falantes, nos ritmos da antiga ruralidade, foram criando e transmitindo entre si*:

«Setembro, andando e comendo.» [alusão às colheitas]

«Aí pela senhora da Ajuda , às sete é sol-posto.» [a festa da Senhora da Ajuda realiza-se no terceiro domingo de setembro]

«Para vindimar deixa setembro acabar.» [alusão às colheitas]

«Se em setembro a cigarra cantar, não compres trigo para o vir guardar.» [alusão à possibilidade da continuação do tempo estival]

 

* Fonte: José Ricardo Marques da CostaO Livro dos Provérbios, Editorial Presença, 2004.

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Tal como é habitual, durante a época estival, e coincidindo com as férias escolares em Portugal, as atualizações regulares do Ciberdúvidas terão uma pausa nos meses de julho e de agosto. Durante este intervalo de tempo, o Consultório permanecerá encerrado, não estando disponível o formulário para envio de questões.

Nos Destaques, em baixo, e na página do Facebook do Ciberdúvidas, continuaremos a divulgar novos conteúdos, sempre que tal se justifique.

O acervo do Ciberdúvidas — constando de momento com cerca de 45 000 textos — mantém-se disponível para consulta em todas as suas rubricas, desde as respostas aos artigos dedicados a variadíssimos assuntos relacionados com a língua portuguesa. 

 

A todos os nossos consulentes, deixamos um poema de Sophia de Mello de Breyner Andresen dedicado ao verão.

 

OS DIAS DE VERÃO

 

Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é nosso corpo

Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo
 

O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros

Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

Como se em tudo aflorasse eternidade

Justa é a forma do nosso corpo

 Sophia de Mello BreynerObra Poética

 Pintura: João Marques de Oliveira, Praia de banhos, Póvoa de Varzim. 1884

 

Quaisquer outros contactos, que não de âmbito linguístico, poderão ser feitos para o endereço habitual: ciberduvidas@iscte-iul.pt 

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1. Instala-se novamente a preocupação em Portugal: a variante delta do coronavírus propaga-se, e a capital com outras cidades travam o desconfinamento. Reflexo deste cenário são as quinze novas entradas na rubrica A covid-19 na língua, nelas ressaltando as denominações das variantes virais: alpha, beta, delta plus, gamma, kappa, termos decorrentes da recente utilização distintiva do «alfabeto grego». Registam-se «variabilidade genética», em referência à mutabilidade viral, e a repartição que é marcada por «variantes de interesse» e «variantes de preocupação», a que se somam as designações da reação contra a pandemia: «desconfinamento travado» e «acelerador ao fundo» (na vacinação). Completam a atualização as expressões «estabelecimentos de ensino», «faixas etárias», Imune.pt (ver também aqui) e riqueza.

2. São seis as novas respostas do Consultório, indo da variação da locução «como se» até ao valor referencial do pronome ele e passando pela sintaxe de «ter lugar» e do verbo barrar, pelo conceito de genitivo e pelo emprego dos vocábulos dilogia e díptico.

3.  No Pelourinho, um apontamento do jornalista José Mário Costa mostra como o caso do envolvimento da Câmara Municipal de Lisboa na divulgação dos dados pessoais dos promotores de uma manifestação de ativistas russos é oportunidade para momentos linguísticos nada felizes: por exemplo, o recurso a um insulto trovejante, escrito com toda a incompetência.

4. Na Montra de Livros, apresenta-se Transversalidade XI: géneros textuais e comunicação oral e escrita nos primeiros anos, uma publicação digital do Laboratório de Investigação em Educação em Português, da Universidade de Aveiro (disponível aqui).

5. A data de 28 de junho é a do Dia Internacional do Orgulho Gay, num ano marcado também pela discussão das questões de género. O clima é de confronto,  e sintomáticas são as recentes decisões políticas na Hungria contra a abordagem do tema da homossexualidade nas escolas, bem como a polémica reativa na Alemanha, por causa da iluminação arco-íris do estádio de Munique, no contexto do campeonato da UEFA (ler também aqui). No Ciberdúvidas, desde os seus primeiros anos, arquivam-se respostas e artigos, documentando a evolução do tema:  "Homossexual ou 'gay'",  "'Casal gay' ou 'par gay'»?, "Sobre a palavra transgénero", "O uso de transgénero no plural", "A grafia e a pronúncia de transexual", "Arco-íris". Sobre dias comemorativos, recorde-se que estes se escrevem com maiúsculas iniciais (cf. Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, Base XIX, 2), preceito que abrange as siglas (ibidem), incluindo as que, para o caso, são relevantes: 

  Mais informação aqui e aqui.

6. No campo da formação e reflexão à volta da língua portuguesa, mencione-se, entre a oferta da Universidade Aberta, um curso aberto sobre Fernando Pessoa, o poeta da multiplicidade heteronímica.  E, noutro plano, se a diversidade é também característica do português contemporâneo, como integrá-la numa perspetiva de unidade? As investigadoras Rosa Maria Faneca (CIDTFF, Universidade de Aveiro) e Felícia Jennings-Winterle (Plurall by BeM) apontam caminhos.no artigo de opinião "(H)À Educação: O português como língua pluricêntrica". 

7. Um caminho para a convivência é também procurado nos territórios onde o português se usa a par de línguas locais. Na Terra de Miranda, no canto nordeste de Portugal, a Associação da Língua e Cultura Mirandesas acaba de lançar o documento Carreirones pa la Nuossa Lhéngua (em português, Roteiro para a Nossa Língua), definindo uma estratégia de recuperação do mirandês, após séculos de contacto com o português. Em Angola, dão-se passos para a revitalização do umbundo na atribuição dos nomes de pessoa (antropónimos) com a publicação de Desprezo ao Apreço do Nome: Estudo Etnolinguístico da Antroponímia Umbundu, da autoria de Bonifácio Tchimboto e Ana Maria Katemo Ucuahamba.

8. Conteúdos que a rádio pública portuguesa dedica à língua portuguesa:

– entre os programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, são temas de  relevo o português como língua adicional, em Língua de Todos, na RDP África (sexta-feira, 25/06, pelas 13h20; repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00), e a personalidade e a obra de Eduardo Mayone Dias (1927-2021), em Páginas de Português, na Antena 2 (domingo, 27/06, 12h30; com repetição no sábado seguinte, 03/07, às 15h30);

 – em Palavras Cruzadas, programa de Dalila Carvalho*, três temas para três dias de emissão (de 28 a 30 de junho, às 09h50 e 18h20): o léxico pós-covid-19,  a verdade na comunicação da doença oncológica e o ponto abreviativo na revisão de texto.

* Hora oficial de Portugal continental.

 

9. Como é habitual, coincidindo com o final do ano letivo – este ano mais prolongado devido à pandemia –, o Ciberdúvidas fará, até começos de setembro, uma pausa no esclarecimento de questões* e nas suas atualizações regulares. A próxima abertura, marcada para segunda-feira, 28 de junho p. f., dará pormenores sobre o funcionamento destas páginas nas semanas estivais de julho e agosto.

* O envio de dúvidas fica desativado a partir deste dia, até 1 de setembro.

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1. A «variante Delta» do vírus SARS-CoV-2 vai assumindo protagonismo ao mostrar um poder infeccioso superior ao das restantes variantes, o que obriga os cientistas a equacionar a questão de quem sairá vencedor numa luta que envolve «vacinas vs. variantes». Não obstante, ainda que se atinja a tão almejada imunidade de grupo, é certo que os vírus se alojarão nas crianças, que são já consideradas «reservatórios de vírus». Neste frente a frente, ainda que se deem pequenos passos na luta contra a pandemia liderados pela vacinação, cujos efeitos e ação vão sendo controlados pela farmacovigilância, continua a haver lugar a recuos: em Portugal, ensaia-se um megaconfinamento na área metropolitana de Lisboa e, no Brasil, atinge-se o fatídico número de «meio milhão» de mortes por covid-19. Os seis termos destacados constituem as novas entradas na rubrica A covid-19 na língua

2. No Consultório, pretende-se saber qual é o plural do substantivo hálux, qual o termo que designa a qualidade do que é abstrato e qual o antónimo de saciante. No plano dos ditongos, a dúvida recai sobre a variação ou/oi e, no âmbito da sintaxe, considera-se a ordem dos adjetivos classificadores no interior de um sintagma nominal e a função do pronome se com o verbo mexer. Por fim, analisa-se um conjunto de orações introduzidas por para e identifica-se a classe de palavras de palavra ainda em diferentes contextos frásicos. 

3. Os adeptos do futebol acompanham acaloradamente o Euro 2020 e, em Portugal (e não só), todas as atenções se centram na equipa que representa o país, nas suas prestações e, claro, nos seus jogadores. Discussões, análises e relatos inundam o espaço mediático e com eles chegam os fatídicos problemas de dicção associados aos nomes de diversos jogadores, como assinala o jornalista e cofundador do Ciberdúvidas José Mário Costa neste apontamento para o Pelourinho. 

4. A questão da linguagem inclusiva tem dado origem a discussões de grande complexidade um pouco por todo o mundo. Em Portugal, o Conselho Económico e Social fez publicar um Manual de Linguagem Inclusivaque procura promover a adoção de uma linguagem não discriminatória tanto no plano escrito como oral e que se apresenta na Montra de Livros. 

5. A divulgação das identidades dos organizadores de uma manifestação em defesa do ativista e político russo Alexei Navalny tem estado imersa em grande polémica. A este propósito, a professora Carla Marques refletiu sobre a expressão «direitos fundamentais» na sua crónica no programa Páginas de Português (Antena 2), aqui transcrita. 

6. O solstício de verão, que teve lugar a 21 de junho, ocorreu no mesmo dia da comemoração do Dia da Língua e Cultura Mirandesa, o que motivou a reflexão da professora universitária e linguista Margarita Correia sobre o percurso da língua mirandesa (artigo publicado no Diário de Notícias e aqui transcrito com a devida vénia). 

No Ciberdúvidas, estão disponíveis diversos textos relacionados com a língua mirandesa: «O Mirandês: dialecto ou língua?», «Mirandês: letras de uma língua que se apaga», «O porquê de o mirandês ter sido considerado língua», «Ainda sobre o mirandês como língua»,  «'Buonos dies'. Aqui fala-se Mirandês, a língua dos avós e das crianças», «Academia do mirandês já!», «L mirandés na blogosfera» e «Símbolos fonéticos dos sons do mirandês».

 7.  A escritora Clarice Lispector tem sido estudada em vários planos, da sua biografia à sua obra. O escritor e tradutor António Maura aborda estas questões no seu artigo dedicado à mundividência das publicações da autora (artigo aqui transcrito com a devida vénia).

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1. Em Portugal, coincidindo com a entrada do verão (em 21 de junho), a pandemia recobra força e obriga o governo a fechar a Área Metropolitana de Lisboa, que na segunda quinzena de junho entrou na região vermelha de análise da evolução da pandemia. Deu-se, portanto, um «passo atrás» no desconfinamento e diz-se que Lisboa está «no vermelho», expressões que a rubrica A covid-19 na língua regista a par de outras, num total de oito entradas: «testes recomendados», a respeito de eventos familiares que reúnam mais de 10 pessoas(casamentos ou batizados), eventos desportivos e culturais, bem como serviços públicos e empresas com mais de 150 trabalhadores; «trabalhadores de serviços domésticos», a propósito da crise que afeta esta atividade; a designação «plataformas digitais de trabalho», em sinal de novos modos de vida e de a ganhar que a pandemia vai instalando; as frases «[O] dia em que a esperança se converte[u] em confiança» e [Os] milhões da bazuca... ainda a tempo?, alusivas aos 16,6 milhões de euros que, até agosto de 2026, Portugal receberá sob certas condições; e, por último, «sem máscara na rua», dando conta da situação contrária à vivida em Portugal, a que se verifica na França e na Espanha, onde o uso de máscara no exterior deixou de ser obrigatório.

Na imagem, Milho ao Sol (Museu Grão Vasco), de José Malhoa (1855-1933).

2. No Consultório, são sete as respostas subordinadas aos seguintes tópicos: o funcionamento do marcador pois no discurso; o uso de aonde numa oração relativa; a justificação do acento gráfico em vocábulos como mágoa ou polícia; a associação do pronome se à construção formada por pretender e infinitivo («pretendeu-se determinar»); o anglicismo crumble; a grafia dos topónimos começados por A de, como A dos Bispos (Vila Franca de Xira); e a concordância de adjetivos compostos (azul-escuro) com a palavra cor.

3. Na rubrica O Nosso Idioma, um apontamento da professora Carla Marques apresenta uma breve análise dos valores do uso na imprensa de diferentes verbos e substantivos mobilizados pela situação mediática que envolve a Câmara Municipal de Lisboa na divulgação de dados pessoais  enviados à Embaixada da Federação da Rússia, respeitantes aos três imigrantes russos em Portugal  promotores de uma manifestação contra a prisão, em Moscovo, do oposicionista Alexei Navalny .

4. Mediático foi igualmente o desaparecimento do pequeno Noah na manhã de 16/06/2021, na região de Proença-a-Velha (Castelo Branco). Felizmente, tudo não passou de um prolongado susto que chegou ao fim 36 horas depois, quando a criança, de dois anos e meio, foi encontrada com vida. A projeção mediática do desfecho ocasionou a ativação do vocabulário relevante para o caso: Noah foi «encontrado», obviamente porque andava perdido, e,  «salvo», porque deixou de ter a vida em perigo; também se disse que foi «resgatado», já que a uma operação de salvamento também se chama resgate (cf. Infopédia), com o seu quê de superlativa metáfora, nome a que corresponde o verbo resgatar, «salvar da morte ou ruína», conforme definição do dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (que dá como abonação deste uso a frase «o banheiro já resgatara muitas vidas ao mar»). Nas reportagens televisivas ouvia-se ainda uma jornalista falar de «fazer buscas», que é expressão correta e corrente, enquanto um soldado da Guarda Nacional Republicana falava em «batida», palavra que, no contexto, pôde afigurar-se estranho. Com  efeito, batida é termo da arte venatória, ou seja, da caça, empregado no sentido de «ação de avançarem (os caçadores) metodicamente pelo terreno, em linha e contra o vento, para abater a caça miúda que se levantar» (Dicionário Houaiss); além disso, pode significar um tipo de ação policial,cujo alvo está longe de ser um bebé inocente: «diligência policial realizada em lugares considerados suspeitos com o fim de busca, apreensão ou prisão» (ibidem). Mas não se pode dizer que se trate de impropriedade vocabular: é que batida também tem registo como «ato ou efeito de percorrer (povoação, mato, caminho, área) em exploração, reconhecimento, observação etc.» (ibidem).

5. Registo ainda de atividades e novidades na linguística ou filologia, com interesse para a investigação e ensino do português:

– O II Congresso Internacional em Variação Linguística nas Línguas Românicas, organizado pelo  Centro de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Aveiro, que decorre em 22, 23 e 24 de junho de 2021.

– A edição de 2021 do simpósio internacional da associação Tropo UK (Associação de Professores e Invstigadores da Língua Portuguesa), com o título Diversidade linguística do português: oportunidades e desafios pedagógicos e organização da Universidade de Glasgow (programa aqui e inscrições aqui).

– O anúncio do acesso livre à digitalização de dois dos códices mais importantes  do período galego-português, o Códice Rico e o Códice de los Músicos, que estão guardados na Real Biblioteca de São Lourenço do Escorial, em Madrid, e contêm as Cantigas de Santa Maria do rei Afonso X de Castela e Leão (1221-1284), avô do rei português D. Dinis (1261-1325).

– E o movimento que em Olivença (hoje na província espanhola de Badajoz) está a organizar-se para declarar o português como bem de interesse cultural para a cidade.

6. Nos domínios da investigação e reflexão jornalísticas, referência a iniciativas que exploram aspetos culturais associados a ambientes de língua portuguesa:

– A série documental da RTP Gente da Minha Rua, sobre o quotidiano de imigrantes de ascendência africana com vida já estabilizada em Portugal.

– Os registos áudio de Línguas, sotaques e dialetos de Lisboa, da autoria da jornalista Catarina Reis, no diário digital A Mensagem.

7. A pandemia tem contribuído para a deterioração da saúde mental das populações. Justifica-se, portanto, aqui assinalar a 1.ª Tertúlia do ciclo "O que nos dizem os livros sobre saúde mental", em 21 de junho de 2021, das 17h00 às 18h30*, a propósito do livro Maria Adelaide Coelho da Cunha: Doida Não e Não!, de Manuela Gonzaga e com organização da DDS/Divisão para a Participação e Cidadania e Divisão da Rede de Bibliotecas (formulário de inscrição aqui).

* Hora oficial de Portugal continental.

8. Nos três programas dedicados pela rádio pública portuguesa.à língua portuguesa, são temas salientes:

– A implantação do português em Timor-Leste, resistindo à concorrência do indonésio (bahasa Indonesia) e do inglês da Austrália, no programa  Língua de Todos (RDP África, sexta-feira, 18/06, pelas 13h20**), e a natureza pluricêntrica do português, a par de um apontamento sobre a expressão «direitos fundamentais», em Páginas de Português (Antena 2, no domingo, 20/06, 12h30*) – ambos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

– A linguagem do racismo, de 21 a 25 de junho, no programa Palavras Cruzadas, também na Antena 2 e conduzido pela jornalista Dalila Carvalho (segunda a sexta-feira, às 9h50 e 18h20 **).

**Hora oficial de Portugal continental.

9. Dois últimos registos de atualidade para  a atribuição ao escritor Valter Hugo Mãe do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, com o romance Contra Mimpublicado no final de 2020 pela Porto Editora; e para a professora de Filosofia na Escola Secundária de Amarante, Maria Elsa Cerqueira, vencedora deste ano do Global Teacher Prize Portugal,  para muitos «Nobel da Educação».

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Entre a flexibilização e a «corrida para salvar vidas»: assim vive o mundo neste momento, procurando um equilíbrio que sabe ser difícil, mas que visa a retoma gradual das anteriores condições de frequência dos espaços públicos e de gestão da atividade económica e profissional, ao mesmo tempo que os números das infeções continuam a crescer em diferentes pontos do planeta e, consequentemente, os números de vidas perdidas para a covid-19. Os dois termos destacados passam a integrar na rubrica A covid-19 na língua e a eles juntam-se outros nove: Boletim, «Mil milhões», «Momento histórico», «(Não) marcha atrás», Ocitocina, «Quarentena das escolas», «Sebenta da quarentena», «Tédio social» e «Trabalho híbrido». 

2. A grafia da contração da preposição a com o artigo definido a não ocorreu desde sempre com acento grave, tendo a  forma à sido determinada apenas pela Reforma Ortográfica de 1911, como se explica nesta resposta que abre as atualizações do Consultório linguístico do Ciberdúvidas. A ela junta-se uma explicação relativa à grafia do aumentativo com o sufixo -aço e apresenta-se um teste sintático fiável para identificar a função de sujeito numa frase. A construção clivada com «é que» volta a oferecer dúvidas, desta feita num contexto interrogativo, associado à flexão verbal. No Consultório, poderá ainda encontrar-se uma explicação relativa à possibilidade de omissão de pronomes átonos na frase, a identificação da classe de palavras de bastante, a sintaxe dos verbos treinar e conduzir e o feminino do substantivo paladino

3. O conceito de língua nacional é analisado pela  linguista Margarita Correia num artigo no qual recorda igualmente que em Portugal há outras línguas nacionais para além do português, nomeadamente o mirandês ou a língua gestual portuguesa (artigo publicado no Diário de Notícias, aqui transcrito com a devida vénia).  

4. Entre as efemérides recentes, destacamos o Dia Mundial do Dador de Sangue, comemorado a 14 de junho, e que este ano se converte num dia de importância acrescida, dadas as consequências negativas que a pandemia trouxe às reservas de sangue.

No Ciberdúvidas, encontram-se diversos textos com uma abordagem gramatical de palavras / expressões relacionadas com o tema: «O aumentativo e o diminutivo da palavra sangue», «Desleucocitar», «Doador ou dador?», «Ficar sem pinga de sangue», «Colheita vs. coleta», «Sangue azul», «Dador e doador».

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Voltam a subir os números da pandemia em Portugal, como que a reforçar os motivos da sua inclusão na «lista âmbar» britânica, do sistema "de semáforo" para quem tencione viajar do ou para o Reino Unido. Assinalando, portanto, mais uma semana de avanços, impasses e retrocessos no combate ao coronavírus, são sete, com a já mencionada «lista âmbar», as novas entradas na rubrica A covid-19 na língua, no qual se registam «bolha paralela», no contexto de surtos virais associados ao arranque do Campeonato Europeu de Futebol; a triste alcunha «copa da morte», para aludir às condições em que o Brasil decide realizar a Copa América; a vacina Janssen, a par dos «12 milhões» de testes feitos em Portugal; a diferença entre patologia e enfermidade; e, para designar uma das sequelas diretas ou indiretas da covid-19, o termo desmemória.

2. Entre as cinco novas questões do consultório, três centram-se na sintaxe, concretamente, na omissão do artigo definido com nomes coordenados («a ansiedade e stresse predominam...»), no uso do verbo passar com complemento oblíquo («passou a tarde na sala de jogos») e na função do grupo adjetival «laborioso  e lento» na expressão queirosiana «um manejo laborioso e lento». Completam a atualização duas perguntas: penico e pinico são a mesma palavra? E  que significará gabiar?

3. Na rubrica O Nosso idioma, a professora Carla Marques dedica um apontamento aos significados do nome cautela, aos seus contextos de uso e à sua família de palavras, na sequência do novo relevo que o nome do programa de Filomena Cautela, na RTP1: Programa Cautelar,  deu ao adjetivo cautelar no espaço público português. Na mesma rubrica, transcrevem-se ainda com a devida vénia:

– Uma crónica do jornalista e escritor brasileiro Lira Neto, que a publicou no Diário Cearense (08/06/2021), acerca das curiosas estratégias que em Portugal se adotam para evitar o pronome você, cujo uso pode suscitar «as reações mais ambíguas».

– Outra crónica, assinada pelo diplomata Francisco Seixas da Costa, no jornal digital Mensagem, (07/06/2021), com o título «Não sou de cá, só cá vim à bola!», reúne uma série de expressões alfacinhas, associadas à recordação de bairros, ruas e espaços de convívio em Lisboa.

4. Nas Notícias, dá-se conta da entrevista que Durão Barroso, ex-primeiro  português e anterior presidente da Comissão Europeia, concedeu à agência Lusa , na qual considera que a língua portuguesa merecia ser «mais conhecida» como «segunda língua». Trata-se de nu conjunto de declarações divulgadas em 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que antecipam o discurso de boas-vindas de Durão Barroso no colóquio Portugal e a sua língua no mundo, a ter lugar virtualmente em 23 de junho, integrado na iniciativa Europa. As tuas línguas, do programa Europanetzwerk Deutsch do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, e administrada pelo Instituto Goethe. Este encontro surge no contexto da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, que termina em 30 de junho.

5. Relativamente ao tempo de emissão dedicado pela rádio pública portuguesa à língua portuguesa:

– Sobre os desafios da tradução, para cabo-verdiano, da lírica de Camões e da Ode Marítima de Álvaro de Campos, fala o poeta José Luís Tavares, no programa A Língua de Todos, da RDP África (sexta-feira, 11/06/2021, pelas 13h20*; repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*). A situação do português em Timor-Leste é tema de conversa com Dulce Turquel, docente em Díli, em Páginas de Português, da  Antena 2,(domingo, 13/06/2021, pelas 12h30*;com repetição no sábado seguinte, 19/06/2021, às 15h30*). Ambos os programas são produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

– Quanto ao programa Palavras Cruzadas, também na Antena 2  – de segunda a sexta-feira, às 9h50 e 18h20, na semana de 14 a 18 de junho –, o convidado é o revisor e copidesque Luís Alho. Entre outros temas: os cuidados com apontuação, a grafia e prolação das siglas e dos acrónimos e à volta dos erros de tradução em filmes e séries da televisão ou do cinema.

* Hora  oficial de Portugal continental.