Português na 1.ª pessoa - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
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Aguardente, cultura e língua portuguesa
Do grogue à cachaça

 «O vocabulário e as expressões correntes em uma determinada língua são reflexos do desenvolvimento histórico, social e cultural dos povos que a usam, revelando como vivem, trabalham, pensam, amam e interagem socialmente. [...] Nesse amplo cenário, um dos campos semânticos curiosos [da língua portuguesa] é o que gira em torno da palavra aguardente, designação genérica de uma bebida destilada espirituosa, de alto teor alcoólico, que pode ser feita de cana de açúcar, frutas, cereais, raízes e tubérculos, entre outros.»

Crónica da linguista Edleise Mendes (Universidade Federal da Bahia) incluída no programa Páginas de Português de 19 de junho de 2022, a respeito do campo lexical da aguardente e das designações das várias bebidas destiladas produzidas em países lusófonos – entre elas, a conhecida cachaça do Brasil.

 

Churban, Holocausto e Shoah, ou da difícil nomeação

«Em França, Israel e entre a comunidade hebraica, prefere-se a palavra Shoah, do hebreu bíblico, significando catástrofe; este é também o termo preferido por quantos querem sublinhar a experiência judaica, ou se sentem pouco confortáveis com as conotações de Holocausto: Shoah enfatiza a aniquilação dos judeus, excluindo as restantes vítimas de assassínio em massa.»

Crónica da linguista Margarita Correia publicada no Diário de Notícias em 27 de junho de 2022, na qual é comentada a história das palavras churban («destruiçao»), holocausto e shoah («catástrofe») como formas de designar o extermínio de seis milhões de judeus perpetrado pelo regime nazi na Alemanha e noutros países da Europa central e oriental durante a Segunda Guerra Mundial.

Impasse e empasse
Das palavras parónimas

A relação gráfica entre impasse e empasse e os significados distintos das palavras. Este é o tema da crónica professora Carla Marques, divulgada no programa Páginas de Português, na Antena 2, no dia 26 de junho de 2022.

A Ordem dos Advogados acima da lei?!
Uma entidade pública que recusa a ortografia oficial

A decisão da Ordem dos Advogados portugueses na não aplicação da norma ortográfica oficialmente em vigor no país desde 2015  é «uma inadmissível provocação» por parte de uma entidade pública, criada pelo Estado e encarregada do desempenho de tarefas públicas de regulação e disciplina da profissão de advogado — considera o constitucionalista Vital Moreira, em texto publicado no blogue Causa Nossa, com a data de 23 de junho de 2022.

 

Agradecimentos para quê?
Ainda as respostas a quem diz «obrigado»

 «Os agradecimentos portugueses não têm fim – é uma prova da nossa cortesia. Dizem os povos mais brutos que somos uns fingidos e uns hipócritas. Ainda bem que somos. O que seria da boa educação sem o fingimento e a hipocrisia?» – reflete o escritor Miguel Esteves Cardoso em crónica saída no jornal Público em 22 de junho de 2022, na sequência de uma outra, de 20 de junho, à volta de maneiras de formular respostas a um agradecimento.

 

 

Dos nomes científicos e correntes das doenças
A propósito do termo «varíola dos macacos»

«As doenças têm um nome científico, criado pelos especialistas e muitas vezes acompanhado de uma forma abreviada, que se baseia geralmente na sua etiologia (causa); a par desse nome científico, as comunidades linguísticas criam quase sempre um ou mais nomes correntes, motivados pelos seus sintomas, sinais e outras características apreensíveis a olho nu [...].»

Crónica da linguista Margarita Correia publicada no Diário de Notícias em 20 de junho de 2022, na qual se explica a formação dos nomes científicos das doenças, se comenta o uso destes a par das denominações populares e se critica a preferência pelo termo inglês Monkeypox, a propósito dos surtos de varíola dos macacos em Portugal e noutros países.

 

A origem da palavra <i>verão</i>
Em Portugal e noutros países europeus
21 de junho, início do verão no hemisfério Norte, como é o caso de Portugal. Onde fomos buscar o nome da estação – pergunta e responde neste apontamento* o tradutor e professor universitário Marco Neves
 
* Texto transcrito, com a devida vénia, do blogue Certas Palavras, com o título original "Qual a origem da palavra Verão" (Verão com maiúscula, segundo a norma ortográfica de 1945, seguida pelo autor). Publicado, também, na plataforma SAPO 24, com a data de 21/06/2022.
Um <i>gay</i>, uma lésbica, a linguagem e algum preconceito
37 termos da linguagem inclusiva

«Chama-se ABCLGBTQIA+ e [...] propõe divulgar “a todes” o significado de 37 palavras ou expressões. Uma oportunidade para aprender o que quer dizer cisgénero, deadnaming, expressão de género, não binária, intersexo, questionamento identitário, pansexual, packing, misgendering, linguagem inclusiva, etc. [E] para aprendermos os conceitos básicos de um mundo que continua a ser novo. Não vale a pena não contar que sejam de aprendizagem instintiva. Não são.»

Artigo de opinião da advogada Carmo Afonso incluído no jornal Público em 20 de junho de 2022.

 

 

O que não lembra ao diabo
O uso de «de nada», «não tem de quê» e «ora essa»

«O “ora essa” nem tem de ser pronunciado com o costumeiro ponto de exclamação. Há o “ora essa” com reticências, comido e descrente. E até há o “ora essa?” com ponto de interrogação, tipo “mas este gajo está a agradecer-me porquê?”.»

Crónica de Miguel Esteves Cardoso incluída no jornal Público em 20 de junho de 2022, com considerações sobre a importância dos usos populares, a propósito das formas de responder em português a um agradecimento.

 

Génio, o tanas!
A falta de propriedade de alguns usos

«O mito do génio cria uma barreira de inatingibilidade. Ele está no cume, na sua redoma», afirma Vítor Belanciano, em crónica incluída no jornal Público em 19 de junho de 2022, refletindo sobre os maus usos do termo génio.

 

(O autor escreve segundo a a norma ortográfica de 1945)