Português na 1.ª pessoa - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
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“Jajar” é resistir
O advérbio na resposta a ordens

«O “jajar” é uma das grandes armas da nossa cultura. Ao “jajarmos”, fazemos com que o mandador pareça impaciente, tirânico, caprichoso e surdo.» Crónica da edição de 5 de dezembro de 2021 do jornal Público e assinada pelo escritor Miguel Esteves Cardoso, que, a propósito do uso do advérbio como resposta a ordens («já vou», «já ouvi», «já faço»), cria o verbo "jajar", um neologismo para denotar a atitude de quem acata uma ordem sem pressa e com má vontade. Mantém-se a ortografia de 1945 em que está escrito o original.

 

<i>Saramago</i>
Nome de homem e de planta

O apelido do nobel português da Literatura, Saramago, dá matéria à crónica da professora Carla Marques, que explora a origem silvestre da palavra e os sentidos que Saramago lhe acrescentou, no programa Páginas de Português, da Antena 2, do dia 28 de novembro de 2021

<i>Ómicron</i>, palavra esdrúxula
Sobre a designação oficial da mais recente variante do SARS-CoV-2

Uma nova palavra entrou no léxico da covid-19 – e pelas piores razões, como tudo o que está a atingir o mundo por via da pandemia do SARS-CoV-2  e da denominação oficial da variante B.1.1.529. Como em todas as anteriores, a Organização Mundial de Saúde optou por uma letra do alfabeto grego, a 15.ª, precisamente. Reproduzida para o português, como palavra esdrúxula, a sua grafia leva obrigatoriamente acento no primeiro o, com a correspondente prolação. Regra que não tem sido seguida na comunicação social portuguesa. como aponta a professora Lúcia Vaz Pedro.

O «<i>apartheid</i> politicamente correto»
O fator cor da pele nas traduções da poetisa negra Amanda Gorman

Um escritor negro terá de ser traduzido necessariamen por um negro? «Acreditar e/ou defender isso é uma perfeita estupidez», escreve o jornalista e escritor angolano João Melo *, a propósito da polémica  gerada nos Países Baixos em março de 2021 sobre a  tradução para o neerlandês da poesia da jovem autora norte-americana Amanda Gorman.

*Crónica originalmente publicada pela revista literária brasileira Rascunho e, depois, no jornal digital Mensagem de Lisboa, em 17 de novembro de 2021..

 

A festa antes do tempo
(Malhas que o provincianismo tece)

«[S]eria normal que as celebrações desse aniversário começassem em 16 de Novembro de 2022 e se prolongassem por um ano, até Novembro de 2023. É como se costuma fazer. Mas, desta vez, a impaciência lusíada foi tão grande, o desejo de se agitar freneticamente o milagre Nobel, em nada inferior ao outro de Fátima, foi tão impulsivo, que aí estamos nós, avançando de um ano a efeméride, e a tocar, com acintosa paixão, o tambor da glória.» Comentário do ensaísta Eugénio Lisboa, no blogue De Rerum Natura, em 17 de novembro de 2021, sobre o que ele considera a «antecedência inusitada»  dada em Portugal ao início das comemorações do centenário do Nobel da Literatura José Saramago (1922-2010). Texto escrito conforme a norrma ortográfica de 1945.

 

 Falar <i>brasileiro</i> ou falar <i>americano</i>, <br> eis a questão!
A convivência entre as variantes das línguas

«Diz uma reportagem de O Globo online, de dia 16, que Luccas Neto "anunciou que passará a dublar os seus vídeos em português ... de Portugal". Alguém imagina a Disney a dobrar os seus filmes em inglês ... de Inglaterra? Imaginam as criancinhas inglesas a fazer terapia por falarem "americano"?» – pergunta  a linguista Margarita Correia, a propósito da aprendizagem das diferentes variantes do português, num artigo publicado no Diário de Notícias do dia 22 de novembro. 

Latim nosso que estais na Terra!
Uma língua que assentou arraiais na nossa vida

«O latim está na génese da nossa língua e de tantas outras línguas novilatinas (italiano; castelhano; galego; francês; provençal; catalão; romeno, corso, sardo, rético). Daí a semelhança entre muitas das palavras destes idiomas, como podemos observar no verbo perdoar» – sublinha a autora deste artigo, Cristina Fontes, publicado no dia 21 de novembro de 2021, no Correio do Minho, onde reflete sobre a importância e a presença do latim nos dias que correm.

 

Saramago no ensino do Português
A pedagogia dos livros do Nobel da Literatura

José Saramago faria 99 anos no dia 16 de novembro de 2021. A data, que assinalou o inicio da celebração do centenário do Nobel português da Literatura, é um bom pretexto para um apanhado sobre as suas obras constantes do currículo escolar do ensino secundário, em Portugal. Uma questão ressalta de imediato: e como é estudado um autor que, não raras vezes, tanto "assusta" alunos e professores, face a complexidade das temáticas que desenvolve e a linguagem singular que  o caracteriza?

Do infortúnio das siglas
DGS, FB, LP, PIDE, PVDE, RM, RN, UN...

Sobre a sigla DGS, tão falada em Portugal nestes tempos da pandemia da covid-19 – similar a uma outra igualmente bem conhecida, mas pelas mais sinistras razões, de antes do 25 de Abril de 1974 –, esta divertida crónica da autoria do jornalista, poeta e escritor luso-moçambicano Luís Carlos Patraquim

Qual será o palavrão mais usado em Portugal?
Começará por M? Por C? Ou talvez por F?

«Há uns meses, Gaston Dorren, autor de óptimos livros sobre línguas, perguntou-me qual é o palavrão mais usado em Portugal. Há muitos, claro, mas qual é aquele que todos dizemos quando damos com o pé na esquina da porta?» É a pergunta de partida que coloca o tradutor e professor Marco Neves numa crónica publicada no seu blogue Certas Palavras, em 15 de novembro de 2021.