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Mia Couto
Mia Couto
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Mia Couto (Beira, 1955) é um escritor moçambicano. Tem uma vasta obra literária muito diversificada, que inclui a poesia, o conto, o romance e a crónica. Foi jornalista, com passagens pela Tribuna, pela revista Tempo e pelo jornal Notícias. Em 1983 estreia-se com o livro de poesia Raiz de Orvalho. Publicou, entre muitas outras obras, Terra Sonâmbula (1992), O Último Voo do Flamingo (2000), Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra (2002) do qual foi feito um filme, O beijo da palavrinha, com ilustrações de Malangatana (2006) e A Confissão da Leoa (2012). Vencedor de numerosos prémios de que se destaca o Prémio Camões em 2013.

 
Artigos publicados pelo autor
Por Mia Couto

A pequena nação, a nação da escrita, é absolutamente minoritária em Moçambique, escreve Mia Couto, relatando o caso de um camponês julgado em tribunal por desrespeito para com uma petrolífera estrangeira. «O que aconteceu na sala (…) não é senão a tradução dessa espécie de nova trindade: escrita, língua portuguesa e poder são os três nomes de uma mesma hegemónica entidade.» Crónica publicada na revista África 21 de Dezembro-Janei...

Por Mia Couto

«Tantas vezes pensada como morando no passado, África vive no futuro linguístico: quase todos os africanos são multilingues», escreve o escritor moçambicano Mia Couto, em artigo publicado na revista África XXI de Maio de 2009, que aqui se transcreve, coma devida vénia.

 

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Por Mia Couto

Há uns dias, em Maputo, deparei com dois jovens sentados no muro da minha empresa e a um deles perguntei o que ele fazia ali. A resposta veio célere:

— Não estou a fazer nada.

Fiz a mesma pergunta ao outro jovem que me respondeu com a mesma prontidão:

— Eu? Eu estou aqui a ajudar o meu amigo.

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Por Mia Couto

Moçambique é um dos 37 Estados que integra a União Latina, organização que se dispõe a valorizar o património plural e diverso do mundo que se expressa nas chamadas línguas latinas.

Por Mia Couto

Devia falar de letras, começo por números. Apenas 40 por cento de moçambicanos falam português. E falam-no como segunda língua. Só 3 por cento têm no português a sua língua materna.

O idioma português não é a língua dos moçambicanos. Mas, em contrapartida, ela é a língua da moçambicanidade. Há 30 anos, a Frente de Libertação de Moçambique, ainda na guerrilha anticolonial, viu no idioma lusitano uma arma para a unificação do país e a construção da Nação. Aquele instrumento que servira a ...