Paulo J. S. Barata - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Paulo J. S. Barata
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Paulo J. S. Barata é consultor do Ciberdúvidas. Licenciado em História, mestre em Estudos Portugueses Interdisciplinares; curso de especialização em Ciências Documentais (opção Biblioteca e Documentação) e curso de especialização em Ciências Documentais (opção Arquivo).

 
Textos publicados pelo autor

Os títulos de publicações – monografias, artigos de publicações periódicas, etc. – citados no texto, em nota ou na bibliografia devem ser mantidos de acordo com as respetivas páginas de rosto, páginas de título ou páginas de títulos substitutas, o mesmo é dizer na ortografia da época em que foram produzidos. Também não é necessário, nesses casos, a indicação [sic] que só se aplica em caso de gralha ou erro manifesto. Esta situação é análoga ao que se passa com as publicações em língua estrangeira em que também não se traduzem os títulos, mas se reproduzem tal e qual constam no original.

A este respeito, a NP-405-1 (Norma portuguesa. Referências bibliográficas: documentos impressos) refere: «a informação dada na referência bibliográfica é transcrita como se apresenta na publicação» (1994, p. 31), podendo haver alterações no que se refere ao emprego de maiúsculas, minúsculas, pontuação e abreviaturas. E mais adiante: «O título deve ser reproduzido como aparece na fonte, aplicando-se, se necessário, as normas de transliteração, de abreviaturas, de utilização de maiúsculas, etc.» (p. 36).

No mesmo sentido, as Regras portuguesas de catalogação (RPC) referem: «Os elementos das zonas 1, 2, 4 e 6 [sendo a 1 a zona de Título e menção de responsabilidade] são normalmente transcritos da própria publicação e, por consequência, apresentados na língua e na escrita em que ali aparecem» (4.ª reimp. Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal, 2010, p. 115). Ainda nas RPC, refere-se: «Os erros de impressão são reproduzidos e podem ser seguidos de [sic] ou d...

Do ponto de vista bibliográfico, idem e ibidem são dois vocábulos latinos usados em notas ou no próprio corpo de um texto para evitar a repetição completa de uma referência bibliográfica que geralmente ocorre dessa forma a primeira vez que é referida e/ou na bibliografia final.

No que se refere ao seu uso, a "doutrina" diverge. Há autores que defendem um uso e outros que defendem outro. E não há, em Portugal, uma norma – criticável ou não – que possa servir de arrimo e que claramente estabeleça o uso correto e "legítimo" dos dois termos no que se refere à referenciação bibliográfica, pelo que apenas enunciamos a prática que seguimos. Este é, pois, apenas um critério[1]. Porém, no que se refere à referenciação bibliográfica, ainda que o critério possa ser discutível, o fundamental é que seja uniforme e coerente ao longo do texto. É isso que lhe dá consistência.

Ainda que genericamente idem signifique «o mesmo, a mesma coisa», especificamente, no que se refere à referenciação bibliográfica, idem, cuja forma abreviada é id., convencionou-se significar «do mesmo autor». O mesmo se passa com ibidem, cuja forma abreviada é ibid., que genericamente significa «aí mesmo, no mesmo lugar», mas que, no que se refere à referenciação bibliográfica, se convencionou significar «na/da mesma obra».

Assim, e para sintetizar, idem, significa «do mesmo autor» e ibidem «da mesma obra».

Ibidem pode usar-se isoladamente no caso de a obra ser anónima.

Ex.:

«Romagem ao cemitério do Alto de S. João por ocasião do primeiro centenário do nascimento...

Ligatura é, como diz o consulente, o termo usado para designar os carateres que combinam duas letras num único sinal gráfico. É um termo técnico do socioleto das artes gráficas, daí que apareça, em regra, em dicionários, glossários e vocabulários especializados, mas possa não aparecer em obras de referência mais gerais, como algumas das que refere. António Vilela, no seu Prontuário de artes gráficas, define ligatura como o «traço que, na escrita e em certos carateres de imprensa, liga uma letra a outra, dentro da mesma palavra» (2.ª ed. Braga, 2008, p. 53). Ligadura não é sequer nele referido. É, aliás, residual a utilização deste termo em artes gráficas.

Registe-se, porém, que os vocábulos ligadura e ligatura têm a mesma etimologia latina, ligatura, significando «ação de ligar». Ligatura é, assim, um decalque perfeito do étimo latino e ligadura um termo mais afeiçoado à língua portuguesa. Por esta razão, ligatura é um vocábulo dado por muitos dicionários gerais como sinónimo de ligadura.

O termo ligadura é, aliás, também usado na linguagem musical para simbolizar uma ligação entre duas notas musicais. A ligadura é, neste contexto, a linha curva que se usa por cima ou por baixo das notas de música de modo a ligá-las entre si, e que indica ao executante que aquelas notas devem ser cantadas ou tocadas sem interrupção.

Ligatura/Ligadura musical

 

Ligatura/Ligadura manuscrita (ae)

Há editores que usam o que alguns chamam «composição à inglesa», em que a primeira linha do primeiro parágrafo de cada capítulo não está sangrada, isto é, indentada ou recuada em relação à margem1, mas as restantes primeiras linhas dos demais parágrafos estão.

Este é, por exemplo, o caso da História da Língua Portuguesa (Lisboa, Edições Sá da Costa, 1982, pág. 21), de Paul Teyssier, de que se reproduz o início de um dos capítulos:

O propósito da indentação nas primeiras linhas dos parágrafos é gráfico e visa orientar o leitor e facilitar a leitura. É possível que na origem da primeira linha não sangrada do primeiro parágrafo de um capítulo com «composição à inglesa» esteja o facto de justamente se tratar da primeira linha a seguir a um título, e por isso mesmo não carecer de qualquer marcação tipográfica adicional – dada pelo recuo do parágrafo – para a orientação do leitor.

 

1 Este preceito vem mencionado, por exemplo, no New Oxford style manual (2.ª ed. Oxford: Oxford University Press, 2014, p. 16): «The first line of text after a chapter, section, or subsection heading is set full out to the left-hand margin, with no paragraph indentation. The first line of every subsequent paragraph is normally indented; the style in which paragraphs are separated by a space and the first line of every paragraph is set full out is characteris...

Há diferenças. A barra oblíqua (/) é mais comum e tem múltiplos usos. Um dos mais frequentes é o seu uso na linguagem corrente com o significado de ou em palavras aparentadas (ex.: óleo/azeite) ou em oposição (ex.: água/vinho). É igualmente usada com o valor simultâneo de e e de ou na comummente utilizada expressão e/ou (ex.: «pode utilizar lápis e/ou esferográfica», ou seja, pode utilizar lápis, esferográfica ou ambos). Integra o símbolo das percentagens (ex.: 1%) e das permilagens (ex.: 1‰) e é também usada como sinal de separação em frações (ex.: ½), em abreviaturas (ex.: A/C – «ao cuidado de»; R/C - «rés-do-chão»), ou em datas (ex.: «dia/mês/ano», a ordem mais comum entre nós; ou «ano/mês/dia», a ordem mais comum nos países anglo-saxónicos). É também usada como substituto de por em expressões numéricas (ex.: «a velocidade máxima são 120 Km/h»). Ainda com o valor de ou é utilizada para indicar números de telefone alternativos (ex.: 21 798 20 00/01). E na referenciação de leis, decretos-lei e outras tipologias jurídicas usa-se para separar o número do diploma do respetivo ano (ex.: «Decreto-lei n.º 3/2017»).

Tem ainda usos em áreas mais específicas. Por exemplo, na catalogação de documentos é utilizada para separar o título da obras do(s) respetivo(s) autor(es) e de outras menções de responsabilidade (ex: Os Maias / Eça de Queirós), e nas pesquisas mais complexas em bases de dados bibliográficas – assentes na álgebra booleana, baseada na teoria dos conjuntos – um dos operadores booleanos é «OU» («OR»), por vezes representado por «/» ou por «|». Este operador «OR» permite combinar di...