Aberturas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
Início Aberturas
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Na nova abertura do Consultório, encontramos a palavra ferroviário, que designa uma profissão ligada aos caminhos de ferro. Mas como se pronuncia? O modismo «é suposto» tem sido criticado e têm sido apontadas alternativas ao seu uso. No entanto, quando supor é usado numa frase como sinónimo de considerar deve flexionar no singular ou no plural? Também uma questão relacionada com a grafia de Centro-Serra (Brasil), segundo o Acordo Ortográfico de 90. Podemos ainda encontrar respostas a questões relacionadas com a diferença entre as expressões «da parte da manhã» e «na parte da manhã», a correção das formas onde aonde numa frase específica e a diferença entre os valores aspetuais iterativo e habitual. 

A propósito do evitável modismo «é suposto», recordamos alguns esclarecimentos divulgados no Ciberdúvidas: «O dispensável estrangeirismo «é suposto»», «Ainda o modismo: É suposto...», «A praga do «é suposto»».

Primeira imagem: imagem do Museu Nacional Ferroviário de Lousado 

2. No magazine televisivo Cuidado com a Língua!, uma aula de costura motiva uma incursão pelo campo lexical da moda, passando em revista a evolução de palavras como agulha ou costurar e descobrindo o sentido da palavra pesponto ou da expressão «ter para os alfinetes». Estes e outros assuntos serão tratados no novo programa do Cuidado com a Língua!, emitido na RTP1, quarta-feira, dia 23 de outubro, depois das 21h00* (mais informações aqui). 

* Hora oficial de Portugal continental, podendo o programa ser visto, posteriormente, via  RTP Play.

 

3. No Reino Unido continua a saga da tentativa de saída da União Europeia, tendo o Parlamento britânico forçado o primeiro-ministro Boris Jonhson a enviar ao Parlamento Europeu um pedido de adiamento. No entanto, o Primeiro-ministro continua a tentar aprovar as condições de saída a 31 de outubro (ver notícia). As notícias relacionadas com este assunto trazem à atualidade linguística termos ingleses como o muito conhecido "Brexit" (amálgama de «British exit»), relativamente ao qual recordamos que, sendo uma palavra estrangeira, deve ser grafada em itálico ou entre aspas, podendo manter-se a maiúscula. Quanto à forma de pronunciar a palavra, embora o dicionário da Porto Editora só preveja "brégzit", refira-se que muitos falantes têm optado pela pronúncia "bréksit", que é também aceitável (para mais formações sobre a questão da pronúncia de "Brexit", leia-se a nota deixada aqui).

A propósito de questões linguísticas relacionadas com o tema, recordemos alguns artigos divulgados no Ciberdúvidas: "Brexit vs. Bremain", "A Torre de Babel da União Europeia, sem O reino Unido", "O inglês, língua oficial da União Europeia, mesmo depois do Brexit?", "As línguas na Europa: o que mudará com o Brexit?", "Brexit e as patentes: uma oportunidade para Portugal". 

4. Noutro ponto do globo, a ofensiva contra o povo curdo na Síria tem também ocupado as páginas da comunicação social (notícia). Cabe aqui recordar que a língua curda é uma das línguas oficiais do Iraque, que é falada por cerca de 25 milhões de pessoas, principalmente no Médio Oriente, pelas comunidades curdas do Curdistão - correspondente a parte do Irão, Iraque, Síria Turquia - e também do Líbano, Arménia e Geórgia. Esta língua tem sido ameaçada pela sua proibição na Síria e pela punição pelo seu uso na Turquia. 

5. A atualidade passa também pela Catalunha e, em particular pela sua capital, Barcelona, a «cidade angustiada» (expressão utilizada pelo jornal espanhol El Periódico), que tem sido palco de confrontos mais ou menos violentos entre manifestantes e forças da ordem, na sequência dos protestos contra a condenação pelo Tribunal Supremo espanhol dos 12 dirigentes políticos. O Ciberdúvidas tem vindo a registar diversos apontamentos relacionados com a Catalunha, entre os quais recordamos «O significado de estamento», «Orchata», «O apelido Cataluna» e a notícia de 2008 que dava conta que a língua portuguesa tem  «cada vez mais adeptos na Catalunha». 

6. Na atualidade relacionada com a língua, deixamos os seguintes destaques: 

— O lançamento da obra Assim nasceu uma língua, de Fernando Venâncio, com a chancela da editora Guerra & Paz;

— A solicitação de entrada na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) feita pelos Estados Unidos (notícia); 

— Um projeto de ensino do português em França recebeu mais de 100 candidaturas (notícia).

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Eis uma nova pergunta cujo tópico é exatamente o monossílabo à cabeça desta mesma sequência introdutória: como se analisa um enunciado começado pelo advérbio eis? Mas há mais questões: como se usam corretamente as construções de particípio, do tipo «chegado a casa, o João fez o jantar»? E que dizer do emprego de julgar numa instrução como «julgue as seguintes opções como verdadeiras ou falsas»? Os temas de sintaxe estão, portanto, em maioria na presente atualização do Consultório, ainda com espaço para falar do verbo humildar, equivalente a humilhar e ser humilde, bem como para dar atenção ao gentílico correspondente a Terras de Bouro, um topónimo do norte de Portugal.

2. Na Montra de livros, apresenta-se um livro publicado há alguns anos (a edição data de 2013), mas que justifica agora referência, dada a sua clareza e utilidade. Trata-se de Escrita em dia, editada pelo Clube do Autor e da autoria da escritora Margarida Fonseca Santos, uma obra que visa  «desbloquear e conduzir»  quem se proponha escrever pelos mais variados motivos.

3. A língua portuguesa foi levada no século XVI por comerciantes, militares, aventureiros para as mais diversas partes do mundo. Além da sua presença em diferentes continentes e do contributo que deu para a génese de várias línguas crioulas, conta-se o testemunho lexical da sua influência noutras línguas, na América, na África, na Ásia ou na Oceânia. É o caso da Indonésia, em cujo idioma oficial, o bahasa, as palavras bandeira, boneca e Natal são, respetivamente, bendera, boneka e... Natal. Na rubrica Diversidades, apresenta-se um interessante vídeo que documenta estas coincidências vocabulares num jogo com dois participantes, um falante de português e uma falante de bahasa. Trata-se  de um registo do SBS National Language Competition, concurso organizado pelo canal de rádio australiano SBS Radio para incentivar e promover o gosto pelas línguas estrangeiras na Austrália (na imagem, mapa anónimo datável de 1550, que representa o Oceano Índico e o sueste asiático; fonte: Wikipédia).

4. Vem, portanto, a propósito assinalar aqui a criação do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que passa a ser comemorado anualmente a 5 de maio, por decisão do Conselho Executivo da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), reunido em 17/10/2019. É o culminar de um processo que levou à aprovação por unanimidade de uma proposta apresentada pelos países da CPLP*, com apoio da Argentina, do Chile, do Uruguai, da Geórgia, do Luxemburgo e outros países. Entre os argumentos justificativos da comemoração conta-se o facto de o português estar entre as línguas mais faladas do hemisfério sul e historicamente constituir a que marca a primeira vaga de globalização. Para  António Sampaio da Nóvoa, embaixador de Portugal na UNESCO, o endosso por esta organização da nova data comemorativa (ver mensagem da Presidência da República Portuguesa) terá grande impacto: «[e]ntra nos calendários internacionais, o que quer dizer que ganha uma projeção do ponto de vista internacional, podendo ter consequências nos mais diversos planos»; e abre caminho para o português se tornar língua de trabalho na ONU (Organização das Nações Unidas), a par das que já têm esse estatuto, a saber, o inglês, o francês, o chinês, o espanhol, o árabe e o russo (ler notícia da agência Lusa citada pelo Público, em 18/10/2019).

* Há  10 anos que a data já era assinallada como o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP.

5. Falando de línguas, acredita-se que os seus limites geográficos coincidem com fronteiras políticas linearmente contínuas e estáveis. Um exame atento das cartas geográficas e a investigação histórica depressa levam ao desengano, como acontece mesmo em Portugal, que não reconhece a integração em Espanha de um território onde se conserva o português, Olivença. Esta e outras curiosidades sobre as fronteiras como espaços de contacto e hibridação linguística dão o mote para mais um inspirado apontamento do tradutor e professor universitário Marco Neves, que o disponibiliza no blogue Certas Palavras (publicação de 17/10/2019).

6. Quanto aos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa: a situação da língua portuguesa em Timor-Leste é tema central no Língua de Todos**,  emitido na RDP África, na sexta-feira, dia 18 de outubro, às 13h20; no programa Páginas de Português** (na Antena 2, no domingo, 20 de outubro, às 12h30), dá-se relevo à homenagem prestada nos dias 7 e 8 de outubro de 2019, no Porto, a Evanildo BecharaJoão Malaca Casteleiro no contexto da 1.ª Reunião Ordinária do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP). Mais informação nas Notícias.

** Língua de Todos, repetido no dia seguinte, sábado, dia 19 de outubro, depois do noticiário das 09h00. Páginas de Português também reptido no sábado seguinte, dia 25 de outubro, às 15h30. Hora oficial de Portugal continental,  ficando ambos os programas disponíveis posteriormente, aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Que há de errado com a frase «a medida que, causou mais impacto foi anunciada no final»? A vírgula, que está mal colocada... Para sabermos porquê, a rubrica O nosso idioma regressa ao tema das vírgulas, ilustrando-o com seis casos de uso incorreto, explicados e corrigidos num utilíssimo apontamento da autoria de Carla Marques, consultora permanente do Ciberdúvidas.

2. O Pelourinho também se centra noutra incorreção, esta devida ao deficiente conhecimento da terminologia mais básica da descrição gramatical. A que classe pertence a palavra homem? Pois claro que é um... Mas o melhor é ler o esclarecimento de Sara Mourato, a propósito de um erro de classificação ocorrido num programa televisivo.

3. São cinco as novas respostas em linha no Consultório: porque será que, em Lisboa, o Museu de Marinha não se chama «Museu da Marinha»? Como é que se formou o adjetivo inadiável? A palavra jóquer, forma aportuguesada do inglês joker,  tem plural? Desta atualização fazem parte ainda duas respostas sobre tópicos mais especializados: como se classifica a frase «a cor da parede é bonita» quanto à modalidade? E como analisar uma construção proporcional que figura num texto do grande escritor brasileiro Machado de Assis (1839-1908)? 

4. A elaboração da língua portuguesa teve, a partir de finais do século XVII, também que ver com um crescente alheamento relativamente à cultura de outras regiões da Península Ibérica, mesmo as mais próximas. Contudo, no nosso tempo, enquanto os acontecimentos na Catalunha* são natural motivo de preocupação, manifesta-se a vontade de recuperar laços que pareciam esquecidos, como é o caso da relação com a Galiza e o galego. Justifica-se, portanto, referir aqui a entrevista que o tradutor, linguista e professor universitário Marco Neves deu em 15/10/2019 ao programa de rádio A Rede Social, conduzido pelo jornalista Fernando Alves, na qual se dá relevo a O Galego e o Português são a mesma Língua?, uma das mais recentes publicações daquele autor. Explicando os motivos – a "urgência" – que o levaram a escrever este livro, Marco Neves menciona a «noção muito precisa de que a História da Língua Portuguesa tem de ser contada com a Galiza como ponto muito importante» e a inquietante perceção de «o galego estar em risco de desaparecer» (toda a entrevista aqui).

* A propósito da crise catalã e dos seus aspetos também linguísticos, ler "E se 1640 tivesse saído ao contrário?", artigo do historiador e político Rui Tavares na edição de 16/10/2019 do jornal Público.

5. Na presente semana, são temas em destaque nos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa:

– a situação da língua portuguesa em Timor-Leste no Língua de Todos*,  emitido na RDP África, na sexta-feira, dia 18 de outubro, às 13h20;

– e no programa Páginas de Português* (na Antena 2, no domingo, 20 de outubro, às 12h30), a homenagem feita a Evanildo BecharaJoão Malaca Casteleiro na 1.ª Reunião Ordinária do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa COLP), que se realizou nos dias 7 e 8 de outubro de 2019, no Porto.

Mais informação nas Notícias.

* O  Língua de Todos é repetido no dia seguinte, sábado, dia 19 de outubro, depois do noticiário das 09h00. O Páginas de Português também tem repetição no sábado seguinte, dia 25 de outubro, às 15h30. A hora é a oficial de Portugal continental,  ficando ambos os programas disponíveis posteriormente, aqui e aqui.

6. Um registo final para o 23.º programa da 10.ª série do magazine televisivo Cuidado com a Língua!, que passa na quarta-feira, dia 16 de outubro, na RTP1 (depois das 21h00*). Numa visita guiada ao Palácio de Belém, revela-se  um conjunto de curiosidades histórico-linguísticas em torno da residência oficial do Presidente da República português (notícia aqui).

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1.  Em Moçambique, têm lugar, em 15 de outubro, as eleições gerais e das assembleias provinciais. No plano linguístico, a campanha que decorreu ao longo de 43 dias não foi alheia à inovação lexical, como o comprova o uso do termo showmício para designar os eventos que fecharam a campanha (cf. notícia). Esta expressão designa uma "reunião pública de cidadãos em que se combina música e discursos de cariz político" (Dicionário Priberam) e trata-se de  um termo já dicionarizado, previsto para a variante brasileira do português. Este momento importante na vida dos moçambicanos leva também a que aqui recordemos algumas questões linguísticas que têm sido tratadas no Ciberdúvidas, nomeadamente o facto de neste país o português ser falado por cerca de 39% dos moçambicanos. Esta variedade do português tem evoluído sobretudo no plano fónico e, em parte, no plano sintático, como explica Perpétua Gonçalves, linguista moçambicana, que estudou também a génese do português de Moçambique (obra apresentada aqui). Outros artigos importa recordar: «Escrita, língua portuguesa e poder em Moçambique», «Moçambique ratifica Acordo Ortográfico» e «A reinvenção da língua portuguesa em Moçambique». 

2.  Diferentes situações do quotidiano motivam quer a criação lexical quer a recuperação de palavras já existentes (mais ou menos adormecidas). Mas, é também possível que se assista à utilização de palavras que, na verdade, não existem ou que não têm necessidade de ser criadas. Na nova atualização do Consultório, encontramos situações desta natureza nas palavras "impatríota" e micragem. No plano das classes de palavras, é a palavra incessantemente que motiva uma dúvida sobre a sua inserção numa dada subclasse. Por fim, uma questão relacionada com a possibilidade de flexionar no plural a locução «tal que». 

3. A banalização da palavra declaração tem contribuído para que esta perca o traço semântico de alguma solenidade que assumia em tempos passados. Quem o constata é o jornalista Luís M. Faria, num artigo (originalmente publicado na Revista do semanário Expresso do dia 12/10/2019) que demonstra como os verbos dizer ou afirmar parecem ter caído em desuso, pois atualmente quem quer marcar o espaço mediático «faz declarações».  

4. O alcance da língua portuguesa no mundo é um facto notável que fica bem patente não só no seu atual número de falantes como também na influência que esta deixou noutras línguas. Prova disso é o pequeno vídeo da SBS rádio, que destaca um conjunto de palavras comuns entre o português e o bahasa indonésio, uma língua adaptada com base nos modelos do malaio e do neerlandês. Estima-se que esta língua tenha mais de 100 palavras herdadas do português. 

5. O 23.º programa da 10.ª série do magazine televisivo Cuidado com a Língua!  passa na quarta-feira, dia 16/10/2019, na RTP1 (depois das 21h00*), com uma visita guiada ao Palácio de Belém. Em foco  um conjunto de curiosidades histórico-linguísticas em torno da residência oficial do Presidente da República português (notícia aqui). 

6.  Alguns destaques relacionados com a língua e as suas diversificadas áreas de influência: 

— O jornal digital brasileiro Nexo divulgou um artigo que elenca os nomes de bebés mais populares em 2017, em São Paulo. Entre os nomes do género feminino, encontramos Maria, Ana e Alice, e entre os do género masculino, Miguel, Davi e Arthur (ver notícia);

— A língua portuguesa é oferecida no sistema de ensino em 33 países, facto que resulta do esforço de consolidação e expansão do ensino da língua portuguesa no mundo, uma das metas do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua (ver notícia). 

 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1.ortoépia é uma área que exige uma constante atenção porque as formas de pronunciar as palavras estão sujeitas a uma constante evolução. Não raro, uma mesma palavra associa-se, sincronicamente, a diferentes possibilidades de pronúncia. É o que acontece com rapsódia, cujo s tanto se pronuncia [s] como [z]. Qual será a forma correta? As diferenças verificadas na forma de pronunciar as palavras são, muitas vezes, mais evidentes quando cotejamos diferentes variedade do português. Esta realidade fica bem patente nas flutuações de pronúncia de sc entre as variantes de português europeu e brasileiro. A pontuação, nomeadamente a vírgula, constitui uma das áreas críticas da escrita. No caso específico das construções proporcionais, quais as vírgulas exigíveis? A seleção lexical também pode oferecer dúvidas. Por exemplo, quais as diferenças entre manejável e maneável? Para concluir, na nova atualização do Consultório, identifica-se a função sintática dos constituintes «de ténis» e «de vestido» quando surgem com os verbos correr sair. 

Na imagem, Henry Fawcett; Dame Millicent Fawcett, de Ford Madox Brown, 1872. 

2. A lexicógrafa Ana Salgado divulga um novo artigo na plataforma Gerador, abordando questões relacionadas com a acentuação: «Acentuo ou não acentuo – eis a questão». Este tema tem sido também profusamente tratado no Ciberdúvidas. Recordamos aqui algumas respostas que trataram diferentes assuntos relacionados com a acentuação: «Regras de acentuação», «Abreviaturas / acentuação», «Acento grave e acento agudo», «Regras de acentuação (II)», «Acentuação anteproparoxítona», «Acentuação das paroxítonas», «Ortografia e acentuação gráfica», «Regras de acentuação com base morfológica». 

3. O termo cateterismo entrou no léxico ativo dos portugueses esta semana quando o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou que teria de realizar este exame (anúncio feito no programa Alta Definição, que irá para o ar no sábado, 12 de outubro, na SIC). O termo cateterismo, que se refere a um exame que consiste na introdução de um cateter na artéria, para identificar o seu calibre e problemas associados, já foi tratado no Consultório do Ciberdúvidas, numa análise ao seu sentido e à sua formação. 

4. A atualidade relacionada com a língua e a literatura merece alguns destaques: 

— A atribuição do prémio Nobel da Literatura, referente aos anos de 2018 e de 2019, a dois autores europeus: a escritora polaca Olga Tokarczuk * e o dramaturgo austríaco Peter Handke* (notícia completa aqui);

* N.E. (14/10/2019)O apelido da escritora polaca, Tokarczuk, articula-se aproximadamente como "tokártchuk" (ouvir aqui). O do autor austríaco, Handke, soa "hantke" (ouvir aqui).

— O FOLIO, Festival Literário Internacional de Óbidos, decorre em Óbidos entre os dias 10 e 20 de outubro, propondo um vasto programa de atividades de âmbito literário e cultural em diversos espaços desta vila medieval (programa aqui).

5. A 1.ª reunião ordinária do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa é o tema central dos programas produzidos para a rádio pública portuguesa pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, os quais contam com a participação de Ana Paula Henriques, linguista angolana, José Pedro Ferreira, investigador português, e Luís Faro Ramos, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (notícia aqui).

 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Em Portugal, sente-se a sedução dos anglicismos até nas expressões mais afetivas. Na televisão, dê-se o exemplo de um programa de cozinha do canal 24Kitchen – em inglês, como não podia deixar de ser –, intitulado A Sentada, cujas competentes demonstrações de arte culinária são sublinhadas pelo enunciado «yummy and delicious» («apetitoso e delicioso»), um lema simpático que faz a diferença... à inglesa. Mas este gosto anglicista vai mais longe e chega mesmo à declaração de amor à pátria, como revela Sara Mourato na rubrica Pelourinho, com um comentário ao título do concurso I ♥ Portugal, ou seja, I love Portugal. Porque não Adoro Portugal, em vernáculo, como é costume nas versões deste programa produzidas noutros países europeus?

2. Cultor da língua portuguesa e profundo conhecedor da tradição literária europeia, o escritor, poeta e tradutor português Vasco Graça Moura (1942-2014) publicou em 2001 o livro Testamento de VGM  (reeditado pela Quetzal Editores em 2019). Desta coleção, a Antologia seleciona um poema, alusivo ao árduo manejo das palavras.

3. Os bons escritores podem dormitar e cometer erros, como qualquer outra pessoa. A propósito desta possibilidade, o consultório retoma uma frase de Júlio Dinis (1839-1871)  cuja correção continua a suscitar reservas. A presente atualização traz também questões sobre terminologia gramatical,análise sintática, classes de palavrasderivação e onomástica.

4. Terminou a 1.ª Reunião Ordinária do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP), que o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e a Universidade do Porto organizaram na referida cidade nos dias 7 e 8 de outubro p.p. No documento final, assinado por especialistas da Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e Timor-Leste, reconhece-se a importância do Vocabulário Comum da Língua Portuguesa (VOC) e definem-se os seguintes eixos de atuação: o aprofundamento da sistematização das regras ortográficas do português; a ampliação do corpo de conhecimentos sobre a ortografia e estabelecem-se «três eixos de atuação» para a promoção e coesão da língua entre os diferentes Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP); e a criação de corpora' (conjunto de textos escritos e registos orais) de «dimensões comparadas e com equilíbrio semelhante» para as variedades do português dos Estados-membros da CPLP. Durante a reunião foi eleita a comissão de coordenação deste novo órgão do IILP, atribuindo-se temporariamente a direção ao filólogo e gramático brasileiro Evanildo Bechara, com Inês Machungo (Moçambique) e José Pedro Ferreira (Portugal). À comissão cabe, para já, a tarefa de supervisionar o regulamento do COLP, para redação do qual foi criada uma comissão coordenada pelo linguista angolano Silvestre Estrela (fonte: notícia da agência  Lusa conforme publicação no País ao Minuto). No primeiro dia da reunião, foi prestada uma homenagem a Evanildo Bechara e ao filólogo e dicionarista português João Malaca Casteleiro (ver aqui o discurso alusivo, proferido pela presidente do Conselho Científico do IILP, a professora universitária e linguista Margarita Correia).

5. A 1.ª Reunião Ordinária do COLP é igualmente o tema central desta semana nos programas Língua de Todos e Páginas de Português, que a Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa produz para a rádio pública portuguesa. Foram ouvidos vários participantes, entre eles, a linguista angolana Ana Paula Henriques, o investigador português José Pedro Ferreira, que integra a comissão portuguesa junto do Conselho da Comissão Científica do IILP, bem como o presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Luís Faro Ramos. 

O programa Língua de Todos é transmitido pela RDP África na sexta-feira, 11 de outubro, às 13h20* (com repetição no sábado, dia 12 de outubro, depois do noticiário das 9h00*). O Páginas de Português tem emissão na Antena 2 no domingo, 13 de outubro, às 12h30* (com repetição no sábado seguinte, 19 de outubro, às 15h30).

*Hora oficial de Portugal continental, ficando depois os programas Língua de Todos e Páginas de Português, disponíveis, aqui e aqui, respetivamente.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. As eleições legislativas tiveram lugar em Portugal ontem, dia 6 de outubro, tendo os resultados ditado a vitória do Partido Socialista, embora sem uma maioria absoluta, o que implica que o partido terá de procurar um acordo com um ou mais partidos políticos de modo a garantir estabilidade governativa. Com efeito, na noite da contagem dos votos e da divulgação faseada dos resultados, a palavra que provavelmente mais se ouviu nos meios de comunicação social, repetida por jornalistas, políticos e comentadores, foi acordos. E porque as hesitações e as oscilações na forma de pronunciar a palavra continuam a ocorrer, justifica-se que se recorde que a pronúncia correta da palavra no singular como no plural é com "o" tónico fechado(/acôrdo/ e /acôrdos/), tal como já se recordou em diversas ocasiões (aqui, aqui e aqui).

Dado que este acontecimento político, de relevo nacional e internacional, vai motivar muitas páginas escritas e muitas intervenções orais a propósito de todos os cenários que se vão desenhar, relembremos algumas respostas do Ciberdúvidas que abordam questões linguísticas relacionadas com esta temática: «Eleição e Eleições», «Eleições eleitorais», «Haverão eleições, diz Costa. E diz mal», ««Eleito como» e «considerado como»», «Elegível e legível», «Ganhado», «Plural de eleitor-fantasma», «Reeleito + arreia (arrear)», «Precariedade e não «precaridade»». 

2. A teoria dos géneros textuais constitui um dos enquadramentos teóricos fundacionais dos programas de português do ensino básico e secundário em Portugal. Neste contexto, a publicação Ensinar géneros de texto: conteúdos, estratégias e materiais adquire extrema importância não só pela pertinência do tema como também por reunir um conjunto de propostas que contemplam uma abordagem teórico-didática de diferentes géneros textuais estudados em contexto escolar. Uma obra coordenada por Antónia Coutinho e Noémia Jorge, editada com o apoio do Centro Luís Krus / Escola de Verão da Nova (FCSH) / Associação Professores de Português / Porto Editora e apresentada na Montra de Livros.

3. A realidade política e os seus contornos dão azo a que a criatividade linguística procure todo o seu esplendor de forma a traduzir as realidades que vão tendo lugar e também as opiniões de quem as observa e analisa criticamente. Todas estas perspetivas parecem estar encerradas na nova palavra bolsomínion, aplicada à realidade política brasileira, cuja formação e grafia se explicam na nova atualização do Consultório. O nome estratégia, muito recorrente em domínios lexicais do foro político e de âmbito militar, é também tratado para dar conta do consenso existente em várias línguas europeias relativamente à sua etimologia. Não menos militar é a expressão «abrir fogo», cuja regência preposicional também aqui se analisa. «Não me diga», expressão de espanto, de interrogação ou de afirmação, motiva dúvidas quando à pontuação que a ela se deve associar e que aqui se esclarece. Por fim, a possibilidade de dar ordens de forma indireta e através de frases interrogativas é também  motivo de reflexão associado à frase «Você pode ver que dia é hoje?»

4. O uso excessivo de estrangeirismos em língua portuguesa está em foco no magazine Cuidado com a Língua!, emitido na quarta-feira, dia 9/10, na RTP1, a partir das 21h00 (hora oficial de Portugal continental) – com uma abordagem de realidades muito distintas, da loja vintage  ao drink ao final do dia (notícia aqui). 

5.  Como já aqui foi noticiado, a  1.ª Reunião Ordinária do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP) tem lugar hoje e amanhã (7 e 8 de outubro). Neste encontro inaugural procurar-se-á definir áreas prioritárias de intervenção do órgão agora constituído. Neste mesma reunião, terá lugar uma homenagem a Evanildo Bechara, professor, gramático e filólogo brasileiro, e ao filólogo português João Malaca Casteleiro (mais informações aqui).

 

6. Entre os acontecimentos relacionados com aspetos da língua, destacamos aqui: 

— A atribuição do prémio Nobel da Medicina (a ter lugar no dia de hoje), que motiva um alerta para a forma como se pronuncia a palavra Nobel (recorde-se aqui e aqui);

— O restauro, em Espanha, do testamento de Fernão de Magalhães, um original de 1519, que foi escrito pelo navegador antes de iniciar a viagem de circum-navegação, do qual apenas resta um fragmento (embora se possua uma cópia do texto integral), que foi identificado há dez anos. Trata-se de um documento de grande interesse histórico e também linguístico. 

 

 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Recorre-se à metáfora, quando se diz que esta ou aquela palavra foram "torcidas" ou "esvaziadas" de sentido para defesa de interesses obscuros, como é o caso de verdade, tantas vezes pronunciada – ou "seduzida" – em apoio de mitos e mentiras. Em O nosso idioma, Carla Marques, consultora permanente do Ciberdúvidas, deixa um apontamento em forma de diálogo, em que um dos interlocutores revela alguns dos paradoxos (e artifícios) da comunicação político-institucional. Na mesma rubrica, Sara Mourato comenta um neologismo – em português, praticamente por vir – que dá que fazer aos media de língua espanhola: trata-se do anglicismo pedophrasty, recorrente nas críticas dirigidas à jovem Greta Thunberg e aos seus apoiantes, no contexto dos protestos contra a crise climática. Que significa ao certo? Como adaptá-lo ao português?

Na imagem, programa de A Cadeira da Verdade, comédia de Ramada Curto (1886-1961), que foi levada à cena no Teatro da Trindade (Lisboa) em fevereiro de 1932. Fonte: MatrizNet.

2. Nesta atualização do consultório, mais perguntas: como empregar «tanto quanto» e «tão quão»? Querendo especificar palavras como tipo ou formato, diz-se «formatos de anúncio» ou «formatos de anúncios», ou seja, associa-se-lhes um nome no singular ou no plural? Se já existe calculador, calculante e calculista, qual a necessidade de outro adjetivo com significado semelhante, calculativo? Por último, retoma-se um problema de sintaxe: o da forma o que, cujo uso frásico tem uma análise dependente do modo como se vê a sua estrutura interna.

3. Realiza-se a 1.ª Reunião Ordinária do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP)  na Casa de Pernambuco, no Porto, nos dias 7 e 8 de outubro de 2019, com organização do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), em parceria com a Universidade do Porto. Do encontro, são anfitriões o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva; o reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira; e o presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Luís Faro Ramos. Após a sessão de abertura, terá lugar uma homenagem aos académicos Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, e João Malaca Casteleiro, da Academia das Ciências de Lisboa, promovida pela equipa central do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), com apoio do IILP e da Universidade do Porto (pormenores na rubrica Notícias).

4. Em Portugal, a história e a atualidade justificam o registo de duas datas importantes:

– Comemora-se a 5 de outubro o aniversário da implantação da República, um acontecimento que teve ampla repercussão não só institucional mas também linguística, dado ter criado as condições para a grande Reforma Ortográfica de 1911, cujos princípios constituem a base dos acordos ortográficos posteriores.

– Em 6 de outubro, realiza-se em Portugal a eleição da Assembleia da República, da qual saírá também o novo governo constitucional português.  Vale a pena recordar a Abertura de 30 de setembro de 2015, nas vésperas das últimas eleições legislativas realizadas em Portugal, em 4 de outubro desse ano. Se a palavra que marcara a anterior legislatura (2011-2015) era troica, num contexto de crise económica e financeira, sem grande hesitação se dirá que foi geringonça o vocábulo que deu o tom à vida política portuguesa em finais de 2015. O seu uso intensificou-se, inicialmente como maneira depreciativa de referir o acordo político que viabilizou então a formação de governo. À volta da origem de geringonça, consultem-se os seguintes artigos e respostas: "475 anos de geringonça" ; "Geringonça, a palavra que deu a volta ao texto"; "O bom e o mau uso do léxico político no jornalismo"; "A Geringonça, mas a da 'Esopaida' de António José da Silva"; "A geringonça vocabular do ano". A propósito da linguagem política e do vocabulário das eleições, sugere-se ainda a leitura de:   "Características do discurso político"; "Metáforas do discurso político";"A língua em termos de eleições";  "Algumas figuras de estilo"; "Eleições e eleições" , "Cartazes eleitorais"; "'Haverão eleições', diz Costa. E diz mal"; "Política"; "Política II"; "Ética na política"; "A classe de palavras de político"; "Concordância: 'ela é um dos políticos'"; "Deputados à/da Assembleia"; "'Deputado a' e 'deputado 'a'"; "Botar + votar + deitar"; "O vocábulo arruada".

Fonte da imagem: Unsplash.

5. Falando ainda de atualidades, mas noutros quadrantes de atividade ou noutros âmbitos geográficos:

– O Brasil é notícia graças a iniciativas na promoção do português, como é o caso dos cursos de língua portuguesa promovidos em Camboriú, no estado de Santa Catarina, dirigido a mulheres provenientes do Haiti, com vista à sua integração.

– Estão abertas até 30/11/2019 as inscrições na 11.ª edição do Festival Itinerante do Cinema de Língua Portuguesa (FESTin), um acontecimento realizado anualmente, que visa difundir e desenvolver o cinema nos países de língua portuguesa.

6. Espaço ainda para um registo triste, o da morte de um dos mais velhos alfarrabistas de Portugal, o livreiro João Rodrigues Pires, que era o proprietário de O Mundo do Livro, uma livraria do Largo da Trindade, em Lisboa.

Fonte da imagem: Jay Clark em Unsplash.

7. O livro Comunicar com sucesso, de Sandra Tavares Duarte, e a obra do escritor António Lobo Antunes, abordada numa entrevista à professora Maria Alzira Seixo, são, na presente semana, os temas dos programas produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para a rádio pública portuguesa.

Língua de Todos, emitido na RDP África – na sexta-feira, dia 4 de outubro, às 13h20, com repetição no dia seguinte, sábado, dia 5 de outubro, depois do noticiário das 09h00 – e  Páginas de Portuguêsna Antena 2, no domingo, dia 6 de outubro, às 12h30, com repetição no sábado seguinte, dia 12 de outubro, às 15h30. Hora oficial de Portugal continental,  ficando ambos os programas disponíveis posteriormente, aqui e aqui.

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. A história da língua portuguesa é rica, diversificada e complexa. Deste processo evolutivo fazem parte pequenas histórias de palavras que nós, falantes, tanto gostamos de conhecer. Cada uma é curiosa, rica e, não raro, inesperada. Nesta atualização do Consultório, vamos ao encontro da história da utilização do pronome vós dirigido a um interlocutor singular. Por aqui passam também dúvidas geradas pela paronímia das expressões «às vezes» e «há vezes», acompanhadas de hesitações relacionadas com a correção do uso da vírgula após a expressão «e você» e com a classificação da palavra nunca. As exceções que a própria língua cria às suas regras ficam patentes num caso de concordância siléptica entre o nome gente e um possessivo e nas possibilidades de uso ou omissão do artigo indefinido

Na  primeira imagem: Notícia de Torto, manuscrito datado de 1211 -1216, considerado o texto não literário mais antigo redigido em língua portuguesa. 

2.  A história da origem da palavra circo e do significado da expressão «andar na corda bamba» estarão em foco no magazine televisivo Cuidado com a Língua!, que regressa à RTP1, às quartas-feiras, a partir das 21h00, com início hoje, 2 de outubro. As questões lexicais abordadas no programas estarão enquadradas no tema do ensino-aprendizagem das artes circenses, o que levará também ao tratamento do léxico de natureza circense (notícia aqui).

3.  O Dia Mundial do Vegetarianismo, comemorado no dia 1 de outubro, traz-nos uma história de outra palavra pela pena de Nuno Alvim, presidente da Associação Vegetariana Portuguesa, que, no P3, separata do jornal Público, divulgou uma crónica, aqui transcrita com a devida vénia, que vai em busca da origem da palavra vegetariano, a qual tem uma relação estreita com a história do próprio movimento. Fica a questão: qual a relação de Pitágoras de Samos e da crença na migração das almas com a origem do vegetarianismo?

4.  Das várias notícias relacionadas com a língua, destacamos as seguintes:

Marco Neves, tradutor e docente universitário, lançou um novo projeto onde aborda questões relacionadas com a língua e a tradução. No sítio intitulado Cinco Palavras, o autor divulga, em pequenos episódios, textos gravados cujo tema se desenrola em torno de cinco palavras; 

Augusto Santos Silva, ministro dos negócios estrangeiros português, numa entrevista à ONU News referiu que a língua portuguesa é, de acordo com dados da UNESCO, uma das três línguas do mundo que mais vai crescer, sendo expectável que este crescimento assuma uma dimensão significativa em África. Estima-se que neste continente o número de falantes atingirá os 500 milhões ao longo do século XXI. A ocorrer este fenómeno, a língua portuguesa passará a ter mais falantes em África do que no Brasil, país onde atualmente se concentra o maior número de falantes da língua (notícia disponível no sítio Plataforma); 

— Do Canadá chega-nos a notícia de que a comunidade portuguesa de Kingston envida esforços para assegurar a manutenção a longo prazo do curso de português existente na Universidade de Queen's. Para tal, realizou um evento de angariação de fundos, que, em conjunto com as verbas da universidade e do Camões – Instituto da Língua e da Cooperação, permitirão a continuidade do projeto;

– O 30.º aniversário da Priberam, empresa que, em Portugal, se tornou pioneira na criação de dicionários em linha, ao criar o conhecido Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (mais informação aqui).

5. A obra do escritor António Lobo Antunes, abordada numa entrevista à professora Maria Alzira Seixo, e o livro Comunicar com sucesso, de Sandra Tavares Duarte, serão os temas dos programas de rádio produzidos pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Com verbos e adjetivos, é frequente hesitar quando se trata de preposições: dê-se o exemplo de rumar, compatível quer com a preposição a quer com para: «rumar a» e «rumar para»; ou o do adjetivo propício, que aparece também com ambas preposições. Nas novas perguntas em linha no consultório, apresenta-se um caso semelhante, o de adaptar: aceita-se «adaptei este romance para o cinema», ou só «adaptei este romance ao cinema» é a frase correta? A interpretação do pronome o também suscita dúvidas, conforme acontece com a questão sobre uma frase do escritor português Júlio Dinis (1839-1871). Igual fonte de equívoco pode ser a comunicação entre falantes do Brasil e de Portugal, quando se emprega meia (= seis) nas conversas ao telefone, tópico que ainda faz parte da presente atualização, a par de outros dois: um a respeito da boa formação de estacionariedade; e outro, relativo à ocorrência da contração à  (a chamada crase no Brasil) num contexto bem macabro, a nota de suicídio do político brasileiro Getúlio Vargas (1882-1954).

2. Falar em público com desembaraço e eficácia não se exercita como competência inata; pelo contrário, adquire-se com a experiência continuada. Para quantos queiram saber mais sobre técnicas de expressão oral e escrita, a Montra de Livros apresenta uma obra recentemente lançada em Portugal: trata-se de  Comunicar com Sucesso, da autoria de Sandra Duarte Tavares, consultora linguística e de comunicação.

3. A história das palavras desempenha um papel central na investigação em toponímia (ou toponomástica). Em Portugal, estes estudos parecem longe dos tempos áureos de Leite de Vasconcelos (1858-1941), mas a olisipografia (ou olissipografia), ou seja, os estudos sobre a  cidade de Lisboa, mantém vitalidade. Vem, portanto, a propósito falar aqui da história do microtopónimo lisboeta «travessa do Fala-Só» (freguesia de Santo António), de acordo com um interessante apontamento publicado em 29/09/2019 no blogue Toponímia de Lisboa. Uma curiosidade, entre outras reveladas por este pequeno artigo: o referido arruamento chamava-se «beco do Fala-Só», mas, em 1877, a pedido de vários moradores, foi-lhe mudada a denominação descritiva, de beco, de conotação negativa (disfórica), para travessa, termo bem mais positivo e de maior dignidade.

Mudanças toponímicas como estas não são insólitas. Basta evocar um caso bem conhecido na região de Lisboa, o de Aldeia Galega, cujos habitantes, ao que parece, por acharem desprestigiante ou pouco patriótico o nome desta povoação, viram satisfeito em 1930 o seu desejo de a localidade passar a ser chamada Montijo, outro topónimo local (mais informação aqui). Recorde-se ainda que a disciplina dedicada ao estudo da capital portuguesa deriva o seu nome  – olisipografia ou olissipografia – da forma que Lisboa tinha na Antiguidade: Olisipo, de origem pré-romana (ver programa Cuidado com a Língua!, II série, 2008).

4. Entre as atividades para promoção da língua portuguesa, são notícia:

– o anúncio do lançamento do Dicionário Analógico do Português do Brasil, uma da plataforma digital destinado ao ensino da língua a estrangeiros e desenvolvida na Universidade de Brasília;

– a angariação de fundos levada a cabo pela comunidade portuguesa na área de Kingston, no leste do Canadá, para financiar o curso de Português na Universidade de Queen's, na mesma cidade;

– a realização da 1.ª Reunião Ordinária do Conselho de Ortografia da Língua Portuguesa (COLP), pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), em parceria com a Universidade do Porto, nos dias 7 e 8 de outubro de 2019, nas instalações da referida universidade.

5. Por último, uma informação: a Ciberescola da Língua Portuguesa, plataforma digital de ensino que desenvolve a sua atividade no âmbito da Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, abriu inscrições nas aulas de Português como Língua Estrangeira (PLE) que vai realizar ao longo do ano letivo de 2019-2010. Pormenores nas Notícias.