Aberturas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
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Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Numa altura em que Portugal atinge o número de «5 milhões» de vacinas administradas e no Japão se vive a «quarta vaga» de covid-19, o percurso da pandemia continua a colocar desafios relacionados com o facto de estarmos perante uma «infeção perversa» ou com a definição de «parâmetros epidemiológicos». Coloca-se também em primeiro plano o conflito entre o «interesse individual e o bem comum» ou as consequências do isolamento prolongado nas amizades. Em paralelo, cresce a preocupação dos cientistas relativamente à possibilidade de transmissão humana do vírus H5N8, responsável pela gripe aviária. A estas expressões destacadas juntam-se ainda «vírus de disseminação endémica e sazonal», «vírus de disseminação pandémica» e «economia de guerra», num total de 10 novas entradas para O Léxico da Covid-19

Segunda imagem: anticorpos contra a covid-19 

2. O Consultório recebe novas respostas relacionadas com as regências do adjetivo tarimbado e do verbo dependurar. Os valores dos tempos verbais continuam a levantar dúvidas, como se ilustra com as respostas «"Deixas-me curioso" vs. "Deixaste-me curioso"» e «A coocorrência das duas formas de mais-que-perfeito (simples e composto)». Apresentamos também duas questões relacionadas com a identificação de funções sintáticas de predicativo do sujeito e de complemento indireto, complemento oblíquo e modificador do grupo verbal. Por fim, um esclarecimento quanto à grafia da expressão «de má fama». 

3. A identificação de uma deputada pela cor da pele, numa notícia da agência Lusa, levantou a questão da ideologia subjacente ao uso de adjetivos como preto, o que deu mote à crónica da professora Carla Marques (no programa Páginas de Português, da Antena 2, aqui transcrita).

4. Os usos de viva, ora como verbo ora como interjeição, são explicados pela professora Maria Regina Rocha no apontamento «Morram as pandemias!», motivado pelo título de uma crónica do provedor do leitor do jornal Público, do dia 1 de maio de 2021: «Viva as pandemias!» 

5.  A abordagem da narrativa épica Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, na perspetiva do seu ensino e aprendizagem, constitui a matéria do texto da professora Lúcia Vaz Pedro, disponível na rubrica Ensino, no qual aborda o estudo da obra como o culminar de um percurso de três anos (no 3.º ciclo do ensino em Portugal).  

6. A questão do erro, visto tanto na perspetiva dos gramáticos como na dos linguistas, é explorada pelo linguista Aldo Bizzochi no artigo «Afinal, existe ou não existe erro de português?» (aqui transcrita com a devida vénia). 

7.  Entre as notícias relacionadas com a língua, destaque para o lançamento do manual escolar A Par e Passo (Edições Asa – Leya), da autoria das professoras Carla Marques Ana Paula Neves (notícia aqui). 

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1. A crise sanitária causada mundialmente pela covid-19 está longe de debelada, mas velhos problemas voltam a ter lugar destacado na atualidade, e disso são sinal os bombardeamentos na faixa de Gaza e a entrada descontrolada de imigrantes em Ceuta. Em Portugal, as preocupações são outras: entre avanços e recuos locais do desconfinamento, anuncia-se o regresso dos turistas do Reino Unido. É, pois, sobretudo a aspetos inerentes à vacinação que aludem as dez novas entradas em O léxico da covid-19: ampolacentro de vacinação», Dia D, picadela, «raspadinha covid», recobro, «soro fisiológico», ultracongelação , «vacinações absurdas» e «vacinação adversa».

2. No domínio do nutricionismo, anunciam-se serviços não de «aconselhamento nutricional», mas de nutricoaching, termo de uso muito discutível, porque, apesar da sua aparência anglo-saxónica, os dicionários de língua inglesa não o registam, conforme se comenta numa das novas respostas do Consultório. Juntam-se sete outras questões, a respeito dos seguintes tópicos: o galicismo buffet; a classificação de manter-se como verbo copulativo («mantém-se no hospital); o infinitivo introduzido pela preposição a; o ponto e vírgula a introduzir orações coordenadas; os valores habitual e genérico do presente do indicativo; o aspeto imperfetivo; e o significado do substantivo paguel.

3. Uma notícia da agência Lusa causou mal-estar nos meios jornalístico e político por nela ocorrer um termo racista. No Pelourinho, transcreve-se, com a devida vénia, a crónica que, a propósito do incidente, o humorista Ricardo Araújo Pereira escreveu para a edição de 20/05/2021 da revista Visão.

4. Na Montra de Livros, uma breve nota apresenta Todas as Palavras que Hão de Vir, uma edição digital gratuita do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. É um pequeno livro que, como forma de assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa de 2021, reúne depoimentos de 16 escritores de oito países da CPLP à volta de memórias e considerações motivadas pelo português, .

5.  Acerca da ideia de lusofonia, continua a polémica desencadeada por Sérgio Rodrigues na Folha de S. Paulo em 12/05/2021 –cf. "O brasileiro já é a língua do Brasil?", nas Controvérsias. Uma primeira réplica do historiador e político Rui Tavares encontrou novo eco em Sérgio Rodrigues (Folha de S. Paulo, 19 de maio de 2021) e até suscitou a reação do jornalista Nuno Pacheco, que se juntou ao debate no jornal Público (em 20/05/2021). Às críticas acérrimas às políticas de unidade da língua, o historiador e político Rui Tavares volta ao tema em crónica discordante, neste dia também no jornal Público.

6. Outro registo da atualidade, documentando a vitalidade do português de Angola.Trata-se da adesão de muitos jovens angolanos à recitação, declamação ou "palavra falada", um género poético de cariz urbano, internacionalmente conhecido em inglês como spoken word. Um vídeo da Deutsche Welle em português mostra como, em Angola, esta arte cresce, com vários jovens que a exploram para falar de temas como o feminismo, a sexualidade e o racismo. Ver aqui.

7. Nos três programas que na rádio pública portuguesa abordam temas da língua portuguesa:

– Fala-se do ensino da língua portuguesa em contextos linguísticos diversos e do seu ensino em Angola, de acordo com  Filipe Zau, investigador em ciências da educação, professor, autor e compositor angolano – em A Língua de Todos, na RDP África (sexta-feira, 21 de maio, pelas 13h20*; repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*, e posteriormente aqui).

– Apresenta-se o livro Contos com Nível (A1), destinado a aprendentes de Português como Língua Estrangeira (nível de iniciação) e de autoria da linguista Ana Sousa Martins, coordenadora da Ciberescola da Língua Portuguesa – nPáginas de Português, na  Antena 2 (domingo, 23 de maio, pelas 12h30*; com repetição no sábado seguinte, 28 de maio, às 15h30*, e depois aqui).

Neste programa, intervêm também o professor e tradutor Marco Neves, que fala sobre o seu último livro, História do Português desde o Big Bang, e a professora Carla Marques, com uma crónica sobre a palavra preto, muitas vezes usada como insulto racista.

– A boa comunicação de médicos e enfermeiros com os seus doentes é o tema que Susana Magalhães, coordenadora científica do curso de Medicina Narrativa da Universidade Católica Portuguesa,  desenvolve no programa Palavras Cruzadas,  na Antena 2, na semana de 24 a 28 de maio de 2021* (de segunda a sexta-feira, às 09h50* e às18h20*, e também aqui),  em entrevista conduzida por Dalila Carvalho.

*Hora oficial de Portugal continental

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Entra-se em Portugal, acompanhando outros países, em fase de «vacinação massiva», com a distribuição de mais de 100 mil doses diárias. Este avanço no panorama da covid-19 abre uma nova questão: poderão os vacinados deixar de usar máscara («máscaras vs. vacinados»)? Afirma-se, nos meios políticos, que não é ainda o tempo de abandonar a máscara porque não existe «robustez científica» nos dados relativos aos estudos relacionados com as consequências da ausência de uso de máscaras em população vacinada. Enquanto isso, os britânicos preparam-se para regressar ao Algarve em busca de sol, descanso e boa comida, enchendo os «voos de verão» e lançando a recuperação do setor do turismo. O aparecimento da «vacina francesa» surge também como uma nova luz ao fundo do túnel no avanço da ciência contra o vírus SARS-CoV-2. Será, entretanto, tempo de começar a avaliar as sequelas de todo o isolamento a que a população foi sujeita, nomeadamente das crianças que ficaram «fechadas em casa». Os termos destacados constituem as seis novas entradas no glossário O léxico da covid-19.  

2. A pronúncia e grafia corretas do substantivo ambrósia integram o conjunto de respostas divulgadas na atualização do Consultório. Aqui surgem também respostas relacionadas com aspetos como a formação do plural de inverosímil, a identificação de uma enumeração, a classificação das funções sintáticas em «Eu transformei o príncipe num sapo», a classificação da modalidade na frase «Efetivamente, "George" é um conto muito bonito!», o significado da palavra dormidista e ainda o uso de terceiros como substantivo.

3.  O ensino do português enquanto língua pluricêntrica encontra-se na ordem do dia e a ele associam-se relatos de situações escolares que discriminam variantes linguísticas do português. É este o tema da crónica da linguista Edleise Mendes (incluída no programa Páginas de Português, da Antena 2, de 16 de maio).

4. Deixamos aqui o destaque para alguns factos de atualidade e a sua relação com aspetos linguísticos diversificados: 

— A visita do Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, à Guiné-Bissau a Cabo Verde justifica a chamada de atenção para alguns temas linguísticos relacionados com os dois países, disponíveis  no arquivo do Ciberdúvidas. Por exemplo «As línguas crioulas de Cabo Verde e Guiné»; «Os gentílicos da Guiné, da Guiné-Bissau e da Guiné Equatorial»; «A língua e os nomes na Guiné-Bissau»; «Os nomes pátrios da Guiné Equatorial e da Guiné-Bissau»; «Cabo-verdiano»; «A insistência cabo-verdiana no erróneo “caboverdeano”». 

— A celebração do Dia Internacional dos Museus, em 18 de maio, uma data que este ano faz ainda mais sentido se atendermos ao afastamento que a covid trouxe à relação entre visitantes e museus. As iniciativas promovidas em Portugal para a comemoração da data encontram-se divulgadas no sítio do Património Cultural. Dá-se neste espaço relevo ao Museu Virtual da Lusofonia, que pode ser "visitado" aqui. A ele associam-se outros museus que poderão ser vistados virtualmente (ver aqui e aqui). Destaque ainda para o maior museu de instagram e tik tok da Europa (aberto ao público em Bruxelas desde o verão de 2020) e para a criação de uma aplicação para explorar museus (APP Google).

No Ciberdúvidas estão disponíveis diversos textos relacionados com a palavra museu, que vale a pena recordar: «Da palavra museu à gramática de «não dá»»; ««Museu de Marinha» vs. «Museu da Marinha»»; «O diminutivo de museu»; ««Museu Reina Sofia»... porquê?»; «O surpreendente Museu da Língua Portuguesa»; «O Museu Virtual da Lusofonia e o português no mundo global». 

— Sobre o reacendimento do conflito israelo-palestiniano, recordamos o uso dos adjetivos palestino = palestiniano = palestiniense e de Israelianos, israelenses e israelitas; a etimologia de filisteu e palestino e, ainda, o recorrente erro de se qualificar uma tragédia, como esta, de humanitária.

Cf. Conflicto palestino-israelí, claves de redacción

—  E, quanto à realização, neste dia, em Roterdão, da  65.ª edição do Festival Eurovisão da Canção (Eurovisão, abreviadamente), importa lembrar a sua grafia correta: com maiúsculas iniciais, enquanto o título das canções se grafa entre aspas ou em itálico. É a mesma regra seguida no castelhano, como consta desta recomendação da Fundéu/RAE (Fundação para o Espanhol Urgente).

Cf. "À séria" e "'muita' bom"... para inglês ouvir

5. Um registo final para a atribuição do Doutoramento Honoris Causa a Jorge Silva de Melo, ator, encenador e cineasta, e a Luís Miguel Cintra, também ator e encenador, pela Universidade de Lisboa, em 18 de maio de 2021. Disponível aqui

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1. Desenrola-se o processo de imunização em Portugal, onde se estima que as pessoas vacinadas são já quatro milhões. Não estando longe a preocupação com os efeitos de algumas vacinas, preveem-se, para certas faixas etárias, situações de vacinação (só) com consentimento e, entretanto, desenvolve-se uma segunda vacina portuguesa. Mas corre-se sempre o risco de retrocessos, por exemplo, em ocasiões festivas que dão azo a  manifestações coletivas. Foi o caso da multidão de adeptos que em Lisboa, em 12 de maio p.p., comemoraram desabridamente a vitória do seu clube (cf. «[O] vírus não sabe que o Sporting foi campeão»), ou, aqui já com as devidas precauções, a tradicional peregrinação do 13 de maio em Fátima. Como prevenção, surge um kit do adepto para competições desportivas com público reduzido  e sensibiliza-se toda a população para a importância da vacinação, como bem ilustra o webinar  da UNESCO intitulado "Dentro de uma vacina há futuro". São as sete novas entradas no glossário O léxico da covid-19.

2. Que relação tem o verbo proibir com o valor modal de permissão que está associado a poder (p. ex., em «podem sair»)? O esclarecimento desta questão faz parte do conjunto de oito novas respostas do Consultório, à volta dos seguintes tópicos: a classificação do que da expressão «será que...?»; de novo, a diferença entre valor iterativo e valor habitual de um enunciado; a análise morfológica de plataforma; a boa formação de rócheo; e reconvívio; a razão de estender ter s mas extensão ter x; e o contraste entre onde e em que («tem reações onde se nota o medo», ou «tem reações em que se nota o medo»?).

3. Nos últimos meses, em Portugal, com a publicação de O Cânone (Tinta da China/Fundação Cupertino de Miranda, 2020), relançou-se o debate sobre a definição do cânone literário, isto é, do elenco de obras literárias consideradas importantes de vários pontos de vista (patrimonial, educativo, crítico). Na rubrica Montra de Livros apresenta-se outra proposta neste âmbito, um pequeno volume intitulado Vamos Ler! – Um Cânone para o Leitor Relutante (Guerra e Paz 2020), em que o autor – o ensaísta e crítico literário Eugénio Lisboa (Maputo, 1930) – não poupa a energia das suas convicções para criar novos apreciadores da literatura portuguesa.

4. É tempo de o português do Brasil se tornar a língua brasileira? O jornalista e escritor brasileiro Sérgio Rodrigues é dessa opinião, em crónica publicada na Folha de S.Paulo em 12 de maio de 2021. O historiador e político português Rui Tavares reage com outra crónica (Público, 14 de maio de 202) e, entendendo embora os motivos dessa reivindicação, considera estar na altura de a CPLP e, em especial, Portugal se tornarem politicamente eficientes na gestão da língua comum, pois o português arrisca-se a perder projeção. Ambos os textos estão disponíveis na rubrica Controvérsias.

5. Ainda em referência à comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, a rubrica O Nosso Idioma disponibiliza um artigo de Ana Paula Laborinho, diretora em Portugal da Organização de Estados Ibero-americanos, a respeito do lugar da língua portuguesa no mundo e das formas de a conceber.

6. Herança dos Egípcios, os obeliscos – do grego ὀβελίσκος, diminutivo de ὀβελός, «espeto, pilar aguçado» – ainda hoje se recriam com a finalidade comemorativa de antanho. Contudo, uma experiência recente de arte pública na cidade de Oeiras distinguiu-se pela troca "disortográfica" de lazer («ócio») por laser (raios), conforme se relata numa peça jornalística transcrita, com a devida vénia, nas Notícias.

7. Da atualidade de Portugal que envolve a sua realidade histórica, linguística e cultural, mencionem-se:

– A exposição Não me calo!, inaugurada em 10/05/2021, no Espaço Exposições do Edifício II do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e patente até 30 de junho do corrente, que é constituída pela coleção de cartazes do arquivo Ephemera, do historiador e político José Pacheco Pereira, na qual se incluem peças manuais criadas para protestar; e

– O  fim do Ramadão (no Brasil, Ramadã)* em 12/05/2021 – o Eid al-Fitr, ou «festa do fim do jejum»  –, cerimónia que reuniu centenas de fiéis muçulmanos na Praça Martim Moniz, em Lisboa.

Ramadão ou Ramadã designa o nono mês do calendário islâmico e o jejum ritual que é praticado nesse mês. A palavra vem do árabe ramadán, do verbo ramida, «ser ardente, escaldante», em alusão à época mais quente do ano em que calha este mês (Dicionário Houaiss). Sobre o Islão, consultem-se "Palavras do Islão" e "Palavras referentes ao Islão".

8. Temas principais nos três programas que a rádio pública portuguesa dedica ao português:

— O livro As Literaturas em Língua Portuguesa, de José Carlos Seabra Pereira, em A Língua de Todos (RDP África, sexta-feira, 14/05/2021 pelas 13h20*);

— O Projeto de Intervenção Preventiva para a Aprendizagem da Leitura e da Escrita (PIPALE), no  Páginas de Português (Antena 2, domingo, 16/05/2021, pelas 12h30*); e

– O protocolo militar, a propósito do II Fórum Mundial de Protocolo, Comunicação e Imagem, no programa Palavras Cruzadas,  também na Antena 2, na semana de 17 a 21 de maio de 2021* (de segunda a sexta, às 09h50* e às 18h20*).

*Hora oficial de Portugal continental

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1. Na Europa começa a instalar-se um aparente período de acalmia no que à evolução da pandemia diz respeito. Inclusive a situação na Índia, que tantas preocupações levanta, parece querer dar sinais de abrandamento. O léxico relacionado com a situação que domina o mundo inteiro mantém, não obstante, o seu dinamismo, o que se vai registando no glossário O Léxico da Covid-19 com sete novas entradas: «Abraços desconfinados», Aeromédico, AquarentenarOdemira, «Papa Francisco», «Salto digital» e Síndromes.

2. A dúvida quanto à necessidade de uso da maiúscula em determinadas palavras é um assunto que os consulentes do Ciberdúvidas trazem recorrentemente ao Consultório. Desta feita, a questão centra-se na expressão «Muro / Cortina de Ferro», à qual se juntam dúvidas relacionadas com a correção do uso do determinante artigo em construções como «alérgico a leite» vs. «alérgico ao leite», com a pronúncia de Madagáscar, com a subclasse do substantivo escravidão, com os processos de coesão lexical e com a correção da locução «um tanto (ou) quanto»

3. O adjetivo vulnerável foi a palavra escolhida para a crónica da professora Carla Marques no programa Páginas de Português, da Antena 2, numa viagem que vai dos significados gerais à significação específica da palavra, em contexto de covid-19 (reproduzida aqui). 

4. A celebração do Dia da Língua Portuguesa na União europeia abriu espaço à reflexão sobre o pluricentrismo do português e a sua evolução desde a entrada na CEE, há 35 anos, num artigo da professora universitária e linguista Margarita Correia (publicado no Diário de Notícias e aqui transcrito com a devida vénia). 

5. O verbo falecer tem sido assumido como um modismo que se sobrepõe aos usos do verbo morrer. Esta é a conclusão a que chega o cronista Miguel Esteves Cardoso na crónica intitulada «Anda tudo a falecer» (divulgada no jornal Público e aqui transcrita com a devida vénia).

6.  O Dicionário do Português de Moçambique (DiPoMo), recentemente lançado, é um projeto em curso de grande importância para esta variedade do português e significa um grande avanço nos estudos de lexicografia a ela associados. Notícia e entrevista a Inês Machungo, coordenadora-geral do projeto, disponível aqui

7. Uma nota final, de muito pesar, sobre o falecimento do radialista português Vítor Nobre  (1944 – 2021), que durante muitos anos foi a (excecional) voz dos primeiros anos do programa Páginas  de Português, produzido pela Associação Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, na Antena 2. Vítor Nobre ingressou nos quadros da rádio pública portuguesa ainda antes do 25 de Abril, a então Emissora Nacional, em 1970, como locutor.  Durante uma década foi locutor no então Rádio Clube de São Tomé e Príncipe. Em 1970 integrou os quadros da antiga Emissora Nacional, onde trabalhou no Desporto, Informação, Continuidade e Onda Curta. De Maio de 1974 a Junho de 1975, desempenhou funções de director da RDP/Algarve. Em 1998, montou, formatou e dirigiu a Rádio Expo, da RDP. Na década de 1980 foi voz-off na RTP, em regime de colaboração e júri dos concursos Palavra Puxa Palavra e Grande Pirâmide. Dirigiu ainda o Serviço de Programas Especiais da Antena 1 e ao longo de 12 anos realizou e apresentou os programas da manhã da Antena 2, Allegro Vivace e Despertar dos Músicos. Foi ainda monitor do então Centro de Formação da RDP e, posteriormente, no Cenjor, nas disciplinas de Locução, Animação e Produção/Realização Radiofónica, Animação e Produção/Realização Radiofónica. Já reformado, foi docente, na sua especialidade, na Universidade Autónoma de Lisboa depois de 1993.  De grande cultura musical, destacou-se também como entrevistador, como esta entrevista que fez à pianista  portuguesa Helena Sá e Costa (1913  2006). Ouvir, na íntegra, aqui. 

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1. Prossegue o plano de desconfinamento em Portugal, se bem que entre constantes preocupações com o impacto da pandemia e com retrocessos em alguns concelhos. É o caso de Odemira, onde um surto atinge os trabalhadores rurais imigrantes e expõe um quadro de abusos laborais. Mas com a covid-19 também proliferam formas de trabalho à distância que pedem regulação, as chamadas «regras e direitos para teletrabalho», expressão que, no glossário O léxico da covid-19, se soma a outras quatro, num conjunto de cinco novas entradas: «custos da covid-19», a marcar preocupações com o estado da economia; e, em referência às dificuldades que comprometem diversas atividades desportivas e as festas tradicionais mais próximas, «impactos da covid 19 no desporto» e «marchas populares» (as de Lisboa, em junho, que em 2021 continuarão suspensas); e, por último, vinho, a documentar, em Portugal, o impacto negativo da pandemia na vinicultura.

2. Apesar dos muitos constrangimentos, o Dia Mundial da Língua Portuguesa, em 5 de maio, teve manifesto impacto nos diferentes países que a usam e/ou lhe dão estatuto oficial. Em O Nosso Idioma, apresenta-se uma seleção de peças jornalísticas publicadas em Portugal nessa data e respeitantes ao tema (ver aqui, aquiaqui e aqui). Também no Brasil se assinalou a comemoração (ver aqui), tal como aconteceu, aliás, em Cabo Verde e Timor-Leste, com mensagens oficiais (aqui e aqui). Na imagem ao lado, fotograma do vídeo sobre sotaques realizado em 2017 por Miguel Gonçalves Mendes, a partir de O Paraíso São os Outros de Valter Hugo Mãe.

No contexto do ensino, entre várias iniciativas, mencione-se a edição especial da revista L/Atitude, inteiramente dedicada ao Dia Mundial da Língua Portuguesa de 2021 (acesso aqui). Trata-se de uma publicação da Direção de Serviços de Ensino e das Escolas Portuguesas no Estrangeiro (Direção-Geral da Administração Escolar, Ministério da Educação de Portugal).

3. O uso correto das preposições é um dos muitos desafios enfrentados por quem estuda o português como língua estrangeira. Na rubrica  Montra de Livros, apresenta-se um livrinho que ajuda a enfrentar esse problema: trata-se de Preposições em Ação, uma edição da Lidel em 2021.

4. Estará correto o uso (sobretudo) brasileiro de feito como conjunção – por exemplo, como em «chorou feito um bebé»? Na presente atualização do Consultório, responde-se a esta e outras seis perguntas, distribuídas por diferentes facetas do funcionamento da língua – da sintaxe às classes de palavras e à morfologia (derivacional), passando pela variação linguística (ver aquiaqui e aqui) e pela ortografia.

5. Nos três programas dedicados pela rádio pública de Portugal à nossa língua comum, têm relevo os seguintes temas:

♦ O ensino da língua portuguesa em contextos multilingues», uma entrevista com a professora Luísa Moreira, membro do Conselho Diretivo do Observatório da Língua Portuguesa – em A Língua de Todos (RDP África, sexta-feira, 7 de maio, pelas 13h20*; repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*), que inclui ainda a crónica da professora Edleise Mendes sobre a celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa.

♦ A natureza policêntrica do português, numa participação da professora Margarita Correia, e o ensino do português em Angola, numa entrevista ao reitor da Universidade Independente de Angola, professor Filipe Zau – no Páginas de Português (Antena 2, domingo, 9 de maio, pelas 12h30* (com repetição no sábado seguinte, 15 de maio, às 15h30*). Este programa conta igualmente com a crónica da professora Carla Marques sobre a palavra vulnerável.

♦  No programa Palavras Cruzadas, também na Antena 2, de  segunda, dia 10/05, a sexta-feira, dia 14/05, às 9h50* e às18h20* (ficando o programa disponível  posteriormente na RTP Play), Dalila Carvalho tem como convidado o desembargador no Tribunal da Relação de Évora, António Latas – à volta dos nomes, termos e demais formalismos lexicais usados numa sala de audiências.

*Hora oficial de Portugal continental.

6. Deixamos um registo de pesar pelo falecimento, por cancro, do ator português  Cândido Ferreira (1948 – 2021)  – lembrando a sua participação num dos primeiros episódios do magazine televisivo Cuidado com a Língua!, no papel de um sapateiro:

 

 

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Celebra-se no dia 5 de maio o Dia Mundial da Língua Portuguesa, evento que contou com a sua primeira comemoração no ano de 2020, após a consagração da data pela UNESCO em novembro de 2019. Assinalado por uma comunicação especial do secretário-geral da ONU, o português António Guterres, as redes externas ao Camões, I.P. dedicam o dia com a realização de mais de 150 atividades, distribuídas por 44 países. Por sua vez, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) encontra-se a promover um ciclo de debates em torno do tema «Promoção e Difusão da Língua. Estratégias Globais e Políticas Nacionais» (sessões realizadas entre abril e maio de 2021; mais informações aqui). Em Portugal destacam-se o Lisboa 5L  – um festival literário que se propõe celebrar simultaneamente a Língua, a Literatura, os Livros, as Livrarias e a Leitura – e o Seminário Comemorativo do Dia Mundial da Língua Portuguesa, coorganizado pela Câmara Municipal de Guimarães e pela Universidade do Minho, com lugar no Centro Cultural Vila Flor. Refira-se ainda que a Associação FORGES se encontra, neste âmbito, a promover a Semana da Língua Portuguesa, que engloba o «Ciclo de debates ensino superior em questão no espaço da língua portuguesa», entre 5 e 7 de maio, numa coorganização com a ANPAE – Associação Nacional de Política e Administração da Educação, com sede no Brasil (os debates poderão ser acompanhados aqui). A professora universitária Margarita Correia publicou também um texto alusivo a esta data, intitulado «O que queremos desta língua» (aqui transcrito, com a devida vénia).

Vide ainda a informação  prestada pelo ministro do Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, sobre  o primeiro dicionário de português de Moçambique; e o anúncio alusivo à comemoração do Dia Internacional da Língua  Portuguesa, aprovado pela UNESCO:

 

 

2. O percurso da pandemia leva agora o mundo a centrar a sua atenção no aparecimento de novas variantes do vírus SARS-CoV-2, o que fica patente também no léxico com a criação de dois novos acrónimos: VOC e VOI. Em paralelo, as populações experimentam um sentimento de vulnerabilidade que se estende do plano sanitário às atividades económicas. O programa «Lisboa protege» é uma das respostas criadas para apoiar as empresas. Em simultâneo, continua a decorrer a campanha de vacinação, não sem alguns incidentes que, aqui e além, se associam à vacinação indevida. Esta situação levou à criação, em Portugal, da figura do controleiro. As quatro expressões destacadas integram a nova atualização do glossário O Léxico da Covid-19

3. Na frase «não me enviem cartões a essas pessoas» está presente uma forma de dativo ético (ou de pronome de interesse), cujo papel se analisa nesta resposta. A atualização do Consultório contempla ainda a etimologia do nome papa, a identificação do subclasse do advérbio incrivelmente, a grafia de subsidiodependência, o uso de embora nas orações concessivas, a construção do verbo sacar com a preposição de e a relação entre atos de fala e a modalidade.  

4.  Marco Neves, professor universitário e tradutor, acaba de lançar um novo livro: História do Português desde o Big Bang. Na rubrica Montra de Livros, deixamos a apresentação desta obra que se propõe contar a história da linguagem humana desde os seus primórdios. 

5. No Pelourinho, disponibiliza-se um excerto da crónica de José Manuel Barata-Feyo, provedor do leitor do Público, que trata os sérios problemas de uma tradução mal conseguida. A propósito do título desta mesma crónica, «Viva as pandemias», refira-se, mais uma vez, que o uso da palavra viva é controverso. Com efeito, poderemos encontrar argumentos que justificam a invariabilidade da palavra por a considerarem uma interjeição, mas não é menos certo que, em frases desta natureza,  faz mais sentido considerar a forma viva como um verbo que tem como sujeito as expressão «as pandemias». Nesta linha, recomenda-se a forma «Vivam as pandemias». Refira-se, ainda, que sendo a forma viva tomada como simples saudação ou manifestação de alegria, assumindo-se como interjeição, deveria ser seguida de vírgula ou de ponto de exclamação, e o nome pandemias, não deveria ser antecedido de artigo definido: «Viva, (!) pandemias».

Cf. «Viva, sejam bem-vindos e vivam, sejam bem-vindos», «Vivam os noivos! (e não "Viva" os noivos!)», «Vivam os Açores!» e  «Morram as pandemias!»

6. A questão do desenvolvimento da linguagem artificial e as estratégias promovidas para construir modelos informáticos neste âmbito estão na base do artigo do professor universitário Arlindo Oliveira, sobre o processamento automático da linguagem e a sua relação com as línguas humanas (aqui transcrito, com a devida vénia). 

7. Em Madrid, decorrem, a 4 de maio, as eleições autonómicas, facto da atualidade que justifica recordar alguns textos disponíveis na plataforma do Ciberdúvidas: «Cairota, madrileno, etc.», ««Museu Reina Sofia»... porquê?» e «O significado de movida».

Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

1. Suspende-se em Portugal o 15.º estado de emergência, e entra em vigor a quarta e última fase do plano de desconfinamento, a partir das 00h00 do dia 1 de maio de 2021. Reinstaura-se agora a situação de calamidade, que marca o regresso na maior parte dos concelhos portugueses da prática de todas as modalidades desportivas e da atividade física ao ar livre, muito embora sem o dever cívico de confinamento (mais informação aqui). Entretanto, a covid-19 continua a grassar no mundo – a Índia continua a braços com uma segunda vaga catastrófica –, pelo que ainda é muito cedo para afirmar que o pior já passou. Assim vai a atualidade da pandemia, refletida pelas cinco novas entradas de O léxico da covid-19: «Desconfinamento, 4.ª fase», «É preciso (ainda) cerrar os dentes», «estado de emergência suspenso», «imunização vacinal» e «livro verde».

2. «Estou mortinho por ir ao teatro» é enunciado de gosto duvidoso nestes tempos ameaçadores, mas é também prova de vitalidade de uma expressão idiomática no idioma. Uma resposta sobre «estar morto/mortinho por» faz parte da presente atualização do Consultório, onde se esclarecem mais seis dúvidas: diz-se «oxalá corra tudo bem» ou «oxalá decorra tudo bem»?  E terá o poeta Alberto Caeiro dado um erro quando escreveu «o rebanho é os meus pensamentos»? Qual a função sintática de «no contexto» em «a expressão incomum no contexto»? Aceita-se usar essenciais como o mesmo que «coisas essenciais»? Falando das cidades da Grécia antiga, como se pluraliza o nome pólis? E, sobre o nome do rio que passa pela cidade de Leiria, será Lis a grafia mais correta?

3. Na rubrica O Nosso Idioma, a atenção incide sobre o caso de Póvoa de Varzim, que frequentemente se diz como "Póvoa do Varzim", erro que reflete uma oscilação do uso e omissão do artigo definido com topónimos, conforme assinala Carlos Rocha num pequeno comentário dedicado ao tópico. Na mesma rubrica, outro apontamento, vindo do Brasil, no qual o revisor Gabriel Lago critica o emprego monótono do demonstrativo isso e propõe estratégias para o não repetir. 

4. Assinalando já o Dia Mundial da Língua Portuguesa, decorre na capital portuguesa, entre 5 e 9 de maio de 2021, o Lisboa 5L  – um festival literário que se propõe celebrar simultaneamente a Língua, a Literatura, os Livros, as Livrarias e a Leitura. Acontece por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, com o propósito de inscrever a cidade nos roteiros nacionais e internacionais dos festivais consagrados às letras, suas formas, seus lugares, seus públicos, seus agentes, seus amantes. O evento tira partido da vida cultural de Lisboa e conjuga o seu dinamismo com uma série de atividades organizadas propositadamente para o festival mas nascidas de um contexto que o precede. Toda a programação aqui.

5.  Referência, ainda, para os   festejos do 1.º de Maio, em que coexistem ritos ancestrais e a comemoração da luta sempre renovada por melhores condições de trabalho e pelo direito a salários justos. Em Portugal, como noutros países, a festa coincide com a primavera e, por isso, são recorrentes os motivos alusivos à época do ano e ao seu simbolismo, como sejam as maias que se penduravam (ou ainda se penduram) às portas e que se supunha terem o poder de esconjurar dianhos e demónios. A propósito deste feriado, desde 2020 condicionado pelas medidas de combate à covid-19, leiam-se: "Um «conjunto de diagnóstico» pelo 1.º Maio, o termo quotidianidade e os desafios da covid-19 enfrentados pelos professores", "Maio – festivo e sindicalista", "Um 1.º [de Maio] não é propriamente um 1.º [de Maio]" e "As abreviaturas dos meses do ano...".

6. Entre atividades relacionadas com a língua portuguesa que são notícia, tiveram relevo na semana que finda:

– Assinalando a publicação do seu novo livro História do Português desde o Big-Bang, o professor universitário e tradutor Marco Neves dinamizou também a primeira sessão de Conversas da Língua, um evento virtual com a participação do linguista Fernando Venâncio e de José Ramom Pichel, que debateram aspetos da génese e da variação do português.

– Incentivando a capacidade de apreciar cinema entre a população escolar e privilegiando também os filmes que fazem ouvir a língua portuguesa, os novos recursos do Plano Nacional de Cinema (PNC) – cadernos pedagógicos e uma plataforma de filmes para uso nos ensinos básico e secundário – foram apresentados em 29/04/2021 na Cinemateca Portuguesa, em sessão presencial e virtual. Estes recursos vão passar a estar disponíveis nas páginas do PNC – aqui.

7. Na rádio pública portuguesa, os temas centrais nos três programas focados na língua portuguesa:

–  A propósito do Dia Mundial da Língua Portuguesa, Elias Torres Feijó, professor da Universidade de Santiago de Compostela, Galiza, fala da promoção do português em contexto académico em A Língua de Todos, emitido pela RDP África, na sexta-feira, 23 de abril, pelas 13h20* (repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*),

– Igualmente à volta desta comemoração, a secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, sublinha o papel do idioma português junto da diáspora repartida pelo mundo, e Carlos Fiolhais, físico teórico e ensaísta, refere-se ao seu uso como língua de ciência no Páginas de Português, transmitido na  Antena 2, no domingo, 2 de maio, pelas 12h30* (com repetição no sábado seguinte, 8 de maio, às 15h30*). O programa conta com uma crónica da linguista brasileira Edleise Mendes.

– As formas de cortesia e as regras da (boa) etiqueta da comunicação são tema de uma conversa da jornalista Dalila Carvalho com a professora Maria Regina Rocha, no programa Palavras Cruzadas, entre 3 e 7 de maio p.f. (Antena 2, às 09h50 e às 18h20).

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1. Pelo mundo, a pandemia continua a dar sinais de evolução preocupantes, uma vez que, se há países que se encontram numa fase de recuperação da estabilidade, outros há que se encontram em verdadeiro estado de calamidade. É o que acontece na Índia, um país onde as infeções crescem descontroladamente e o número de mortos por covid aumenta a cada dia, atingindo números assustadores. Esta situação fica assinalada no glossário O Léxico da Covid-19 com a expressão «SOS Índia». A esta entrada juntam-se outras sete: «AstraZeneca processada», Fala, «2,5 mil milhões», Neurocovid, «Regresso aos palcos», «Vacinar o mundo» e «Venci a covid-19».   

2. As dúvidas relativas aos processos de formação de palavras e a ausência de algumas palavras do dicionário podem levar os falantes a acreditarem que determinados vocábulos não têm uma existência atestada. É o que acontece com as palavras sudestino e centro-oestino, cuja natureza se explica numa nova resposta que integra a atualização do Consultório. Outras dúvidas versam os seguintes aspetos: o uso da locução «assim que» com conjuntivo; o uso do artigo definido em «umas pessoas não comem gatos»; o valor do adjetivo no sintagma nominal «peculiar rei»; o recurso expressivo presente num verso do poema "O Mostrengo", de Fernando Pessoa; o significado de «já não é/era sem tempo». 

3.  A diversidade de programas com nomes ingleses nas televisões portuguesas, de «All together now» a «Hell's kitchen», passando por muitos outros, motiva a reflexão de José Mario Costa, cofundador do Ciberdúvidas, na rubrica Pelourinho.

4. Na Montra de Livros, divulga-se o Dicionário Técnico de Termos Alfarrabísticos, da autoria de Paulo Gaspar Ferreira (edição In-Libris), obra que constitui «um breve e útil dicionário destinado a quem por diferentes razões procura os livros antigos, como esclarece o autor».  

5. A palavra viver e os seus significados em contexto de covid-19 motivaram a reflexão da professora Carla Marques, apresentada na crónica divulgada no programa radiofónico Páginas de Português, da Antena 2 (aqui transcrita). 

6. Refletindo sobre a língua espanhola, a professora universitária e linguista Margarita Correia aborda a questão da sua relativa unidade, que se afirma como superior à da língua portuguesa. O estudo da história da educação e das universidades poderá ser o caminho para a compreensão da atual situação das línguas, aventa a autora no seu artigo (aqui transcrito com a devida vénia).

7. Associação de Professores de Português lançou um número duplo da revista Palavras (n.º 56-57). Nesta publicação, os leitores podem encontrar uma entrevista ao escritor e tradutor Paulo Faria, artigos dedicados a temas como a escrita processual e o ensino bilingue na Guiné-Bissau e ainda dois artigos dedicados às obras O ano da morte de Ricardo Reis e Memorial do Convento, de José Saramago

8. Entre as notícias de relevo para a língua, destaque para:

— O lançamento do programa das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, assinalado no dia 5 de maio. Vide, ainda, a programação do 5L — Festival Internacional de Literatura e Lingua Portuguesa, que decorre em Lisboa entre 5 e 9/05 de maio de 2021. 

Lançamento da plataforma digital da conferência sobre o futuro da Europa, sob o mote «O futuro está connosco», na qual todos os cidadãos podem participar. Esta inclui também áreas como a educação ou a cultura.  

9. Assinalam-se no dia 27 de abril os quinhentos anos da morte do navegador português Fernão de Magalhães, facto que teve lugar no decurso da primeira viagem de circum-navegação, que este tinha iniciado três anos antes.

Sobre este tema, consultem-se as seguintes respostas e artigos: "Expansão da língua portuguesa"; "A influência do português no Oriente"; "A língua portuguesa no Brasil"; "Formação do léxico português no Brasil"; "A matriz negra da língua portuguesa no Brasil"; "A formação dos sotaques do Brasil"; "Língua portuguesa (emancipação do Brasil)"; "A dimensão africana da língua portuguesa"; "A nossa língua portuguesa"; "Influência do português nas línguas africanas"; "O português em Angola"; "A língua portuguesa em Angola"; "Português de Angola e Moçambique"; "O nosso império é a língua portuguesa"; "Será em África que teremos mais falantes de português"; "Que fazer com esta CPLP?"; "Os três círculos da lusofonia"; "Para as urtigas com a Lusofonia"; "Crioulos"; "As línguas crioulas"; "Crioulo, dialecto e pidgin"; "Dialeto, crioulo e patoá"; "As línguas crioulas de Cabo Verde e Guiné"; "A língua portuguesa e o crioulo cabo-verdiano"; "A teoria da simplificação e da relexificação do crioulo"; "Qual é a origem da língua cabo-verdiana?"; "Crioulo de Ceilão"; "Antigo crioulo"; "Uma língua à portuguesa no Sri Lanka?"; "O crioulo de Malaca";  "Diglossia".

                                                                                                                                                                                                                                      Retrato de Fernão de Magalhães, Kunsthistorisches Museum, Viena.

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1Assinala-se em Portugal o 25 de Abril, o golpe militar que em 1974 pôs fim a um regime ditatorial que durava desde 1926 e à Guerra Colonial, que se arrastava em África desde 1961. Na rubrica O Nosso Idioma, a professora e linguista Carla Marques refere-se ao 47.º aniversário deste acontecimento configurador do Portugal contemporâneo, com breves comentários a 47 palavras, de neologismos a anglicismos, modismos ou erros, que refletem e marcam estes tempos.

Na mesma rubrica, transcreve-se com a devida vénia um artigo do professor universitário e político Guilherme d'Oliveira Martins (Diário de Notícias, 20 de abril de 2021) sobre o cuidado a ter com a língua portuguesa como património cultural compartilhado pelos muitos milhões de cidadãos que a falam e escrevem em diferentes países.

2. Na Europa, Portugal incluído, acelera o processo de vacinação com vista à imunidade de grupo, entre apelos à cautela e à contenção no convívio social. Mas, em todo o mundo, a ameaça da pandemia continua no horizonte, e é neste cenário incerto que o Japão prepara os Jogos Olímpicos, já adiados em 2020. A denominação deste acontecimento desportivo associa-se assim ao conjunto de novas entradas em O léxico da covid-19, oito ao todo: «as vacinas não têm nacionalidade», autoagendamento, incumprimento, plano nacional de testagem, «todos metidos no mesmo barco», variante indiana e velório.

3. O Consultório é atualizado com oito respostas: a expressão «dizer que» e outros modismos semelhantes; a (pouca) diferença entre maltratado e «mal tratado»; a construção concessiva «faça o tempo que fizer»; a associação do nome prioridade a adjetivos em frases comparativas; o uso das formas compostas  e simples do pretérito mais-que-perfeito; o brasileirismo «o que que é isso»; o significado do verbo assistir quando referido a pessoas; e o funcionamento da concordância na sequência «todas quantas».

4.  23 de abril  é o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, assinalado internacionalmente com diferentes programa de eventos. É uma festa que coincide com a de S. Jorge, que, com o nome Diada de Sant Jordi, tem forte tradição na Catalunha, quando entre namorados ou em sinal de estima se trocam livros e rosas. Em Portugal, a Direção-Geral dos Livros, dos Arquivos e das Bibliotecas lança um desafio (DGLAB):  «Porque na cadeia do livro todos somos precisos  escritor e ilustrador, editor, tradutor, revisor, designer, gráfica, distribuidora, livraria, mediador, biblioteca e leitor, a 23 de Abril vá à livraria da sua zona ou encomende online, e envie um livro para quem lhe é mais querido.»

Sobre o vocabulário relacionado com os livros, além das muitas notas de apresentação da Montra de Livros, sugere-se a consulta de "Ler em todos os tempos", "No tempo do livro", "Os livros digitais", "Viagem a bordo da palavra livros", "Cerra-livros", "As iniciais nos títulos de livros e filmes" e "Bibliotecas".

5. Em três programas que a rádio pública portuguesa dedica à língua portuguesa, destacam-se os seguintes temas:

Os projetos do Brasil para a promoção e difusão do português no mundo são abordados em A Língua de Todos, emitido pela RDP África, na sexta-feira, 23 de abril, pelas 13h20* (repetido no dia seguinte, depois do noticiário das 09h00*);

– O “Fórum Virtual: A Língua Portuguesa e a Cooperação Académica Sino-Lusófona na Área da Grande Baía”, que decorreu em 20 de abril de 2021, no IPM de Macau, é comentado no Páginas de Português (Antena 2, domingo, 25 de abril, pelas 12h30*; com repetição no sábado seguinte, 1 de maio, às 15h30*), programa que conta ainda com um depoimento do professor e tradutor Marcos Neves sobre a sua mais recente obra  História do Português desde o Big Bang –, uma crónica de Carla Marques em torno do verbo viver e, a propósito do 25 de Abril, um apontamento de Sandra Duarte Tavares acerca da palavra liberdade.

– O vocabulário militar e as suas especificidades são tema de uma conversa da jornalista Dalila Carvalho com o general Carlos Branco, no programa Palavras Cruzadas*, transmitido também pela Antena 2 de segunda a sexta, às 09h50* e às 18h20*. Exemplos da singularidade desta linguagem: na Marinha ninguém anda «de barco», nem na Força Aérea  se usa a palavra avião, ou «carro» no Exército; nem há balas, mas munições, nem existem tanques mas carros de combate.  E qual, nos quartéis, o feminino de soldado, capitão e general?

* Hora oficial de Portugal continental, ficando depois os programas disponíveis  aqui, aqui, e aqui respetivamente.