Subordinadas e subordinante
Sou professora de português e surgiu a dúvida entre colegas relativamente à divisão de orações da seguinte frase:
«Apesar de todas as dificuldades que o país enfrenta, importa estar ciente que é no mar que voltaremos ao desejado rumo para um futuro melhor para Portugal.»
Na nossa perspetiva, na frase há quatro orações pela seguinte ordem: subordinada adjetiva relativa restritiva, subordinante, substantiva completiva, substantiva completiva. Pensamos que «Apesar de todas as dificuldades» e «para um futuro melhor para Portugal» não constituem só por si orações, visto que não existe verbo.
Gostaríamos que nos explicitassem este assunto.
Desde já agradeço a atenção dispensada.
«Paisagens que os artistas descrevem como de uma beleza extraordinária»
– um caso de elipse linguística
– um caso de elipse linguística
Tenho uma dúvida quanto à seguinte frase: «São paisagens que os artistas descrevem como de uma beleza extraordinária.»
Para mim, o mais correcto seria «como sendo de uma beleza extraordinária», mas gostava de perceber se a forma como está na frase também é possível e o porquê de ser ou não ser.
Obrigada.
O contributo de agora para a coesão temporal ou para a coesão interfrásica
Na frase «E agora, se me permitem, vou falar um pouco da obra em apreço.», o advérbio agora contribui para a coesão temporal, ou para a coesão interfrásica?
Adjetivos com sufixo de aumentativo
Gostaria de saber se adjetivos como a palavra grande e gigante podem ser flexionados nas formas "grandão", "grandaço", etc.
Cotidianamente fazemos isso aqui no Brasil. Em outras palavras, a norma culta admite aumentativo e diminutivo para os adjetivos?
Obrigado desde já!
A vírgula depois de complementos diretos e indiretos
Gostaria de saber se podemos colocar vírgula a seguir a um complemento direto, quando este inicia a frase, como por exemplo na seguinte frase: «O livro, deu-lhe ele.»
E poderá acontecer o mesmo com o complemento indireto?
Muito obrigada.
A pronúncia do ditongo ei (eira, dinheiro, deixei) II
O “caso” em questão data do ano passado, mas parece-me ter grande importância no actual contexto de perversão da língua portuguesa: a escrita com o Acordo Ortográfico de 1990 e a ortoépia com o “lisboetismo” (permitam-me o barbarismo).
Um consultante solicitou ao Ciberdúvidas qual a leitura correcta do ditongo /ei/. A resposta de um tal Carlos Rocha (a 14/12/18) é de antologia! Diz o senhor Rocha :
“ … feira, maneira e deixei, soam () como "fâirâ", "mânâirâ" e "dâixâi"… !
O senhor Rocha deve considerar que Portugal é o Terreiro do Paço… A pronúncia a que se refere não corresponde à realidade da maior parte das regiões do país. É, sem dúvida, a mais propagada pelos principais meios de comunicação nacionais – rádios e televisões – cujas sedes se situam invariavelmente em Lisboa. O ditongo /ei/, em galaico-português, pronuncia-se como /ei/ : Oliveira (não Olivâirâ"), peixeira (não pâixâirâ")… Talvez o senhor Rocha considere que deve pronunciar-se frio como “friu” e rio como “riu”.
A ortoépia das diversas regiões do país merecem respeito, mas a origem da língua portuguesa é nortenha, e por mais capital que seja Lisboa, o sotaque que tanto divulgam não é uma regra para todos. Recorde o senhor Rocha (e também a Ciberdúvidas que o publica), que Portugal não se limita – por enquanto – à área da Grande Lisboa.
Dupla negação: «nem nenhum»
É correto o uso da expressão «não use fotos nem nenhum outro material gráfico"? Soa-me mal, tendo a preferir "...fotos ou outro..." ou "...fotos nem qualquer...".
Desde já muito obrigado!
«Cancro da mama» vs. «cancro de mama»
Deve dizer sempre «cancro da mama», e nunca «de mama»? Este último está sumamente errado?
Compreende-se que da é a contratação de de+a, mas então o artigo definido é imprescindível?
Obrigada.
Trabalho/aprendizagem colaborativo/a
vs. trabalho/aprendizagem cooperativo/a
vs. trabalho/aprendizagem cooperativo/a
Nos dicionários, as palavras cooperação e colaboração surgem como sinónimas, mas tenho lido alguns artigos, principalmente na língua inglesa, que as distinguem quando associadas ao trabalho (ou à aprendizagem).
Segundo esses textos, no trabalho cooperativo cada membro de um grupo desenvolve uma parte do trabalho, sendo o trabalho final uma "colagem" dos trabalhos parciais. O trabalho colaborativo, apesar de também incluir cooperação entre os seus membros, implica negociação e que as decisões sejam, frequentemente, discutidas e tomadas em conjunto.
Gostaria de saber a vossa opinião sobre esta distinção.
«É de cerca de 30 minutos»
Em conversa com uma amiga surgiu a seguinte dúvida: é correcto[*] utilizar a preposição de após o verbo ser, seguida da locução prepositiva «cerca de»?
Vejam-se os exemplos seguintes: 1- «O tempo de espera é de cerca de 30 minutos»; 2- «A média da turma é de cerca de 14 valores.»
Grata pelo esclarecimento.
[* N. E. –Manteve-se a grafia correcto, anterior à norma ortográfica em vigor, no quadro da qual se deve escrever correto.]
