O verbo assozinhar
Qual o significado de "assozinhar"?
Valter Hugo Mãe escreve no seu livro O Século dos Imbecis (p. 164):
«Queria assozinhar por inteiro e mais nada.»
Inefável e efável
A palavra inefável provém do latim ineffabilis, e, como já foi explicado no Ciberdúvidas, trata-se de um composto de origem erudita. Contudo, o latim possuía também effabilis, com o sentido de «que se pode exprimir por palavras».
Curiosamente, o inglês conserva effable, proveniente do mesmo termo latino, embora hoje classificado como arcaísmo.
Em português, "efável" não parece estar registado nos principais dicionários contemporâneos, embora se encontrem algumas ocorrências da palavra, sobretudo em textos filosóficos ou académicos.
Terá "efável" chegado alguma vez a integrar efetivamente o léxico português, ainda que de forma rara ou efémera? E, independentemente disso, seria hoje aceitável recuperá-lo ou empregá-lo como antónimo de inefável, com o sentido original do latim effabilis, em contextos formais ou literários?
Obrigado.
Como com verbos no conjuntivo
Aprendi que, nas orações subordinadas adverbiais causais, pode-se usar o modo subjuntivo para uma estética mais erudita.
Exemplo: «Como fosse jovem, tinha muitos sonhos.»
Essa possibilidade existe só para o pretérito ou para todos os tempos verbais?
Exemplo: «Como seja jovem, tem muitos sonhos.»
Obrigado.
«Entrar no comboio» e «subir para o comboio»
Quão correto é dizer, por exemplo, «subir para um comboio»?
Ultimamente, tenho-me deparado com imensas traduções de livros asiáticos, nomeadamente chineses e japoneses, que simplesmente não empregam os verbos entrar ou sair, quando se trata de entrar em meios de transporte.
Tanto quanto sei, subir para um carro é o mesmo que subir para cima de um carro, no entanto, posso estar completamente errado.
Sei que em chinês realmente não se «entra num carro», mas, sim, sobe-se; penso que em japonês será igual.
Concordância verbal: «duas é bom»
Considere a frase:
«Uma cerveja é pouco, duas é bom, três é ... bom demais!»
Por que não há concordância entre «duas» e «bom», entre «três» e «bom»? Há erros?
Obrigado.
O adjetivo conceituado
Qual é a forma correcta ?
«Conceptuado Instituto Politécnico Privado Integrado do Huambo»
«Conceituado Instituto Politécnico Privado Integrado do Huambo»
A pronúncia de labareda
Como se pronuncia a palavra labareda?
Tem E aberto ou E fechado? "Labaréda" ou "labarêda"?
Obrigado.
Fobia como elemento de composição
No jornal Público, de 28/05/2026, dei com "maisfobia", uma palavra (?) que se lê no título de um artigo de opinião: "Gente a mais? A preguiça intelectual e moral da 'maisfobia'".
No texto, reagindo aos críticos da sigla LGBTQIA+, a autora define o termo por ela cunhado:
«Maisfobia n.f. - hostilidade ou desconforto perante a multiplicação, complexificação ou autodeterminação de categorias de identidade e sociais para além das formas consideradas normativas; tendência para considerar excessivo, confuso, ilegítimo e/ou perigoso aquilo que excede o binário ou o sistema de classificação dominante, reduzindo a diversidade a uma versão simplificada e autocentrada do real.»
"Maisfobia" é uma palavra correta?
Não estaremos a exagerar na formação de palavras formadas com fobia , por exemplo, no discurso polémico?
O aportuguesamento "calache" (pão)
A dúvida é antes orientada a um tema de transliteração.
Um pão tradicional da Europa Oriental tem em vários países das redondezas nomes parecidos: kalach, kalács, калач.
Não encontro fontes seguras sobre como esta palavra poderia ser incorporada a um texto em português - e uma vez que as opções "kolach" ou "kalach" não parecem harmonizar esteticamente com a nossa sonoridade lusófona, gostaria de uma orientação de como proceder neste caso (e, por extensão, outros parecidos).
Me parece que "calache" serviria (buscando um remotíssimo precedente em "Críxena", para o deus hindu Krishna), mas à falta de registros do verbete, não quero incorrer em neologismos que, mesmo com licença poética, dificultem a compreensão.
Algum norte a que me apontar?
Vírgula antes de que consecutivo
Tenho encontrado informação um pouco contraditória em relação a esta questão de virgulação (na construção «tão […] que»).
«Foi um barulho tão forte que tive de tapar os ouvidos.»
ou
«Foi um barulho tão forte, que tive de tapar os ouvidos.»
A vírgula é obrigatória, opcional ou não deverá ter vírgula sequer?
Existem fontes que abordem este assunto em particular?
Muito obrigado por toda a ajuda e por todo o vosso excelente trabalho.
