Uso de ter em pedidos (anglicismo)
Queria saber se está correto em português usar a seguinte expressão para pedir um copo de água e/ou é um anglicismo
«Posso ter um copo de água?»
Obrigado.
«Se..., seria/era/é possível...»
Qual destas opções está correta?
1. Se o curso fosse muito difícil, seria possível que vocês não gostassem de continuar.
2. Se o curso fosse muito difícil, era possível que vocês não gostassem de continuar.
3. Se o curso fosse muito difícil, é possível que vocês não gostassem de continuar.
A ideia que tenho é que todas as formas estão corretas, sendo a primeira mais formal e as outras duas mais usadas na língua falada. Contudo, segundo a gramática, expressões impessoais como «É possível que» usam-se com o conjuntivo presente.
Não consegui encontrar exemplos de expressões impessoais no presente do indicativo que usassem depois o conjuntivo imperfeito. Muito obrigada pela ajuda!
Presente do conjuntivo: «talvez esteja»
Eu e o meu filho estamos num impasse. Ele disse a frase «talvez um dia eu estarei interessado», e eu corrigi para «talvez um dia eu esteja interessado».
Nenhum de nós acha que o outro esteja certo.
Podem tirar a dúvida?
Obrigada.
A construção proporcional «quanto mais..., maior...»
Deparei-me com a seguinte construção, e minha curiosidade exacerbada não deixa passar as minúcias:
«Quanto mais rico for o seu vocabulário, maior será o poder de convencimento de suas idéias.»
O que me chamou atenção foi a construção correlativa «quanto mais…maior», que deveras nunca vi abonada nem descrita em nenhuma fonte.
Será que se pode fazer uso dessa construção sem ofender a boa norma culta?
Obrigado.
«Por levas» e «em levas»
A locução adverbial «em levas» quer dizer o mesmo que «por levas», repetidamente?
Muito obrigado!
Dois-pontos depois de travessão
Ao consultar algumas gramáticas normativas de língua portuguesa, encontrei orientações a respeito do emprego de sinais de pontuação após o travessão, quando esses sinais seriam necessários mesmo na ausência dele.
As explicações que encontrei, porém, referem-se à vírgula e, eventualmente, ao ponto e vírgula. Para ilustrar, Carlos Nougué, na Arte de Escrever Bem na Língua Portuguesa, observou: «Quando haveriam de coincidir um travessão e uma vírgula ou um ponto e vírgula, estes últimos podem ou omitir-se ou, como o preferimos decididamente por razões de clareza, usar-se depois daquele (e unido a ele)».
No entanto, fico me perguntando se os dois-pontos também podem ser empregados segundo essa mesma lógica, isto é, se podem aparecer após um travessão quando seriam necessários independentemente da intercalação. Considerem-se os seguintes exemplos:
> O problema – até então ignorado –: a ausência de critérios objetivos.
> A única alternativa viável – segundo os especialistas consultados –: reformular integralmente o projeto.
> A conclusão a que chegamos: não havia outra solução possível.
Em todos esses casos, os dois-pontos introduziriam uma especificação, explicação ou conclusão relativa ao segmento anterior, desempenhando, a meu ver, essa função independentemente da intercalação. Se esta fosse eliminada, os dois-pontos permaneceriam:
> O problema: a ausência de critérios objetivos.
> A única alternativa viável: reformular integralmente o projeto.
> A conclusão a que chegamos: não havia outra solução possível.
Parece-me, portanto, razoável supor, por analogia, que os dois-pontos também possam ser mantidos após o travessão.
Além disso, a supressão do travessão de fechamento poderia comprometer a clareza da construção, por tornar menos evidente o limite da intercalação e dificultar a identificação da estrutura sintática pretendida.
Assim, é possível empregar dois-pontos após um travessão em casos como os apresentados? Existe alguma gramática, manual de redação ou outra obra que trate expressamente dessa possibilidade, admitindo-a ou rejeitando-a?
Agradeço desde já pelo espaço e pelas eventuais contribuições!
O uso de «Viena de Áustria»
Nas minhas conversas com pessoas a partir, talvez, dos cinquenta anos, noto que usam regularmente o termo «Viena da Áustria» referir a capital austríaca.
É algo que não vejo dito pela minha própria geração (Z), pois dizem apenas Viena - mas pessoas um pouco mais velhas dizem essa versão extensa. Não usam isto para se referirem a qualquer outra capital, que eu saiba.
Suspeito que poderá ser para não causar confusão com Viana, e talvez tenha uma relação com Viana do Castelo, mas é estranho na mesma - especialmente a diferença entre as vogais.
Será isto real ou impressão minha, ou talvez um nicho geográfico ou mesmo pessoal, ou algo etário / cultural?
Agradeço desde já - ando curioso com esta dúvida há muito tempo. O vosso trabalho é inestimável!
A expressão «estar sem eletricidade»
A expressão «Estar sem eletricidade» não é linguisticamente correta nem corresponde à terminologia adequada?
Poderá ser aceite como sinónima a «sem fornecimento elétrico»?
Obrigado.
O advérbio sequer no português vicentino (séc. XVI)
Gostaria de saber como se deve interpretar a afirmação da Ama em Auto da Índia:
«Mostra-me essa roca cá:/ siquer fiarei um fio.»
Trata-se de uma expressão de aceitação da tarefa de fiar ou de uma rejeição?
Grata pelo esclarecimento.
«Para eu» e «para mim»
Numa prova, colocam a seguinte questão:
«Assinale a alternativa em que o pronome pessoal de primeira pessoa está empregado conforme a norma padrão escrita, como em "...provando que eu era útil para eles e para mim" (linha 26).»
A) A semelhança entre eu e ele era desconcertante.
B) Era difícil para eu negar qualquer ajuda aos meus.
C) As pessoas não vinham até eu para me pedir ajuda.
D) A história serviu para eu refletir sobre minha atitude
Estou na dúvida, se a alternativas B e D estão corretas.
Com base em: B) «Era difícil para eu negar qualquer ajuda aos meus.»
O pronome eu deve ser usado quando funciona como sujeito de um verbo no infinitivo. Em «para eu negar», eu é o sujeito de negar; por isso, mim estaria errado.
Essa é a mesma lógica de «...para eu refletir...», citada no enunciado D?
Desde já agradeço!
