DÚVIDAS

«Se..., seria/era/é possível...»
Qual destas opções está correta? 1. Se o curso fosse muito difícil, seria possível que vocês não gostassem de continuar. 2. Se o curso fosse muito difícil, era possível que vocês não gostassem de continuar. 3. Se o curso fosse muito difícil, é possível que vocês não gostassem de continuar. A ideia que tenho é que todas as formas estão corretas, sendo a primeira mais formal e as outras duas mais usadas na língua falada. Contudo, segundo a gramática, expressões impessoais como «É possível que» usam-se com o conjuntivo presente. Não consegui encontrar exemplos de expressões impessoais no presente do indicativo que usassem depois o conjuntivo imperfeito. Muito obrigada pela ajuda!
A construção proporcional «quanto mais..., maior...»
Deparei-me com a seguinte construção, e minha curiosidade exacerbada não deixa passar as minúcias: «Quanto mais rico for o seu vocabulário, maior será o poder de convencimento de suas idéias.» O que me chamou atenção foi a construção correlativa «quanto mais…maior», que deveras nunca vi abonada nem descrita em nenhuma fonte. Será que se pode fazer uso dessa construção sem ofender a boa norma culta? Obrigado.
Dois-pontos depois de travessão
Ao consultar algumas gramáticas normativas de língua portuguesa, encontrei orientações a respeito do emprego de sinais de pontuação após o travessão, quando esses sinais seriam necessários mesmo na ausência dele. As explicações que encontrei, porém, referem-se à vírgula e, eventualmente, ao ponto e vírgula. Para ilustrar, Carlos Nougué, na Arte de Escrever Bem na Língua Portuguesa, observou: «Quando haveriam de coincidir um travessão e uma vírgula ou um ponto e vírgula, estes últimos podem ou omitir-se ou, como o preferimos decididamente por razões de clareza, usar-se depois daquele (e unido a ele)». No entanto, fico me perguntando se os dois-pontos também podem ser empregados segundo essa mesma lógica, isto é, se podem aparecer após um travessão quando seriam necessários independentemente da intercalação. Considerem-se os seguintes exemplos: > O problema – até então ignorado –: a ausência de critérios objetivos. > A única alternativa viável – segundo os especialistas consultados –: reformular integralmente o projeto. > A conclusão a que chegamos: não havia outra solução possível. Em todos esses casos, os dois-pontos introduziriam uma especificação, explicação ou conclusão relativa ao segmento anterior, desempenhando, a meu ver, essa função independentemente da intercalação. Se esta fosse eliminada, os dois-pontos permaneceriam: > O problema: a ausência de critérios objetivos. > A única alternativa viável: reformular integralmente o projeto. > A conclusão a que chegamos: não havia outra solução possível. Parece-me, portanto, razoável supor, por analogia, que os dois-pontos também possam ser mantidos após o travessão. Além disso, a supressão do travessão de fechamento poderia comprometer a clareza da construção, por tornar menos evidente o limite da intercalação e dificultar a identificação da estrutura sintática pretendida. Assim, é possível empregar dois-pontos após um travessão em casos como os apresentados? Existe alguma gramática, manual de redação ou outra obra que trate expressamente dessa possibilidade, admitindo-a ou rejeitando-a? Agradeço desde já pelo espaço e pelas eventuais contribuições!
O uso de «Viena de Áustria»
Nas minhas conversas com pessoas a partir, talvez, dos cinquenta anos, noto que usam regularmente o termo «Viena da Áustria» referir a capital austríaca. É algo que não vejo dito pela minha própria geração (Z), pois dizem apenas Viena - mas pessoas um pouco mais velhas dizem essa versão extensa. Não usam isto para se referirem a qualquer outra capital, que eu saiba. Suspeito que poderá ser para não causar confusão com Viana, e talvez tenha uma relação com Viana do Castelo, mas é estranho na mesma - especialmente a diferença entre as vogais. Será isto real ou impressão minha, ou talvez um nicho geográfico ou mesmo pessoal, ou algo etário / cultural? Agradeço desde já - ando curioso com esta dúvida há muito tempo. O vosso trabalho é inestimável!
«Para eu» e «para mim»
Numa prova, colocam a seguinte questão: «Assinale a alternativa em que o pronome pessoal de primeira pessoa está empregado conforme a norma padrão escrita, como em "...provando que eu era útil para eles e para mim" (linha 26).» A) A semelhança entre eu e ele era desconcertante. B) Era difícil para eu negar qualquer ajuda aos meus. C) As pessoas não vinham até eu para me pedir ajuda. D) A história serviu para eu refletir sobre minha atitude Estou na dúvida, se a alternativas B e D estão corretas. Com base em: B) «Era difícil para eu negar qualquer ajuda aos meus.» O pronome eu deve ser usado quando funciona como sujeito de um verbo no infinitivo. Em «para eu negar», eu é o sujeito de negar; por isso, mim estaria errado. Essa é a mesma lógica de «...para eu refletir...», citada no enunciado D? Desde já agradeço!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa