DÚVIDAS

Meia-tigela e racismo
Todas estas matérias aqui indicam que o vocábulo «(de) meia-tigela» seja racista:  "Boçal, meia-tigela e mais termos racistas para você deixar de usar" "Mercado negro, meia-tigela, índio: veja expressões que a agu quer barrar" "Conheça algumas expressões racistas e seus significados" "Você sabia que..." A palavra meia-tigela surgiu em Portugal, e nada tem a ver com pessoas negras! De onde tiraram que ela é racista? Este vídeo do YouTube mostra e explica sobre o assunto todo: Pablo Jamilk, "Meia-tigela é uma expressão racista", YouTube,  14/04/2022. Detalhe também que o mesmo youtuber do vídeo acima defende que mulato e denegrir, em suas origens (etimologias), não possuam quaisquer relações com o animal mula ou «pessoas negras»! Como isso fica? E ainda tem mais: termos como «noite negra», «buraco negro» e «Cavaleiro Negro»? Também terão cunhos racistas? Usei o termo «de meia-tigela» em um livro meu (O Desespero de um Solteiro), fui ver se é ou não racista, e deu que não é! Tudo certinho na realidade? Abração a vocês todos! Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
A etimologia de rota e roteiro
Prezados especialistas do sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, o melhor sobre nosso idioma que conheço! Escrevo para solicitar, gentilmente, um esclarecimento etimológico e histórico um tanto mais completo quanto possível para uma pesquisa acadêmica. Esta trata dos intitulados «roteiros experimentais» no Brasil (talvez «guias de procedimentos laboratoriais» ou «guião experimental» em Portugal), o que me levou a investigar a origem e a evolução semântica da palavra "roteiro". Minha pesquisa preliminar indica o seguinte: (a) Formação: roteiro deriva de rota + eiro; (b) Raízes latinas: rota pode ter origem em rupta («caminho aberto», do verbo rumpere) ou rotulus («rolo, registro escrito»); e, (c) Contexto histórico: O termo consolidou-se durante as Grandes Navegações para designar textos-guias de navegação detalhados. Gostaria de colaboração para compreender os seguintes pontos: 1. Datação e consolidação lexical: existem evidências textuais (em documentos medievais ou do português arcaico) que permitam datar, mesmo que aproximadamente, o período em que a palavra roteiro se consolidou no vocabulário português comum, diferenciando-se de sinônimos como itinerário ou rota? 2. Prevalência da raiz: qual das hipóteses latinas (rupta ou rotulus) é considerada a raiz dominante pela etimologia acadêmica portuguesa para a palavra rota, e, consequentemente, para roteiro? Proviria do francês route? 3. Evolução semântica do sufixo -eiro: gostaria de um parecer sobre a evolução do sufixo -eiro neste contexto. Seria a analogia com roupeiro (lugar que contém roupas, aqui no Brasil, pelo menos) semanticamente válida para roteiro (documento que contém rotas, instruções, ou caminhos a seguir), justificando a sua transição do meio náutico para o científico e artístico (guias de laboratório, guiões de cinema, etc.)? Esta palavra realmente é um desafio para mim. Agradeço a atenção e o valioso contributo.
«De modo que» e «de forma que»
Num trabalho para a faculdade, corrigiram-me quando usei a expressão «de modo» para «de forma». Isto deixou-me incomodado, e na altura várias pessoas disseram-me que a correção não fazia sentido, pois podem ser usadas para o mesmo objetivo. Até que uma me disse que a expressão «de forma» é mais correta «do ponto de vista académico». No entanto, também já vi na Internet pessoas a dizerem o oposto, que «de modo» até é mais formal. Então decidi vir aqui perguntar: as expressões «de modo» e «de forma» são usadas como sinónimos? Se sim, há alguma mais correta/formal do que outra? Obrigado a quem tiver tempo de responder a esta questão, que é motivo de debate no meu grupo de amigos.
O significado de materializar
Em vídeo nas redes sociais, um entrevistador pergunta a uma menina: «Você pode materializar essa ideia em palavras?» Um rapaz, nos comentários, disse que ele precisava estudar mais, porque o correto naquele contexto seria apenas verbalizar, e que materializar não é correto. Ele argumentou dizendo que para materializar teria que «criar matéria», e que o som ou a «forma das palavras» são meio e não matéria. Por isso, ele fala que não se materializam palavras. Porém, eu disse que, no sentido figurado, faz sentido. Além de que o som forma a matéria, assim como quando alguém "materializa uma ideia" em argila. Não está criando matéria, só dando forma a ela. Ele então respondeu que nesse caso não seria correto pois o som é vibração, e vibração não dá forma à matéria, ao que respondi que forma "momentaneamente"a matéria. Qual a opinião de vocês sobre o assunto? Agradeço.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa