A função sintática de uma relativa restritiva
No segmento «considerando necessária “uma desaceleração interior” que permita dedicar atenção e memória às diferentes vozes», qual a função sintática de «que permita dedicar atenção e memória às diferentes vozes»?
Muito obrigada!
Presente do conjuntivo: «talvez esteja»
Eu e o meu filho estamos num impasse. Ele disse a frase «talvez um dia eu estarei interessado», e eu corrigi para «talvez um dia eu esteja interessado».
Nenhum de nós acha que o outro esteja certo.
Podem tirar a dúvida?
Obrigada.
A construção proporcional «quanto mais..., maior...»
Deparei-me com a seguinte construção, e minha curiosidade exacerbada não deixa passar as minúcias:
«Quanto mais rico for o seu vocabulário, maior será o poder de convencimento de suas idéias.»
O que me chamou a atenção foi a construção correlativa «quanto mais…maior», que deveras nunca vi abonada nem descrita em nenhuma fonte.
Será que se pode fazer uso dessa construção sem ofender a boa norma culta?
Obrigado.
Usos adjetival e participial de morto
A mim foi-me dito que, na frase «o jovem morto havia sido transferido ao hospital», a palavra morto é, em sua origem, um verbo, mas que na frase em questão ela é um adjetivo, portanto, não há de se falar sobre haver uma oração subordinada adjetiva surgindo desta palavra.
Se a palavra em questão é, nesta análise, tão somente um adjetivo, isso não faria com que as orações subordinadas adjetivas reduzidas deixassem de existir?
Digo, na frase «o jovem que foi morto havia sido transferido ao hospital» há uma oração subordinada adjetiva desenvolvida; a sua versão reduzida seria justamente «o jovem morto [...]», mas, se não há verbo nesta aqui, então a nomenclatura «oração subordinada adjetiva reduzida de particípio» serve para que e designar o quê, exatamente?
É uma oração composta por um adjetivo?
Obrigado.
«Eis que»
Gostava de saber se existe registro oficial, e com referência lexicográfica, que trate de abonar, especificamente, o uso da locução «eis que» em acepção diferente de «subitamente»/«de repente». Eu não encontrei.
Não obstante, deparei-me com os seguintes empregos da expressão, motivo de minha dúvida:
«Entre o oficialato mesmo, não se conhece um que proceda de família ilustre ou renomada, eis que nenhum aristocrata aceitará farda na família.» (JU)
«[…] deve-se aguardar o procedimento previsto para a execução contra a Fazenda até a expedição da requisição – incumbência do Juízo, não podendo ser imputada como falta ou violação de um dever pelo INSS, eis que a ele é defeso fazê-lo.»
Obrigado.
«A quem» entre orações
Quanto ao emprego do relativo quem, Napoleão Mendes de Almeida, em Gramática Metódica da Língua Portuguesa (GMLP), escreve na nota n.º 1.:
«[1] Quem pode ser objeto indireto do verbo antecedente e, ao mesmo tempo, sujeito do consequente (“Escrevo a quem me escreve”); [2] o que não pode ser é objeto direto e indireto ao mesmo tempo [Exemplos de Almeida que não seria possível: “*Premiaremos a quem couber melhor nota”] [3] nem objeto indireto de dois verbos que exigem preposições diferentes.»
Em "As funções sintáticas de quem II", que contém a resposta vossa a um consulente, vós destes como exemplo as seguintes frases:
«Disseram-me a quem telefonaste.»
Pergunto:
Qual é a função sintática que quem exerce? Penso que tal relativo desempenha duas funções sintáticas, uma em relação à oração precedente e a outra em relação à oração sucessiva. Seria «a quem telefonaste» objeto direto de «disseram-me»?
Ou deveria seguir a ótica de Almeida e escrever «Disseram-me aquele a quem telefonaste»?
Ou poderia supor que há um objeto direto indefinido antes de «a quem»: «Disseram-me (a pessoa) a quem telefonaste»?
O mesmo se aplica à vossa frase «Descobri de quem fala o livro»?
Parece-me que as frases elaboradas por vós não vão de acordo com o que disse Almeida em [2], por isso gostaria eu de um parecer vosso quanto a isso.
No exemplo de Almeida em GMLP: «Premiaremos aquele a que couber melhor nota», qual é a função sintática de «aquele» e de «a que»?
Desde já, muito obrigado.
«Para eu» e «para mim»
Numa prova, colocam a seguinte questão:
«Assinale a alternativa em que o pronome pessoal de primeira pessoa está empregado conforme a norma padrão escrita, como em "...provando que eu era útil para eles e para mim" (linha 26).»
A) A semelhança entre eu e ele era desconcertante.
B) Era difícil para eu negar qualquer ajuda aos meus.
C) As pessoas não vinham até eu para me pedir ajuda.
D) A história serviu para eu refletir sobre minha atitude.
Estou na dúvida se as alternativas B e D estão corretas.
Com base em: B) «Era difícil para eu negar qualquer ajuda aos meus.»
O pronome eu deve ser usado quando funciona como sujeito de um verbo no infinitivo. Em «para eu negar», eu é o sujeito de negar; por isso, mim estaria errado.
Essa é a mesma lógica de «...para eu refletir...», citada no enunciado D?
Desde já agradeço!
Elipse parcial do predicado
Na recente campanha do Metropolitano de Lisboa, para reforçar a vigilância dos passageiros sobre a sua segurança e os seus bens, lê-se a seguinte mensagem:
«Se algo não lhe parecer seguro, pode não ser. Na dúvida, recolha o máximo de elementos e avise um funcionário Metropolitano.»
Não há qualquer coisa de forçado na primeira frase: «Se algo não lhe parecer seguro, pode não ser.»?
Percebe-se que «pode não ser» se refere a «algo», mas afigura-se mais natural uma frase como «algo que não lhe pareça seguro pode não ser realmente»?
Porque acontece isto?
Obrigado.
A locução «no que...» (Brasil)
Falar "no que" no lugar de quando está errado?
E por quais motivos estará errado (caso esteja)?
Por exemplo, «No que eu chegar em casa, telefono para você!» (uso de "no que" em substituição a quando)?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
O género de Metropolitano de Lisboa, E. P. E.
Venho colocar uma dúvida sobre o uso do feminino ou do masculino relativamente ao substantivo da empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E.
De acordo com as vossas respostas a outras dúvidas relacionadas com os nomes de empresas ou marcas (como aqui), tem sido demonstrado que o uso correto é a precedência do artigo definido feminino (a/as), por subentender-se o nome «empresa» ou «marca».
Contudo, a empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E., é mencionada, no diploma que a rege, por «o Metropolitano de Lisboa, E. P. E.» (veja-se: Decreto-Lei n.º 148-A/2009, de 26 de junho).
Questiono se nesta situação há um entendimento que permita o uso indiferenciado dos artigos definidos masculino e feminino.
Grato pela atenção.
