A função sintática de uma relativa restritiva
No segmento «considerando necessária “uma desaceleração interior” que permita dedicar atenção e memória às diferentes vozes», qual a função sintática de «que permita dedicar atenção e memória às diferentes vozes»?
Muito obrigada!
Discurso direto, ponto de exclamação e minúsculas
Tenho uma dúvida relativa à frase:
(1) – Não me apetece, Lucas! – Balbuciou Isabel com cara de enjoada. – Ainda tenho o azedume do pequeno-almoço entranhado na garganta.
Com um verbo de fala integrado, o Google diz que não se deve colocar maiúscula após exclamação num diálogo.
Embora a lógica pareça indicar que sim (porque há um ponto de exclamação), o Google diz que as regras de edição e pontuação em Portugal determinam o contrário, ou seja, que balbuciou tem de começar com letra minúscula.
Segundo essa revisão, o verbo balbuciar é um verbo de fala (dicendi). Portanto, sintaticamente, a frase (1) («– Não me apetece, Lucas! – balbuciou Isabel com cara de enjoada.») é o objeto direto do verbo balbuciar. Ou seja, a frase inteira funciona como um único bloco: «Isabel balbuciou enjoada.»
A minha dúvida pode até ser parva, mas como não sou portuguesa nativa, gostaria que me aclarassem essa regra. Afinal, após um sinal de exclamação ou interrogação, a frase seguinte não começa com maiúscula? Ou a normativa da minúscula só contempla os diálogos?
Desde já, aproveito para agradecer o vosso empenho tão altruísta em prol da língua portuguesa.
Votos de um excelente dia!
Dois-pontos depois de travessão
Ao consultar algumas gramáticas normativas de língua portuguesa, encontrei orientações a respeito do emprego de sinais de pontuação após o travessão, quando esses sinais seriam necessários mesmo na ausência dele.
As explicações que encontrei, porém, referem-se à vírgula e, eventualmente, ao ponto e vírgula. Para ilustrar, Carlos Nougué, na Arte de Escrever Bem na Língua Portuguesa, observou: «Quando haveriam de coincidir um travessão e uma vírgula ou um ponto e vírgula, estes últimos podem ou omitir-se ou, como o preferimos decididamente por razões de clareza, usar-se depois daquele (e unido a ele)».
No entanto, fico me perguntando se os dois-pontos também podem ser empregados segundo essa mesma lógica, isto é, se podem aparecer após um travessão quando seriam necessários independentemente da intercalação. Considerem-se os seguintes exemplos:
> O problema – até então ignorado –: a ausência de critérios objetivos.
> A única alternativa viável – segundo os especialistas consultados –: reformular integralmente o projeto.
> A conclusão a que chegamos: não havia outra solução possível.
Em todos esses casos, os dois-pontos introduziriam uma especificação, explicação ou conclusão relativa ao segmento anterior, desempenhando, a meu ver, essa função independentemente da intercalação. Se esta fosse eliminada, os dois-pontos permaneceriam:
> O problema: a ausência de critérios objetivos.
> A única alternativa viável: reformular integralmente o projeto.
> A conclusão a que chegamos: não havia outra solução possível.
Parece-me, portanto, razoável supor, por analogia, que os dois-pontos também possam ser mantidos após o travessão.
Além disso, a supressão do travessão de fechamento poderia comprometer a clareza da construção, por tornar menos evidente o limite da intercalação e dificultar a identificação da estrutura sintática pretendida.
Assim, é possível empregar dois-pontos após um travessão em casos como os apresentados? Existe alguma gramática, manual de redação ou outra obra que trate expressamente dessa possibilidade, admitindo-a ou rejeitando-a?
Agradeço desde já pelo espaço e pelas eventuais contribuições!
Vírgula depois de reticências
É correto escrever uma vírgula depois de reticências
Por exemplo: «Talvez..., mas acho estranho!»
Obrigado.
Vírgula antes de que consecutivo
Tenho encontrado informação um pouco contraditória em relação a esta questão de virgulação (na construção «tão […] que»).
«Foi um barulho tão forte que tive de tapar os ouvidos.»
ou
«Foi um barulho tão forte, que tive de tapar os ouvidos.»
A vírgula é obrigatória, opcional ou não deverá ter vírgula sequer?
Existem fontes que abordem este assunto em particular?
Muito obrigado por toda a ajuda e por todo o vosso excelente trabalho.
Travessão e diálogos
O travessão não é necessário em diálogos, apenas após o uso de dois pontos?
Eu aprendi diferente, tanto na escola, quanto na faculdade.
Poderia me ajudar com isso, por gentileza?
Obrigada.
Nomes próprios e vírgulas
Gostaria de saber se, nesta situação, o nome fica sempre dentro de vírgulas, se é opcional ou se existe alguma regra específica para esta construção da frase.
«Durante uma audiência no Senado sobre a Lei dos Direitos Civis de 1957, o procurador-geral da Geórgia, Eugene Cook, criticou a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas Racializadas.»
O que quero saber ao certo é se «Eugene Cook» fica sempre entre vírgulas quando antes vem a descrição do que é/faz a pessoa.
Obrigada.
Três ou quatro pontos de exclamação
Acerca da frase «Aquilo é que foi um azarão!!!!», perguntava-vos se se admite a existência de três ou quatro pontos de exclamação.
Ou seja, podemos empregar esses pontos de exclamação ou de interrogação numa frase ou até mais?
Obrigado.
Asterisco e espaços
Antes de mais, gostaríamos de agradecer o empenho da vossa equipa em promover a utilização correta e consistente da língua portuguesa.
Na empresa onde trabalhamos, por vezes, os textos de partida incluem asteriscos que precisam de ser replicados nos textos de chegada. No entanto, ainda não conseguimos chegar a um consenso sobre a necessidade de deixar um espaço após o asterisco nas notas de rodapé.
Sabemos que não deve haver espaço antes do asterisco no corpo do texto, mas existe uma divergência entre os tradutores/as: alguns utilizam o espaço após o asterisco, enquanto outros/as não. Gostaríamos de uniformizar esta prática na nossa empresa, visando maior consistência nos textos.
Já realizámos uma pesquisa no vosso site, mas não encontramos uma resposta direta para esta questão.
Agradecemos desde já a vossa colaboração e ficamos a aguardar a vossa orientação.
Continuem com o excelente trabalho!
Vírgula e aforismos
Numa frase de caráter aforístico como «Livros que não se leem, é como se não existissem.», a presença da vírgula será admissível para efeito estilístico sem prejudicar a gramaticalidade da proposição?
