DÚVIDAS

Carioca, fluminense, "carioquês"
Ouvi falar que estão usando o termo carioca indistintamente para a cidade do Rio de Janeiro e o estado do Rio de Janeiro por causa da influência e da relevância do Fluminense Football Club, time de futebol brasileiro. Por sinal, há um boato de que o Campeonato Carioca de Futebol não é chamado de Campeonato Fluminense de Futebol para ninguém pensar que seja um torneio focado na equipe de futebol brasileira em questão! O que me lembra que o regionalismo do estado é "carioquês", não "fluminensês", que seria confundido com o plural de fluminense sem o acento. Mas,enfim, dizem por aí que os próprios "fluminenses" já estão reivindicando atual e oficialmente o direito de serem todos chamados de cariocas. Daí, como saberemos se cariocas será a utilização do municipal ou do estadual como gentílico? O mesmo já ocorre com nova-iorquino(s) de Nova Iorque dos Estados Unidos, e a cidade de Nova Iorque nem é a capital do estado de Nova Iorque! Estão ligados? O que vocês mesmos entendem do assunto todo em pauta no fim das contas?  Obrigado.
Formação da palavra independência
Gostaria de saber o processo de formação da palavra independência. Parece-me, à partida, que poderíamos considerar a derivação por prefixação, uma vez que juntámos um prefixo à palavra dependência. No entanto, quando pensamos na palavra infelizmente, normalmente consideramo-la derivada por prefixação e sufixação, embora também possamos pensar que juntámos o mesmo prefixo à palavra felizmente. Obrigado.
A concordância de cabisbaixo e boquiaberto
Gostava de ver uma pequena dúvida esclarecida em relação ao adjetivo "cabisbaixo". Quando se diz que alguém ficou cabisbaixo perante uma repreensão, o mesmo deve concordar em género com o sujeito? Não sei se me faço entender, por isso, trago-lhes duas frases como exemplo, embora não tenha a certeza de estarem corretas... (1) Alertado pela intervenção do seu pai, completamente imóvel, Pedro permaneceu cabisbaixo (ou cabisbaixa?). (2) A Joana era uma criança que tendia a envergonhar-se. Sempre que um estranho lhe perguntava algo, permanecia cabisbaxa e coradíssima. A minha dúvida surge pelo significado da palavra em si [«de cabeça baixa»], ou seja, referente à postura do sujeito – cabeça – e não ao seu género... Neste sentido, quando se usa o feminino ou o masculino? A mesma dúvida surge também com a palavra boquiaberta/o... Podem elucidar-me com algum exemplo, por favor? Desde já, agradeço imenso qualquer explicação que me possam dar!
O pronome clítico o e o verbo estar
Essa questão surgiu após um impasse que tive com um colega, também revisor de texto, a respeito do uso do verbo estar com pronomes acusativos como o, lo, no. Gostaria, portanto, de esclarecer alguns pontos e, se possível, obter exemplos de uso literário dessas construções. Em frases copulativas, como: «O aluno está cansado.» «A porta está aberta.» «Tu estás feliz?» seria possível substituir o predicativo por um pronome acusativo, formando expressões como "O aluno está-o”, “A porta está-o” ou “Tu está-lo?”? Essas formas aparecem em algum registro literário, regional ou arcaico do português? No português europeu, na locução estar + a + infinitivo, há diferença entre «Ele está-o a fazer» e «Ele está a fazê-lo»? Existe preferência normativa ou diferença de estilo entre as duas formas? Quando o pronome sobe para o auxiliar (estar), as adaptações fonéticas continuam válidas? Por exemplo: estás + oestá-lo; estão + o estão-no. Formas como «Tu está-lo a terminar» ou «Eles estão-no a construir» são aceitas? No português do Brasil, com estar + gerúndio, qual das opções é mais adequada ou usual: «Ele o está fazendo», «Ele está fazendo-o» ou simplesmente «Ele está fazendo isso»? Por fim, fora das locuções (estar a + infinitivo / estar + gerúndio), é possível empregar «Ele está-o» (sem verbo posterior) para retomar algo já mencionado, equivalente a «Ele está nisso»? Agradeço desde já pela atenção e, se possível, gostaria de exemplos de uso literário (clássico ou moderno) dessas construções, caso existam. 
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