DÚVIDAS

Conjugação verbal e verbos auxiliares
Vejo sempre em livros o ensino de conjugação dos tempos composto com o auxílio do verbo ter . Ex.: «Tenho estudado bastante.» Nunca vi, todavia, exemplos com o verbo vir , apenas na linguagem falada do dia a dia. Ex.: «Venho estudando bastante nos últimos dias.» Assim, gostaria de saber se esta última construção é abrangida pela norma culta ou é fruto de coloquialismo. Desde já agradeço pelo apoio de sempre!
Imagem e oração relativa
Venho, por este meio, solicitar a sua ajuda na análise de uma frase de Frei Luís de Sousa. A cena final do ato II, entre Frei Jorge e o romeiro, é a do reconhecimento, tal como acontecia na tragédia clássica. O retrato de D. João de Portugal deixa de ser apenas uma ameaça e passa a ser uma espécie de espelho do passado; ele representa quem agora está tão diferente que é necessário um gesto de identificação: quando Frei Jorge pergunta «Romeiro, romeiro, quem és tu?», o movimento de apontar para o retrato completa a palavra: «Ninguém!». Aquela simples palavra abre caminho à catástrofe. Não sendo reconhecido pela mulher com quem casou, D. João de Portugal fica limitado à imagem que um retrato fixou. REIS, Carlos, 2016. Frei Luís de Sousa. Almeida Garrett. Porto: Porto Editora (pp. 37-38) (Exercício do manual) A dúvida surgiu na identificação da função sintática de «que um retrato fixou». Sendo uma oração adjetiva relativa restritiva, desempenha a função sintática de modificador restritivo do nome. No entanto, «retrato» é um nome icónico. Haverá outra explicação? A oração não é adjetiva relativa?
O que explicativo
Numa ficha de trabalho de uma editora surge a frase «Arrumem os livros que a biblioteca vai encerrar». De acordo com as soluções de correção, a oração «que a biblioteca vai encerrar» aparece como coordenada explicativa. Numa saudável discussão com colegas, uns defendem que a sugestão da editora está correta, no entanto, outros acham que a oração é subordinada adverbial causal. Se fizermos o teste da agramaticalidade sugerido por Maria Eugénia Alves (Ciberdúvidas, 2018), a oração iniciada por “que” é agramatical - “* que a biblioteca vai fechar.” -, uma vez que “na coordenação, a oração que é introduzida pela conjunção não pode dar início à frase”. Acresce o facto de que a situação descrita na suposta oração coordenada explicativa não é temporalmente anterior à que se descreve na oração anterior. (Carla Marques, Ciberdúvidas, 2022) Porém, “No que respeita à pontuação, quando a oração é coordenada explicativa, deve levar uma vírgula a separá-la da oração anterior. Quando estamos perante uma oração subordinada causal, não devemos usar vírgula.” (Carla Marques, Ciberdúvidas, 2022). Aqui o "que" não é antecedido de vírgula. Posto isto, tenho dúvidas em relação à classificação desta frase complexa “Arrumem os livros que a biblioteca vai encerrar”. Aproveito para agradecer o excelente trabalho realizado por toda a equipa do Ciberdúvidas ao longo destes anos. Aprendo muito com a vossa generosidade e profissionalismo! Bem hajam!
A sintaxe do verbo deixar
Na frase «Deixava as chaves onde calhava.», a oração subordinada substantiva relativa «onde calhava» desempenha a função de modificador ou de complemento oblíquo? Parece-me que tem uma função similar à que tem na frase «Colocava as chaves onde calhava», ou seja, complemento oblíquo. Porém, já vi a expressão da primeira frase classificada como modificador. Entendo que o verbo deixar implica deixar algo em algum lugar, tal como o verbo colocar. Agradeço os esclarecimentos.
Os auxiliares «haver de» e ir
O Ciberdúvidas é uma pequena (grande) joia. É muito gratificante esclarecer algumas dúvidas nesta página. Parabéns pelo vosso trabalho. Uma pequena dúvida com o verbo haver (presente do indicativo)+ de +infinitivo e ir(presente do indicativo) + infinitivo. «Eu hei de fazer as pazes com o Afonso» e «Eu vou fazer as pazes com o Afonso» transmitem a mesma informação? A dúvida prende-se com o uso do presente do indicativo nas frases. Ao usá-lo estamos a transmitir (em ambas frases) uma certeza, um facto e/ou uma realidade num futuro próximo? Que vou realmente fazer as pazes com o Afonso. Existe alguma nuance? Muito obrigado a todos.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa