DÚVIDAS

Jamais com valor afirmativo
Por gentileza, poderiam responder à seguinte pergunta: Estava lendo um álbum de figurinhas sobre dinossauros (do início da década de 90), eis que me deparei com o seguinte período: "Tyrannosaurus-Rex, cujo nome significa "Rei tirano dos lagartos", era o dinossauro carnívoro maior que jamais existiu e um dos últimos a aparecer na terra." A meu ver o uso de "jamais" deve estar equivocado, porque parece que estão afirmando que este referido réptil nunca existiu, ou estou equivocado. Há uma acepção para o vocábulo que ignoro e não encontrei no dicionário que consultei? Obrigado.
Meia-tigela e racismo
Todas estas matérias aqui indicam que o vocábulo «(de) meia-tigela» seja racista:  "Boçal, meia-tigela e mais termos racistas para você deixar de usar" "Mercado negro, meia-tigela, índio: veja expressões que a agu quer barrar" "Conheça algumas expressões racistas e seus significados" "Você sabia que..." A palavra meia-tigela surgiu em Portugal, e nada tem a ver com pessoas negras! De onde tiraram que ela é racista? Este vídeo do YouTube mostra e explica sobre o assunto todo: Pablo Jamilk, "Meia-tigela é uma expressão racista", YouTube,  14/04/2022. Detalhe também que o mesmo youtuber do vídeo acima defende que mulato e denegrir, em suas origens (etimologias), não possuam quaisquer relações com o animal mula ou «pessoas negras»! Como isso fica? E ainda tem mais: termos como «noite negra», «buraco negro» e «Cavaleiro Negro»? Também terão cunhos racistas? Usei o termo «de meia-tigela» em um livro meu (O Desespero de um Solteiro), fui ver se é ou não racista, e deu que não é! Tudo certinho na realidade? Abração a vocês todos! Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
«Fazer erro», «cometer erro»
 Vejo que muitos gramáticos modernos condenam a expressão «fazer erro» (inclusive já vi esta condenação nesta página), que seria a forma francesa para o nosso «cometer erro». Contudo, relendo o episódio da Inês de Castro retratado por Camões n'Os Lusíadas, deparei-me com: «Sabe também dar vida com clemência A quem pera perdê-la não fez erro.» Ora, não seria essa uma constatação de uso antigo da expressão na nossa língua, muito antes de o francês começar a influenciá-la tão intensamente? Por que, então, mesmo tendo Camões, o maior nome de nossa literatura, a usado, ela é condenada? Por último, não pode isso ser uma evidência de que, apesar da semelhança com o francês, ter sido uma forma que surgiu naturalmente no seio do nosso idioma, assim como surgiu entre os franceses? Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa