Eu com a função de objeto direto
«Se até o Fernando, que é uma pessoa extremamente pacífica, faria isso, imagine(-me)/(eu), que não sou pacífico.»
Qual é o correto nesta sentença: me ou eu?
Naturalmente, imagine-me seria o correto, mas, na frase em questão, isso tornaria -me o sujeito da oração subordinada adjetiva.
Não fica estranho?
A estrutura «o objetivo era o de...» (focalização)
Quando revejo livros, leio muitas vezes «O objetivo era o de» + verbo.
Por exemplo: «O objetivo era o de ensinar Matemática aos alunos».
Isto sempre me soou estranho, desde logo porque é palavroso.
No entanto, nunca encontrei uma justificação válida para poder corrigir a formulação palavrosa pela mais simples «O objetivo era ensinar Matemática aos alunos».
Perguntas:
1) a formulação palavrosa está incorreta?
2) Se sim, porquê?
Obrigado.
Pronomes oblíquos depois de interrogação, ponto de exclamação e reticências
Depois de ponto de interrogação e de ponto de exclamação, continuando o texto, não se pode continuar com um pronome oblíquo logo em seguida.
E depois de reticências? Vale o mesmo? Ou depende?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
O relativo que e os pronomes pessoais átonos (Portugal)
Grato pelo serviço de excelência do qual tanto beneficiamos.
Pergunto sobre a razão de se ter passado, em Portugal, a fazer uso comum da colocação pronominal como segue, que retiro de uma súmula de notícias de hoje do "Observador": «que nas últimas declarações mostrou-se como o Dono Disto Tudo».
Tenho reparado que, mesmo em vídeos onde os protagonistas dizem com a formulação típica do português europeu, as legendas que surgem aparecem alteradas para a formulação que me faz enviar a questão.
Está norma a alterar ou é utilização acrítica a partir da sintaxe do português do Brasil?
Muito agradeço a Vossa estimada atenção.
Valor possessivo do pronome me
Qual a função sintática do pronome me na seguinte oração?
«O infeliz arrojou-se-me aos pés.»
É correto analisar os pronomes se e me como, respectivamente, parte integrante do verbo e adjunto adnominal (adjunto do nome pés)?
Obrigado pela atenção!
«Não aquecer nem arrefecer» com pronomes pessoais
Acabei de aprender a expressão «não aquecer nem arrefecer».
Por exemplo, podemos dizer «O que tu disseste, não me aquece nem arrefece».
Mas não tenho a certeza se se diz «… não o(s)/a(s) aquece nem arrefece» ou «... não lhe(s) aquece nem arrefece», quando se trata da terceira pessoa.
Ou seja, precisa-se, neste caso, dum pronome objeto direto ou indireto?
Agradeço muito a sua atenção.
Oração subordinada relativa: «(os) que reviram os olhos»
Considere-se a seguinte frase:
«Toda a gente sabe que a leitura é crucial no desenvolvimento das crianças, mas a realidade do nosso país está longe de o refletir, e muitos são os que reviram os olhos quando...»
A oração «que reviram os olhos» é uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva, cujo antecedente é «os», com valor de «aqueles»?
Quando condicional
Ao ler a ótima gramática do Cegalla (Novíssima Gramática da Língua Portuguesa), observei a seguinte frase classificada como temporal:
«Formiga, QUANDO QUER SE PERDER, cria asas.»
A frase não pode ser encarada como condicional?
Ex.: «conj.condic. 6. No caso de; se: Só é gentil quando quer alguma coisa.» (Aulete)
Além do Cegalla, vários gramáticos tradicionais não citam o quando como conjunção condicional (ex.: Pasquale e Ulisses – na Gramática de Língua Portuguesa –, Cegalla – na Novíssima Gramática da Língua Portuguesa –...).
Fiz uma pesquisa em questões de concursos e vestibulares; mas não achei o quando como condicional. Pedi à inteligência artificial do Google para me apresentar as funções do quando de acordo com materias disponibilizados na Internet e não apareceu como condicional.
Estou com alucinações ou há muitos casos que o temporal quando pode também ser um condicional? Se não estou alucinado, por que a preferência por temporal?
Desde já, agradeço-lhes a enorme atenção.
«O que» e «o quê» (Brasil)
Deve-se construir «Afora isso, não temos sobre o quê conversar» ou «Afora isso, não temos sobre sobre o que conversar»?
Obrigado.
Pelo no começo de oração de infinitivo (arcaísmo)
Na tradução de António Feliciano de Castilho (1800-1875) das Metamorfoses, no episódio de Io, há essa passagem:
«Olha em torno de si, não vê o esposo; e suspeitosa, pelo haver colhido já vezes cento em amorosos furtos, não o achando nos céus, — Ou eu me engano, ou lá me agravam — diz.»
Parece que pelo aqui é per mais o pronome o, e não o artigo definido o. Isso é possível? Ou seria melhor "pelo o haver colhido"?
Obrigado.
