DÚVIDAS

A estrutura «o objetivo era o de...» (focalização)
Quando revejo livros, leio muitas vezes «O objetivo era o de» + verbo. Por exemplo: «O objetivo era o de ensinar Matemática aos alunos». Isto sempre me soou estranho, desde logo porque é palavroso. No entanto, nunca encontrei uma justificação válida para poder corrigir a formulação palavrosa pela mais simples «O objetivo era ensinar Matemática aos alunos». Perguntas: 1) a formulação palavrosa está incorreta? 2) Se sim, porquê? Obrigado.
O relativo que e os pronomes pessoais átonos (Portugal)
Grato pelo serviço de excelência do qual tanto beneficiamos. Pergunto sobre a razão de se ter passado, em Portugal, a fazer uso comum da colocação pronominal como segue, que retiro de uma súmula de notícias de hoje do "Observador": «que nas últimas declarações mostrou-se como o Dono Disto Tudo». Tenho reparado que, mesmo em vídeos onde os protagonistas dizem com a formulação típica do português europeu, as legendas que surgem aparecem alteradas para a formulação que me faz enviar a questão. Está norma a alterar ou é utilização acrítica a partir da sintaxe do português do Brasil? Muito agradeço a Vossa estimada atenção. 
«Não aquecer nem arrefecer» com pronomes pessoais
Acabei de aprender a expressão «não aquecer nem arrefecer». Por exemplo, podemos dizer «O que tu disseste, não me aquece nem arrefece». Mas não tenho a certeza se se diz «… não o(s)/a(s) aquece nem arrefece» ou «... não lhe(s) aquece nem arrefece», quando se trata da terceira pessoa. Ou seja, precisa-se, neste caso, dum pronome objeto direto ou indireto? Agradeço muito a sua atenção.
Quando condicional
Ao ler a ótima gramática do Cegalla (Novíssima Gramática da Língua Portuguesa), observei a seguinte frase classificada como temporal: «Formiga, QUANDO QUER SE PERDER, cria asas.» A frase não pode ser encarada como condicional? Ex.: «conj.condic. 6. No caso de; se: Só é gentil quando quer alguma coisa.» (Aulete) Além do Cegalla, vários gramáticos tradicionais não citam o quando como conjunção condicional (ex.: Pasquale e Ulisses – na Gramática de Língua Portuguesa –, Cegalla – na Novíssima Gramática da Língua Portuguesa –...). Fiz uma pesquisa em questões de concursos e vestibulares; mas não achei o quando como condicional. Pedi à inteligência artificial do Google para me apresentar as funções do quando de acordo com materias disponibilizados na Internet e não apareceu como condicional. Estou com alucinações ou há muitos casos que o temporal quando pode também ser um condicional? Se não estou alucinado, por que a preferência por temporal? Desde já, agradeço-lhes a enorme atenção.
Pelo no começo de oração de infinitivo (arcaísmo)
Na tradução de António Feliciano de Castilho (1800-1875) das Metamorfoses, no episódio de Io, há essa passagem: «Olha em torno de si, não vê o esposo; e suspeitosa, pelo haver colhido já vezes cento em amorosos furtos, não o achando nos céus, — Ou eu me engano, ou lá me agravam — diz.» Parece que pelo aqui é per mais o pronome o, e não o artigo definido o. Isso é possível? Ou seria melhor "pelo o haver colhido"? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa