DÚVIDAS

Plural de expressões substantivadas e de compostos (Brasil)
Entendo que expressões como louva-a-deus, «bumba meu boi», «chove não molha» não flexionam no plural porque são frases substantivadas, que são invariáveis. Entretanto, tem-se que bem-te-vi, bem-me-quer, não-me-toque flexionam no plural: "bem-te-vis", "bem-me-queres", "não-me-toques". Estas últimas me parecem ser frases substantivadas exatamente como as primeiras, entretanto, flexionam. Qual é a explicação desse fenômeno? Grato desde já!
Artigo definido antes do nome de um produto
Gostaria de perguntar se é considerado um erro grave no português europeu omitir o artigo definido num texto de marketing antes de um substantivo que é o nome próprio de um produto. Por exemplo: Cherry Eclipse inspira-se no encanto raro de um eclipse e é uma fragrância repleta de contrastes. Cherry Eclipse foi apresentada em 2025 como mais uma novidade da famosa coleção R.E.M. Muito obrigada.
Rimas interpolada e emparelhada
Venho pedir a vossa ajuda quanto à classificação de tipos de rima consoante os esquemas rimáticos. Assim: 1) ABBA. Neste esquema considera-se que existe apenas rima interpolada, ou é igualmente defensável a ideia de que temos rima interpolada nos As (A_ _A) e emparelhada nos Bs (_BB_)? 2) ABCA. Aqui podemos considerar rima interpolada (A_ _A), ou o facto de os dois versos do meio apresentarem rima diferente (B distinto de C) invalida essa classificação? 3) ABBACC Podemos considerar aqui, além da rima interpolada (ABBA) uma rima emparelhada (CC)? Ou, para ser emparelhada têm de existir necessariamente pelo menos dois pares (ou trios) iguais seguidos (CCDD ou CCCDDD)? Finalmente, pergunto se a mudança de estrofe invalida a continuidade de uma sequência rimática. (Por exemplo em dois tercetos com a sequência ABB ABB, podemos considerar rima interpolada nos As)? Analisei várias respostas do Ciberdúvidas a estas questões, não tendo ficado inteiramente esclarecido. Gostaria também de saber se existem regras definidas ao nível do Ensino básico e secundário, ou se, pelo contrário, várias interpretações são possíveis. Agradeço ao Ciberdúvidas, parabéns pelo vosso trabalho.
Fobia como elemento de composição
No jornal Público, de 28/05/2026, dei com "maisfobia", uma palavra (?) que se lê no título de um artigo de opinião: "Gente a mais? A preguiça intelectual e moral da 'maisfobia'". No texto, reagindo aos críticos da sigla LGBTQIA+, a autora define o termo por ela cunhado: «Maisfobia n.f. - hostilidade ou desconforto perante a multiplicação, complexificação ou autodeterminação de categorias de identidade e sociais para além das formas consideradas normativas; tendência para considerar excessivo, confuso, ilegítimo e/ou perigoso aquilo que excede o binário ou o sistema de classificação dominante, reduzindo a diversidade a uma versão simplificada e autocentrada do real.» "Maisfobia" é uma palavra correta? Não estaremos a exagerar na formação de palavras formadas com fobia , por exemplo, no discurso polémico?
O aportuguesamento "calache" (pão)
A dúvida é antes orientada a um tema de transliteração. Um pão tradicional da Europa Oriental tem em vários países das redondezas nomes parecidos: kalach, kalács, калач. Não encontro fontes seguras sobre como esta palavra poderia ser incorporada a um texto em português - e uma vez que as opções "kolach" ou "kalach" não parecem harmonizar esteticamente com a nossa sonoridade lusófona, gostaria de uma orientação de como proceder neste caso (e, por extensão, outros parecidos). Me parece que "calache" serviria (buscando um remotíssimo precedente em "Críxena", para o deus hindu Krishna), mas à falta de registros do verbete, não quero incorrer em neologismos que, mesmo com licença poética, dificultem a compreensão. Algum norte a que me apontar?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa