O que explicativo
Numa ficha de trabalho de uma editora surge a frase «Arrumem os livros que a biblioteca vai encerrar». De acordo com as soluções de correção, a oração «que a biblioteca vai encerrar» aparece como coordenada explicativa.
Numa saudável discussão com colegas, uns defendem que a sugestão da editora está correta, no entanto, outros acham que a oração é subordinada adverbial causal. Se fizermos o teste da agramaticalidade sugerido por Maria Eugénia Alves (Ciberdúvidas, 2018), a oração iniciada por “que” é agramatical - “* que a biblioteca vai fechar.” -, uma vez que “na coordenação, a oração que é introduzida pela conjunção não pode dar início à frase”.
Acresce o facto de que a situação descrita na suposta oração coordenada explicativa não é temporalmente anterior à que se descreve na oração anterior. (Carla Marques, Ciberdúvidas, 2022) Porém, “No que respeita à pontuação, quando a oração é coordenada explicativa, deve levar uma vírgula a separá-la da oração anterior. Quando estamos perante uma oração subordinada causal, não devemos usar vírgula.” (Carla Marques, Ciberdúvidas, 2022). Aqui o "que" não é antecedido de vírgula.
Posto isto, tenho dúvidas em relação à classificação desta frase complexa “Arrumem os livros que a biblioteca vai encerrar”.
Aproveito para agradecer o excelente trabalho realizado por toda a equipa do Ciberdúvidas ao longo destes anos. Aprendo muito com a vossa generosidade e profissionalismo! Bem hajam!
«Ou… ou»: conjunções coordenativas correlativas disjuntivas
Relativamente à frase «OU fazes uma pausa nos teus trabalhos OU ficas doente», a minha dúvida prende-se com o facto de se dizer que se trata de uma conjunção coordenativa correlativa.
Não seria, antes, uma "locução conjuncional coordenativa correlativa"?
Obrigado.
Negação, coordenação e as conjunções e e ou
Nestas três frases aqui, o mais indicado é utilizar "e"? Ou utilizar "ou"? E por quais motivos isso?
1) «Nenhum dos dois (pai e filho) quer arcar com as despesas!» («Pai e filho», ou «pai ou filho»?)
2) «Não convidei seu irmão e, muito menos, seu primo!» («E, muito menos» ou «ou, muito menos»?)
«Ir à praia e ir à cachoeira»: qual será a melhor opção?
«Ir à praia e ir à cachoeira» ou «Ir à praia ou ir à cachoeira»?
Gramaticalmente correto e esteticamente bonito, qual vocês mesmos indicam para usar? E por que será?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
A expressão «mas é»
Na oralidade, ouve-se muito a expressão «ter mas é de», como, por exemplo, na seguinte frase: «Tens mas é de ir trabalhar.»
No entanto, recentemente, deparei-me com esta expressão escrita como «ter mais é de».
Qual das duas está correta?
A construção «passados que foram...»
As expressões «passados que foram três dias» (Saramago) e «passados que foram quatro anos» equivalem a «passados três dias» e «passados quatro anos», respectivamente?
Qual é função sintática das palavras «que foram»?
O advérbio conetivo porém e as orações coordenadas
Na frase «Ela telefonou à Ana, porém ela não atendeu», posso considerar a segunda oração coordenada adversativa, apesar de porém ser um advérbio conetivo?
Ou como classifico esta oração?
Como, conjunção subordinativa adverbial de comparação
Qual a diferença do como comparativo para o como que indica modo?
O como de «Ele trabalha como um mouro» é o mesmo de «Ele trabalha como um louco para sustentar a família»?
Grato!
Coordenação correlativa: «nem... nem...»
Na frase «Nem telefonaste nem apareceste.», como se classificam as orações introduzidas por nem?
Há colegas que as classificam como coordenadas copulativas e outros como disjuntivas. Fiquei com dúvidas.
Obrigada.
Enquanto vs. quando
Sou estudante de português e gostava de saber qual destas duas frases é a correta (ou a mais correta):
«Não reparou em nada fora do comum enquanto estava no escritório?» (esta frase é trazida de um manual de Português Língua Estrangeira).
«Não reparou em nada fora do comum quando estava no escritório?»
Obrigado.
Preposições com que e se
Tenho uma dúvida sobre o uso da preposição em frases como:
«Em uma conversa, esteja atento a se o seu interlocutor lhe entende.»
«O professor estava atento a que ninguém colasse na prova.»
«Ela mostrou-se grata a que a ajudassem naquele momento difícil.»
Esse uso da preposição antes de que ou se é realmente natural no português, ou soa artificial?
Pergunto porque, ao ensinar esse ponto aos alunos, a construção lhes pareceu estranha ao ouvido.
Gostaria também de saber se há outros exemplos com outras preposições (como para, em, com) usadas antes de orações introduzidas por que ou se, para compreender melhor a extensão desse uso.
Poderiam esclarecer a correção dessas construções e indicar bibliografia onde essa questão esteja tratada, de preferência com páginas específicas?
Muito obrigado.
