DÚVIDAS

O uso de alguns e de uns
Deparei-me com um ensaio* ["Contextos de uso do indefinido plural uns/umas em contraste com alguns/algumas"] no website da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e um dos pontos foi que há casos em que alguns podem ser utilizados antes da numeração e expressões como tempos/quantos, em vez de uns. Os exemplos foram: «O Massimo esteve dentro do hotel alguns três minutos.» «Agora, só numa semana são alguns quatro ou cinco.» Assim como «Mas, de alguns tempos para cá, tenho descoberto alguns pontos em que, quase por milagre, ela sobreviveu». «Mas, apesar de tudo, apesar de o nosso maoísmo não ter passado de um amo que de má consciência de alguns quantos filhos-família e militares especialistas em guerra psicológica contra os pretos, mantém-se, claro, a questão moral.» Gostaria, então, saber se isto é gramaticalmente correto. Se alguém escrever «Estou aqui algumas cinco vezes por dia» e «O cunhado da vítima afirma que "viviam a alguns 100 metros um do outro, mas até se falavam e nunca discutiram os dois"», então, é incorrecto [construir estas frases de acordo com o artigo em causa], mas as frases «Agora, só numa semana são alguns quatro ou cinco» e «O Massimo esteve dentro do hotel alguns três minutos» estão corretas. Porque é que alguns funciona nos últimos exemplos mas não nos primeiros? Qual é a diferença? Fico muito grato pelas suas respostas.
Ênclise depois de porque
Relativamente à atração exercida pela conjunção subordinativa, e devido ao facto de estarmos perante frases longas, agradecia que me esclarecessem se a próclise continua a fazer sentido nas mesmas: «A afirmação é verdadeira PORQUE, na infância, sonhamos muito e iludimo-NOS muito.» «A afirmação é verdadeira PORQUE, quando ele vê um castelo ou vai à praia, recorda-SE da infância e LEMBRA-SE que esse sonho foi destruído.» Em relação à segunda frase, perguntava se é obrigatória a preposição de regida pelo verbo lembrar-se («lembra-se de que»). Cordialmente
A expressão «tocar ao piano»
Não me parece que haja controvérsia quanto à normal culta pressupor que uma pessoa se sente «ao piano», jamais «no piano», quando se quer expressar que se tenha sentado no banco do instrumento para executar uma obra musical. Depois desse estágio, começam minhas dúvidas. Sei que Napoleão Mendes de Almeida acolhe «tocar ao piano» e condena "tocar no piano". Entretanto tocar (ou executar) "no piano" (executar uma obra por meio do instrumento) é indiscutivelmente errado no que tange à normal culta? Além disso, quando a construção se transforma um pouco e se faz uso de "execução" ou "performance", então também "execução no piano" e '"performance no piano" são construções condenáveis, tornando-se imprescindível o uso de "execução ao piano" e "performance ao piano"? Muito obrigado!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa