A origem da preposição desde
Um livro de gramática listou desde como sendo uma combinação das preposições dês e de, enquanto um dicionário listou desde como sendo somente uma preposição «comum» – o dicionário especifica que dês, na verdade, não faz parte da origem de desde, mas o contrário: segundo o dicionário, dês é uma redução arcaica e informal de desde, e dês, por si só, já tem valor de desde e nunca precederia a preposição de em contexto algum.
Tendo isso em mente, eu tenho algumas perguntas sobre o assunto:
Qual das informações é correta? Afinal, qual é a etimologia de desde? Caso a primeira informação seja a correta, será que isso quer dizer que «dês de» é uma forma correta de escrever desde? E, hipoteticamente, se «dês de» está correto, então "dês da" também? E "desda"/"desdo"?
Obrigado.
Falta de concordância temporal numa frase
Tendo em conta a frase:
«Estava a cozinhar uma feijoada, juntei o feijão na água, quando entra pela janela o mais belo pássaro....»
Qual a forma correta desta frase? Existem exemplos de frases onde a discordância verbal seja possível?
Modalidade desiderativa: «quero crer que...»
Gostaria de saber qual o valor da modalidade epistémica configurado no seguinte excerto:
«... mas quero crer que nunca como agora se assistiu a uma geração que revelasse tão vasta quantidade de autoras.»
Muito obrigada.
Frase copulativa identificadora: «O assassino era o escriba»
Lendo um poema de Paulo Leminski, o título chamou minha atenção e causou dúvida.
Segue o título e o questionamento: «O assassino era o escriba.»
Como fica uma análise sintática desse período? E se invertemos os termos: «O escriba era o assassino»?
Como ficaria a análise?
Obrigado.
Carnavalear, carnavalar e carnavalejar
Oiço tantas vezes o verbo "carnavalar" que acabo por usá-lo: «Vamos carnavalar no sábado?» Também oiço o verbo "carnavalejar". Em ambos os casos, o sentido é «brincar ao Carnaval».
A minha dúvida é: algum destes verbos existe de facto ou são apenas de uso coloquial, como "cafezar" e outros que tais?
O uso frásico de opinar
Em relação ao verbo opinar, é possível dizer-se «todas as pessoas podem opinar para uma melhor sociedade»?
Muito obrigado.
«Tornar todos eles personagens»
Causou-me estranheza parte dum texto com que me deparei hoje:
«Lisboa era visitada por gente de todo o mundo e para ela convergiam pessoas ilustres e foi difícil deixá-los de fora: embaixadores, aristocratas, pobres, prostitutas, amas, até um macaco. Não resisti a tornar todos eles personagens numa Lisboa protagonista absoluta.»
Não deveria ter sido usado o pronome clítico os em vez de eles como complemento do verbo tornar («torná-los todos personagens»)?
Aproveito o ensejo para parabenizar a equipe do Ciberduvidas pelo inestimável serviço que presta ao nosso querido idioma.
Humano e «ser humano»
'Passei a encontrar a expressão humano como nome em vez de adjetivo, significando «ser humano».
É correto ou mais uma importação do inglês?
A palavra hotomote num samba de Clementina de Jesus
É muito comum encontrarmos palavras estranhas nas músicas, especialmente influenciadas pelo regionalismo, mas também por explicações simples e muitas vezes cômicas.
Gostaria de conhecer a explicação para a palavra "hotomote" na música A tua sina de Clementina de Jesus (1901-1987):
«Lá no morro de São Carlos"existe" dois hotomotesde perto conhece os fracosde longe conhece os fortes.»
Obrigado.
Nós de modéstia
Se chamamos «plural majestático» ao que usamos quando nos dirigimos, por exemplo, a um rei, como podemos chamar ao plural que se usa, frequentemente, em comunicação científica?
Muito obrigada.
P.S.: Aproveito para agradecer este 25 anos de Ciberdúvidas. Recorro muitas vezes à vossa plataforma! Obrigada!
