DÚVIDAS

Concordância no plural com dois infinitivos
Numa resposta a uma pergunta feita por mim, cujo título é “Concordância com infinitivo: 'Agrada-me dançar e cantar'”, a consultora Carla Marques disse: «um sujeito composto por duas orações coordenadas desencadeia uma concordância na 3.ª pessoa do singular». E justificou citando um trecho da Gramática do Português (Fundação Calouste Gulbenkian). Compreendi muito bem a sua resposta, pela qual lhe fico muito agradecido. Só que, lendo na Nova Gramática do Português Contemporâneo de Lindley Cintra e Celso Cunha, em relação a concordância, apareceu o seguinte: «Mas o verbo pode ir para o plural quando os infinitivos exprimem ideias nitidamente contrárias: «Em sua vida, à porfia, Se alternam rir e chorar.» (A. de Oliveira, Póst., 43.).” » Aí, eu pergunto: 1.º Por que há a possibilidade de o verbo ir para a 3.ª pessoa do plural, já que o sujeito feito de infinitivos não possui um núcleo pronominal ou nominal a ser fonte para uma concordância numérica? 2.º Então, teria de aceitar que «rir e chorar» são sujeitos compostos apesar de não possuir um núcleo pronominal ou nominal? Desde já, muito obrigado.
O português língua e o inglês language
Em português utilizamos o termo língua, entre outros significados, para um sistema de comunicação utilizado pelos membros de uma mesma comunidade linguística. Podemos utilizar o termo linguagem num sentido lato que pode ser empregue em, por exemplo, linguagem animal, linguagem corporal, etc. Como se pode traduzir estes dois termos para inglês, com os significados diferentes que se denotam acima? Eu só encontro o termo language, com o sentido de «língua». Não encontro um termo inglês para linguagem como um domínio mais amplo que língua. Muito obrigado pelo vosso excelente trabalho.
Sobre a pronúncia e a origem do nome Belchior
Acabo de ver o documentário brasileiro Belchior — Apenas um Coração Selvagem e, além da história deste cantor nordestino que eu desconhecia de todo, surpreendeu-me a prolação do nome: "Belkior", e não "Belxior", com se diz em Portugal e demais países da CPLP. Pesquisando, fiquei a saber, entretanto, que no Brasil o nome de um dos três reis magos é Melchior, em vez de Belchior. Gostava de um esclarecimento sobre estas particularidades brasileiras. Muito obrigada.
Advérbio locativo e pronome pessoal átono
Peço, por favor, que me esclareçam a seguinte dúvida. Por que razão, na frase «Desde os Romanos aos Mouros, aqui se encontram diferenças, se debatem ideias, se cria», o pronome pessoal se surge antes do verbo? Transcrevo, de seguida, o texto completo de onde a frase acima foi retirada: «Quem és tu, Coimbra? Coimbra, a cidade do conhecimento! Na verdade, desde há séculos que a cidade é um ponto de encontro entre culturas. Desde os Romanos aos Mouros, aqui se encontram diferenças, se debatem ideias, se cria. Depois de tornada cidade universitária – a única em Portugal durante 400 anos – foi também lugar de polémicas e de paixões. O seu Fado, triste e melancólico, fala desta cidade como porto de encontros e de partidas. E o rio Mondego traz à cidade a água profunda que vem da Serra da Estrela e atravessa a cidade até chegar ao mar na Figueira da Foz.» Agradeço, antecipadamente, a vossa disponibilidade.
A grafia de imuno-histoquímica
Gostaria de saber qual a forma correta de escrever a palavra "imuno-histoquímica". Surge da junção de duas palavras imuno e histoquímica. É um método laboratorial que em inglês se escreve immunohistochemistry. Podemos aplicar a mesma regra que recomendam para imunoemoterapia, num esclarecimento de 2008?  Resumindo, qual a forma correta de escrever este método: "imunohistoquímica", "imunoistoquímica" ou "imuno-histoquímica"? Grato, um grande bem-haja pelo que têm feito pela língua portuguesa.
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