DÚVIDAS

A forma «foi imprimido»
Tenho uma dúvida relacionada ao uso da forma participial imprimido. É certo que, por ser imprimir um verbo com duplo particípio, usa-se imprimido em tempos compostos e impresso nos demais casos. No entanto, creio ter percebido uma sutileza semântica que pode alterar esse padrão de uso. Com o sentido de «estampar, fixar, gravar, tipografar», [é verdade que] o padrão se mantém. Mas, com o sentido de «conferir alguma coisa a algo ou a alguém» ou «transmitir movimento/força a algo», penso que esse padrão se modifica, como se verifica em «Foi imprimida (e não impressa) grande velocidade ao carro para o estabelecimento do recorde». Sendo assim, gostaria de saber duas coisas: (1) O particípio regular imprimido pode ser usado não só em tempos compostos, a depender do seu sentido? (2) Existem outros verbos (e quais seriam) que se encaixam nesse caso? Muito obrigado!
Subponderar e sobreponderar
O oposto de sobrestimar é subestimar. Será que a mesma lógica deveria aplicar-se a ponderar, com subponderar a ser o oposto de sobreponderar? Estas palavras não são aceites em muitos corretores ortográficos, nem em alguns dicionários. É correta a sua utilização? E a utilização de "sobponderar", pode ser considerada um sinónimo de subponderar? Alguma das alternativas está mais correta? Obrigado.
Uma oração gerundiva: «pinturas representando flores...»
Primeiramente quero agradecer à equipe Ciberdúvidas o belo trabalho de nos ajudar a nós, consulentes, a aprender mais sobre o nosso idioma. Ao ser questionado a respeito da possibilidade da construção de gerúndio acompanhando com, o consultor legitimou tal construção e deu um exemplo: «Todas as umbreiras e cimos de janelas e portas, feitos d'entrançados de canastra, uma das engenhosas indústrias campestres da região, hoje perdida; móveis de pinho, sem tinta nem verniz, respeitando as formas tradicionais do escabelo e do tamborete de tripeça, com pinturas representando flores e animais, no pinho cru: à altura da cimalha, prateleiras com faianças portuguesas de Darque, Coimbra, Caldas e Lisboa [...] (Corpus do Português)» ("Oração de gerúndio introduzida por com", Ciberdúvidas da Língua Portuguesa). Mas, se não for muito incômodo, eu gostaria de saber: Quais são as funções sintáticas de orações com com seguida de gerúndio, como no exemplo que o consultor deu? O que é «oração gerundiva sublinhada»? Mais outra vez: obrigado!
Sobre a sequência «tu sois» (Nordeste, Brasil)
Estava a escutar uma música da Dona Agrestina, mazuca e tudo mais, e notei que numa parte o cantor diz «tu sois preguiçosa». É possivel que no Nordeste tenha existido, seja lá por quanto tempo, o pronome vós que os estudiosos dizem já não ter vindo ao Brasil (e sim o vosmecê e variáveis)? Ou terão vindo para o Nordeste portugueses que já confundiam a conjugação da segunda pessoa do plural com a da segunda do singular? Há outros exemplos desse fenômeno ou é só esse caso do verbo ser (sois)?
Expressão do futuro: fará, vai fazer, irá fazer
Tenho uma pergunta que me incomoda há muito tempo: nas frases abaixo, que me parecem mais ou menos iguais, utilizam-se diferentes formas verbais para expressar uma mesma ideia. Refiro-me às expressões «irá fazer», «vai fazer», «fará». Exemplos: a) Nesta comunicação, a ministra irá fazer um ponto da situação da pandemia em Portugal. b) A ministra da Saúde vai fazer na sexta-feira um ponto da situação da pandemia de covid-19. c) A ministra da Saúde fará amanhã [sexta-feira] um ponto da situação da pandemia. Façam o favor de me explicarem a diferença – quando se utiliza cada uma destas locuções verbais? –, e de acompanharem de exemplos as vossas explicações. Desde já, agradeço a vossa reposta.
A expressão «lá se vai»
Gostaria de tirar uma dúvida sobre a construção «lá se vai». Tal dúvida surgiu a partir da seguinte asserção de Evanildo Bechara, citada abaixo, na obra Lições de Português pela Análise Sintática (p.67, 2018), mais precisamente no tópico sobre verbos impessoais, onde ele diz o seguinte: «Mestres há, como o Prof. MARTINZ DE AGUIAR (em carta particular), que ensinam que o verbo tem de ir ao plural, concordando com o seu sujeito, sendo o singular um caso de inércia mental, igual a "lá vai os homens". Neste caso o sujeito será: "dois corcundas"; "três moças"; "quatro ladrões"; "quatro irmãs".» Não conseguindo deslindar satisfatoriamente o que é exposto pelo notório gramático, peço-lhes a mão amiga neste ínclito e iluminado espaço, ao qual sempre acorro. Desde já muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa