DÚVIDAS

Verbo incoativo: «partiu-se o copo»
Na frase «partiu-se um copo», o segmento «um copo» é um complemento direto ou sujeito? A minha dúvida reside na possibilidade de a frase estar invertida (=«um copo partiu-se»), contudo penso que, na frase dada para análise sintática, «um copo» parece-me o complemento direto da frase, visto que os copos não se partem sozinhos, ou seja, alguém (ou uma entidade) tem de os partir. Desta forma, posso considerar que a frase apresenta um sujeito nulo indeterminado do predicado «partiu-se um copo» («partiu-se» = «partiram/alguém partiu») e que «um copo» é complemento direto? Muito obrigada.
Complemento do adjetivo: «importante para você»
Por obséquio, esclareça-me estas questões: 1. Na oração «Este cartão de crédito é importante para você», qual a função sintática da palavra importante e da expressão «para você»? 2. Nessa oração, o verbo ser poderia ser tratado como um «verbo transitivo direto e indireto» (pois quem é, é algo para alguém), de modo que a palavra importante seria objeto direto e a expressão «para você» seria objeto indireto? Obrigado.
Hífen e colocação de pronomes átonos
Tenho dúvidas quanto à mais adequada colocação do hífen. Em vez de escrever «Por toda a vida poder amar-te», eu gostaria de saber se poderia escrever: «Por toda a vida poder-te amar», ao que me foi respondido que sim. Entretanto, surgiu-me uma nova dúvida: Nesse último caso, o sentido não ficaria diferente, já que o te, originalmente, refere-se a amar («amar a ti») e não a poder? No Brasil, ele seria escrito «por toda a vida poder te amar», ou seja, em vez de uma ênclise em poder, seria uma próclise em amar. Não sei se, gramaticalmente, essa colocação já seja "pacificamente" aceita como possível, embora seja bastante difundida na prática. Ela pareceu-me mais apropriada já que, ao que me parece, amar-te seria uma oração subordinada substantiva reduzida de infinitivo, em vez de formar uma locução verbal com poder. A mesma dúvida aparece em «tentar servir-te», etc. Mais uma vez, grato pela atenção!
Oração gerundiva: «Tendo em vista que...»
No período «Tendo em vista que os recursos são escassos, devemos economizar», «tendo em vista que» pode ser considerada uma locução conjuntiva, e a oração introduzida por ela, subordinada adverbial causal? Explico minha dúvida: em «tendo em vista que», há um verbo (tendo). Uma locução conjuntiva pode conter verbo? Segundo: não se trata de oração reduzida de gerúndio, pois há um verbo finito no primeiro período (são), então acabei não chegando à conclusão nenhuma. Desde já agradeço pela atenção. Um abraço apertado a todos os irmãos unidos pela língua portuguesa!
Dativo ético: «coma-lhe e beba-lhe»
Estou lendo O crime do padre Amaro e vi que o Eça às vezes usa expressões como «beba-lhe» e «coma-lhe», assim mesmo, no imperativo. Cito: «E quando as beatas, que lhe eram fiéis, lhe iam falar de escrúpulos de visões, José Miguéis escandalizava-as, rosnando: — Ora histórias, santinha! Peça juízo a Deus! Mais miolo na bola! As exagerações dos jejuns sobretudo irritavam-no: — Coma-lhe e beba-lhe, costumava gritar, coma-lhe e beba-lhe, criatura!» Como explicar esse «lhe»?
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