DÚVIDAS

O complemento do nome memória
A frase em questão é: «Memórias de quem se emociona porque sabe o que é sem ela viver.» A oração «(de) quem se emociona» desempenha a função de complemento do nome pela ligação estabelecida com o nome/grupo nominal «memórias». A minha questão prende-se com a classificação da oração. Sendo introduzida pelo pronome relativo (sem antecedente) quem deveria ser classificada como substantiva relativa; contudo, atendendo à função sintática que desempenha, deveria ser classificada como substantiva completiva uma vez que as substantivas relativas não desempenham, até onde sei, essa função sintática? E como podemos justificá-lo? Obrigado.
Condicionais de enunciação II
A propósito [de uma condicional de enunciação abordada] em 3/6/2022, acrescento o caso curioso das frases a seguir, em que a condição parece estar posta na oração principal, e não na subordinada iniciada por se: «Se queres tornar-te culto, procura estudar muito.» «Se escolhermos este caminho, precisaremos tomar cuidado com os perigos nele ocultos.» «Se teu objetivo é atingir o ápice na carreira, prepara-te para enfrentar desafios.» «Se você pretende escrever bem, leia bons autores.» São também essas orações condicionais de enunciação? Agradeço desde já a resposta.
Referência comum a grupos de dois sexos
Numa rede social o grupo é composto pelos dois sexos. Na seguinte troca de mensagens por dois elementos (F – feminino e M – masculino): «F - Bom fim de semana, minhas caras. M - ... e meus caros! F1 - Disse bem, minhas caras! Somos todas pessoas!» É correta a justificação invocada por F1 ou deveria ser sempre «meus caros», conforme M, de modo a abranger todo o grupo? Para a frase de F estar correta, não deveria ser especificado o vocábulo pessoas, apesar de soar muito mal? Agradeço o vosso empenho em prol da língua portuguesa.
Infinitivo flexionado: função desambiguadora ou enfática
Sabendo de antemão que o uso do infinitivo é um terreno pantanoso que requer cuidado para trilhar, atrevo-me a concordar com a posição da consulente Inês Pantaleão, em 17/5/2022. Em primeiro lugar, não creio que a frase apresentada por ela seja o caso típico de orações com sujeitos diferentes, a exemplo de «O professor mudou o método de ensino para os alunos aprenderem melhor». A referida oração («os antibióticos perderam eficácia devido à capacidade que as bactérias têm de lhes resistirem...») é um pouco diferente, devendo-se verificar a necessidade de flexão do infinitivo no âmbito somente da oração subordinada («as bactérias têm a capacidade de resistir aos antibióticos»). Para que flexioná-lo, se o sujeito é o mesmo? É frase semelhante a estas: «Todos tinham receio de enfrentar o tirano», «Nós vivemos da esperança de ver um mundo mais justo», «Não cobiçavam a glória de ficar em posição de destaque». Outras de estrutura diferente, mas com sujeito único, também não exigem flexão do infinitivo: "Eles quiseram estar presentes à cerimônia", "Esperamos construir a casa em seis meses". Nesse caso, vale a máxima de "Por que dizer com muito aquilo que pode ser dito com pouco?".
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