Consultório - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
Início Respostas Consultório Tema: Variedades linguísticas
Lucas Tadeus Oliveira Estudante Mauá, Brasil 7K

Donde surgiu "mó": de mor (maior) ou muito? Por exemplo, «ela é mó linda».

Li em algum sítio de português que isso veio de muito, mas eu discordo.

É normal ouvir também «ele é o maior babaca», então me parece que vem de maior, e não de muito, como dizem alguns.

Miguel Anxo Varela Díaz Professor de desenho e pintura Ferrol, Espanha 2K

Antes de nada gostaria de dar os parabéns e agradecer a existência desta página maravilhosa das Ciberdúvidas. Eu moro na Galiza e falo galego, mas no seu momento escolhim para a minha língua a opção ortográfica galego-portuguesa e por isso não é estranho que gaste as horas lendo aqui.

Em geral as palavras nas duas beiras do Minho são iguais ou muito parecidas. Mas às vezes alguma delas só está num dos territórios... O caso é que reparei hai pouco que no galego mais enxebre usamos a palavra dedas para falarmos dos dedos dos pés, mas não achei esta forma nos dicionários portugueses.

Gostaria de saber se esta forma é conhecida fora da Galiza, na língua portuguesa, bem como forma dialectal ou histórica ou se consta no registo popular. É uma palavra curiosa, também não sei bem a origem dela, se tem paralelismos noutras línguas românicas ou se parte duma analogia...

Obrigado e saudações desde o confinamento aqui no norte do norte.

 

N. E. (24/04/2020) – Mantiveram-se a morfologia (hai, escolhim), as palavras (enxebre = «puro, autêntico») e a fraseologia (no seu momento = «a certa altura») galegas, incluindo a construção «desde o confinamento», que, em português, não se recomenda.

Lucas Gomes Autónomo S. Paulo, Brasil 12K

Quando quero me referir à maneira de pagar alguma coisa, qual das frases abaixo está correta?

1) Pagar à prestação.

2) Pagar a prestações.

Elisabete Martins Professora Quinta do Conde - Sesimbra, Portugal 8K

Há pouco tempo surgiu a dúvida entre «bago de arroz» ou «grão de arroz». Qual é a forma correta?

Sempre disse «bago de arroz», até existe uma loiça chinesa com essa designação. Soube que os nortenhos dizem «grão de arroz».

Podemos usar as duas?

Muito obrigada!

Nuno Castro Funcionário público Felgueiras, Portugal 1K

O meu falecido pai utilizava um termo para descrever quando por um rego de água estava a verter bastante. Este termo era «deitar de enxotão».

Pergunto se esta palavra tem alguma razão de ser e qual a origem?

Obrigado.

Miguel Craveiro Médico Guimarães, Portugal 2K

Estou a fazer uma releitura das obras de João de Araújo Correia, conhecido pela sua correcção na escrita do português, e encontrei no livro "Terra Ingrata" no conto "A mulher do Narciso", a seguinte frase:

«No tanque onde as mulheres sujas procuravam desencardir os manachos em água estagnada...»

Procurei nos dicionários online, mas não encontrei significado para a palavra "manachos".

Será que me podem esclarecer?

Obrigado.

Paula Lança Professora Beja, Portugal 7K

Mais do que uma vez, tem aparecido o termo "esculateira" para designar uma cafeteira de café usada em tempos mais idos. Sempre presumi que se tratasse de uma corruptela do termo "chocolateira". Em pesquisas procurei perceber se este termo estava referenciado como tal ou apenas o que apareceria numa pesquisa pela Internet.

Em português de Portugal nada é referido, mas está disponível alguma informação oriunda do Brasil onde o termo é mesmo usado na sua forma corrompida: esculateira.

Trata-se efetivamente de uma corruptela de chocolateira? Há algumas referências linguísticas, históricas, etnográficas ou outras, relativamente a este termo?

José Garcia Formador Câmara de Lobos, Portugal 4K

Na frase «o André encontrou um baú e lá dentro tinha um mapa», pergunto-vos se a frase é aceitável ou se teria sido aconselhável o uso do verbo haver.

Obrigado.

César Silva Engenheiro Portugal 9K

Li numa das vossas respostas que um ditongo crescente é, na realidade, um falso ditongo porque a suposta sílaba é sempre passível de ser dividida em duas sílabas. Parece-me óbvio em história ou em viola, mas não sei como poderei fazê-lo nos ditongos presentes em quota ou quadro.

Outra dúvida tem a ver com uma semivogal entre duas vogais. Por exemplo, gaiato define-se como tendo três sílabas, com um ditongo decrescente: gai-a-to. Contudo, foneticamente, não vejo razão para não dividirmos de forma diversa, com ditongo crescente: ga-ia-to. A que sílaba pertence a semivogal i? À primeira ou à segunda sílaba? Não existe aqui uma ambiguidade natural?

Obrigado.

Marta Campos Professora Penafiel, Portugal 2K

O verbo vidrar, com o significado de «ficar encantado, apaixonado ou muito interessado», é apenas aceite como português do Brasil?