A crase na nota de suicídio de Getúlio Vargas
Eu sei que não cabe analisar uma frase dita em outros tempos com as estruturas do presente, mas o ex-presidente de Brasil, o populista Getúlio Vargas [1882-1954], antes de se suicidar, escreveu:
«A sanha dos meus deixo o legado de minha morte.»
Se o trecho fosse escrito atualmente, o "a" deveria levar crase?
Grato!
«Adaptar para...»
Surgiu-me uma dúvida em relação à preposição do verbo adaptar.
Normalmente temos presente a preposição a regida por este verbo (ex.: «adaptou-se à nova realidade»), mas é também considerada gramatical a preposição para (ex.: «eu adaptei esta toalha para este fim»)? Qual a diferença?
Gostava de saber a vossa opinião. Obrigada.
A combinação pronominal lho em Júlio Dinis
Num artigo do consultório deparou-se-me a citação seguinte:
«A irritação ditava-lhe uma violenta resposta, mas já lho não permitia a consciência.» (Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais. 1860).
Esta frase suscitou-me a dúvida seguinte cujo esclarecimento antecipadamente agradeço.
Pergunto se, corretamente, não deverá antes escrever-se: «…mas já não lha permitia a consciência», isto é, escrever «lha» em vez de «lho», porquanto na 2.ª oração estamos referindo-nos à violenta resposta.
O substantivo estacionariedade
Qual a palavra correta: "estacionaridade" ou "estacionariedade"? Ou ambas poderão ser utilizadas?
Esta questão surge na sequência de testes efetuados no âmbito da econometria, com o intuito de analisar se determinadas variáveis são ou não estacionárias.
O uso de meia [dúzia] = seis (no contexto de Portugal)
É muito comum no Brasil usarmos o termo «meia dúzia» com o sentido de «seis», principalmente em comunicações telefônicas e aéreas, para que em caso de algum ruído na comunicação, não se ouça três, no lugar de seis. Logo, «meia dúzia» facilita a compreensão de que falamos de 6, e não três.
Pois bem, uma pessoa grosseira me corrigiu, quando eu fornecia meu telemóvel, e citei um dos dígitos como «meia dúzia», com o intuito de facilitar a compreensão. A pessoa respondeu que «meia era para pés». A pessoa compreendeu exatamente o que eu quis dizer, pois após longos anos de troca entre Brasil e Portugal, muitos conhecem muito bem nossas expressões.
Eu não corrijo um americano, quando ele me diz que um artigo custa, por exemplo, 10K. Isso faz parte do dinamismo da comunicação, cada língua tem expressões ou gírias, que podem ser entendidas por outros, sem que isto cause constrangimento.
A pergunta é se posso usar «meia dúzia», no lugar de seis, sem estar incorrendo num erro gravíssimo, que me leve à "guilhotina" (ironia) ?
O adjetivo lignocelulósico
Como se deve escrever: "lenhocelulósico"? "Lignocelulósico"? "Lenho-celulósico"? "Ligno-celulósico"?
O uso de transgénero no plural
Estou escrevendo um conteúdo científico e os revisores corrigiram minha escrita de «pessoas transgênero» para «pessoas transgêneros».
Para mim, a palavra transgênero nesse caso é invariável, pois se desmembrarmos a palavra em trans+gênero, obtemos o sentido de «troca de gênero». Ou seja, «pessoas (no plural) de gênero (no singular) trocado».
O argumento dos revisores é que existe mais de um gênero, portanto o correto para eles seria pessoas transgêneros (tudo no plural). Acredito que se o termo transgênero for utilizado isoladamente, como um substantivo, ele possa variar em número (ex: «os transgêneros da nossa comunidade»), porém quando utilizado como adjetivo, deveria ser invariável (ex: as pessoas transgênero da nossa comunidade).
Gostaria de saber se meu raciocínio está correto ou se estou equivocado.
Obrigado desde já!
O verbo contribuir e as orações subordinadas completivas
Na frase «O projeto contribuirá para combater as alterações climáticas"», como classificamos a oração «para combater as alterações climáticas»? Final ou completiva?
Obrigada.
Incompaginável
Estava lendo Peregrinação de Barnabé das Índias, de Mário Cláudio, quando lá pelas tantas me deparo com a palavra "incompagináveis". Pergunto-lhes que significado essa palavrinha tem. A mesma de incompatíveis, talvez?
Como aparentemente não há registro dela em dicionários, posso concluir tratar-se de um neologismo?
A oração subordinada na frase «não há nenhum [animal]
tão grande que se fie do homem» (Padre António Vieira)
tão grande que se fie do homem» (Padre António Vieira)
Gostaria de saber qual a classificação certa para a oração subordinada seguinte:
«Não há nenhum [animal] tão grande que se fie do homem.» (Padre António Vieira)
Não pode a oração ser restritiva? O meu raciocínio é este: os animais grandes não se fiam do homem; os animais que são grandes não se fiam do homem; embora haja animais grandes, estes não se fiam do homem.
O «que» não retoma o «animal grande»? O não se fiar é uma consequência da sua grandeza? A grandeza é uma característica/causa que, apesar de existir, impossibilita, tem como consequência o não se fiarem?
Muito obrigada.
