Daqui/ nela / no meio
Ao corrigir um texto, surgiram várias dúvidas que não consegui esclarecer, mesmo recorrendo a várias gramáticas. São as mesmas: a) «Para vocês escaparem daqui», nesta frase como podemos classificar (morfologicamente) a palavra "daqui"? b) «… No meio da gruta e nela pôs o veado» Como podemos classificar (morfologicamente) a palavra "nela". c) «Avistaram mesmo no meio do rebanho» Como podemos classificar, morfologicamente, a expressão "no meio"?
«Envolveram-se em confrontos»
Na frase "Envolveram-se em confrontos", "em confrontos" é c. indirecto? Será legitimo ensinar que o complemento indirecto se encontra, perguntando ao verbo "a quem?"
Homonímia, homografia e homofonia
Como se chamam palavras que se dizem da mesma maneira mas que se escrevem da mesma maneira?
O feminino de letão
Qual o feminino de letão? Letã? Letoa? Letona?
«Certificação de/dos serviços»
Estou a redigir um texto em que aparece a frase «Certificação de/dos serviços de tradução». Como será mais correcto dizer: «certificação de» ou «certificação dos»?
Paredense
Gostaria de saber o nome dado a um habitante da Parede. Se um habitante de Lisboa é lisboeta, que nome recebe o habitante da Parede?
De novo o ter que ver/ter a ver/ter a haver, etc.
Antes de mais, parabéns à ilustre consultora dra. Edite Prada, que, com a humildade que só a grandeza e a competência permitem, se dignou responder – de forma, aliás, brilhante –, a uma pergunta recorrente no Ciberdúvidas e já aqui demasiadas vezes contornada sem honra nem mérito. O meu sincero aplauso, Senhora Doutora!
Mas...há um "mas"!
Com todo o respeito, parece-me haver um vício de pensamento que presidiu a todo o excelente trabalho de justificação do verbo ver: é a certeza, que não se ousou questionar, de que o verbo a empregar é este mesmo.
Se bem repararmos, houve que fazer uma "ginástica de quebrar os ossos da razão" para que o verbo ver tenha lugar na frase em questão. A tal ponto que, para o efeito, nem ter nem ver podem significar o que significam (como é afirmado) para que, juntos, dêem à frase o sentido que "queremos" que ela tenha.
Por outro lado, parece que, afinal, "nada ter a ver" não significará – de certeza, sem dúvidas – «estar relacionado», pelo menos a avaliar pelos exemplos apontados no final da resposta.
Se assim é, não nos obrigará a racionalidade cartesiana a admitir, nem que seja como mera hipótese, que há duas frases parecidas a significar coisas distintas? E que uma terá tomado o lugar das duas (no caso, terá prevalecido a que emprega o verbo ver)?
Será completamente descabido tentar encontrar justificação para o emprego do verbo haver em «isto nada tem que (ou a) haver com aquilo»? É que me parece dar bastante menos trabalho e ser bastante mais lógica e convincente do que a formulada para emprego de ver!
Correndo o risco de ser impertinente pela insistência, volto à minha argumentação inicial:
1 – Haver significa, em primeira linha, «ter».
2 – A frase «isto nada tem que ver com aquilo» é sempre redundante, já que se limita a reforçar a frase «isto nada tem com aquilo», que significa o mesmo. Nesta frase, o emprego do verbo ter não oferece dúvidas.
3 – Na "não frase" «isto nada tem "a ter" com aquilo», o verbo ter seria utilizado exactamente com o mesmo significado as duas vezes, mantendo-se o sentido da frase.
4 – Porque a frase seria foneticamente (e não só...) impraticável, o verbo ter deu lugar a haver, que também significa «ter», para além de «receber», assim se mantendo e mesmo consolidando o sentido da mesma.
5 – Seria indiferente emprego do que ou do a, já que o sentido da frase se manteria em qualquer os casos.
6 – Nesta hipótese, ter e haver continuam a significar o que significam, sem necessidade de ter de os "perverter" para que a frase tenha o sentido que, de facto, tem – porque os verbos utilizados a esse mesmo sentido conduzem (ao contrário do que é, dignamente, admitido com o emprego de ver)!
Tentei demonstrar, esforçadamente como se constatará, que, a não existir uma ideia ou regra fixa e incontornável que "obrigue" à rejeição liminar do haver em proveito do ver, a "justificação" para o emprego daquele seria bem mais simples e facilmente aceitável do que a elaborada à volta do uso deste.
Desta forma se entenderia que o dicionário citado atribua a «nada ter que ver» significado completamente diferente de «estar relacionado», pela simples razão de que a frase que tal sentido terá é outra, ainda que outros também tenha: «nada ter que (ou a) haver».
Em face do desenvolvimento que o assunto já teve, não ouso "exigir" uma "resposta" do Ciberdúvidas. Aqui fica, apenas, o registo das minhas dúvidas que, apesar de tudo, se mantêm.
Obrigado à dra. Edite Prada.
Mostragem ou amostragem?
Ouve-se inúmeras vezes os comentadores desportivos referirem-se à «mostragem» ou à «amostragem» do cartão amarelo, por exemplo. Parece-me que o mais correcto seria mostragem, mas na dúvida gostaria que esclarecessem.
Codificabilidade (e não "codabilidade")
Li, numa dissertação académica sobre Direito Penal, este título:
«Contributos para o estudo da CODABILIDADE num contexto criança-adulto». O que significa "codabilidade"? Existe sequer este termo?
As categorias da narrativa
Gostava que me esclarecessem sobre as diferentes categorias da narrativa. Antecipadamente grato.
