DÚVIDAS

A pronúncia de príncipe e o uso de vós, de novo
Em primeiro lugar, desde já agradeço a resposta […]. Quanto à explicação que me foi dada, embora eu seja um ignorante nessa matéria, ela levanta-me dúvidas. Se o segundo "i" passou a "e" na fala por dissimilação e se manteve imutável na escrita, então porque é que vemos escrito "príncepe" e não "principe" em livros mais antigos, com cerca de cem anos ou até menos? Veja-se, por exemplo, o frontispício de qualquer volume da "Monarquia Lusitana". Mais explícito que isso é difícil. Não teria sido antes pelo contrário? Quanto à palavra "princesa", pode ter origem em francês, mas eu acho que seria mais lógico provir do latim, até porque é mais parecido com a forma portuguesa, mas isto já sou só eu a dar palpites, provavelmente errados. Havia um senhor que colocou há tempos uma questão acerca do uso de "vós" e de "vocês" e foi-lhe dito que ambas as formas eram correctas embora a segunda estivesse hoje mais vulgarizada. Eu não concordo e parece-me que qualquer pessoa que tenha alguns conhecimentos de gramática facilmente verificará que o uso de "vós" é o modo correcto porque o emprego de "você" e "vocês" constitui em si mesmo uma incoerência pelo facto de no singular se usar de modo formal e no plural de modo informal, isto sem falar no facto do uso de "vocês" implicar uma tremenda confusão de tempos e modos verbais. Assim sendo, gostaria que me forre explicado, se possível, qual a origem deste emprego e porque é que se diz que é tão correcto quanto o de "vós", embora eu não concorde. […]
O vocábulo arruada
A propósito da presente campanha presidencial em Portugal, tenho ouvido na rádio o neologismo "arruada" (no sentido de passeata eleitoral dos candidatos e suas comitivas em determinados pontos desta ou daquela cidade) que não vejo abonado nos dicionários. O da Academia das Ciências de Lisboa regista apenas o verbo arruar («andar pelas ruas, geralmente sem destino», o mesmo que «vadiar», na abonação mais próxima do sentido em apreço) – mas não o substantivo "arruada". O que acha o Ciberdúvidas?
O Alfabeto Fonético Internacional e o português
Tinha um enorme interesse em esclarecer algumas dúvidas a respeito da aplicação do AFI (IPA) ao português. Numa resposta anterior, Susana Correia respondeu a uma questão sobre o sistema fonético português, dizendo que o português recorre às consoantes oclusivas fricatizadas β, ð e γ; em palavras como «aba», «dedo» e «mago». Dado que os exemplos dados apresentam sempre a consoante entre vogais, posso deduzir que estas oclusivas fricatizadas apenas ocorrem nestes casos? Como ficaria o caso da palavra «agrado»? Ainda nas consoantes tenho uma dúvida nas chamadas líquidas. O sinal ɫ (l traçado horizontalmente) apenas se usa em palavras acabadas em l? Ou seja «sal» terá um l traçado, ao contrário de «linha» e «ala». E no caso de palavras como «alvoroço» ou «calma»? Já agora quanto ao r nas palavras «rato» e «arrasto», tenho encontrado os símbolos [R] e [ʁ] (R ao contrário). Qual é o correcto? Uma última questão relativa à vogal a nas palavras «alto» ou «árvore». O símbolo utilizado nos primeiros as é [a] ou [ɐ]? Muito obrigado.
O uso da forma “Eurosistema”
O Banco de Portugal e o Banco Central Europeu (BCE) utilizam a palavra "Eurosistema" para designar o conjunto dos bancos centrais da área do Euro (Banco de Portugal, Banco de España, Banque de France, Trapeza te Ellada, Banque Nationale de Belgique, etc.) mais o BCE. A expressão foi criada para distinguir do Sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC) que integra também os outros bancos centrais da UE que não têm o Euro como moeda nacional. Pergunta: Eurosistema é palavra bem formada (euro+sistema)? Não seria preferível Eurossistema ou Euro-sistema? Devo ler /euro sistema/ ou /eurozistema/?
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