A questão do príncipe: do latim ao português
Numa consulta de algum tempo atrás, o estudante Miguel de Góis Silva questionou a forma de se escrever a palavra "príncipe" baseando-se em três pontos: a pronúncia (em Portugal, que daria margem a uma forma "príncepe"), o feminino "princesa" (e não "princisa") e a origem latina em "princeps" (e não "princips"). Os dois primeiros pontos foram esclarecidos (um sendo devido à dissimilação causada pelo i de "prín-", e o outro, a antigo galicismo – o qual, segundo o Houaiss, remonta ao século XV); no entanto, creio que se poderia também dar uma explicação sobre o motivo de o étimo latino apresentar um e ao invés de um i, uma aparente "contradição".
Na evolução natural da língua portuguesa, o caso lexicogênico (isto é, o caso de onde as palavras se originam) é, como regra geral, o acusativo (com a queda do eme no singular, além das outras transformações fonológicas que podem ser estudadas em bons livros de lingüística românica histórica), e não o nominativo: – "gente": do acusativo "gentem", e não do nominativo "gens"; – "parte": do acusativo "partem", e não do nominativo "pars"; – "árvore": do acusativo "arborem", e não do nominativo "arbor"; – "noite": do acusativo "noctem", e não do nominativo "nox", etc.
Bem, segundo Napoleão Mendes de Almeida, em sua Gramática Latina, o radical de palavras da 3.ª declinação que possuía um i breve tinha esse i transformado em e no nominativo se este terminava em ps. Ou seja, em "princeps", o e surge como transformação do i breve do radical "princip-"; como é sobre esse radical que a declinação se baseia, temos que o acusativo singular de "princeps" é "principem" (e não "princepem"), o qual, com a queda do eme final, nos leva regularmente ao "príncipe" da língua portuguesa. O acusativo plural, aliás, é "principes", que também nos dá o plural português "príncipes".
Não sou, porém, um latinista, e também sei que a língua não pode jamais ser tratada como ser plano e regular (mesmo em suas irregularidades), de modo que seria bom ter uma confirmação ou mesmo uma correção de um dos doutos membros que compõem esta excelente comunidade virtual do Ciberdúvidas.
Por ser esta minha primeira mensagem enviada à comunidade, aliás, aproveito para parabenizá-los pelo excelente e dedicado trabalho.
A palavra Grécia e as formas “Hellas” e “Ellada”
Dominado durante largos séculos pelo Império Otomano, o território actual da Grécia teria precisamente este nome na sequência de uma denominação depreciativa usada pelos seus ocupantes: "gregos" seriam "escravos" ou pelo menos "súbditos" do poder otomano. O problema, para os gregos, é que "Grécia" vingou na maior parte das línguas actualmente faladas, algo que, no fundo, lhes desagrada profundamente. Tendo em conta que na língua grega ("elliniká") "Grécia" se diz "Hellas" ou "Ellada" e que um seu natural é um "ellines" (masc.) ou uma "ellinida" (fem.), gostaria de saber: 1. Está correcta a origem de "Grécia" e de "gregos"? 2. Uma vez que os gregos nunca usam o termo "Grécia" – basta reparar nos equipamentos desportivos dos seus atletas, quase sempre com a palavra "Hellas" – não haverá uma outra designação para "Grécia", que corresponda aos adjectivos "helénico" ou "helenístico"? Por outro lado, tendo em conta a nomenclatura das chancelarias internacionais, "Portugal" está para "República Portuguesa" como "France" para "République Française". Seguindo a lógica, qual o equivalente "abreviado" para "República Helénica" – esta última precisamente a designação oficial e internacional da... Grécia. Obrigado pela ajuda e parabéns pelo óptimo esforço em prol da língua portuguesa.
Acento dos verbos em português
Morfologicamente, podemos dizer que, em termos de regra geral, os verbos em português recebem acento na vogal temática, na última vogal do radical ou na vogal morfemática?
A origem do nome Judite e do apelido Labandeiro
Qual a origem do nome “Judite Labandeiro”?
Os termos esferorradiano, esterradiano ou estereorradiano
“Esferorradiano”, “esterradiano” ou “estereorradiano”? Qual o nome correcto da medida dos ângulos sólidos? Já encontrei as três formas... Não sei se ajuda, mas li isto na Wikipédia inglesa: «The name is partly derived from the Greek stereos for solid.» [tradução: «o nome é em parte derivado do termo grego ‘stereos’ para «sólido»].
O verbo pôr e as expressões idiomáticas
Tenho verificado que em certo canal pretensamente cultural e rigoroso (como se classifica) o locutor (por ele ou pelo responsável do guião) evita constantemente empregar o verbo “pôr”. Assim e por mais de uma vez deparei-me com a enormidade: «Colocou-se (alguém) em fuga.» A minha pergunta é: Em expressões idiomáticas será lícito substituir um verbo pelo (aparente) sinónimo?
Significado de procrastinação
O que significa “procrastinação”?
O ponto final e o ponto de abreviação
Gostaria de saber se, na frase: «Os candidatos devem manifestar preferências nos termos do art. 12.º», se deve colocar ponto a seguir a 12.º (ou seja, 12.º.)?
O uso da palavra permeabilidade
Qual é o significado de se afirmar que se tem "permeabilidade" a uma ideia? Poderá ser o de não estar receptivo à ideia? Ou seja, "ela" passar pela pessoa e não fica retida? Ou será que significa que a "ideia" entra facilmente? Ou ainda uma outra hipótese, porventura?
Os diferentes textos de imprensa
Estou a falar na escola sobre textos de imprensa. Conheço a crónica, a notícia e a reportagem. Gostava que me esclarecessem se há mais algum tipo de texto de imprensa, e quais são as características de cada um, porque não consegui encontrar na Internet, e não tive a possibilidade de discutir com a professora.
Obrigadíssimo.
