O topónimo Miraldo (Paços de Ferreira)
Miraldo é um topónimo do baixo latim Miraldus? Ou do germânico mir + aldo («admiração» + «nobreza, sabedoria»)?
Obrigado.
As palavras carantonha e carranca
Qual a diferença entre as palavras carantonha e carranca?
Crase: «Às cerca de 3500 pessoas»
Em recente concurso público para professores no Brasil, uma das questões pedia ao candidato que identificasse entre as alternativas a frase em que se usava incorretamente o sinal de crase. De acordo com a banca examinadora, o erro, destacado, estaria em «Socorristas enfrentam condições meteorológicas adversas enquanto trabalham para liberar estradas e FORNECER AJUDA ÀS CERCA DE 3500 PESSOAS ainda presas em comunidade isoladas».
Em minha argumentação, tentei demonstrar que na frase em questão não haveria erro por tratar-se de um verbo bitransitivo (fornecer) regendo um objeto direto ("ajuda") e um indireto («as cerca de 3.500 pessoas»), sendo que este último, por exigir preposição, admitiria crase em «fornecer ajuda a» + «as cerca de», já que o "as" tratar-se-ia, em princípio, de um artigo definido feminino plural.
Tentando antecipar a contra-argumentação da banca, expliquei ainda que, caso a expressão «a cerca de» fosse iniciada por preposição, o sentido não seria de quantidade aproximada, mas de distância aproximada (p. ex., «a cerca de dez quilômetros») e que, fosse esse o caso, naturalmente não se admitiria crase. Contudo, para minha surpresa, a resposta ao meu recurso foi, literalmente:
«Decisão: Indeferido Argumento: Na frase da alternativa b, a expressão "às cerca de" está errada. A expressão é formada de preposição 'a' e não de crase; além disso, 'às' está no plural quando o termo posterior (cerca) está no singular.»
Apenas isso, sem mais.
Não acho que minha interpretação esteja incorreta. Ao ler passagens como «expressão formada de preposição e não de crase» e ao notar que consideraram um advérbio invariável ("cerca") como «termo no singular», fico com a impressão de que as sutilezas da questão escolhida talvez estejam além da simples aplicação de esquemas reducionistas como os que se vê em https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/acerca-cerca-ha-cerca-de.htm, fonte que acredito ter inspirado o preparador do exame. Contudo, falta-me autoridade para, caso esteja certo, fazer valer meu argumento. Agradeceria imensamente esclarecimentos.
Seja como for, por toda a ajuda e orientação que o Ciberdúvidas tem-me proporcionado ao longo dos anos, registro aqui meus mais profundos agradecimentos. Este site é insuperável, seja na clareza, na amplitude ou na solidez de suas explicações. Que possam continuar sempre assim.
Chamar = «convocar»
Por favor, a frase:
«O técnico brasileiro chamou o novo talento para a seleção.»
O verbo chamar nesta frase é verbo transitivo direto e indireto?
O termo «para seleção» é objeto indireto? Ou qual a função sintática do referido termo?
Obrigado.
A classe de palavras de milhar
Estou com algumas dúvidas na identificação de classe de palavras na expressão: «milhares de turistas»– nesta expressão, «milhares» é um quantificador ou um nome?
Agradeço a vossa atenção.
A sintaxe do verbo aparecer
Na frase «com Maria também apareceu a luz», qual é a função sintática de "Com Maria"?
Estou muito confuso, pois parece-me ser um modificador, já que nos mostra as circunstâncias em que a ação ocorreu. No entanto, não sei se será um complemento oblíquo, na medida em que há verbos com exceções, não é?
Obrigado pela vossa ajuda.
Antónimos de viajante e nómada
Será que temos na língua portuguesa o antónimo das palavras "viajar", "viajante" e "viagem"?
Saudações!
Repetição de se e que
Gostaria, por favor, de saber a necessidade ou não de repetir o pronome se na seguinte frase:
«Precisamos verificar o que se come e bebe naquela região.»
O certo seria «o que se come e se bebe»? Ou, ainda, seria necessário repetir o relativo que?
«O que se come e o que se bebe»?
Agradeço desde já.
A expressão «Excelentíssimos Senhores»
Procuro saber a forma correta e mais cordial de me dirigir numa carta de apresentação.
Isto é, «Ex.mos Srs.» é adequado considerando que do outro lado pode estar uma senhora?
Obrigado.
A vírgula em «não faça isso, não»
No livro 1000 erros de português da atualidade, o autor, o famoso gramático Luiz Sacconi, no item 854, intitulado "não faça isso, não", escreveu:
«Usa-se sempre vírgula antes do não, como nessa frase [não faça isso, não]. Outro exemplo: Eu nunca diria uma coisa dessas, não. *** Não vou lá, não.»
Gostaria de saber se a repetição do não ao fim da frase é realmente aceita pela gramática normativa; se sim, se ela precisa ser precedida imediatamente por vírgula, como diz o autor; se sim, por qual razão, em que obras esse uso aparece nos nossos melhores escritos e quais gramáticos, além do citado, abonam esse uso.
Além disso, a aceitação desse uso não estaria em conflito com o que ensinou o gramático Celso Cunha (2014, p. 442), no livro Gramática Essencial, ao escrever: «os [= os advérbios] de negação antecedem sempre o verbo: Não aparece vivalma. (V. DE CARVALHO) Não dormi, tampouco estive acordado. (DA COSTA E SILVA)»?
Obrigado.
