DÚVIDAS

Supressão de preposições em complementos verbais
A propósito da polémica levantada na opinião pública por ter sido visto a fumar no avião que o transportava na sua viagem oficial à Venezuela, o senhor primeiro-ministro José Sócrates proferiu os seguintes enunciados que transcrevo, do jornal Público do dia 15 de Maio desse ano: «Tenho o convencimento que se podia fumar»; «estava convencido que não estava a violar nenhuma lei»; «Tenho agora consciência que os fumadores inconscientemente podem violar normas e regulamentos.» Em minha opinião, os três enunciados enfermam de erros de construção, por omissão da preposição de antes da conjunção subordinativa substantiva que, por as estruturas «ter conhecimento», «ter consciência», «estar convencido» e outras similares regerem essa preposição como, por exemplo, «chegar à conclusão». Com efeito, ter conhecimento, ter consciência, estar convencido, chegar à conclusão serão, em minha opinião, ter conhecimento, ter consciência, estar convencido, chegar à conclusão de algo, por isso o emprego da preposição de antes de que. São muito frequentes estas ocorrências mesmo em escritores de nomeada, para não falar nos média e nas intervenções públicas dos diversos agentes sociais, que me parecem incorrectas. Estarei errado? Agradecia o vosso comentário esclarecedor sobre esta questão.
Sobre as expressões «Não me pareceu» e «Não nos pareceu»
Grata ficaria pelo favor de me esclarecerem se as expressões seguintes, que ouço e leio frequentemente, são correctas: «Não me pareceu.» «Não nos pareceu.» Pareceu corresponde à terceira pessoa do singular do pretérito perfeito de parecer. Ora, isto colide, quanto a mim, com me e nos, primeira pessoa do singular e primeira pessoa do plural, respectivamente. Se o meu raciocínio estiver certo, quais os equivalentes gramaticalmente correctos? Já agora; «por favor <noreply@ciberduvidas.pt> <whe-ld2b@kaspop.com> » não é mais um estrangeirismo, desta feita, um espanholismo? O vernáculo não será «se faz favor», que até é mais bonito e elegante? Reitero os meus agradecimentos.
As acepções da palavra idiota + a palavra estonar
Sempre ouvi dizer que um idiota era um indivíduo que tinha muitas ideias. No entanto, consultando vários dicionários, não há um que tenha essa acepção. Terá sido um significado que se lhe deu na linguagem popular mas que nunca foi dicionarizado, ou terá sido dicionarizado mas com o passar dos anos se desvaneceu? Aproveitando, faço também uma pergunta sobre a palavra estonar. Esta significa «tirar a tona a; descascar, etc». Qual a explicação que se encontra para a palavra se escrever dessa forma, e não "destonar"?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa