DÚVIDAS

O imperfeito do conjuntivo e o advérbio hoje
na frase «talvez pudesse... hoje»
Tenho uma dúvida quanto ao uso do advérbio talvez combinado com o pretérito imperfeito do subjuntivo. Na frase «Talvez eu possa ir ao clube hoje», o verbo poder está no presente do subjuntivo porque expressa dúvida quanto ao presente (hoje, mais tarde, daqui a pouco etc). Já a frase «Talvez eu pudesse ir ao clube ... » deve ser completada com um período temporal passado (ontem, no mês passado etc), ou a construção com hoje é gramaticalmente aceitável?
Negação expletiva (II)
Há dias, num artigo de jornal, tropecei na seguinte frase: «Não há dia que passe sem que a corrida presidencial nos Estados Unidos nos ponha o coração aos pulos. Nuns dias agarramo-nos ao mais ligeiro sinal positivo, noutros somos realistas: a economia deve garantir a Trump o seu segundo mandato.» A minha dúvida: «... sem que a corrida presidencial nos Estados Unidos nos ponha o coração aos pulos», ou, antes, «... sem que a corrida presidencial nos Estados Unidos NÃO nos ponha o coração aos pulos» ? Os meu agradecimentos.
A subclasse dos advérbios efetivamente, realmente e decerto (II)
Durante uma pesquisa acerca da subclasse dos advérbios, encontrei a seguinte explicação, dada no dia 1 de fevereiro de 2019, sobre os advérbios efetivamente, realmente e decerto: 'A subclasse dos advérbios efetivamente, realmente e decerto'.  Considero que estes advérbios são de frase: 'Os advérbios de frase e os conectivos'. Uma vez que as respostas foram dadas em anos diferentes (2010 e 2019), gostaria de saber se houve alterações, se alguma das explicações apresentadas não está correta, ou, estando as duas corretas, como poderemos distinguir as subclasses. Desde já agradeço a atenção.
A colocação do pronome pessoal átono na frase
«Pouco se pode dizer»
A frase em baixo está correcta? «Relativamente ao frio, pouco pode-se fazer.» Ou será mais correcto:«"(...) pouco se pode fazer»? Na minha opinião acho que as duas estão bem mas, neste contexto, gosto mais de como soa a última -- gostaria de saber a vossa opinião. (Imagino que algures na base de dados já deva existir resposta para dúvida similar -- desde já, peço desculpa.) Obrigado e parabéns pelos 23 anos (participo pouco mas conhece-vos desde, pelo menos, 1997!)
Sobre as funções sintáticas do advérbio não
Desejava saber se o advérbio de negação desempenha a função sintática de modificador do grupo verbal. Por exemplo: «Eu não o tenho visto ultimamente.» Análise sintática: «Eu» – sujeito simples; «não o tenho visto ultimamente» - predicado; «o» – complemento direto; «ultimamente» – modificador do grupo verbal (O advérbio não não desempenha nenhuma função sintática.) ou «(…) não» – modificador do grupo verbal; «o» – complemento direto; «ultimamente» – modificador do grupo verbal A minha dúvida advém do seguinte: 1. Os modificadores do grupo verbal dão-nos informações acessórias sobre a realização da ação, isto é, indicam-nos as circunstâncias da realização da ação (como os antigos complementos circunstanciais); 2. Nunca vi na antiga terminologia gramatical um complemento circunstancial de negação; 3. Na verdade, com um não não estamos a modificar a ação/dar informação sobre as circunstâncias da realização da ação – estamos apenas a negar essa ação (frase afirmativa vs. frase negativa). Será que “negar a ação” é “modificá-la”? Se se considerar que estamos a “modificá-la”, não existe aqui uma certa confusão conceptual? Consultei o Dicionário Terminológico (DT), que nos apresenta o seguinte, a propósito do advérbio de negação: «Advérbio de negação Advérbio cujo significado contribui para reverter o valor de verdade de uma frase afirmativa ou para negar um constituinte. Este advérbio pode ser um modificador do grupo verbal ou de um constituinte do grupo verbal.» Negação frásica: (i) O João [não] comprou flores à Ana. [Análise sintática desta frase: «O João» – sujeito simples; «não comprou flores à Ana» – predicado; «não» – modificador do grupo verbal (???); «flores» – complemento direto; à Ana – complemento indireto] Negação de constituinte: (iii) O João [comprou à Ana ontem [não flores]], mas livros. (modifica o grupo nominal complemento direto) [Análise sintática desta frase: «O João» – sujeito simples; «comprou à Ana ontem não flores, mas livros» – predicado; «à Ana» – complemento indireto; «ontem» – modificador do grupo verbal; «não flores, mas livros» – complemento direto] O não fica de fora. Ficará também de fora na frase de cima (i). Parece-me haver nesta entrada do DT um conceito diferente de “modificador do grupo verbal”… Obrigada pela atenção concedida.
A formação de infelizmente (II)
Têm-me surgido cada vez mais dúvidas no âmbito dos processos de formação de palavras por derivação. Por exemplo: infeliz é uma palavra derivada por prefixação; felizmente é uma palavra derivada por sufixação. E infelizmente? É derivada por sufixação (infeliz+-mente) ou por prefixação e sufixação (in-+feliz+-mente)? O Dicionário Terminológico apresenta a derivação por prefixação ou por sufixação e a parassíntese surge como o único caso em que são adicionados prefixos e sufixos... Obrigada.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa