DÚVIDAS

«E vedes qual será a loação»:
oração subordinada
Antes de mais, gostaria de agradecer ao Ciberdúvidas o excelente trabalho que desenvolve. Em seguida, coloco a minha questão: deparei-me recentemente, num manual de Português do 10.º ano, com a seguinte questão: «Classifica a oração "qual será a loação" na frase "E vedes qual será a loação".»[1] O que estranhei foi a solução proposta: oração subordinada substantiva completiva, pois, na minha modesta opinião, eu classificá-la-ia como uma oração subordinada substantiva relativa. Assim, peço o vosso esclarecimento, que agradeço antecipadamente.   [1 N. E. – «E vedes qual será a loação» = «e  vedes qual será o louvor». Trata-se de um verso da conhecida cantiga satírica do trovador português João Garcia de Guilhade, "Ai dona fea, fostes-vos queixar". Assinale-se que, por preocupações didáticas, o manual em causa escreve "loação", mas a forma medieval é loaçom. Acrescente-se que loaçom, «louvor», assim como loar, que significa «louvar» são termos utilizados frequentemente na poesia trovadoresca. Registe-se, ainda, o vocábulo loa, antigamente também equivalente a «louvor», mas cujo uso contemporâneo ocorre sobretudo no plural, loas, no sentido de «mentiras».]
«Não sei se...» e modo verbal
Gostaria de saber qual o modo adequado na construção frasal abaixo: «Não sei se ele esteja em casa.» «Não sei se ele está em casa.» «Não sei se ele estaria em casa.» Sabemos que há um advérbio de negação que pode dar um sentido de dúvida ao verbo saber. Neste caso, a oração não deveria ser construída com o verbo no modo subjuntivo? Qual a função sintática do termo (se) na frase acima? Conjunção? Partícula de realce? Poderia colocar o sintagma verbal no final da frase? Obrigado.
O pretérito perfeito e pretérito imperfeito
O que nos permite misturar os pretéritos perfeito e imperfeito quando contamos uma estória e, ainda assim, entendermos tudo que se passa? Por exemplo: «Quando eu era criança, eu nadei muito.»/ «Quando fui criança, eu andava de bicicleta.» «Comi pamonha e bebia suco.» Quando devo obrigatoriamente usar o pretérito imperfeito? Outra pergunta: por que quando digo «Todas as vezes em que ia a Angola, gostava de passear pelas ruas» e «Todas as vezes em que fui a Angola, gostei de passear pelas ruas», na primeira frase eu tenho um sentido implícito de que já não vou mais a Angola? Espero ter sido claro. É difícil mesmo usar a língua, e o desafio é algo fantástico. Obrigado.
Uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva
vs. oração subordinada adverbial consecutiva
Gostaria de saber a classificação da oração subordinada a seguir: «Os cães faziam uma zoada que ensurdecia os vizinhos.» Temos na oração «que ensurdecia os vizinhos» uma oração subordinada adjetiva restritiva ou subordinada adverbial consecutiva? Podemos ter as duas orações? Há ambiguidade de sentido podendo ter dois tipos de orações (adjetiva e consecutiva)? Obrigado.
«Tanto meu quanto teu»
Vós referistes numa resposta a uma consulente que o tão e o tanto, como advérbios, são utilizados diferentemente: o tão acompanha advérbios e adjectivos; o tanto modifica verbos. Noutra resposta a um consulente vós por igual referistes que se usa tão com adjectivos e advérbios, e que tanto ocorre com determinantes e pronomes. Por tal, venho ao vosso consultivo sítio do Ciberdúvidas com a seguinte questão: acompanhando o determinante ou pronome possessivo meu pode utilizar-se o tão («Este livro é tão meu quanto teu.» /«Este livro é tão meu quão teu.») ou deve utilizar-se o tanto («Este livro é tanto meu quanto teu.» / «Este livro é tanto meu quão teu.»)? E, já agora, o quão e quanto estão bem usados nas orações acima mencionadas? Desde já, muito obrigado pela atenção despendida.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa