DÚVIDAS

A regência do adjectivo incapaz
Antes de tudo, obrigado pelo serviço! Esta oração gerou dúvidas em sala de aula: «Os torcedores consideram o técnico incapaz em suas funções.» O excelente professor analisa o termo «em suas funções» como complemento nominal de «incapaz», mas isso gerou dúvidas. Primeiro, só encontramos em Bechara [Moderna Gramática Portuguesa, 2002, pág. 577] e outras gramáticas a palavra incapaz regendo de e para. Segundo, achamos que incapaz já estaria com seu sentido completo, sem a necessidade de complemento ou explicitação. Por último, ficamos com a impressão de que «em suas funções» poderia significar «incapaz enquanto técnico» ou «incapaz como técnico», o que poderia trazer muito mais uma interpretação de circunstância do que de complemento nominal. Bem, obrigado pelo espaço para perguntas, e ficamos aqui na esperança de dirimir essas dúvidas!
Ainda «ligar com»
Obrigado mais uma vez pela vossa resposta, e mais uma vez peço desculpa por insistir: A situação é esta: ouço com frequência, numa das nossas estações de rádio públicas, a seguinte frase: «Obrigado por se ligar connosco!» O locutor agradece pelo facto de eu, ou outra pessoa, ter ligado telefonicamente para aquela estação. Pergunto: O locutor não deveria dizer: «Obrigado por se ligar (ou se ter ligado) a nós»? Muitíssimo obrigado.
A sintaxe do verbo perguntar
Gostaria de pedir um esclarecimento sobre a frase seguinte: «O director dirigiu-se à representante das educadoras do Berçário/Creche perguntando-a, relativamente aos horários, como eram geridos os problemas quando a Creche era gerida pelo AA.» Houve alguém que me disse que não concordava com «perguntando-a» mas sim perguntando-lhe, mas não me soube clarificar. Qual é a correcta? Obrigado pelo esclarecimento.
«Querer dizer com...»
Qual é a palavra correcta a utilizar, com ou por, por exemplo, nestes casos: «– Ele é muito despassarado – disse ela secamente. – O que queres dizer com isso? – pergunta-lhe Alexandre com ar de quem realmente não entendeu. – Com despassarado quero dizer distraído, vago – retorquiu ela claramente irritada – não dá conta dos recados, é o que é.» «– Ele é muito despassarado – disse ela secamente. – O que queres dizer com isso? – pergunta-lhe Alexandre com ar de quem realmente não entendeu. – Por despassarado quero dizer distraído, vago – retorquiu ela claramente irritada – não dá conta dos recados, é o que é.» Para mim, usar por nesta situação não é correcto, mas tenho visto esta construção de frases vezes sem conta. A minha dúvida sobre a utilização de com ou por prende-se talvez com o inglês, em que dizemos, por exemplo, «What do you mean by scatterbrained?» Portanto, devemos usar com, ou por? Muito grata.
Ainda o verbo bastar
Cumprimento-os por este belíssimo site de auxílio a tantos amantes da língua portuguesa. Quanto tenho usufruído dele! Minha dúvida recai sobre o verbo bastar. Em muitas situações, mesmo quando o utilizamos como intransitivo, ele parece pedir um complemento. Exemplos: a) «Bastou ela ir embora para ele voltar.» b) «Bastou o sol surgir, que as ideias também nasceram.» c) «Bastou que o meu pai falasse, e todos se manifestaram.» Estão essas frases acima corretas? Pode-se usar o verbo bastar seguido da preposição para ou das conjunções que ou e? Há exemplos parecidos no Aurélio, Houaiss e Luft (Dicionário Prático de Regência Verbal), mas nada muito esclarecedor. Peço-lhes ajuda.
Regências e as construções «outro... que não...» e «não... senão...»
Gostaria de saber se, nas três frases seguintes, há alguma impropriedade gramatical: «E, já no semestre seguinte, o insigne mestre não falava de outra coisa que não Os Lusíadas, monumental e imorredoura criação do gênio de Camões.» «E, já no semestre seguinte, o insigne mestre não falava de outra coisa senão Os Lusíadas, monumental e imorredoura criação do gênio de Camões.» «E, já no semestre seguinte, o insigne mestre não falava de outra coisa senão de Os Lusíadas, monumental e imorredoura criação do gênio de Camões.» Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa