Início Respostas Consultório Campo linguístico: Transcrição Fonética
Marcos Helena Estudante Lisboa, Portugal 3K

[A] propósito da definição, produção e percepção de ditongos, [recebi uma resposta vossa, com exemplos, que]* foi assaz taxativa: «Não sabemos de quem diga que não há ditongos em português.» Ora bem, a meu ver, os exemplos que o(a) prezado(a) consultor(a) listou mais não são que evidentes provas da impropriedade lexical que flutua em torno do conceito ditongo, o qual uso deturpado se generalizou. Em abono da verdade, o Dicionário da Língua Portuguesa – sem Acordo Ortográfico da Porto Editora define ditongo como sendo uma «sequência, numa sílaba, formada por uma vogal e uma semivogal». O verbete enciclopédico da Infopédia vai mais longe, afirmando que o vocábulo inglês fire se pronuncia [‘fajE].

Claro que estas afirmações incorrectas só podem vingar numa língua em que não existem verdadeiros ditongos, mas tão-somente combinações de vogal + semivogal. Nesta linha de pensamento, acresce citar duas fontes: uma informal, extraída de um fórum em linha (1), e outra formal, extraída do Précis de phonétique historique, de Noëlle Laborderie (2).

(1) «Ditongos em diferentes línguas? ■ Eu queria tirar uma dúvida: na língua portuguesa, os ditongos são formados pelo encontro de uma vogal + uma semivogal. em [sic] inglês e em outras línguas germânicas, por exemplo, os ditongos, por sua vez, são formados pelo encontro de duas vogais, sendo a mais forte o núcleo silábico. Foneticamente, existe alguma diferença entre os ditongos formados com as semivogais [j] e [w] e as vogais fracas [i] e [u]?»

(2) On remarque que y se vocalise (devient voyelle) en iꞈ diphtongal, c’est-à-dire un i qui n’est pas centre de syllabe (…).

N.B. – Noëlle Laborderie utiliza o Alfabeto Fonético de Bourciez nas suas transcrições, em oposição com as restantes fontes já citadas.

Conclui-se, pelos exemplos dados, que pronunciar [aj] não é o mesmo que pronunciar [aiꞈ], pois só a última transcrição é um ditongo. Para além do mais, em algumas evoluções fonéticas do latim para o francês, dá-se conta da fase em que o encontro de sons era um ditongo e daquela em que, pela consonantização de um dos elementos desse encontro, passou a ser uma sequência de vogal + semivogal.

Para concluir, não podia deixar de transcrever algumas correctas definições de ditongo, bem como a certa transcrição fonética de fire – /ˈfʌɪə/ (in Oxford Dictionaries).

Oxford «■ a sound formed by the combination of two vowels in a single syllable, in which the sound begins as one vowel and moves towards another (as in coin, loud, and side).»

Larousse «■ Voyelle complexe dont le timbre se modifie graduellement une fois au cours de son émission (par exemple en anglais [ei] day, [ou] nose ; en allemand [au], Haus ; en
espagnol [ue] muerte; en italien [uo] cuore). [En français moderne, il n’existe plus de diphtongues : les graphies eu, au, ou correspondent à des voyelles simples [ø], [o] et [u].]»

[...]

* N. E. – O consulente refere-se a uma resposta que lhe foi enviada diretamente, sem ter sido posta em linha no consultório.

João Tapada Revisor Sesimbra, Portugal 4K

Li em tempos, julgo que aqui nas Ciberdúvidas, que o som /x/, em palavras provenientes de línguas que não usam o alfabeto latino, se deve grafar x, e não ch. Assim, a palavra que em inglês se escreve shisha, que provém do persa (designação de um tipo de tabaco e, por extensão, do cachimbo de água com que é fumado), não deverá em português escrever-se "xixa", e não "chicha", como encontro em algumas páginas da Internet?

Gostava ainda, caso a primeira asserção esteja correcta, que me indicassem bibliografia para o mencionado preceito de transcrição.

Muito grato pela atenção.

Rui Vicente Docente Lisboa, Portugal 9K

A minha dúvida prende-se com a divisão silábica da palavra superfície. Da pesquisa que fiz pré-acordo, não posso separar um hiato, onde a sílaba final é átona, neste caso o -cie. Mas e depois do acordo? Algo mudou?

Muito grato!

Nélia da Cruz Contabilista Setúbal, Portugal 7K

Eu nasci na Covilhã, mas fui para a Alemanha com quatro anos. Este verão, depois de 34 anos, decidi voltar para Portugal. Como cresci no estrangeiro, só aprendi o português com os meus pais, obviamente neste caso com o dialeto da Beira Baixa. Eu tenho tido dificuldades a adaptar-me ao dialecto lisboeta, e tenho amigos que gostam de se rir com a minha pronúncia de certas palavras. Uma diferença que eu não percebo é a pronúncia da palavra nasci ou cresci. Eu digo "nassi" ou "cressi", os lisboetas dizem "naschi" ou "creschi". Isso para mim não é lógico, porque só palavras com ch ou x deviam ser pronunciadas assim, correcto?

Gostava de lhes dizer que gosto muito da vossa página porque tem muitas informações interessantes.

Muito obrigada.

José Sobral Vendedor Sobral, Portugal 6K

Deve-se pronunciar: "mestrado", ou "mèstrado"?

João G. Pais Estudante Lisboa, Portugal 4K

Gostaria de saber se na palavra valete o a é aberto ou fechado. Muito obrigado.

Jorge Palácios Médico Setúbal, Portugal 2K
Tosta (s. f.) pronuncia-se "tôsta", ou "tósta"?

Noémia Lemos Professora 1.º CEB Coimbra, Portugal 4K

Obrigada pelo vosso bom serviço.

Gostaria que me esclarecessem se existem duas formas de pronunciar a palavra prestação. Isto porque, quando se diz que se paga uma porção de dinheiro de uma dívida, ouço dizer "prestàção", mas quando se diz, erradamente, como sinónimo de desempenho, ouço: "prestação".

Rosimar Pereira Académica Cuiabá, Brasil 4K

Como se pronuncia a palavra subsídios?

António José Ramos Monteiro Aposentado Santo Tirso, Portugal 3K

A palavra cateter, para aparecer como oxítona, teria de ter chegado até nós pelo grego, mas, como penso que passou pelo latim, por que não aparece como paroxítona?

Agradeço um esclarecimento.