A anatomia e os elementos ântero, póstero, ínfero, etc.
Sou aluno de Anatomia na Faculdade de Medicina do Porto.
A nomenclatura anatómica faz uso muito frequentemente dos termos anterior, posterior, superior, inferior, medial e lateral. Acontece que, para fins descritivos, é também comum combinar os termos anteriores em pares para formar uma só palavra. Eu gostaria que me confirmassem a correcção linguística dos seguintes vocábulos: "ântero-inferior", "ântero-superior", "ânteroposterior", "ânteromedial", "ânterolateral", "póstero-inferior", "pósteromedial", "pósterolateral", "póstero-superior", "ínferomedial", "ínferolateral", "súperomedial", "súperolateral", "láteromedial"...
Em que situações aplicar o hífen? Em que situações o podemos descartar? Qual a acentuação que deve ser usada nestas palavras? Será possível combinar três palavras, como em "póstero-ínferomedial"?
Obrigado.
Carmim
Sempre escrevi "carmin", para referir a cor da solução alcoólica de fenolftaleína, em meio alcalino. Hoje só encontro a palavra "carmim". Estive a cometer algum erro sistemático?
Grata pela atenção.
A grafia de matriz
Deve-se escrever "matriz", ou "matrix"?
Obrigada.
O u da palavra ninguém
Na palavra ninguém, o u é uma vogal oral?
Sobre a palavra fúria
A palavra fúria é esdrúxula?
Frequência e linguiça
Estava para ser aprovado pelo governo no final de 2007, mas mais uma vez foi adiado.
A língua portuguesa escrita tem muitas regras pouco claras.
Como português, desconhecia que no Brasil se escrevia lingüiça, tendo uma leitura de acordo com o que dizemos, e que o acordo quer abolir.
Gostaria de saber porque é que:
— freqüência, que se diz "frecuência", se deve escrever frequência.
— lingüiça, que se diz "lingu-iça", se tem de escrever linguiça.
Gostaria de aprofundar o tema, mas penso que este Acordo Ortográfico de 1990 deve ser revisto.
Pára, para novamente
«O sentido da regra é a simplificação [Iluminou-me!]. Pára tem tido acento para não se confundir com a preposição para, mas a verdade é que o contexto normalmente evita a confusão.
Tem de aceitar que as frases que apresenta são todas agramaticais, se considerarmos a grafia para sempre uma preposição [Tenho de aceitar? Que com a nova ortografia o texto perca coesão e gramaticalidade? Aliás, onde disse eu que era para tomar "para" sempre como preposição? Como disse, o texto resultou deu um jogo caricato entre as duas formas. Falha na interpretação lógica do texto!?]a) Escrever duas preposições iguais seguidas contraria as regras, a não ser quando usadas enfaticamente [Aí é que está o problema. Não tenho nenhum caso desses no meu texto — nem quero ter!]
b) A vírgula no fim da terceira frase deixa a ideia em suspenso se quisermos considerar o segundo para como uma preposição [Desisto...]
c) A última frase está igualmente incompleta se considerarmos a grafia para sempre uma preposição (para isto, para aquilo e para mais aquilo… o quê?...) [Já percebi a ideia — e já percebi que não percebeu ou lhe não interessou perceber a questão em causa...]O treino no uso da língua permite normalmente avaliar se o conjunto escrito tem coesão. Se aparentemente não o tem, o cérebro humano tende a corrigir o defeito em busca dum sentido coerente, para entender a mensagem (é essa ainda a sua grande vantagem em relação às máquinas, que ficam penduradas quando lhes aparece uma novidade no programa) [Genial!].Por outro lado, o escritor que verdadeiramente se preocupa com os seus leitores usa as suas palavras por forma a que no contexto não haja ambiguidades (ex.: "Interrompe o que está a fazer, para que possas reflectir!") [Parece que para este Sr. uma língua se resume à prosa jornalística... Em outros registos, a ideia de se preocupar com o leitor é, no mínimo, questionável e debilitadora do que é a arte e a criação literária... Renegaremos centenas de séculos de poesia? O texto que escrevi não é legítimo? Só pode sobreviver mutilado, com o acordo? Ridículo!]
No caso de o escritor pretender a ambiguidade e não se preocupar muito com a perfeição do texto [Perfeição? Que perfeição? Poética? Musical? Gráfica? Retórica? Gramatical? Léxica? Conceptual? De conteúdo? Jornalística?], então até convém que a riqueza da língua o permita [Sem comentários...] Exemplo: "Para a decisão Alcochete, para o projecto Ota, de quem são os interesses beneficiados?” A segunda grafia de para pode dar vários sentidos à ideia: para sempre preposição permite pensar que havia interesses beneficiados quer numa solução quer na outra; com o segundo para forma verbal, ointeresse seria de todos nós, nacional… ou muito o dos defensores da margem sul?...»Já agora, para que não restem dúvidas:«Pára para que possas reflectir,pára para que possas sonhar calmamente,para que o teu trabalho seja frutuoso, pára,pára para olhar o teu redorcom a placidez dos sábios.Pára com as soluções gratuitas,pára com o facilitismo imprudentepara com a melhor das intençõessingrares depois num áureo caminho.»
Madraça (= escola muçulmana)
Deve-se escrever "madraça", ou "madrassa"? Pergunto isto porque numa recente mensagem de correio electrónico que me enviaram usaram a expressão «madraça islâmica». Já agora podiam-me dizer o que é uma «madraça (?) islâmica»?
A ortografia portuguesa e "dj"
Na pergunta Usbequistão/Tajiquistão/Turcomenistão, F. V. Peixoto da Fonseca afirma que "dj" (como em Tadjiquistão ou Djibuti) não se admite na ortografia portuguesa.
Eu pergunto, então e palavras como djacato, djacutá, djalmaíta ou djambadim (todas presentes no Dicionário Houaiss)? E coisas mais simples como adjectivo ou adjunto?
Obrigado.
Vêem e vêm, mais uma vez
Gostaria que me esclarecessem uma dúvida relativa à classificação da palavra vêem quanto à acentuação.
Parece haver um hiato entre as duas vogais, o que faria deste plural paroxítono. No entanto, as gramáticas parecem agrupá-lo, assim como os seus compostos, na classe das oxítonas (fazendo a ressalva para a conservação do acento circunflexo do singular na forma do plural).
Obrigado.
