DÚVIDAS

A diferença entre progresso e progressos
Gostaria que me fizessem o favor de esclarecer o seguinte: Existe, de facto, alguma diferença entre progresso e progressos? Em princípio, eu diria que sim, mas... Por exemplo: A) «O aluno fez progressos assinaláveis.» – correcto B) «O aluno fez (um) progresso assinalável.» – incorrecto C) «O progresso do aluno.» – correcto D) «Os progressos do aluno.» – correcto E) «O progresso da Humanidade.» – correcto F) «Os progressos da Humanidade.» – correcto Neste dois últimos casos, sinto que, em E), significa «o conjunto dos progressos» (o total da soma) da Humanidade; em F), parece que incide sobre os diversos casos pontuais que marcaram a evolução da Humanidade (as várias parcelas da soma). Estou errada? Ou depende de cada falante/contexto? Muito obrigada!
Sobre anáfora e elipse em títulos
Na elaboração da capa de trabalho acadêmico "Projeto de pesquisa", informei o tema "Curatela: inovações do instituto no atual Código Civil". Para minha surpresa, a professora apontou erro no tema e me descontou pontos, alegando que o Código Civil contém diversos outros institutos jurídicos como adoção, guarda compartilhada, tutela etc, que apresentaram, igualmente, inovações, e que, portanto, a omissão da palavra curatela após o termo instituto constituiria óbice ao entendimento da delimitação do tema proposto. Discordo totalmente desse raciocínio, já que a combinação da preposição com o artigo (de + o = do) define, claramente, a referência ao vocábulo curatela, ao qual remete, e cuja repetição entendo desnecessária e deselegante, até. Assim, não vejo aí omissão ou falta de clareza. Cito, ainda, outros exemplos de construções similares que reputo, igualmente, perfeitamente claras, dispensando a repetição de termos subentendidos. Exemplos: – Faculdade Pe. Arnaldo: dez anos de história da instituição; – Adoção: modificações do instituto no Código Civil de 2002; – Advocacia: o exercício da profissão nas empresas públicas; – Orientação à Monografia Jurídica I: plano de ensino da matéria; – Analfabetismo: a solução do problema transcende o aspecto econômico-cultural – Brasil: o que a população espera do novo governo Aguardo, com expectativa, resposta à indagação. Desde já, obrigado pela atenção.
Sobre as regências do substantivo relator e do verbo designar
Há tempos encaminhei uma questão relativa à regência da palavra relator. Nesta oportunidade, desejo retomá-la, em forma diversa. Vejam-se as seguinte frases: «O presidente designou o deputado Carlos Feitosa relator do Projeto de Lei n.º 489.» «O presidente considerou o deputado Carlos Feitosa especialista na matéria.» Não cabe discutir que, assim como a palavra especialista rege em, a palavra relator rege de. Por isso, volto a questionar a correção da frase: «O presidente acusa o recebimento da seguinte proposição, para a qual designou o relator citado entre parênteses: Projeto de Lei n.º 489 (Deputado Carlos Feitosa).» Se for substituída a palavra relator pela palavra especialista, com as devidas modificações na estrutura da frase, ter-se-ia: «O presidente acusa o recebimento da seguinte proposição, para (?) a qual considerou especialista o deputado Carlos Feitosa.» A meu ver, na frase correta deverá constar «na qual», pois a regência assim o exige. O mesmo se poderia dizer da frase com a palavra relator, pois esta rege de, e não para. Gostaria de uma opinião, que desde já agradeço.
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