DÚVIDAS

«O que» e o destaque de elementos numa frase (construção de foco)
Napoleão Mendes de Almeida, na sua Gramática metódica da língua portuguesa, refere que se repete a preposição em frases como as seguintes: «O de que muitos começam a duvidar é das suas possibilidades.» «O de que eu não quero que te esqueças é do sinal da cruz.» «O de que precisamos é de calma.» «O por que luto é pela justiça.» A minha pergunta é esta: seria correto antepor a preposição de ao pronome o? O demonstrativo o nesses contextos desempenha a função sintática de sujeito, sendo assim seria correto ligar a preposição ao sujeito? «Do que muitos começam a duvidar é das suas possibilidades.» «Do que eu não quero que te esqueças é do sinal da cruz» «Do que precisamos é de calma.» «Pelo que luto é pela justiça.» Quanto a esta frase: «No que cuido é nos meus deveres» Seria correto dizer: «O em que cuido é nos meus deveres»? Outra pergunta: Tem razão Mendes de Almeida ao dizer que a preposição se repete, ou seria melhor dizer «O em que cuido são os meus deveres», em que o verbo ser concorda com o predicativo «os meus deveres»? Gratíssimo ao vosso trabalho
A pronúncia do nome Isaac
Sempre disse e ouvi dizer o nome Isaac como que contraindo os dois a em á; portanto [Izáque]. Recentemente ouço dizer e ler este nome de outras formas, nomeadamente [Izá-áque]. Eu julgava que o uso tinha consagrado a primeira forma de dizer, mesmo mantendo a grafia que aparece já desde a personagem bíblica, o patriarca Isaac filho de Abraão. Mas agora fico na dúvida. Poderiam esclarecer se neste caso há ou não uma forma correta de dizer este nome. Muito obrigado por todo o vosso trabalho.
Juízo vs. julgamento
Gostaria de saber qual é a relação entre juízo e julgamento, em que situações é que as duas palavras são sinónimas. Tinha ideia de que a palavra juízo dizia respeito, em geral, à avaliação da qualidade de uma coisa (sob uma perspectiva moral ou outra) e à opinião que dela se forma e que julgamento diria respeito ao processo jurídico e à sentença que dele resultaria. No entanto, tenho reparado que muita gente usa a palavra julgamento com o sentido de juízo referido atrás, mas nunca o contrário. À primeira vista pareceu-me que esta troca de significados estaria relacionada com a tradução de inglês para português através da proximidade gráfica e fonética (tradução de judgment para julgamento em vez de juízo) como acontece com as traduções de luxury para luxúria em vez de luxo, library para livraria em vez de biblioteca, port para porta em vez de porto, entre outras. Fiz uma pesquisa superficial pela Internet e fiquei ainda mais confuso quanto ao significado das duas palavras (e ainda se complicou mais quando juntei os verbos julgar e ajuizar na mistura), por isso, agradeço qualquer esclarecimento.
Perífrase de «vir a» + infinitivo
na frase «ela espera que a Ciones venha a ter feito o exame»
A minha dúvida é sobre a diferença de significação entre as seguintes orações: 1. Ela espera que a Ciones tenha feito o exame antes de os seus pais voltarem. 2. Ela espera que a Ciones venha a ter feito o exame antes de os seus pais voltarem. Outra dúvida: a estrutura «vir a» é uma perífrase? Se é, qual é a significação ou função da perífrase?
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