DÚVIDAS

Termos integrantes da oração
Em qual das frases abaixo os termos estão corretamente classificados? Se possível analisem para mim cada uma dessas frases. 1. Quem LHE respondeu assim? - Complemento nominal. 2. Desejosos DOS VELHOS LIVROS, fomos encontrá-los num sebo. - Objeto indireto. 3. Fácil DE RESOLVER, o problema não foi discutido pelos grupos. - Agente da passiva. 4. Longe DE CASA, Camões compôs Os Lusíadas. - Complemento nominal. 5. Muitos foram os avisos de MARIA DO SOCORRO, mas ninguém a ouviu. - Objeto indireto pleonástico.
Lhe
Segundo aprendi, o pronome "LHE" só pode ser usado para pessoas e, na função de objeto indireto ou adjunto adnominal, apenas quando o verbo exigir a preposição "a" ou "para". Desta forma, não se poderia escrever, por exemplo: 1) "Preciso-LHE muito" (no sentido de "preciso muito DE você"); 2) "Como o CÃO estava com fome, dei-LHE comida" (dei comida ao CÃO); 3) "Porque o CARRO já estava velho, furou-LHE um pneu" (no sentido de "furou o pneu do CARRO"). O que gostaria é que os senhores me confirmassem se estes raciocínios que fiz a partir de meus estudos estão corretos. Pois as coisas nem sempre estão muito claras nas gramáticas, e talvez eu tenha entendido errado. Se for possível acrescentarem algo mais sobre o emprego desse pronome seria ótimo. Obrigado pela atenção.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra
"Nem tanto ao mar, nem tanto à terra." É o que se diz às vezes sobre a escolha de um meio termo (ou "meio-termo", não sei se tem hífen ou não), em relação a um assunto qualquer. Imagino que seja um dito popular, se não for de autoria de algum escritor. Minhas dúvidas com relação a essa frase são estas: 1) Estaria correto o uso da vírgula depois de "mar"? Caso sim, poderia ser escrita a frase sem a vírgula também? Então, caso fosse facultativo o uso da vírgula, que razões levariam a escolher usá-la ou não? * A vírgula emprega-se, entre outros casos, em repetições de palavras que desempenham a mesma função, quando não estão ligadas pelas conjunções e, nem e ou. A frase popular «nem tanto ao mar nem tanto à terra» dispensa a vírgula, porque os seus dois membros estão ligados pela conjunção nem. Mas é frequente a expressividade da linguagem «exigir» a colocação de vírgula antes daquelas conjunções. Atente-se nesta frase de Miguel Torga em «Bichos»: «Mas afinal não caía, nem o ar lha faltava, nem coisíssima nenhuma». Caro consulente, os melhores escritores da nossa Língua abonam a vírgula antes de nem... por razões estilísticas. ** 2) Existiria crase antes de "terra"? Dizem que não existe no sentido oposto a mar e que existe no sentido de solo, mas não sei se, neste ditado, a palavra "terra" está no sentido de oposição a mar ou no sentido de solo mesmo. Inclino-me a empregar nesta frase, antes de terra, a preposição a contraída com o artigo A, ou seja, «À terra», por analogia com «ao (a o) mar»: fazendo um daqueles paralelismos formais de que as sentenças populares tanto se socorrem, quantas vezes em detrimento dos rigores semânticos. 3) Qual seria a análise sintática e morfológica da frase? Na frase «nem tanto ao mar nem tanto à terra», temos a ilustração do uso da figura de sintaxe chamada elipse, como processo estilístico adequado à enunciação rápida e concisa. A elipse é a omissão de termo(s) da oração que o contexto permite facilmente subentender: «vida difícil a nossa». Compreende-se que em provérbios, sentenças, divisas, se recorra frequentemente à elipse: «meu dito, meu feito», «Ano Novo, vida nova» etc. A nossa frase apresenta duas orações coordenadas disjuntivas, às quais faltam o sujeito e o verbo, que poderiam ser «nem vamos (nós subentendido) tanto ao mar nem vamos (idem) tanto à terra; ficamos no meio- termo». 4) E o "nem"? Li, certa vez, que "nem" é igual a "e não"; mas se o "nem" fosse substituído por "e não" em frases como esta, não faria sentido algum, penso eu leigamente. Se não for exagero, os senhores poderiam me dizer de quais formas é usada a palavra "NEM" e suas classificações sintáticas e morfológicas? Obrigado. Nem é sempre conjunção coordenativa, isto é, relaciona sempre duas orações coordenadas. Mas pode ser conjunção coordenativa copulativa, e nesse caso significa «e não»: «não sei nem quero saber de histórias» «não é permitido pescar nem nadar neste lago»; ou conjunção coordenativa disjuntiva, quando liga duas orações alternativas, como é o caso, por exemplo, da frase de que nos temos ocupado.
Euro, outra vez
Os nomes próprios escrevem-se com maiúsculas. Significa isto que quando me estou a referir ao nome "próprio" da divisa europeia devo escrever o Euro, mas que quando utilizo a expressão como simples escala de valor devo utilizar euro? Exemplificando. Está correcto escrever: "O Euro valorizou-se 20%"; "O Dólar é uma divisa forte"; "Um litro de gasolina custa 1 euro"; "O meu salário mensal é de seis mil euros"? PS: Um litro de gasolina não custa de facto um euro, mas pouco menos. PPS: Infelizmente o meu salário mensal é bastante inferior ao indicado na frase exemplo.
Paleta/palete
Refiro-me a um objecto que pode ser definido como um estrado feito de ripas largas de madeira, utilizado vulgarmente na movimentação e transporte de e mercadorias. Inglês: "Palette" Francês: "Palet" Após uma pesquisa sumária julguei ter concluído que o termo correcto em português deveria ser PALETA. No entanto: - A imprensa da especialidade (transportes, logística, etc.) utiliza "PALETE". - Todas as brochuras publicitárias, de empresas do ramo, que tive oportunidade de consultar, empregam "PALETE". - No discurso da voz corrente também julgo ouvir "PALETE". Será que poderei obter o vosso auxílio no esclarecimento desta dúvida, para não ser mais um a deturpar a nossa língua, uma vez que por razões profissionais tenho que utilizar este termo em muitos documentos escritos. Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa