DÚVIDAS

Antropoceno e Antropocénico
Na comunidade das ciências naturais, ciências humanas, ciências sociais e noutras áreas do conhecimento humano subsiste a dúvida (e a discussão) sobre se se deve adotar "Antropoceno" ou "Antropocénico" como o vocábulo adequado para designar a nova época geológica e cultural em que teremos entrado em meados do século XX. O conceito de Antropoceno/Antropocénico é transversal a todas as áreas do conhecimento humano e traduz um tempo a partir do qual a humanidade se tornou uma força telúrica capaz de colocar em causa a sua própria existência, bem como a vida tal como a conhecemos, ao ponto de poder causar a sexta extinção em massa do planeta. Sendo um conceito não apenas geológico, mas também cultural, gostaria de saber a opinião dos linguistas do Ciberdúvidas sobre como devemos apelidar este novo tempo: Antropoceno ou Antropocénico? Agradeço antecipadamente a vossa resposta e aproveito para felicitar o vosso trabalho, altamente meritório para a língua portuguesa.
A pronúncia de racismo
Compreendo a forma de pronunciar certas palavras, quando as mesmas assumem uma forma com silabas adicionais. Como exemplo refiro: carro e carroça" (lendo-se cárro e cârroça), ou faca e faqueiro (lendo-se fáca e fâqueiro). Assim sendo, como explicar o caso de raça e racismo, onde as duas palavras são ditas como "ráça" e "rácismo"? Há alguma regra que possamos considerar para saber quando se abre ou fecha a vogal? Obrigado.
Não + pronome o: «Não no pode estorvar» (Camões)
Algumas ocorrências que encontrei de pronomes oblíquos átonos arcaicos: «Que estais no céu, santificado... Não no disse eu, menina? Seja o vosso nome…» (Almeida Garrett) «Ele ou é trova, ou latim muito enrevezado, que eu não no entendo.» (Almeida Garrett) «Via estar todo o Céu determinado / De fazer de Lisboa nova Roma; / Não no pode estorvar, que destinado / Está doutro Poder que tudo doma.» (Camões) «O favor com que mais se acende o engenho / Não no dá a pátria, não, que está metida…» (Camões) «Ora sabei, padre Fr. João, que eu bem no supunha, bem no esperava; mas parecia-me impossível, sempre me parecia impossível que viesse a acontecer.» (Eça de Queirós) «A culpa de se malograrem estes sublimes intentos quem na tem é a sociedade…» (Camilo Castelo Branco) «Parentes, amigos, nem visitas nenhumas parecia não nas ter.» (Almeida Garrett) Há alguma explicação para o uso da consoante n antes dos oblíquos átonos? Muito obrigado!
Análise da frase «assistir àquilo foi a gota de água»
Na frase «Depois de todo o terror, assistir àquilo foi a gota de água», o termo «a gota de água» é sujeito ou predicativo do sujeito do termo «assistir àquilo»? É possível, no predicativo de um sujeito oracional, haver artigo? Se for invertido assim «A gota de água foi assistir àquilo»,neste último caso, o termo «a gota de água» é sujeito? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa