O género de jeans
Li com curiosidade os esclarecimentos dados por José Mário Costa, no tocante ao termo inglês jeans e à sua incorporação na nossa linguagem comum. Mas resta-me uma (ciber)dúvida: feito este inevitável aportuguesamento de uma palavra destituída de género, na sua origem, como classificá-la, agora?
Substantivo masculino (como é corrente), ou feminino (como o género de roupa – «as calças» – a que pertence)?
As raízes francesas da palavra jeans são bastante plausíveis, tendo em conta a provável derivação do nome da cidade italiana de Génova, muito associada ao fabrico dos tecidos usados nesta roupa; derivação esta que tem a sua origem na designação francesa para a mesma cidade – Gênes. Chegados assim a jeans, por corruptela de tradução, percebe-se que os franceses atribuam o género masculino à palavra, uma vez que ela se situa no grupo, também masculino, denominado pantalons. Mas será esta influência razão suficiente para legitimar a atribuição do mesmo género à roupa que, entre nós, se insere no universo (feminino) das “calças”?
Eis a questão.
Cordial e reconhecidamente.
O conceito de comunicação
Por favor, eu gostaria de sanar uma dúvida sobre teoria da comunicação.
Eu estava estudando esse assunto e me deparei com o seguinte conceito sobre comunicação:
«É um processo que envolve a troca ou compartilhamento de IDEIAS entre 2 ou mais interlocutores por meio de signos (verbais ou não verbais), regras semióticas convencionadas e mutuamente entendíveis."
Desculpe se parecerem óbvios os questionamentos abaixo:
Um "bate-boca" entre pessoas no qual há ocorrência de palavras vulgares é considerado comunicação? Uma "conversa fiada" idem?
O motivo dessa minha dúvida é que eu tenho para mim que o significado de ideias se refere a algo mais intelectualizado, mais pensado teorizado e afins, uma vez que palavras obscenas e conversa fiada nada teriam a ver com intelectualidades, teorizações, pois parte de uma situação mais espontânea, que não passou por uma reflexão dos interlocutores. Entendem minha dúvida?
Um YouTuber disse uma vez: «Pessoas intelectuais falam sobre IDEIAS e pessoas INCULTAS falam sobre pessoas.»
Fiquei pensando sobre isso...
Desde já, obrigado a vocês!
As funções sintáticas de quem II
Podiam esclarecer se a resposta dada em "O relativo quem e a preposição a" está em contraste com o que já se tinha dito na resposta "O emprego dos relativos que e quem" (26/09/2018, ponto iii), no qual se diz que «quem não pode ter a função de sujeito, nem complemento direito»?
Segundo o primeiro documento, quem pode ter qualquer destas funções, como podemos ver nos exemplos 4 e 5 ali.
Como é que é possível que a frase «Sei quem a Rita encontrou no cinema» esteja correta, enquanto a frase «Chegou o rapaz quem conheci» é gramatical?
Será forma correta se removermos «o rapaz» e dissermos «Chegou quem conheci»?
O uso da locução «até então»
A expressão temporal «até então» pode, modernamente, ter como equivalente também «até agora»?
À luz da tradição gramatical, então, nesse tipo de contexto, se refere a tempo passado, mas, no Brasil, é muito comum esse outro tipo de registro.
Em Portugal, comportamento semelhante talvez indique mudança em curso, não?
Obrigado.
A grafia e o significado de coplantação
A grafia correta é "co-plantação" ou "coplantação"?
O adjetivo formulaico
Ouvi a palavra "formulaico" e gostaria de saber se é um neologismo que podemos utilizar, ou se devemos adoptar uma palavra equivalente.
Apesar de não ter encontrado em nenhum dicionário físico, a palavra está contemplada no sítio web da priberam.
Muito obrigada!
O verbo esquecer II: «que nunca mais me esquece...»
Está correto dizer «uma coisa que nunca mais me esquece ...»?
Obrigada.
A locução «ao pescoço»
Uma pergunta muito concreta: devemos dizer «o médico está de estetoscópio no pescoço» ou «o médico está de estetoscópio ao pescoço»? Qual o critério de escolha, nestes casos, entre «ao» e «no»?
Metonímia e personificação: «As casas espiam os homens» (C. Drummond de Andrade)
No verso «As casas espiam os homens [...]» ("Poema de sete faces") , do poeta Carlos Drummond de Andrade, podemos identificar a presença da metonímia?
Pretéritos perfeito e imperfeito do indicativo: acordava vs. acordou
«Este homem acordava de um derrame», ou «Este homem acordou de um derrame»?
Ambas as frases estão certas em português europeu?
