DÚVIDAS

Envio vs. envios
Na loja online onde trabalho estão sempre a usar expressões como «envios gratuitos para encomendas superiores a x» ou «aproveite já milhares de produtos com envios gratuitos», contudo isto soa-me muito mal. Acredito que não seja errado usar o plural das duas palavras «envios gratuitos», mas soa-me melhor dizer «envio gratuito para encomendas superiores a x» ou «aproveite já milhares de produtos com envio gratuito». Fui pesquisar grandes marcas na área e maior parte usa as duas palavras, no singular, nestas e em expressões similares a esta. Alguém me pode ajudar neste sentido? Obrigado
Pensar e repensar
Conforme a gramática, os verbos repensar e pensar pedem a preposição em: «Pensei no problema.» «Repensei no caso.» Mas tenho visto a omissão da preposição em frases como: «Vamos repensar o mundo.» «A iniciativa é repensar o que deve ser mudado.» «Vamos repensar o nosso vocabulário?» «É preciso repensar o sistema educacional.» «É necessário pensar o mundo.» Então a minha pergunta é: a regência verbal nesses casos está correta, por conta do sentido do verbo repensar nessas frases, ou o correto seria pôr a preposição "em"? Muito obrigada pela atenção e pelos preciosos esclarecimentos de sempre!
Fenómenos de reanálise
Qual é a palavra dentro da língua portuguesa que representa o termo inglês eggcorn? Parece que às vezes eles usam a palavra oronyms no lugar, mas oronyms em português é outra coisa. Um exemplo deles para explicar esse fenômeno: ex. 1: It seemed to happen all over sudden. (errado) ex. 2: It seemed to happen all of a sudden. (correto) [= «parece ter acontecido de repente»] Um da nossa língua: ex. 1: «Batatinha quando nasce esparrama pelo chão.» (errado) ex. 2: «Batatinha quando nasce espalha a rama pelo chão.» (correto)
O funcionamento dos adjetivos relacionais
Na resposta "Adjetivos qualificativos vs. adjetivos relacionais", Ana Martins afirma que os adjetivos relacionais ocupam posição pós-nominal (depreende-se que seja sempre) e dá como exemplo "monocromático". Ora, no conhecido filme de animação Madagáscar, um dos pinguins refere-se à zebra como "meu monocromático amigo". Isto estará errado? Por outro lado, na mesma resposta diz-se que os adjetivos relacionais não são graduáveis. Então, não é correto considerar que um enredo é "kafkianíssimo"? A resposta citada refere, ainda, que os adjetivos relacionais não podem ocorrer em posição predicativa, o que me espanta, pois é possível dizer que "um jornal é diário ou semanal". Ou não estão os adjetivos diário e semanal, neste caso, em posição predicativa? Finalmente, esclarece-se que os adjetivos relacionais não têm antónimos. No entanto, podemos considerar que policromático é o antónimo de monocromático... ou não? Não pretendo pôr em causa a resposta fornecida, mas resolver a minha dificuldade em distinguir os adjetivos relacionais dos qualificativos! Grata pela vossa atenção e parabéns pelo excelente e meritório trabalho!
«Meter o Rossio pela Betesga» numa obra de A. Garrett
Pretendia saber o sentido da expressão inserida na obra Falar Verdade a Mentir de Almeida Garrett: «José Félix – Ora adeus! O senhor seu pai com efeito... ele ainda é parente, bem se vê, há-de ter sua costela espanhola... O seu projecto é outra espanholada também... Querer impedir que um rapaz do tom, da moda pregue a sua peta!... isso é mais do que formar castelos em Espanha, é querer meter o Rossio pela Betesga.» Gostaria muito que a professora Lúcia Vaz Pedro explicasse o que significa a expressão.
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