DÚVIDAS

«A sorte do jogo podia ter ficado decidida…»
Exemplo de texto, retirado há alguns dias do “site” do jornal Record: «Ou seja, a sorte do jogo podia ter ficado decidida se o Sporting tem feito um segundo golo, como teve ocasiões para o fazer.» O uso de uma forma do presente do indicativo em vez do condicional ("tem" em vez de "tivesse", como parece lógico) está cada vez mais difundido. Penso tratar-se de um regionalismo, propagado por um certo estilo "castiço" de falar e escrever, nomeadamente no "futebolês". Peço-vos por favor que me esclareçam esta dúvida – é gramaticalmente correcto ou aceitável, ou trata-se de um novo uso da língua? Muito obrigado.
Pagar em espécie
Há poucos dias, numa loja de roupa de origem francesa, vi um letreiro informando que os arranjos para ajustar determinadas peças deveriam ser pagos "em espécie", querendo significar que não podia ser com cartão. Achei piada até porque me lembro bem que, quando prestava serviço militar, receber um subsídio de alimentação em espécie queria dizer que seria entregue pela Manutenção Militar, à unidade onde prestava serviço, artigos alimentares no valor estipulado. Entretanto, comentando o facto com amigos, disseram-me que em linguagem económica ou bancária (?) "pagar em espécies" significa mesmo em dinheiro, notas ou moedas. Aqui uma dúvida. Será verdade? Também, por acaso, vi um programa de televisão, sobre a viagem de circum-navegação de Magalhães, que me despertou a curiosidade para saber se esta expressão tem que ver com "especiaria" como meio de pagamento.
Números fraccionários *
Se 1/100 é um centésimo e 1/1000 é um milésimo, como devo dizer 1/2000? Na Nova Gramática do Português Contemporâneo de Celso Cunha e Lindley Cintra é dito que o emprego dos fraccionários numa forma composta (neste caso, dois mil) é feita «pelo cardinal correspondente seguido da palavra avos». Assim sendo, deverei dizer «um dois mil avos» ou existe outra forma (um duo-milésimo? Um milésimo segundo?)
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