DÚVIDAS

A sintaxe do verbo haver
Lindley Cintra e Celso Cunha, na Nova Gramática do Português Contemporâneo, dizem que o verbo «haver» quando significa «existir» não tem sujeito e sempre assim ensinei aos meus alunos. Entretanto, em conversa com uma professora de latim, ela mostrou a sua estranheza argumentando com a sintaxe latina do verbo «haver». A dar-lhe razão, na Gramática do Português Actual, de José de Almeida Moura, da Lisboa Editora, lê-se na página 227: «O sujeito das formas existenciais de haver que só apresentam a 3.ª pessoa do singular pode surgir no plural tomado como um conjunto.» Segue o exemplo: «Há livros raros.» Face a estas duas opiniões tão desencontradas, em que ficamos? No caso do exemplo supracitado, «livros» é complemento directo como defende Lindley Cintra ou é sujeito conforme a Gramática Actual de José Moura? Agradecia uma opinião fundamentada.
A origem da expressão «fazer a folha»
Qual a origem da expressão «fazer a folha», na acepção de prejudicar alguém? O significado mais preciso será o de elaborar uma relação de empregados e respectivos salários. Mas qual a explicação de este outro significado? Na minha vida profissional, deparo-me frequentemente com a expressão «faço-te a folha». Tendo a desvalorizar a ameaça, por considerar que é demasiado genérica e que pode significar muita coisa, desde riscar o carro até bater ou matar. Mas já tenho ouvido explicações de que se trataria sobretudo de agredir. É, de resto, um dos significados apontados no Dicionário Verbo da Academia das Ciências.
Análise sintáctica de duas frases de Sophia de Mello Breyner Andresen
Em primeiro lugar, gostaria de vos agradecer os bons momentos que tenho passado esclarecendo dúvidas e partilhando curiosidades sobre a nossa língua. Bem hajam! As minhas dúvidas prendem-se com a análise sintáctica de duas frases de Sophia: 1. «Tudo na casa era desmedidamente grande» – será que poderemos considerar «desmedidamente» como complemento circunstancial de modo ou como elemento quantificador que integra o predicativo do sujeito, sem que se possa considerá-lo isoladamente? O predicativo do sujeito será então «desmedidamente grande» ou simplesmente «grande»? 2. «Quando eu morrer (...) mandem construir um navio sobre a minha sepultura» – embora tratando-se de uma frase complexa, poderemos considerar a oração subordinada temporal como o complemento circunstancial de tempo desta frase? Desde já agradeço a vossa colaboração e despeço-me até uma nova oportunidade,
A análise de tudo em frase de Vieira, de novo
Intrigou-me a pergunta feita pelo professor Pedro Figueiredo em 6/12/2005. Intrigou-me tanto, que gostaria de solicitar uma análise mais detida da referida frase, se possível fazendo-se a análise sintática completa. A propósito envio as frases abaixo, semelhantes àquela, para as quais peço o mesmo favor, especialmente quanto aos termos «ambos», «eles» e «todos»: «Marina e Daniel eram ambos estudantes.»; «Marina e Daniel, seriam eles estudantes?»; «Os cientistas premiados eram todos reconhecidamente inteligentes.» Muito obrigado.
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