DÚVIDAS

A delimitação da apóstrofe
Desejava esclarecer uma dúvida sobre a apóstrofe, recurso expressivo. Sabemos «que consiste na interrupção do discurso para invocar, através do vocativo, alguém ou algo a que se se atribuem características de pessoa» (in Dicionário Breve de Termos Literários, de Olegário Paz e António Moniz), ou «RETÓRICA – recurso estilístico que consiste numa interpelação, geralmente exclamativa, a algo (normalmente personificado) ou alguém (usualmente ausente), por norma realizada através da utilização do vocativo e do discurso direto e destinada a conferir vivacidade e/ou realismo ao discurso» (apóstrofe, Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa). A dúvida é a seguinte: – Na estância 133, do Canto III, d’Os Lusíadas, a apóstrofe está apenas no vocativo, «ó sol», ou no conjunto dos versos 1 a 4 da mesma estância? O mesmo se dirá da apóstrofe aos «côncavos vales» – a apóstrofe está apenas no vocativo, «ó côncavos vales», ou no conjunto dos versos 5 a 8 da referida estância? De acordo com a primeira definição, sim, o recurso está apenas no vocativo. Porém, a interpelação ao «sol» ou aos «côncavos vales» está presente no conjunto dos versos que indico. Antecipadamente, grata pela atenção.
O uso e a classificação de salvo
Numa das respostas excelentes do Ciberdúvidas afirma-se que «salvo é um conector que pode introduzir sintagmas nominais (1), orações infinitivas (2) e sintagmas preposicionais (3)». Embora em espanhol exista a conjunção salvo que, parece-me que esta não existe no português. No entanto, tenho visto (raramente), nos ambientes jurídicos, salvo usado num sentido análogo ao das conjunções. Fiquei com a dúvida se esse uso é gramatical. Se o é, como classificaríamos salvo neste caso? «Esta legitimidade é determinada em função dos termos em que a relação material controvertida é configurada na petição inicial, salvo a lei indique em contrário.» Obrigado.
Concordância negativa: «se não queres que ninguém saiba»
Bem haja o Ciberdúvidas, e bem hajam os seus colaboradores pelo importante veículo que são em prol do correto uso da nossa língua. Muito agradeço o vosso esclarecimento sobre o seguinte: Atentas as expressões, frequentes: A. «Se não queres que ninguém saiba, não o faças nem o digas.» B. «Se queres que ninguém saiba, não o faças nem o digas.» Que as duas expressões são convergentes, acho que sim, que são. Mas serão ambas corretas ou só uma em prejuízo da outra? E no último caso, qual delas? A resposta poderá ser a sacramental (que penso ser a A.), mas a dúvida subsiste. Agradeço o vosso douto comentário.
Expressões próprias do texto expositivo
Gostaria de esclarecer a seguinte dúvida: Num texto expositivo cuja temática incide sobre a «indiferença nas relações humanas», é possível utilizar expressões como «o homem é cada vez mais indiferente ao que o rodeia», «o homem só se preocupa consigo próprio e ignora os demais», «não podemos ficar indiferentes aos problemas dos outros», entre outras. Estas expressões não fazem parte de um texto de opinião? Como distinguir expressões próprias do texto de opinião das do texto expositivo? Obrigada pela atenção.
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