DÚVIDAS

Preposição a finalizar frase: «... tenho dificuldade em lidar com»
É correto terminar uma frase com «lidar com»? Exemplo: «Quanto à falta de pontualidade, tenho dificuldade em lidar com» Na minha opinião a frase poderia ser «Quanto à falta de pontualidade, é algo com que tenho dificuldade em lidar» ou «Tenho dificuldade em lidar com a falta de pontualidade». Fiz este reparo à minha filha que me respondeu que todos os amigos falam assim e que a frase está correta.
Consigo: «consigo próprio»
Regra geral, tenho poucas dúvidas quanto ao português escrito; acredito, porém, que essa segurança advém do facto de ser uma leitora compulsiva, e não de ser especialmente versada nas questões menos comuns da gramática da nossa língua (de gramática, só recordo as distantes lições da instrução primária e do liceu, e uma leitura, também já distante no tempo, da «Nova gramática do Português contemporâneo»*, de Celso Cunha e Lindley Cintra), pelo que, frequentemente, me debato entre a certeza da formulação correta e a falta de base teórica para defender a minha posição. E quando não sei mesmo (nem sequer intuo), recorro ao Ciberdúvidas, claro. Encontro-me presentemente a rever vários textos [...] e deparei com uma frase que me soa mesmo mal; mas como as alterações que proponho têm de ser discutidas com os autores, gostaria, caso tenha razão, que me proporcionassem o tal fundamento teórico, para poder apresentá-lo se aqueles não aceitarem a correção. A frase é a seguinte: «Distinguir a diferença entre a perspetiva focal e periférica na relação com si próprio, com o outro, com os objetos e com o espaço.» Eu sugiro «[...] na relação consigo próprio [...]». Tenho razão? Obrigada e parabéns pelo vosso trabalho.
Concordância: adjetivos + nomes coordenados
Tenho uma questão quanto à qual a gramática tradicional é um tanto quanto esquiva, então gostaria de seus pareceres. Se trata de campo semântico de adjetivos em sintagmas nominais com mais de um substantivo. Considerando-se que a GT [gramática tradicional] diz que um único adjetivo caracteriza mais de um substantivo (pelo menos enquanto o sentido do adjetivo os cobrir) e que isso ocorre conforme a disposição de termos no sintagma — inclusive em todos os casos de concordância atrativa — (o que é minha maior dúvida se de fato o é), me interesso em saber como contornar interpretações equívocas nestes casos, mormente casos em que a concordância atrativa é obrigatória, por ex., quando adjetivo(s) anteposto(s) (funcionando de adjunto adnominal) aos nomes: «Comprei manuais e gramáticas velhos/velhas.» (penso que caracterize ambos independentemente da ausência de determinantes e da concordância estabelecida, tanto é que se objetivasse a caracterização de somente um nome contornaria assim: «Comprei manuais velhos e gramáticas.» / «Comprei gramáticas velhas e manuais.» Nestes casos, a concordância se faz obrigatoriamente com o mais próximo, pois logicamente só há o mais próximo para concordar. Por conseguinte, quanto a isso também gostaria de saber que acham.) «Comprei velhos manuais e gramáticas.» (nota-se que o sentido do enunciado, provocado pelo deslocamento do adjetivo, mudou. Aqui começa a complicar em meu entender, pois o adjetivo pode, conforme sua carga semântica, caracterizar ambos. E fico em dúvida se efetivamente ocorre, a ausência de determinantes teria alguma implicação diferente na interpretação? Suponho que não... «Comprei os manuais e as velhas gramáticas.» (Por mais que a concordância seja atrativa, não por intuição possibilidade de caracterização semântica de ambos.) Para não ir à exaustão com exemplos, para com casos de adjuntos adnominais, paro por aqui. Ao predicativo do objeto agora: Minha questão com este é mais sobre como contornar a interpretação de que ambos os substantivos são modificados. Para tal recorrendo a pontuação, penso conseguir fazê-lo. No entanto, como estou estudando pontuação ainda (sou um exímio "pontuador"); não sei se satisfaço plenamente a questão, portanto a vocês recorro. «Comprei velhas as gramáticas; e os manuais» (não necessariamente velhos). (E as gramáticas enquanto velhas, não necessariamente estão velhas no momento da enunciação.) Aguardo suas reflexões ansiosamente. Obrigado pela atenção.
A força do que se argumenta num período composto.
Tenho tido dificuldades para identificar a força do que se argumenta em um período composto. Para identificar, é preciso ter em mente o contexto e também identificar os operadores argumentativos, certo? Duas orações me causaram dúvidas: «De certo modo, nós alugamos o livro digital, não o adquirimos.» «Embora não tenha nascido ontem, a era digital ainda é um mundo todo novo.» Na primeira oração, a força do que se argumenta está no segmento «não o adquirimos»? Na segunda oração, a força do que se argumenta está no segmento «Embora não tenha nascido ontem»? Agradeço a atenção.
Psoriásico, psoriático, psórico e psoríaco
Qual é a forma correta de escrever: "artrite psoriásica", "artrite psoríaca" ou "artrite psoriática"? As três formas são encontradas em diferentes textos, mas em nenhum lugar se fala sobre a origem do termo ou qual a forma adequada de escrevê-lo. No site dos medicamentos de Alto Custo, utiliza-se o termo "psoríaca". Em sites de sociedades médicas, os termos psoriásica e psoriática são preferidos. Todas as formas estão corretas?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa