O adjetivo desregulatório
Pode dizer-se desregulatória?
Obrigado.
Tudo, antecedente do pronome relativo quanto
Nas frases :
1. «Tudo quanto houve passou.»
2. «Tudo quanto é passa.»
Em 1, o termo «Tudo quanto houve» é oração subordinada substantiva subjetiva? Ou o termo «quanto houve» é oração subordinada adjetiva?
Em 2, o termo «tudo quanto é» oração subordinada substantiva subjetiva? Ou o termo «quanto é» é oração subordinada adjetiva?
Agradeço.
Gerúndio: «qual fantasma, os olhos cintilando no escuro»
Gostaria de saber se, em bom estilo literário de língua portuguesa, são aceitáveis construções como as que seguem (refiro-me às orações [que finalizam as frases], com o gerúndio, tão comuns no inglês):
«O matuto ficou ainda um instante perto da vítima, qual fantasma, os olhos cintilando no escuro.»
«Tito ia à frente, seguido dos companheiros, os punhais cintilando na escuridão.»
Se possível, poderiam dar-me exemplos tirados dos melhores autores?
Agradecido desde já.
Costumar e a voz passiva
Como fica esta frase na passiva: «O João costuma ler as revistas»?
Obrigada
O verbo significar seguido de oração subordinada
Quanto mais estudo sobre modos verbais, mais tenho dúvidas sobre questões que parecem simples, especialmente o subjuntivo.
1) «Estudei física, mas isso significa que eu conheço todas as fórmulas?»
2) «Estudei física, mas isso significa que eu conheça todas as fórmulas?»
Qual frase está correta? A 1 soa mais certa quando a digo em voz alta, porém, como a frase expressa dúvida, a 2 parece estar sintaticamente correta.
Grato pela ajuda.
Pronomes átonos e os verbos esperar e morder
«Não sabia o que lhes esperava» ou «Não sabia o que as esperava»?
«Não lhes mordia» ou «não as mordia»?
A minha dúvida prende-se, não só mas também, com o facto de me parecer que no primeiro caso deve ser «as esperava» e no segundo «lhes mordia», sem no entanto saber o motivo pelo qual não deve ser idêntico em ambos os casos? Ou deve mesmo ser idêntico?
Obrigado.
A expressão «mal seria»
Oiço muitas vezes a expressão «Mau era, se isso fosse assim».
Para mim devia ser «Mal seria, se isso fosse assim».
Gostava que me tirassem esta dúvida, porque é uma coisa que se ouve muito e na minha opinião mal dito. Mas se calhar estou enganada.
Obrigada pela vossa atenção.
A construção «entende-se por»
Escrevo para tirar uma dúvida sobre a forma mais apropriada de interpretar a expressão «entende-se por» em períodos como este:
«Entende-se por poder de polícia a atividade que regula uma prática.»
Nesse tipo de período, a partícula se está marcando um caso de voz passiva ou de sujeito indeterminado?
A presença da preposição por parece apontar para sujeito indeterminado, mas o verbo entender pode ser transitivo direto e indireto e há um sintagma não iniciado por preposição («a atividade que...») que poderia fazer o papel de sujeito da passiva, ainda que não venha logo após a partícula.
Por outro lado, montar essa frase com o possível sujeito na posição que habitualmente ocupa em passivas sintéticas me parece pouco natural («Entende-se a atividade que regula uma prática por poder de polícia»), fora a questão de que, nas construções passivas, a preposição por costuma introduzir agente da passiva, mas esse não é o caso em períodos que usam «entende-se por».
Essa dúvida surgiu no trabalho, quando estávamos discutindo se o verbo entender deveria ir para a terceira do plural em um caso como este: «Entendem-se por poder de polícia as atividades que regulam uma prática.»
Obrigado.
Carta de prego e tradução de La Fontaine
Estou a traduzir os contos em versos de Jean de La Fontaine. No conto "Le villageois qui cherche son veau", pode-se ler:
Sans dire quoi : car c'étaient lettres closes.
Em língua francesa, «(être) lettre close» é uma expressão arcaica que designa um texto ou uma coisa impenetrável, incompreensível.
Gostaria de saber, por favor, se há alguma expressão em português antigo ou moderno que se refira a algo abstruso, hermético, impenetrável?
Antecipadamente grata.
A pronúncia de mexo, fecho e desço
Tendo analisado várias obras de referência (Mateus na sua Gramática de 2003 e Barbosa em Études de phonologie portugaise, entre outras), às quais pude ter acesso, verifica-se o abaixamento de [e] e [ej] resultando em [ɐ(j)] antes de consoantes palatais [ɲ, ʎ, j, ʒ, ʃ], surgiu-me a seguinte dúvida:
Esta transformação também se aplica ao verbo mexer, conjugado na 1.ª pessoa do singular, i.e. «eu mexo» [ˈmɐ(j)ʃu], quase igualando-se, a «o fecho», [ˈfɐ(j)ʃu]) e ocorrendo na elocução rápida dos verbos como descer, crescer e derivados (i.e. 'eu desço' [dɐ(j)?ʃsu] coincidindo com 'eu deixo') e, além destas, na palavra 'mesmo' onde o /e/ fechado também está em contacto com o [ʒ]? (Embora este último esteja transcrito [ˈmeʒmu] nos Dicionários da Porto Editora).
Tenho de vos confessar que, apesar de ter recorrido a outras ferramentas de consulta tais como 'wordreference' ou 'forvo', infelizmente não pude tirar uma conclusão definitiva. Se fosse este o caso duma possível variação fonética no português europeu, em que medida é aceitável na norma-padrão?
Muito obrigado pela atenção dispensada.
